“(...) pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.” (adivinhem de quem é rs...)
Eu podia fazer um texto irônico sobre todas as coisas que andam acontecendo. Podia dar um boas vindas ao inferno astral que chegou colocando a casa abaixo. Posso falar do que tentei ser correto e não fora comigo, que perdi a fé na humanidade, que a dor é só minha e que me deixem a sós com ela.
Mas eu sou uma idiota.
Continuo tendo fé no ser humano, continuo amando cada um que não foi correto comigo, dou risada da própria desgraça e a dor é física, mas quero sim que me deixem a sós com ela. É preciso entende-la, dissecá-la, cuidar dela, dar a dor o momento dela de ser a única coisa que te move por um momento. (Digo por um momento, não por uma hora inteira). Mas é preciso saber que se você não der a dor o espaço que ela merece, as coisas não seguem. A pior coisa que existe é saber que a vida anda mas ainda existe aquela dorzinha alí no fundo, aquela que você não prestou atenção e não sofreu seu luto, por isso ela não vai embora. É preciso viver o luto, senão continua doendo, senão ela continua viva, senão ela sempre vai te lembrar que ainda está alí, por isso essa coisa de viver as coisas até o final. (Porque se não forem esgotadas, os resquícios se tornam maiores do que você mesma) Pois deixem-me com ela. Com ela, com o menino e os livros, até tudo passar. Se me derem café, literatura e um pouco de amor, minha espécie sobrevive nos ambientes mais hostis. Eu sou fruto das minhas memórias, dos meus meninos e de todas as coisas ruins que fazem comigo. Eu as supero, todas, embora “latejem um pouco nos dias de chuva” , mas e daí, se dói é porque é vivo e por isso ainda carrego nas costas o fardo de ser mulher. De ser mulherzinha até o último fio de cabelo, mesmo depois de uma noite em claro tentando entender a cabeça das pessoas e me matar ao ver tantos cenários patéticos da minha vida real ( Porque mesmo que tudo me toque e para mim a vida seja um tanto tecnicolor, meus momentos de realidade me cobram diariamente uma dose de racionalidade. E eles são severos) eu ainda acredito em um fiapo de bom senso coletivo. Enquanto isso, no meio do meu inferno astral, eu vou continuar sorrindo de olheira a olheira. É só me dar um pouco de amor e um pouco de café... A partir daí a gente leva a vida.
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