Trilogia Da Incomunicabilidade

Queria sossego e foi tomar um banho de mar. Recado espiritual, precisava de sal grosso e sol, pra mandar ir embora todo o resto que ficasse preso. Chegou a praia encontrou com ele. Deu três mergulhos pegou a bicicleta e foi embora, assim, nervosa, esbaforida, catatônica. O dia estava lindo de enjoar, voltou para casa ouvindo música. Regina Spektor com The Strokes, Post Modern Girls, pensou em como a vida é assim engraçada e que agora não tinha jeito, já estava feito e a vida seguiria. Pensou que essa música entraria no cd que gravaria pra ele, não tem jeito, está feito, sacudia a cabeça quase caindo da bicicleta. Ipanema estava linda, linda, pensava já chegando em Copacabana.Ainda manteve um pouco do ar de menina bem resolvida de cabelo ao vento e uma carinha saudável de quem parou de fumar.Dando as primeiras pedaladas na ciclovia de Copa começou a desviar dos paismãesfilhosavósavôsbabásecrianças e estava tão desesperada que toda a calma foi embora. Colocou I Wanna Be Adored do Stone Roses no último volume e correu até em casa onde pudesse ficar sozinha e acender um cigarro sem que ninguém enchesse o saco pela fraqueza das duas últimas semanas sem fumar.Pela primeira vez pensa que as coisas poderiam ser diferentes.Não tem jeito, está feito. Quebra o cd do Velvet Underground, amaldiçoa as memórias e marca um chope para ás 21h com as amigas no baixo.

É a vida...não tem jeito.Está feito. Pensa.

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Qual é a música três do Cd? Aquela que o cara canta como se tivesse engasgado com alguma coisa. A três e a nove.
E porque é que eu ainda te encontro por aí?
E como é que vai ser quando daqui há um mês eu estiver olhando sua felicidade besta da minha janela?
E quando eu quiser tudo de novo?
E quando eu ficar miserável dançando em outras casas outras músicas e tudo soar familiar?
E quando eu quiser ver os poemas, as coisas, as palavras e tudo demais que sai desse seu corpo quieto que só diz em versos babe?
E quando eu quiser desesperadamente me esparramar pelo chão?
E o incompleto, o resto, a sobra, o não dito?
E a necessidade de se arrumar a casa, de viver as dores antigas para se organizar o passado? E se com isso tudo babe, eu tiver perdido toda e qualquer possibilidade?
O que vai ser de mim?!

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I don't have to sell my soul
he's already in me
I don't need to sell my soul
he's already in me
I wanna be adored
I wanna be adored

I don't have to sell my soul
he's already in me
I don't need to sell my soul
he's already in me
I wanna be adored
I wanna be adored
Adored

I wanna be adored
You adore me
You adore me
You adore me
I wanna
I wanna
I wanna

2 Comments

DATE: 5:47 PM

Triste, triste... u___u
Ouvir as mesmas músicas, queixar-se das mesmas coisas, cometer os mesmos erros, ter os mesmos arrependimentos...
Sabe, o que acontece com a maioria das pessoas é que elas ficam presas numa inércia que elas não suportam mas têm o medo do novo e da mudança, o que faz parecer as dores rotineiras controláveis e previsíveis.
Acho que existem muitas formas de tentar coisas novas, de encarar uma nova vida... mas isso só tem que partir de você.
Até mesmo para largar o cigarro... =]

DATE: 9:03 PM

dentro de você existe alguma coisa de desesperada e alguma coisa de tirar do sério.Mas fica lindo quando posto em palavras.

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Esta página contém um post de Paula Gicovate publicado em julho 22, 2007 9:34 AM.

"but if you close the door, I'd never have to see the day again." é a postagem anterior.

Ih, sem dramas por hoje garota! é a próxima postagem.

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