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Ilustração do blog Jesus' General, ironizando recente declaração de Bush sobre sua decisão de ficar de férias fazendo exercícios no rancho, em vez de se preocupar com os mortos no Iraque e falar com Cindy Sheehan.

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DE 2005 PARA 1968

A última coluna da Maureen Dowd (minha colunista favorita no New York Times, junto com o Frank Rich) está supimpa. Como sei que alguns dos leitores aqui não são obrigatoriamente fluentes no inglês, ou não se registraram no New York Times, eu tomo a liberdade de traduzir esse artigo da ruivona. Here it goes:

W. pulou do sofá.

Ele não caiu do sofá, como quando ele se engasgou naquele pretzel.

Ele pulou.

De acordo com o UrbanDictionary.com, "jump the couch" (pular do sofá) virou gíria agora para "um momento que define quando a pessoa está no fundo do poço", inspirado no recente comportamento de Tom Cruise no programa da Oprah. Veja também "jump the shark" (pular o tubarão).

O ex-membro da Guarda Nacional americana que várias vezes desapareceu do serviço "pulou o tubarão", ao aparecer de uniforme militar naquele navio diante da faixa "Mission Accomplished". (Com a marra do Tom Cruise de Top Gun.)

Agora, o presidente pulou do sofá ao pedalar de bicicleta ao som dos tiros de agosto - a crescente carnificina e o caos no Iraque e Afeganistão.

Ele até trabalhou por alguns minutos esse mês, telefonando para um líder xiita em Bagdá dias atrás para convencê-lo a chegar a um consenso com os sunitas, para não rachar o Iraque. Mas os xiitas e curdos ignoraram o presidente e escantearam os sunitas. Acaba que o Iraque é justamente o braço do governo americano que os republicanos não conseguem controlar.

W. promoveu um churrasco para a imprensa na última quinta à noite. (Quem dera o presidente tivesse sido grelhado [com perguntas] em vez da carne.) Ele comeu peixe e salada de batata com maionese, junto com repórteres que tiveram que atravessar o acampamento antiguerra da Cindy Sheehan para chegar até a festa à beira da piscina.

Dan Froomkin escreveu no Washington Post que muitos repórteres cercavam Bush, seguindo-o a todo momento como mariposas, toda vez que ele se movia. W conversou sobre esportes e suas filhas gêmeas, ainda ignorando a verdadeira mudança de marcha cultural que está tornando 2005 em 1968.

Como disse o jornalista Dan Harris na ABC quarta-feira passada, o estado de espírito dos americanos hoje está bem diferente do início de 2003, quando as meninas da banda Dixie Chicks foram massacradas por criticarem o presidente logo antes da guerra começar.

O vídeo clipe número 1 na MTV é o anti-guerra do Green Day, "Wake
Me Up When September Ends". No domingo passado, Joan Baez cantou hinos pacíficos em Camp Casey, incluindo "Where Have All the Flowers Gone?" A Liga Nacional de Futebol Americano não cancelou seu patrocínio à turnê dos Rolling Stones, embora o carro-chefe da banda agora seja uma música crítica ao Sr. Bush e à guerra.

Gary Hart iniciou seu editorial no Washington Post essa semana com uma citação de uma música anti-guerra do Vietnã, "Waist-deep in the Big Muddy, and the big fool said to push on."

O ex-chefe da campanha anti-guerra do candidato George McGovern em 1972 escreveu: "Nós mexemos num vespeiro. Nós nos enfraquecemos em casa e no resto do mundo. Nós estamos menos seguros hoje do que antes dessa guerra começar. Quem tem coragem de dizer isso agora?"

A ansiedade cresce entre políticos dos dois lados. Mais e mais americanos não querem seguir na política do "stay-the-course" (seguir o curso).

Seria de se imaginar que agora, assistindo ao desastre no Iraque, a turma de Bush teria aprendido algumas lições sobre as conseqüências de se distorcer os fatos para adequá-los à ideologia, e de se punir aqueles que tentam dizer a verdade. Mas eles continuam a se comportar como as meias-irmãs más da Cinderella, que cortam os próprios pés para fazê-los entrar no sapatinho de cristal: estraçalham a realidade para que o conto de fadas aconteça à maneira deles.

Eric Lichtblau escreveu no New York Times essa semana que o governo demitiu o respeitadíssimo Lawrence Greenfeld, nomeado pelo Presidente Bush em 2001 para chefiar o Bureau of Justice Statistics, porque ele se recusou a aceitar ordens superiores para deletar de um press release o fato de que motoristas negros e hispânicos são tratados com mais agressividade pela polícia americana do que motoristas brancos, quando ela os ordena a parar na estrada. O estudo do Departamento de Justiça mostrou taxas obviamente mais altas de revistas corporais e uso de força junto a motoristas negros e hispânicos, comparada com os brancos. Temendo que a pesquisa desse munição a membros do Congresso que se opõem ao uso de dados sobre raças e etnias em investigações sobre terrorismo ou crime, os supervisores do Sr. Greenfield enterraram o relatório no website sem qualquer release à imprensa ou notificação aos parlamentares.

A reportagem diz que quando Mr. Greenfeld mandou o esboço do press release para a sua chefe, Tracy Henke - então interina como
assistant attorney general -, a parte sobre o tratamento aos motoristas negros e hispânicos foi riscada com uma anotação: "Precisamos disso?" E em seguida: "Faça as modificações."

Assim como Condi Rice, Stephen Hadley, John Bolton e outros que ajudaram a distorcer a realidade para fins políticos, a Sra. Henke foi recompensada pelo presidente. Ela foi nomeada para um alto cargo no Departamento de Homeland Security.

Eu já estou me sentindo mais segura.

(Maureen Dowd em 27 de Agosto de 2005, New York Times)

Comments

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e o cãozinho? tadinho...menina que calamidade! chocante!
depois leio o teu post, agora não dá, vou sair, bj laura

Pecus, o governo parece que planeja ficar por lá pelo menos mais 4 anos. Entre os democratas, há visões diferentes sobre um plano de retirada. Uma delas é a do general Wesley Clark, já candidato democrata com chances significativas nas primárias para presidente em 2008, e que basicamente diz o seguinte: já que a merda tá feita, vamos tentar arrumar a casa antes de sair. Ele insiste num grande esforço diplomático, político e militar no Iraque e países vizinhos para garantir a paz e alguma democracia na região.
Alguns democratas defendem uma invasão massiva de soldados americanos ao Iraque para terminar mais rapidamente o conflito com os insurgentes. Outros defendem a retirada imediata, deixando que os iraquianos resolvam como quiserem os conflitos entre suas diferentes facções.

E aí, como se pára a guerra?

Leila, obrigado pelas resenhas, traduções e ´pontos de vista. Agradecido leitor.

Só me preocupa e incomoda o fato de ter que dividir o planeta com gente desse tipo.

Leila, menos mal que aos poucos a conciência do que é e o que representa Bush vai se ampliando nos EUA. Leio que a popularidade já é baixa e em diminuiçáo. Espero que a sequência natural disso sejam enormes manifestações de desagrado e protesto contra as políticas interesseiras desse grupo de tacanhos manipuladores da mídia.

Denise, estou sabendo sim, e o Bush apóia essa política.

Leiloca, lembrei de você... amanhã vou pra uma manifestação na rua do do "National Day of Action on Emergency Contraception"... tá sabendo que muitos farmacêuticos estão simplesmente se negando a vender a pílula do dia seguinte, alegando "crenças pessoais"... é o fim!

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