História de violência
O SERVIÇO (Capítulo 2 da blog-novela coletiva O Porto do Desespero)
Roberto se debatia e tentava arrancar os dedos de Zeca que lhe apertavam o pescoço. Tinha pouco tempo e não. conseguia. mais. respirar. Zeca acabou soltando-o.
- Pô Zeca, que porra é essa, eu trouxe o dinheiro todo, olha aqui.
- Por que vocês foram matar o Antoine, porra? O cara era o nosso policial.
- Eu ia dar a grana que ele pediu. Mas o cara tentou abusar da Mariana.
- Estrupô ela?
- É.
- Porra, aí é foda, tu tá certo. Mas agora vocês deixaram a gente numa situação fodida com a polícia. Só esse dinheiro aí não vai dar pra pagar o prejuízo.
- Tá bom, Zeca, que mais você quer que a gente faça?
- Tem um serviço que ninguém tá a fim de fazer, pegar uns caras do Paquistão lá na fronteira. Depois da merda que vocês fizeram, sobrou pr'ocês aí.
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E agora eu passo a continuação dessa história para o SERBON!
Esse fim de semana eu vi um dos piores filmes dos últimos tempos, "A History of Violence", com Viggo Mortensen (foto), Maria Bello, Ed Harris e William Hurt. Ficamos decepcionados, porque gostamos dos atores e a crítica tinha sido tão favorável. Mas tanto eu quanto meu marido odiamos, era um clichê atrás do outro, desde os diálogos até a história e a música de fundo. Nem a bunda nua do Viggo e a cena de 69 do casal principal foram capaz de salvar essa catástrofe. Sem contar que eu odeio cenas de violência gratuita; claro que sabia que o filme era sobre isso - duh! -, mas foi o Peter quem botou no Netflix, e volta e meia eu aceito ver algum mais violentozinho quando a crítica elogia. Arre, agora tenho mais uma justificativa para eu não querer ver outro filme sangrento tão cedo. Na nossa fila do Netflix os próximos são Brokeback Mountain, Capote e Walk the Line.
Tudo isso ajuda a explicar a dificuldade que tive em cumprir a tarefa que a Anânima me passou em continuar a novela acima (ficas me devendo essa, hein!!!). Ela começou um conto de suspense barra pesada e me passou a bola para continuar (sim, uma corrente, mas que exige criatividade, e não sei se correspondi à expectativa, porque não costumo escrever ficção). A essa altura a novela já está deslanchando, e passou um pouco para comédia, ficando cada vez mais misteriosa e imprevisível.
Comments
Oi, Nora, acho que a estética da violência não é a mesma coisa que a banalização da violência. E depende do que estamos definindo como violência -- a morte da mãe do Bambi pode ser considerada uma violência, assim como o pai autoritário e castrador de Mary Poppins ou da Noviça Rebelde! O cinema não falar da violência, um dos traços mais primitivos da humanidade, é, além de impossível, um desserviço às artes.
Posted by: Eliane Azevedo | abril 5, 2006 7:13 AM
Agora foi que eu li o comentário da Norinha. Eu nunca penso na violência quando vejo os filmes do Tarantino, porque a imagem que passa, pra mim, é de uma grande gozação em cima dos filmes violentos, tipo a japonesa com o braço cortado espirrando sangue... hehehe... é tudo muito engraçado. Mas, eu sou uma Tarantinomaníaca... :-)
Posted by: Denise Arcoverde | abril 5, 2006 6:19 AM
Eu faco mais a linha Nora Borges, mas nao resisto a um bom Tarantino. E me lembro que a crítica pesada ao Cidade de Deus foi bem nessa linha, do excesso de violencia. Como se fosse possível falar do filme sem se-lo. De alguma maneira, pode ser catártico também,mas nao vou elucubrar demais sobre o assunto.
Agora, em relacao a conto, adoro seu estilo curto e na veia!
Beijoes,
Vanessa
Posted by: Vanessa | abril 4, 2006 2:23 PM
eu achei interessante a mão do cronenberg, de quem gosto de quase tudo. A corrente de suspense tb achei interessante. Me parece um exercício que pode dar certo. Bjs
Posted by: gugala | abril 4, 2006 11:37 AM
Leila, eu também fiquei meio desapontada com o filme do David Cronenberg, que eu estava esperando ansiosamente. Não é nem a violência pura, apesar de que ele tem uma violência que soa diferente dos filmes de Tarantino. A violência de Tarantino é mais "kitsch", como na cena da Bride matando 88 japas... em History of Violence, apesar de ser um filme com origem numa história em quadrinhos, achei que a direção foi mais pesada. Concordo com a Eliana em relação às críticas que o filme faz à própria violência e à perfeita familia americana, tão idealizada. Mas, ainda assim, achei o filme chato.
Posted by: Denise Arcoverde | abril 4, 2006 10:46 AM
Leila, eu também não gosto de violência, nem mesmo quando ela passa pela crítica "como uma forma de ser contra a violência."
Ah é? então eu embalo em papel de presente a m* e digo que não é m* porque eu sou contra a m*?
E tem gente que acredita.
Não tem como escaparmos dela, essa é a realidade. Todo dia temos mulheres assassinadas por seus maridos e exs. Todo dia vemos crianças serem violentadas e mal tratadas até por ´sua própria família. Já não é suficiente?
Não pago pra ver um filme do Tarantino ( nem outro como ele), nem acho que seus filmes são obra de arte só porque ele sabe onde por a sombra e a luz e a música e etc...
Desculpe-me a paixão. Estou cansada da violência oficializada e desculpada.
Beijinhos.
Posted by: nora borges | abril 4, 2006 7:18 AM
Leila, vou ter de discordar. Não se trata de gostar de filmes violentos ou não -- não estamos falando de Armagedon ou do seu governador, não é? Por essa linha de raciocínio, não daria para gostar do Tarantino... Esse filme, que no Brasil passou com o nome de Marcas da Violência, discute exatamente a violência, o desejo de vingança, o herói americano, a cultura da justiça pelas próprias mãos, a dificuldade de o Estado e a sociedade darem respostas justas a situações injustas -- e como esses conceitos podem ser ambígüos. E a bunda do Viggo ajuda muito! Eu gostei muito e faço coro à crítica.
Posted by: Eliane Azevedo | abril 4, 2006 7:07 AM
já está no ar!!! corra, assista o episódio 3 que promete muitas revelações sobre o passado de Mariana!!!!
Posted by: Serbon | abril 4, 2006 6:59 AM
Leila sua coninuação ficou muito violenta :)
Quanto ao filme eu também não gosto de filmes violentos não, e ainda não vi esse aí, mas já li num blog português que esse filme deve entrar para a lista dos melhores de 2005 do cara !!! Vai entender né?
Bjs
Posted by: Marcia Kawabe | abril 4, 2006 6:46 AM
Leila querida merci :-) Agora vai ficar certinho, de qualquer maneira o Alex e o Milton não responderam, então ficaremos com uma só versão. Beijocas.
Posted by: Ana Lucia | abril 4, 2006 5:05 AM