Alguns textos antigos.Tão antigos que eu nem sei se já publiquei aqui,mas já foram publicados pelo site www.pessoasdoseculopassado.com.br.Bem...é só um momento nostálgico do meu passado indie rs.
Trip HopE então você aparece. Entre cerveja e cigarros,livros e cinema,banalidades e uma pseudo-timidez que me tira do sério.Chega numa quinta-feira,com esse ar europeu que me irrita,fazendo tudo parecer um monólogo e me reprimindo do seu jeito pela minha hiperatividade completa.Me olha com esse olhar perdido e invade o meu corpo sem pedir permissão alguma.Quando vejo,entrou no meu quarto de madrugada,me acordou de um sono pesado,me fez colocar trip hop e pensar nas frases ridículas de efeito depois de várias,inúmeras cervejas.Nunca disse nada,não procurou saber da minha vida,não quis saber de um cinema,não me chamou para um chope em qualquer boteco sujo.Não me mandou mensagens,não me ligou,não teve ciúme de nenhum dos meus casos,ignorou por completo meus casos,ignorou minha presença e nunca me olhou com outros olhos.Com qualquer olhos.Chega sem perguntar nada em uma quinta-feira qualquer e como se fosse alguém muito importante, se apropria das minhas horas.E agora tudo soa Portishead.
Sobre café e smiths
He never really looks at me,I give him every opportunity,In the room downstairs,He sat and stared,In the room downstairs,He sat and stared”
(Girl Afraid,The Smiths)
Meio dia. Um dia meio cinza,mas graças a Deus, longe de ser aqueles dias com temperatura (sempre medida pelo meu calor pessoal) em torno de cinqüenta graus.Acordei relativamente cedo e naqueles dias de sorte que qualquer pseudo-escritor queria ter.As idéias vieram e por alguns minutos eu jurava ter um best-selles nas mãos.O lugar seria um café na gávea,perto da faculdade e feliz portador da melhor torta de chocolate do planeta.Perfeito para a minha tpm e a consagração daquele momento de café e chocolate onde aparentemente eu escreveria um romance épico.
Até que ele chegou. Um all-star azul tão surrado quanto o meu,um cabelo amarrotado de noite mal dormida,uma camisa do Pixies e um maço de Marlboro na mão, o suficiente para se tornar o mais novo homem da minha vida.O caderno aberto,o café no final e nesse momento,Ana,a minha personagem eterna e meu romance épico estavam esquecidos em algum lugar de um passado remoto.
Aposto que ele tinha acabado de acordar. Encostado no sofá de couro marrom,dedilhando na mesa enquanto esperava o café e eu tensa,invisível e apaixonada escondendo o rosto num romance do Milan Kundera (típico de mulher complicada e irritada com o amor).
Meu segundo café,o primeiro cigarro dele e de repente,não sei de onde,ele poe na mesa o novo livro sobre os Smiths.Ele ouve Smiths e a gente passaria as tardes prostrados na cama enquanto ele cantava Morrisey,e ele teria insônia,me acordaria de madrugada para que eu perdesse o sono do seu lado.E ele teria crises de ciúme,brigaria pela minha vida Junkie,detestaria praia e me prometeria seqüestros (Um fim de semana em Friburgo enchendo a cara de vinho e me dando todo chocolate do mundo) E suas roupas teriam uma gaveta,seus cds um espaço próprio e a cama ficaria menor,eu do lado direito puxando o edredom e chutando de madrugada.O sexo seria ótimo,sairíamos quase sempre,seus amigos seriam os meus,um livro ou dois de presente de “dia do nada” e “Well I wonder” como trilha sonora para lembrar de como tudo começou.Ele seria irritado e brigaríamos por quem vai ter que fazer o café de manha.Reclamaríamos do anti-tabagismo do cinema (veríamos vários,milhares de filmes) odiaríamos nossos ex e por falta de instinto maternal depois de um ano compraríamos um labrador (Juca...um lindo!)Ele entenderia meu jeito,minhas manias e estaria lá quando eu quisesse acabar com o amor.Ele me chamaria de louca e me provaria que eu o amo e me faria escrever um protocolo me impedindo de terminar qualquer coisa.
E aí ele pediu a conta, acendeu mais um cigarro deixando o troco e o maço vazio para trás.Levantou,mexeu no cabelo e nem notou que naquele momento acabava no café a nossa incrível história de amor.
Meu amor foi embora numa segunda feira cinza carregando o livro do Smiths e o meu romantismo. Acredito tanto que vou encontrá-lo de novo quanto acredito no famoso celibato do Morrisey, mas vivi o romance mais lindo da história em 20 minutos. E enfim fui pra faculdade, dizendo que estava me recuperando de um relacionamento intenso movido a café e a muitas músicas do Smiths.
DATE: 7:56 AM
Esse já é um clássico! Literatura pura, contemporânea, viceral. Em uma palavra: sublime!
Sorte!
Menino da camisa do Pixies!
DATE: 4:08 AM
não sei se sou você se você sou eu ou se sou sua ana . Pois até o João Pedro eu tenho . Omitindo os textos e pensamentos em comum , ou até a "caligrafia" na escrita , o desejo de publicar um livro ... coisas tantas , similares como mágica.