Procuro livros velhos na antiga estante do quarto que costumava ser meu. Eu não dou conta da nostalgia, eu não estou à prova do saudosismo, eu sofro até com cartas de amor que escreveram para mim quando eu tinha apenas 12 anos. Eu sofro demais sabe, e fico invejando todas essas pessoas céticas que não acreditam em nada enquanto eu acredito no sexo dos anjos, astrologia, em Deus, e em nós dois. Eu acredito em tudo e sofro com a parede amarelada do quarto e com o tapete manchado de caneta e sei exatamente o que são todas as marcas de tinta e hidrocor no edredom e o dia de cada rabisco por trás da porta. Eu queria esquecer tudo e não sentir a marca do tempo nos meus avós e na minha casa. Longe de casa, que hoje em dia é a casa onde eu nasci, o tempo passa mais rápido. Eu venho visitar e a vida passa dez anos, e passa diante dos meus olhos, e eu, que acredito em tudo, não posso fazer absolutamente nada. Quando eu penso que escolhi a intensidade para lutar contra as coisas que são tiradas de mim com rapidez arrasadora, eu peço um pouco mais de tempo para que eu possa olhar com calma antes de tudo ir embora, até mesmo eu, que amanha volto para minha vida e deixo a realidade do meu passado e o tempo, congelados na casa dos meus avós.
Eu não dou conta de tudo.
DATE: 12:01 PM
É, o tempo. Quando a gente vê, ja foi! O passado não existe, muito menos o futuro...O que existe...o que existe? O que não é passado ou futuro!? Não ha presente! O presente? Ja foi!
To adorando ter descoberto isso aqui! Lindos textos, agora, deixa eu continuar lendo.
Beijos
Nahonymous