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O livro do Bia

biajoni com livro.jpg O Biajoni me mandou uma cópia de seu livro (foto ao lado), pedindo uma opinião. Eu já tinha lido muitos comentários e posts favoráveis à sua Novela Marrom, mas mesmo assim tentei não me influenciar por eles e ler o texto da forma mais imparcial possível, para lhe dar uma resposta sincera. Querem saber? Eu adorei, li as 200 páginas de uma só sentada – no pun intended, eu só queria usar aqui uma expressão do Idelber Avelar, autor da orelha do livro. Biajoni narra situações prosaicas e bizarras, sensuais e escatológicas, violentas e cômicas, com a naturalidade típica de um jornalista que já viu de tudo e não tem frescuras nem pudores para falar dos fatos da vida.

Os personagens principais do livro, ambientado numa cidade do interior paulista, são Virgínia – repórter foca de um jornal daqueles que, se espreme, sai sangue – e Luiz, seu namorado boa-praça, de classe social ligeiramente inferior, e que a faz feliz, especialmente na cama. Longe do clichê de heroína romântica, Virgínia tem hemorróida, e é a partir da consulta com seu proctologista que sua vida começa a se complicar, quando ela se rende a um desejo sexual incontrolável. Aliás, é bacana ver uma personagem feminina que se deixa levar pelo tesão e assim pauta suas escolhas na vida – uma característica quase sempre atribuída aos homens na vida real e na ficção.

Paralela ao conflito romântico, corre a eletrizante história do crime que Virgínia ajuda a cobrir para seu jornal. E nesse trabalho, a personagem vai perder definitivamente a inocência sobre os bastidores das reportagens policiais. Envolvida nesse ambiente traiçoeiro e extremamente machista, Virgínia sairá ao mesmo tempo vítima e vitoriosa.

Há outros personagens secundários muito interessantes, como a adorável filha do colega de Luiz, cujo trauma de infância lhe trava o desejo e ao mesmo tempo irá lhe valer numa situação de perigo. E a bissexual Ana, que vê na confusão de Virgínia a oportunidade ideal para tentar conquistar a ex-colega de faculdade. O repórter policial Assis também é uma figuraça, que até me lembrou alguns dos tipos reais que encontrei quando trabalhava na imprensa.

A Novela Marrom de Biajoni é um livro pop, para entretenimento e diversão, mas que não deixa de ser inteligente por isso. No entanto, Bia ainda não conseguiu uma editora que o publicasse. Se algum editor estiver lendo esse post, eu recomendo que dê uma chance ao Bia, um talento extremamente original e - não tenho dúvidas - com muito potencial vendável.

Comments

Alexandre Pinel, deve estar com saudades do Smart, não? Desesperado por algum outro lugar para baixar o seu espírito de porco. Ô, encosto!

Dr Phil,
Estava com saudades. Gostaria de continuar nossos embates + infelizmente não tem graça comentar num blog de ideia unica.

Leila,
Eu escrevi que mesmo as obras primas são criticadas por um aspecto ou outro. Vc então responde que "ninguém morre de fome ou numa explosão de bomba se não gostar de um livro. Elogiar um político tem conseqüências bem mais graves."
Isso não tem nada haver com o que escrevi, ou seja que me parece dificil que o livro do Biajoni, mesmo sendo bom ( não sei, não li), não pecar em algum quesito.
Vc diz que não pretende prejudicar o escritor entretanto acho que quando se pinta um quadro tão rosado como o que vc pintou sobre o livro dele sem nehuma ressalva as pessoas desconfiam da objetividade da critica. No fim vc prejudica a si mesmo e ao livro.
Vc começa sua avaliação do livro dizendo que pretende ser imparcial, eu não vi isso.
Capt K,
So you finally got an internet connection in your trailer. Congratulations. Give me your address and I will send you a few loafs of white bread so to sustain you during your nights of surfing.
By the way do give my regards to your cousin betty sue. I am sure you two will make wonderful parents when little billy bob arrives in july.

oh no, alexandre the shithead is back!

we are SOOO sad

Parece bem interessante mesmo...e deve ser um bom presente também.

tbém li um pouco do livro e gostei... Ainda não deu tempo de terminar... Abs

E eu não disse?

Todos nós sabemos que o Bia é um olho do cu de um guei, mas que tem talento, tem. Ele é envolvente como pensa serem os machos com quem sai depois de horas naquelas redações tensas... E está sempre com saudades das lambidas do Alex em seus pés. O pobre lá longe, em New Orleans.

Viste, Leila? A literatura tem as mais diversas motivações. Thomas Mann era guei e não dava. Resultado: obras-primas concentradas, angustiadas e melancólicas. O Bia dá: solta a franga lá e cá. Não há paradoxos. O mundo é simples.

(Leila, desculpa a bobagem.)

Flávio, se o título for mesmo um obstáculo, imagino que um editor possa conversar com o Bia e discutir uma mudança. Não sei se ele seria tão inflexível ao ponto de exigir a permanência do título. Pô, se um bom editor me bancasse, eu não veria problemas em tentar criar um título novo, mas que também fosse bom e coerente com a proposta do livro.

Guga, aquele personagem lambendo o pé sujo da bi foi nojento!

Leila, certos pequenos detalhes determinam todo um mundo de acontecimentos consequentes. Se Jesus Cristo ao invés de ter sido crucificado, tivesse sido empalado, o mundo seria completamente outro. Voce imagine que não somente os rituais nas igejas seriam muito diferentes, como os beijos nas chagas por exemplo, mas seria tudo muito mais erótico e sugestivo. Voce já pensou como seria a imagem do filho de deus que sofre por nossos pecados? As pessoas carregariam um palito no pescoço. E o livro do Bia seria inscrito e incluido nas sagradas escrituras. Mas tudo são conjecturas. A história é imutável. E o Bia tem dificuldades a publicar, até pelo fato de Cristo ter morrido na cruz, e as pessoas que beijam suas chagas se escandalizam ainda com certos títulos de livros. Se o título fosse outro ele já teria publicado. Mas são conjecturas. A história não se muda.

Tenho lido ótimas resenhas sobre esse livro por gente da blogosfera. Fiquei super curiosa e, pelo que li aqui, acho que vou adorar! É impressao minha ou tem mesmo uma linha "rubem-fonsequiana"?!

leila, tive a cara-de-pau de conseguir um arquivo com ele e tb li numa sentada só, só que no computador( o que deveria cansar um pouco, mas não aconteceu). O ritmo é ótimo e é diversão garantida. bjs
...Ah, e tem aquele cara que trabalha com a bi e gosta de pés? Parece um conhecido blogueiro, né?

Li alguns trechos que encontrei por aí e gostei muito. A resenha está ótima.

Leila, decerto o troll viu o título, achou que era livro de auto ajuda e ficou decepcionado...

Roberson, o problema é que as editoras muitas vezes preferem traduzir porcaria do exterior, coisa que vende fácil porque já vem com o rótulo de "bestseller nos EUA" ou coisa parecida, nomes de autores conhecidos...

Acho que um dos problemas do mercado é que o mainstream editorial deseja "obras-primas". E se esquece que a literatura pode ser boa fonte de prazer mesmo sem termos um Graciliano Ramos subscrevendo.

Bela resenha. Único defeito é que agora não tem o livro para conferir. Se eu fosse editor, já ia pedir o telefone do cara.

Dr. Phil, uma honra tê-lo aqui! Seguirei os seus conselhos. Se isso não adiantar, vamos ter que cortar o problema pela raiz: o IPinto.

Patrícia, eu te confundi então com a moça da frente, de rabo de cavalo, sorry! Vou olhar de novo o vídeo para ver de novo onde você aparece.

Bjs

Leila, eu gostei muito da sua resenha! Li o livro do Bia uns meses atrás também em poucas horas, e achei que realmente tem um potencial vendável bem grande.
Ah, uma pergunta/observação: você me reconheceu mesmo naquele maldito vídeo? rs
É que eu apareço apenas no comecinho, de costas, e já no finalzinho, dançando ao lado do Ina. Só pra você não confundir! :)
Beijos.

Me dê licença Sra. Couceiro, pois um paciente meu fugiu da clínica e veio azucrinar a paciência dos seus leitores aqui na sua caixa.

Por favor, não dê conversa pro homem, que o buraco ali é bem mais embaixo. Se ele falar do papa, do Hitler, do Zeca Pagodinho, faça de conta que nada viu pois o moço é da pá virada e com o fechamento do blog do Sr. Blue o caso pode ficar muito sério e fora de controle.

Um abraço.

Sr. Alexandre, ninguém morre de fome ou numa explosão de bomba se não gostar de um livro. Elogiar um político tem conseqüências bem mais graves. Portanto, eu me dou ao direito de elogiar o livro do Bia, não vou prejudicar ninguém por causa disso. E passe bem.

Pelo visto o livro do cara não contem nada de ruim, nenhum aspecto digno de uma critica. Muitos livros que viraram bestsellers e recebem aplausos de criticos de publicações como Time, NYT, The Economist etc etc não escapam de ter seus pontos fracos expostos ja o livro em questão aqui não recebeu uma critica negativa. Impresionante!
Ei, perai, esse é o blog da tal leila progressista? Ah bom......

Gostei da resenha, Leila! O livro deve ser bem interessante pela forma que vc descreveu! Na falta do livro, foi otimo ter conhecido o blog dele! Ele me pareceu um cara suuuper criativo, coisa que admiro muito nos escritores! Tem uma turma de blogueiros que e' profissional em tudo que faz! (ate para fazer graca :))

Leila, pelo jeito o livro é bom e vai valer um dos meus posts sobre "Literatura Moderna"!!!!

Viajando na mayo, seria o Bia, nosso Bukowski contemporaneo?

Me pareceu bacana mesmo! Desejo boa sorte pra ele :)

Puxa, que resenha bacana, Leila, me deu muita vontade de ler o livro também :-) tomara que o Bia consiga uma boa editora!!!

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