Música alta demais para que eu não escute o momento exato dessa madrugada sonolenta na cidade natal que me abriga em momentos confusos. Ironicamente está tudo bem e por mais que eu tenha falado isso outras vezes, agora está. Eu tenho um trabalho bacana que segura a onda e as contas e portas finalmente fechadas de dores que já tinham durado tempo demais.
Eu me sinto livre tanto tempo depois,e por mais que já exista alguém para se pensar durante o dia, a sensação de novidade me acolhe até quando eu tenho certeza de que vou ficar sozinha.
As espectativas dão lugar a calmaria de se fechar o ano completamente livre de antigos vícios (menos este que seguro agora enquanto sopro fumaça para longe)
É sensação de se fechar um álbum amarelado,arrumar caixas e armários, e sair por aí de coração aberto, para o que quiser acontecer e ser grata pelo novo. De novo. Mesmo que tanto tempo depois.
Por mais que o meu horóscopo fale
Que hoje é um dia de sorte
Ontem ele disse que alguma coisa ia mudar o curso das coisas
E que era para eu simplesmente sentar e esperar.
Enquanto o ar condicionado da minha sala do trabalho
Encontra-se mais uma vez
Quebrado
E eu derreto o fim de semana de dois meses depois
Estatelada na areia feito um ovo frito
Para garantir um bronze de garota carioca
que eu não sou.
Segunda-feira com cara de domingo. Acordo no auge da minha pretensão. Preciso de nin-guém. Vou ali colocar o DVD que eu estou quase terminando de ver há quase um mês. Descubro um filme pornô. Lembrei, a Fabiana, que trabalha aqui em casa ficou de dormir aqui no sábado para alimentar meu cachorro preso num corpo de gato. Analiso o resto da cama morrendo de medo do que eu ia encontrar, tudo okay aparentemente. Vejo um pouco mais do filme pornô indagando o gosto de Fabiana. 18h da tarde e eu começo a precisar de companhia. Peço espaço para o cachorro/gato para lamber as feridas junto dele. Concluo que três quartos em uma casa é um espaço grande demais e resolvo ficar bonitinha para ir ao cinema. Dentro do ônibus no caminho para gávea senta um cara ao meu lado.
Eu sempre fico meio puta quando tem mais uns 20 lugares vazios e alguém simplesmente senta ao meu lado.
- Foi a praia?
- Não. E aparentemente eu fui a única pessoa do Rio De Janeiro que não foi a praia hoje.
Fudeu. Foi o suficiente para que o cara selasse uma amizade duradoura. Era apenas o final de Copacabana, senti que ainda teria uns 20 minutos de martírio.
Hum.
- O que você faz?
- (Consultas de tarô em Copacabana, tentei) Sou roteirista
Fudeu.
Não satisfeito em passar o resto do caminho discorrendo sobre JORGE AMADO, no fim do ponto, onde eu já ensaiava uma fuga pela janela, ele me convidou para jantar.
Ainda me recuperando do "advogado-de-causas-sociais-que-trabalhava-no-centro" e do TRÂNSITO que eu peguei, alongando a conversa sobre a literatura regional por causa de uma ZOMBIE PARADE na orla de Copa, tive a constatação de que não havia nenhum filme no horário das 20h com ingressos disponíveis.
Okay. Vou ali na livraria da Travessa me intoxicar de café e contrair dívidas. Sounds Good. Maria estaria lá com fotos de nossas peripécias por Porto Alegre do fim de semana.
Ônibus dois.
Sentei lá pro final, meio traumatizada com o episódio anterior. Catei algumas coisas de dentro da bolsa para passar o tempo. Estava toda concentrada lendo a programação da semana passada do SESC de POA quando de repente senta um cara ao meu lado.
- É show?
- que?! (Nigga what?)
-É, programação de show?
- Não meu senhor (Aí eu já tava chamando de meu senhor um cara de 30 e poucos anos pra ver se ele se sentia humilhado e se mandava)
E ele sentou-se ao meu lado com cheiro de cerveja discorrendo sobre as maravilhas de Gramado.
A viagem seria mais longa.
Completamente traumatizada eu paro o ônibus no meio do caminho e ando 20 minutos até chegar a livraria e me sentir segura. Maria me esperava com uma taça de vinho e alguma normalidade.
Tinha um cara bêbado ao nosso lado. Maria disse que ele estava dando trabalho para os garçons na hora que ela chegou.
Eu estava levantando para ir ao banheiro quando...
- Você é Russa?
E foi assim mesmo que eu entendi que o Rio De Janeiro e eu já não estávamos mais tão bem juntos.
Pedi a separação.
Sessão de análise.
Punk.
Como toda boa judia/pessoa com problemas existenciais eu vou á análise com a mesma freqüência e empenho que uma carola vai a missa aos domingos. Eu preciso, eu preciso, eu vou.
E é muito difícil quando alguém numa quarta feira á tarde te abre uma caixa de Pandora que está fechada há mais ou menos dez anos.
Bem vindo ao meu subconsciente fodido. Que é mais ou menos parecido com isso aqui.
Catherine Millet falava sobre seu livro auto-biográfico (insisto no hífen, gostaria de dizer) enquanto eu penso nos meus textos e na facilidade de se fazer ficção quando se realmente quer. Ela diz que só escreve sobre a própria vida porque se sentiria ridícula ao falar aquilo para as amigas. E a verdade é que por trás do papel sempre existe a grande desculpa da ficção. E eu preciso escrever, preciso escrever, preciso escrever. Como se isso fosse uma atividade compulsiva, e felizmente, agora nem sempre sobre mim.
***
Nesse ínterim ele veio.
Veio e disse que trocou de estado para me ver, que deixou o livro para me ver, que pegou um avião lotado para me ver, sem me perguntar o que eu estaria deixando para trás para vê-lo. Não muita coisa na verdade, mas me incomodou um pouco o fato dele se vangloriar tanto por ter vindo. Isso é sinal de que eu merecia de alguma forma? Na verdade o que eu quero é que ele me admire, que goste do que eu escrevo da mesma forma com que eu acho que hoje em dia ele é o melhor, ao invés de ser mais uma "bonitinha" que valha a pena uma trepada inter estados. Não sei. Sei que ele veio e não mudou muita coisa por aqui. Foi embora em um outro avião lotado e eu é que me virasse com o que tivesse sobrado para mim, além de garrafas vazias, cigarros e papeis escritos e amassados por entre os quartos da casa. Writter´s bullshit, e é o que me toca, não preciso falar de novo a espécie de clichê no qual me enquadro.
E aí eu pego três peças de roupa coloridas que só, frutos de cada dia do fim de semana, e como se tivesse tentado me vestir com migalhas deixadas no Rio entro no taxi a caminho da minha algoz.
Entro na sala, ela acende um cigarro e me pergunta com cara de "enfim" olhando para a minha roupa:
- Começou a primavera na sua vida, Paula?
Eu penso escondida por um sorriso besta que não... Pode ainda não ser primavera, mas pela primeira vez, eu ando lidando bem com o inverno da minha cidade, com as questões que eu recalquei durante um tempo, com a facilidade "dele" e de outras pessoas entrarem e saírem da minha vida da forma que fazem.
Só que desta vez, sem estragos, penso.
Sem estragos.
Então sim... Faz frio lá fora, mas talvez já seja primavera.
Em fim.
Com um tasco de pele a menos no dedo
Eu lembro
De quando eu era pequena e roia as unhas até sangrar.
Criança esquisita...
Profetizando o quanto ia doer
Quando eu levasse as coisas até o final.
Eu gosto de dias cinza no Rio De Janeiro porque eles sempre me dão a impressão de que eu moro em um lugar que não o meu.
Uma infinidade de malas embaixo da cama.
Algum lugar para ir.
Não estar fugindo de nada me faz feliz, mas ao mesmo tempo me causa paralisia.
Eu funciono no estopim, quando alguém grita no meu ouvido que é preciso ir, senão eu fico na janela, ruminando vontade e dia cinza, pensando no que existe por trás do bairro mesmo que eu já tenha ido para todos os lugares que tive vontade.
A diferença é que desta vez é ir embora de verdade.
E lidar com a minha incapacidade de fazer malas sem nunca saber o que levar comigo, e o que deixar para trás.
Eu peço um chope e apoio a vontade de comer um galeto com as mãos e escuto e engasgo quando um deles diz que eu como, como um homem. Eu pensei que faço muitas coisas como um homem. Três horas da manhã, Copacabana ainda viva. Comida de verdade com meus amigos de verdade. Eu não sei andar com meninas, eu não sei freqüentar meninas, as que me rodeiam tem todo o meu amor, mas é apenas com eles que o mundo parece seguro. Feminismo indo pelo ralo, e eu não ligo. Meus meninos me observam enquanto eu faço bico pelo dia seguinte que começa cedo e me pagam um chope para que eu reclame menos. E eu reclamo.
E comentam sobre futebol e se chateiam porque em alguns momentos eu sei ainda mais. Mulher quando é passional é passional em tudo, e por isso reclamam do drama, da teimosia, e tentam me convencer em vão sobre a bolsa de valores e sobre a minha conta bancária. Observam de longe quando eu jogo charme e me criticam quando eu chego a casa. Reclamam de absolutamente tudo, me encorajam sobre o livro embora nunca leiam meu blog. Morrem de medo sobre o que eu escrevo aqui.
Eu sento e derramo meia duzia de referências tentando convencer em vão que eu conheço alguma coisa. Eu sento e cito jazz e literatura latino americana, comento sobre o mestrado e sobre a Finlândia. Sobre me sentir estrangeira, até na cidade que eu mesma escolhi. Eu sento e tentando convencer de que eu sei de alguma coisa eu falo alto para ver se me ouvindo, eu mesma acredito.
Eu bebo um chope, abraço os meninos, como o galeto com as mãos e volto feliz como criança para casa. São poucos os dias em que esses pequenos momentos de felicidade plena invadem a sala, a casa, a alma. Não tenho culpa nenhuma de abraçar o mundo quando esse me parece disponível, e derramando amor pela portaria do prédio eu durmo mais uma noite feliz sabendo que a minha vida é tudo menos ordinária.
E parece doce.
Que seja doce.
E sempre um pouco mais...
Por entre as dobras, o toque, o tato, o tempo que some
O braço que aperta, você me puxa o cabelo, me come
e eu não tomo banho,
porque gosto de sentir o seu cheiro pra lembrar que você esteve por ali.
Todas as coisas que eu queria escrever e não posso, porque não consigo, me torturam todos os dias. Não toca nas minhas memórias porque eu viro bicho, tudo está tão guardado em mim que ás vezes penso que eu mesma sou só reminiscência do resto. Eu não esqueço nada. Sou completamente mapeada por cheiros, toque e música. Guardo todos os que aqui tiveram e não deixo ninguém ir embora. Saudade é físico, quase crônico, e eu sinto falta de tudo. E tenho medo de escrever porque quando se é colocado pra fora e vira letra, é documento, e meus demônios (todos) quando tomam forma de palavra, só fazem com que eu nunca esqueça.
Eu sinto falta. Eu sinto a falta. E fecho os olhos só para me torturar com o tanto que restou. Do nada que sobrou pra mim, de qualquer coisa que poderia ter sido e não foi, do "se" que ás vezes me amedronta durante a insônia, e eu me questiono se eu poderia ter sido mais feliz, se eu posso ser mais feliz, e disso de querer tanto tudo e de me conformar ás vezes com tão pouco. Uma grande farsa de cabelo bagunçado e pseudo literatura.
Eusóqueriairemboraasvezes.
Ou então beber um pouco pra chorar um pouco, alguma coisa que quebrasse essa pose de durona enquanto por dentro corre sempre um mar de perguntas sem a mínima possibilidade de resposta.
Durante a noite as horas têm uma duração misteriosa. E com ninguém por perto esse silêncio me emudece.
E eu sou a pior companhia para mim mesma numa hora dessas...
Ele chega e reclama que eu estou fedendo a cigarro. Alguma parte de mim continua igual e eu me alivio. Ele chega e eu adoro a vida comum, ele chega e tudo o que eu quero é foder com ele.
(Foder com a vida dele)
E fazer com que ele sinta que eu o amo assim tão profundamente que me alivio.
Que me alivio.
Quando cheguei vi que o tempo comeu o jardim, a casa, o quarto que eu habitava e corroia aos poucos os que ainda habitavam nela. Mas eu não queria pensar em tristeza enquanto sentada comportada, eu esperava por fim, o que ele faria comigo. O tempo ia colocando prazo de validade nas coisas e nas pessoas enquanto colocava debaixo da minha porta toda a responsabilidade de fim do mês. O tempo mudou aos poucos as fotos dos porta retratos, substituiu pessoas, me fez despedir de algumas outras e me deu nos momentos em que eu menos esperava (como uma boa garota) outras tão boas, que eu tive que (como uma boa garota) pedir que ele deixasse assim, quieto.
O tempo tirou um pouco a ânsia das coisas e a minha vontade de abraçar o mundo, que muitas vezes era maior que o próprio tempo, mas me mostrou a possibilidade do silêncio, da quietude, da sobrevivência sozinha no apartamento grande e me fez querer uma pessoa só andando por ele, além de mim, e ao meu lado.
O tempo passou varrendo a poeira da minha vida antiga, varreu o medo de me sentir inteira, tirou a saudade de me sentir metade. O tempo construiu aos poucos a vontade de fechar os olhos e esperar de braços abertos (sem um pingo de medo) o que por fim, ele fará comigo.
... e mesmo desse jeito, eu aceitei a forma com que veio porque quando em mim fez sua morada, chegou tirando meu ar e jogando todas as coisas para cima. É indomável, insustentável, incontrolável e talvez por isso me domine de uma triste forma tão passiva. Abri meus braços e minhas pernas, e de olhos fechados deixei com que ele invadisse minha vida por completo sem procurar saber quem antes tinha vivido aqui. Diz que gosta de mim e vez ou outra esfrega a barba no meu pescoço e na alternância de alguns meses me escreve alguma coisa bonita para que eu não perca por completo a fé no (meu) amor. Quando chegou me prendeu pelos silêncios, pelo vazio, pela sensação de meio que não me deixa (não me deixou) saber do que se esconde, o porquê do medo de que um dia eu invada sua vida e sua calma, e de mim protege sua casa, sua cama, seus amigos, seus escritos, sua arte que derrama sentimento depois de tanto guardado com medo de se fazer humano. Tem medo que um dia alguém descubra que sente falta e assim xingue em voz alta suas insatisfações e grite no meu ouvido que eu não valho nada, e que tenho amigos demais, e que saio demais, e que escrevo de menos e que não tenho a mínima idéia do que eu quero, e num lapso de proteção absoluta me joga pra fora da cama e me olha enviesado, e me protege de suas manhãs, de suas manhas, de sua arte, de sua vida, me amando assim na beira, na superfície, até aonde meus olhos alcançam, porque o que tem dentro baby, não é para o meu bico.
Diz que quer dormir comigo (quererá ainda, querido?) por protocolo e se desfaz das minhas coisas de manhãzinha. Cobra calma quando me visto, pede um minuto com a cara mais cínica do mundo (quererá ainda, querido?) quer que eu acredite que ele consegue viver na presença de mais alguém. E assim eu vou embora, óculos escuros, andando na contramão, pensando que se eu me afasto de repente ele sente falta do barulho, dos pés cansados que batem forte no piso da sala, e entenda num lapso que ninguém, absolutamente ninguém consegue ser feliz sozinho.
Nem você.
"But she expressed herself in many different ways until she lost control again"
http://www.youtube.com/watch?v=QVc29bYIvCM
Você anda em uma cidade que não é sua e é tomada por sentimentos que não são os seus, e sente saudade de pessoas que nunca te pertenceram, e te tocam coisas que você nunca viu, e te machucam estranhos que você não conhece, e todas as formas de vida te doem um pouco, teu corpo sente o frio, a falta e o fim, pior do que não sentir nada é sentir tudo, e hoje você está mais do que sensível, você é o mundo inteiro, e como numa estranha maldição sente todas as coisas,
Eu sinto muito...
Se não fosse a chuva, a distância, a ironia, o sadismo no qual Murphy me coloca a prova, e nem o cheiro, a reminiscência do resto, do não dito, do silêncio forçado, da quietude da minha insônia, dos desencontros, de todos aqueles que se cruzam diariamente nas ruas sem ter idéia de que talvez pertencessem ao mesmo espaço e nem a dureza da realidade, da vida adulta, das contas embaixo da porta, da cumplicidade dos planos feitos acompanhados de pena e medo de deixar tudo para trás na esperança de algo novo e fresco no meio dos papéis amarelados, e nem o apego forçado ao passado confortável e o medo de enfrentar um sentimento novo que tira seu ar no meio da tarde e das músicas não conhecidas, dos livros não lidos, das viagens não feitas, da idade que chega e cobra sensatez, sanidade, planos e burocracias, de toda vontade contida, de toda possibilidade deixada, de todo medo e respeito ao próximo que acredita na sua capacidade de amar sem saber que seu amor te sobra, te escapa, e precisa que escorra com chuva para que te faça esquecer da sua condição e do sangue que corre, do desejo que te faz humano. É o desejo que te faz humano.
Minha vontade não conhece limites e nem a linha tênue do que chamam de vida comum.
E eu não sei lidar com ela.
http://www.youtube.com/watch?v=teXOPAFMOp0
O mundo é dividido entre as meninas que quando crianças carregavam estojos abarrotados de canetas coloridas para a escola e as outras,que sempre perdiam tudo e pegavam emprestado.
E eu me encaixo na segunda categoria.
O mundo é dividido entre pessoas gato e pessoas cachorro (eu não confio em pessoas que não gostam de animais)
E eu me encaixo na segunda categoria.
O mundo é dividido entre homens que gostam de mulheres de cabelos compridos, e os que não gostam.
(E bem, os da segunda categoria...)
E eu tinha a cara de pau de achar que isso ia dar certo?
Eu que caio sozinha andando de bicicleta entre o Leme e Copacabana, que contabilizo cicatrizes no joelho e algumas outras internas que na verdade são as que aparecem mais, que não dirijo porque não consigo, que falo pelos cotovelos e com pessoas desconhecidas e aleatórias, que choro pouco mas choro em um jogo do Flamengo, que sou mais aceita no grupo dos meninos do que no das meninas, e que sinto tudo tão físico, e grito às vezes sozinha em casa, e preciso tanto de um banho de cachoeira que às vezes perco a graça,e tenho medo de ser feliz, porque na minha cabeça dias felizes e tristes se alternam em 20 dias e por isso eu sofro por antecipação e quero escrever um livro, e quero escrever um roteiro, e não quero ter filhos mas guardo nomes de meninos silenciosa, para daqui há 30 anos, quem sabe,e sinto falta da minha família e amo meus amigos como ninguém, e ainda não tive porque acreditar em amores que não acabam, casamentos inacreditavelmente felizes,trabalhos completamente satisfatórios e que alguém consegue ser feliz sozinho. Eu, que consigo separar tanto o que é físico e o que é sentimento e que me apaixono pelas esquinas, mas que só quero uma pessoa no fim do dia, e que morro de medo de tudo e que acho que felicidade é um amor dentro de um avião e rodar o mundo e que transformo em palavras tudo o que me dói porque senão eu enlouqueço, eu que sonho acordado todos os dias, e sou uma esperançosa incorrigível, e que acredito nas pessoas embora todos os dias eu perceba que nem todo mundo é legal, que tenho a ingenuidade de uma criança de 5 anos, que às vezes some por completo, mas que todos os dias eu tento recuperar, que finjo muito, mas no fundo acredito em tudo, e eu...
Tinha a cara de pau de achar que isso ia dar certo....