Quando cheguei vi que o tempo comeu o jardim, a casa, o quarto que eu habitava e corroia aos poucos os que ainda habitavam nela. Mas eu não queria pensar em tristeza enquanto sentada comportada, eu esperava por fim, o que ele faria comigo. O tempo ia colocando prazo de validade nas coisas e nas pessoas enquanto colocava debaixo da minha porta toda a responsabilidade de fim do mês. O tempo mudou aos poucos as fotos dos porta retratos, substituiu pessoas, me fez despedir de algumas outras e me deu nos momentos em que eu menos esperava (como uma boa garota) outras tão boas, que eu tive que (como uma boa garota) pedir que ele deixasse assim, quieto.
O tempo tirou um pouco a ânsia das coisas e a minha vontade de abraçar o mundo, que muitas vezes era maior que o próprio tempo, mas me mostrou a possibilidade do silêncio, da quietude, da sobrevivência sozinha no apartamento grande e me fez querer uma pessoa só andando por ele, além de mim, e ao meu lado.
O tempo passou varrendo a poeira da minha vida antiga, varreu o medo de me sentir inteira, tirou a saudade de me sentir metade. O tempo construiu aos poucos a vontade de fechar os olhos e esperar de braços abertos (sem um pingo de medo) o que por fim, ele fará comigo.
Adorei seu blog...encontrei por acaso enquanto vasculhava coisas na net...muito bem humorada sua escrita...me identifiquei e não parei de ler...acho q vou continuar lendo....entra no meu blog tb se puder...
Curti o seu blog. Não me lembro como eu o achei porque faz tempo e só agora resolvi deixar um comentário. O texto é bem profundo. Percebi que o tempo pode me mostrar muitas coisas boas, é só dar oportunidade a ele.