"She's lost control again"

... e mesmo desse jeito, eu aceitei a forma com que veio porque quando em mim fez sua morada, chegou tirando meu ar e jogando todas as coisas para cima. É indomável, insustentável, incontrolável e talvez por isso me domine de uma triste forma tão passiva. Abri meus braços e minhas pernas, e de olhos fechados deixei com que ele invadisse minha vida por completo sem procurar saber quem antes tinha vivido aqui. Diz que gosta de mim e vez ou outra esfrega a barba no meu pescoço e na alternância de alguns meses me escreve alguma coisa bonita para que eu não perca por completo a fé no (meu) amor. Quando chegou me prendeu pelos silêncios, pelo vazio, pela sensação de meio que não me deixa (não me deixou) saber do que se esconde, o porquê do medo de que um dia eu invada sua vida e sua calma, e de mim protege sua casa, sua cama, seus amigos, seus escritos, sua arte que derrama sentimento depois de tanto guardado com medo de se fazer humano. Tem medo que um dia alguém descubra que sente falta e assim xingue em voz alta suas insatisfações e grite no meu ouvido que eu não valho nada, e que tenho amigos demais, e que saio demais, e que escrevo de menos e que não tenho a mínima idéia do que eu quero, e num lapso de proteção absoluta me joga pra fora da cama e me olha enviesado, e me protege de suas manhãs, de suas manhas, de sua arte, de sua vida, me amando assim na beira, na superfície, até aonde meus olhos alcançam, porque o que tem dentro baby, não é para o meu bico.
Diz que quer dormir comigo (quererá ainda, querido?) por protocolo e se desfaz das minhas coisas de manhãzinha. Cobra calma quando me visto, pede um minuto com a cara mais cínica do mundo (quererá ainda, querido?) quer que eu acredite que ele consegue viver na presença de mais alguém. E assim eu vou embora, óculos escuros, andando na contramão, pensando que se eu me afasto de repente ele sente falta do barulho, dos pés cansados que batem forte no piso da sala, e entenda num lapso que ninguém, absolutamente ninguém consegue ser feliz sozinho.
Nem você.


"But she expressed herself in many different ways until she lost control again"
http://www.youtube.com/watch?v=QVc29bYIvCM

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Esta página contém um post de Paula Gicovate publicado em maio 24, 2008 11:53 AM.

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