Eu peço um chope e apoio a vontade de comer um galeto com as mãos e escuto e engasgo quando um deles diz que eu como, como um homem. Eu pensei que faço muitas coisas como um homem. Três horas da manhã, Copacabana ainda viva. Comida de verdade com meus amigos de verdade. Eu não sei andar com meninas, eu não sei freqüentar meninas, as que me rodeiam tem todo o meu amor, mas é apenas com eles que o mundo parece seguro. Feminismo indo pelo ralo, e eu não ligo. Meus meninos me observam enquanto eu faço bico pelo dia seguinte que começa cedo e me pagam um chope para que eu reclame menos. E eu reclamo.
E comentam sobre futebol e se chateiam porque em alguns momentos eu sei ainda mais. Mulher quando é passional é passional em tudo, e por isso reclamam do drama, da teimosia, e tentam me convencer em vão sobre a bolsa de valores e sobre a minha conta bancária. Observam de longe quando eu jogo charme e me criticam quando eu chego a casa. Reclamam de absolutamente tudo, me encorajam sobre o livro embora nunca leiam meu blog. Morrem de medo sobre o que eu escrevo aqui.
Eu sento e derramo meia duzia de referências tentando convencer em vão que eu conheço alguma coisa. Eu sento e cito jazz e literatura latino americana, comento sobre o mestrado e sobre a Finlândia. Sobre me sentir estrangeira, até na cidade que eu mesma escolhi. Eu sento e tentando convencer de que eu sei de alguma coisa eu falo alto para ver se me ouvindo, eu mesma acredito.
Eu bebo um chope, abraço os meninos, como o galeto com as mãos e volto feliz como criança para casa. São poucos os dias em que esses pequenos momentos de felicidade plena invadem a sala, a casa, a alma. Não tenho culpa nenhuma de abraçar o mundo quando esse me parece disponível, e derramando amor pela portaria do prédio eu durmo mais uma noite feliz sabendo que a minha vida é tudo menos ordinária.
E parece doce.
Que seja doce.
E sempre um pouco mais...
eu cheguei aqui pelo seu post com título da música do joy divison, você provavelmente saberá qual é.
o google é o máximo.
Adorei o texto e principalmente no final: "Não tenho culpa nenhuma de abraçar o mundo quando esse me parece disponível, e derramando amor pela portaria do prédio eu durmo mais uma noite feliz sabendo que a minha vida é tudo menos ordinária."
E como o Lobão canta: "A vida é doce". Conhece esta música? Veja se tem a ver e depois me fala.
Abraços
Aiiiiii...
Cheguei, li TODOS os posts.
Adorei.
Muito.
Ah! eu super seria sua amiga. mesmo gostando de amigos tbm!
Beijo