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Natal antecipado para a esquerda, ou trick de Halloween?

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O procurador do Caso Plame poderá ser o Papai Noel da oposição a Bush.
Via Daily Kos.

Washington e a blogosfera americana estão abuzz com rumores que incluem até um pedido de demissão do vice-presidente Dick Cheney, que estaria sendo investigado como um dos responsáveis pelo vazamento do nome da agente secreta da CIA Valerie Plame para a imprensa - o vazamento foi uma retaliação torpe ao marido dela, ex-embaixador Joseph Wilson, que havia desmentido informações do governo Bush sobre o Iraque. A revelação do nome de um agente secreto é crime sério de traição à segurança nacional nos EUA, e as investigações do procurador independente Patrick Fitzgerald sobre o caso Plame poderão implicar uma série de altos oficiais do governo Bush, incluindo o chefe da Casa Civil e spinmeister Karl Rove. Rove já depôs para um grande júri no caso Plame quatro vezes - não há dúvida de que é um dos principais suspeitos na mira de Fitzgerald. Outras informações de bastidores dão conta de que até 22 nomes do alto escalão ou do círculo próximo a Bush poderão estar na lista de indiciados.

A euforia é grande entre a esquerda americana. Mas, acostumados às desilusões, nem todos estão confiantes de que terão um Natal antecipado para o fim de outubro, quando Fitzgerald deve anunciar a conclusão de seu trabalho e os indiciamentos. De qualquer forma, vale a pena curtir e surfar essa onda altamente favorável à oposição, depois de tanto tempo em que o governo Bush parecia get away with murder. A aprovação a Bush continua a cair (o número mais baixo no Gallup até hoje, 39%, pior que Nixon), republicanos como DeLay, Abramoff e Frist são processados na Justiça, o cabide de empregos do governo e a incompetência foram provados no episódio do Katrina e agora com a nomeação da medíocre amiga do presidente, Harriet Myers, para a Suprema Corte, a população está cansada das notícias negativas da guerra no Iraque. A condenação de Rove, Scooter Libby e, uau, Cheney, seriam a cereja no topo do hot fudge sundae. Melhor que isso, só se o escândalo acabar respingando no presidente George W. Bush. Afinal, já tem gente na mídia usando até as perguntas do tempo de Nixon: "o que o presidente sabia, e quando ele ficou sabendo?"

Comments

Marcus, a história da Judy tá pegando fogo, já que ficou configurada a promiscuidade dela com o governo, e sua atitude de não dividir informações com seus editores no New York Times. O jornal tem dado uma série de editoriais críticos a ela agora... Mas eu só estou esperando sair os indiciamentos (hopefully vai ter gente indiciada) essa semana, para fazer o próximo post sobre o assunto.

Li a caixa de comentários do outro post e gostei bastante da discussão sobre sigilo da fonte (que eu, inadvertidamente, acabei reinaugurando aqui).

Eu acho que você poderia fazer algum outro post sobre o assunto, tendo em vista a atitude absurda da Judith Miller, que disse não ter certeza sobre quem lhe revelou o nome da agente da CIA. Ficou ainda mais claramente configurada a "tabelinha" entre ela e gente do governo, como já se desconfiava.

A onda agora é dizer que o presidente não sabia. Claro que sabia!Como disse Peter Eigen - ex-diretor do banco mundial que deu entrevista à veja dessa semana - O chefe é responsável pela ação dos seus subordinados.
E Leila, vai ser um prazer te conhecer quando vieres ao Rio.Beijos!

Serginho, agora você me deixou curiosa: afinal, chorou ou não chorou ;)?

Gui, ótimo link. Sim, eu conheço o site do Romenesko, mas ainda não tinha lido esse artigo. Realmente, não admira que a Judy Miller tenha contribuído tanto para disseminar as mentiras sobre as WMD's no Iraque, se ela estava atuando na base da chapa branca.

Bjs,

Oi Leila, tô de volta. Você já deve conhecer esse "site" aqui que é de/para jornalistas. Apareceu alguém lá p/ definir toda a situação da maneira mais sucinta possível:

http://poynter.org/column.asp?id=45&aid=90632

Bjs,
Gui.

Pô, leila, que susto, ao abrir o site vi primeiro a pergunta no fim do post e pensei que estavam falando do Lula...
Essa história da Judith Miller deu uma reviravolta interessante; até o New York Times se arrependeu do apoio dado à moça, que foi uma das maiores defensoras da tese das armas de destruiição em massa no Iraque e parece não ser boa bisca...
(deu uma vontade de comentar no post do chorar no trabalho, mas vi que eu ia dizer besteira. adorei o post)

Adorei seu espaço! Voltarei com calma para ver os posts anteriores! Bjos. Pat

'magina, Denise! Mas então, no dia em que for promovido o Encontro dos Blogueiros Brazucas nos EUA, nós sentaremos na mesma mesa, mas sem baba na cerveja, please, he he he...

Eu tenho lido e visto algo sobre o caso, e também tô, claro, torcendo pra pegarem a quadrilha toda e ainda sobrar pro Bush... mas estou mesmo é babando com vocês três... Leila, Fernando e Guilherme... como sempre, estou aprendendo muuuuuuuuuito sobre esse país, com vocês :) já tinha dito à Leila e ao Fernando que aprendo mais, sobre os EUA, nos blogs deles do que nos meios de comunicação a que tenho acesso... beijos e obrigada!

Legal que você tá acompanhando o caso, Guilherme. Com certeza eu vi os artigos da Arianna, ela sempre tem tudo sobre a Judy, he he he. A auto-intitulada "Miss Run Amok", ou Jason Blair 2. Li no Editor & Publisher, um site voltado para profissionais de imprensa, que até pessoas que estavam a favor da Judy no NYT ficaram revoltados com a postura dela e a explicação ridícula que deu para o episódio.

Cheers!

PQP, LEILA !!!!!!!!!!!
TREMENDA BOLA DENTRO!!!!
Até abri uma cervejinha; nunca me toquei do quanto é difícil tomar cerveja e babar pelos cantos da boca ao mesmo tempo!!!
Engraçado que os comentários, cedo ou tarde (e inevitavelmente) dessem no "trabalho" da Judith Miller, porque antes mesmo de terminar de ler eu pensei: "Putz, melhor do que isso só mesmo se a FDP da JM for p/ cadeia de novo, e fique por lá dessa vez!!!"
Os artigos do WP e do jornal do Arkansas estão muito bons e, apesar de não levar muita fé nela, a Ariana Huffington andou acertando, dá uma olhada nisso aqui:
http://www.huffingtonpost.com/arianna-huffington/the-times-judyculpa-ran_b_9155.html
A grande diferença entre esse caso, seja lá qual for o nome que venha a ser usado, e Watergate, é que naquele você tinha a dupla dinâmica e hoje em dia, você tem o conselho editorial do NYT totalmente dominado por babacas (quando o Howell Raines tentou fazer mudanças, acharam um pretexto p/ colocar o cara na rua...) e escrotos como a JM. É claro que há repórteres inteligentes, honestos e capazes, como o Gary Webb, mas o cara escreve p/ um jornal pequeno (San Jose Mercury News), o que faria muito mais difícil conseguir atenção a nível nacional...
Tô curtindo...

Valeu,

Gui.

Interessante esse take:

"It wasn’t a whistleblower case at all. It was the exact opposite: the most powerful people in the United States using the press to damage a whistleblower by endangering his wife, something even the Mob won’t do."

http://www.nwanews.com/story.php?paper=adg&storyid=133678

HAHAHAHA! Ótima notícia, Fernando!


Leila, o seu post chegou em tempo certo:

http://news.yahoo.com/news?tmpl=story&cid=578&u=/nm/20051019/pl_nm/delay_dc_3


"To any sheriff or peace officer of the state of Texas, greetings, you are hereby commanded to arrest Thomas Dale DeLay and keep him safely so that you have him before the 331st Judicial District Court of Travis County"

Deixe a gente informado para que possamos comprar os foguetes a tempo. O presidente sabia? Nossa, que coincidência, a mesma pergunta!!!!

Beijo.

Ha ha ha, estilo Didi Mocó de governar é ótimo, Fernando! Eu acho que o Bush sabia sim, até por causa do memo que passou de mão em mão no Air Force One. Mas óbvio que a decisão de retaliar o embaixador Wilson vazando o nome da esposa não saiu do cérebro dele, foi com certeza idéia do Rove ou do Cheney.


Leila, muito bem colocada a ultima pergunta. Porque a verdade e' que os republicanos aprenderam muito com Nixon (e os democratas tb, sejamos honestos). Para evitar repetecos, escolheram um presidente com cara de banana, que nao consegue coordenar uma frase com a outra e que tem toda a pinta de estar por fora de qualquer decisao importante. Muitos chegaram ate' a acreditar no boato de que haveria ali um genio escondido por baixo de seu estilo Didi Moco de governar. Essa mascara caiu a muito tempo. Se o presidente souber de algo, esse sera' o maior shocker da investigacao.

Tb estou com vc na sua leitura sobre o caso Plame. Os jornalistas irao espernear (com razao ate') sobre os seus direitos sagrados. Nada de errado nisso. Mas o problema vai mais fundo: houve abuso e a imprensa esta' envolvida, agora cabe assumir a responsabilidade. Muitos dentro do proprio governo ja' tentaram dizer que a jornalista ficou na cadeia de graca, com a clara intencao de denegrir sua imagem. Na minha opiniao, esta' na hora da midia parar de ser capacho dos insiders de Washington.

Abraco

HO HO HO!

Gostei da colocação: "depois de tanto tempo em que parecia get away with murder." Pra mim, Preznit Bullshit deveria ser julgado (e condenado) pelos crimes de guerra que cometeu... Assassino, é o que ele é... apenas a condenação das urnas, que não veio nas últimas eleições, mas não deve falhar aos republicanos nas próximas, não é o suficiente... Essa criatura e seus asseclas, deveriam ser trancafiados em Guantánamo, sob as mesmas condições que eles impõem a todos os suspeitos de "terrorismo", que são enfiados lá ou em Abu Ghraib, sem fazer a menor idéia se ou quando vão sair...

Laura, a recusa a revelar a fonte de uma reportagem é um direito reservado aos jornalistas. Algumas pessoas acham que a justiça americana obrigar os repórteres a revelarem quem foi o responsável pelo vazamento do nome de Valerie Plame foi um atentado contra a liberdade de imprensa. Outros acham que o vazamento do nome de Plame foi um crime torpe, não era uma informação de interesse público (ao contrário do caso Watergate, por exemplo) e que portanto proteger os responsáveis pela traição era equivalente a acobertar criminosos, sem justificativa moral e ética para isso.

Rolou uma discussão muito bacana sobre a proteção das fontes na caixa de comentários a meu post anterior sobre o assunto, Laura e Marcus, se vocês quiserem ver está aqui:

http://stuckinsac.blogspot.com/2005/07/karl-rove-perigo.html

Eu fico confusa com esta história do sigilo. BOm dia. bj

Afonso, com certeza tem pizza à beça por aqui... Mas espero que nesse caso as responsabilidades sejam apuradas, reveladas e punidas...

Marcus, demorou porque só agora o procurador está terminando de ouvir todas as pessoas envolvidas. O cara foi até rápido, todos elogiam a sua competência e eficiência. A tal repórter só foi presa por contempt of justice ao se recusar a depor, todo mundo já sabia que a fonte dela era o Scooter Libby.

Marcus, esse caso não é um bom exemplo para sigilo de fontes, pois trata-se mais de um governo usando determinados jornalistas como marionetes do seu jogo político (inclusive disseminando informações inverídicas e, acima de tudo, promovendo o que se chama "assassinato de caráter" dos inimigos). Há uma série de jornalistas que criticaram a postura da Judy Miller no caso.

TEm pizza aí nos EUA? bjs

Não entendi direito por que essa história demorou TANTO para ter conseqüências. Foi resultado da obstinação da repórter que foi presa?

Eu sou totalmente a favor do direito a manter o sigilo da fonte, então não tenho como concordar com aqueles que, por serem anti-Bush, acabaram por relativizar a importância desse instituto. Isso abre um precedente perigoso.

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