...dizendo que ficávamos juntos dias e noites e que se até hoje eu ainda não me acostumo com o espaço vazio ao lado (Mesmo quando às vezes eu durma acompanhada) é porque ele deixava que eu adormecesse sob o seu peito e depois, como um cavalheiro, se desvencilhasse de mim, mas mesmo assim eu sempre dava um jeito de acordar em cima dele. E me acusou de ter saudades físicas e não sentimentais, disse que eu não o amava e sim que precisava dele perto de mim, para acordar e dormir ao meu lado, sempre transbordando amor enquanto eu não amava tanto de volta.
A verdade é que desde que decidimos que nossas visões sobre o amor eram incompatíveis eu ainda procuro ele pela cama. E ás vezes me dá uma saudade sufocadora de todo o caos que vinha junto daquele não saber lidar e é nesse momento em que eu grito, choro, esperneio, escrevo, penso em dez desculpas fajutas para ligar e ouvir a voz dele de novo (Que eu já nem sei mais como soa) mas depois lembro que sinto saudades da cama e do sentimento que eu nunca soube controlar.
Deixo de lado, esqueço, entendo.
O amor simplesmente acaba.
Parte dois
Eu junto os caquinhos e restos e fotos e lembranças amargas e amarelas que brotam por entre as frestas da casa. Por mais que eu tenha limpado, jogado a poeira fora e me desfeito de coisas, e objetos e casos e marcas e roupas, ainda encontro resquícios de algo que ainda não foi, e é desses resquícios que brotam toda saudade, toda nostalgia, toda lembrança de um tempo bom e fácil, de um cotidiano de café , torradas e trânsito e de todas as promessas que eu fiz, e não cumpri.
Faz algum tempo em que me assumi dependente química de amor e cigarros. Parar de fumar é sempre mais fácil, mas com o amor, a vulnerabilidade é de espantar a psicologia.
Pois numa crise de abstinência de carinhos gratuitos, desses sem hora, lugar ou grandes cerimônias é que resolvi desenterrar tudo o que eu já tinha tirado do corpo e da casa e por mais que não me falte nada, eu sempre tenho do que reclamar.
Na verdade o que eu tenho que me livrar é do amor.
Os cigarros é que nunca me fizeram mal.
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