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outubro 30, 2008
Estou no Globo hoje!
O Globo Online esta' entrevistando e recebendo depoimentos de brasileiros residentes nos EUA sobre a eleicao presidencial. Na parte de baixo da pagina onde se ve^ um mapa, passe o mouse sobre o ponto no centro da California e voce vera' meu nome e opiniao. Essa feature do Globo ficou bacana, e e' interessante ver a diversidade de comentarios dos imigrantes brasileiros que vivem no pais. O Globo deve em breve colocar mais pontos por todo o mapa.
Posted by leilac at 7:56 AM | Comments (9)
outubro 28, 2008
Novo xingamento para Obama: "socialista!"
A extrema-direita americana não se decide. Primeiro, o Obama era muçulmano. Depois, inexperiente, celebridade de Hollywood, elitista esnobe, terrorista, radical negro, fraudador de votos, assassino de bebês, e agora, comunista. Isto porque numa conversa na rua com um eleitor imbecil que ficou conhecido como "Joe the Plumber" (apelido dado por McCain), Obama explicou a importância de taxar um pouco mais os mais ricos para redistribuir a renda. Imposto é um instrumento usado por qualquer governo capitalista no mundo inteiro, e taxação progressiva é uma forma de não permitir um excesso de concentração de renda na mãos de poucos, porque isso acaba prejudicando a economia como um todo. Ainda assim, os republicanos tentam passar a impressão que Obama vai tirar dinheiro dos trabalhadores para dar para os mendigos e desocupados, quando na verdade o plano é não aumentar, ou mesmo cortar, os impostos de quem ganha menos de 250 mil dólares (95% da população). Mesmo os mais ricos, no plano de Obama, ainda pagariam menos do que no governo Clinton.
Como, você pode se perguntar, os republicanos conseguem perpetuar esses rumores e mentiras e enganar tanta gente? Muito simples. A extrema-direita conta com um canal de TV muito popular, a Fox News, que não mede esforços em espalhar tais rumores e reforçar a agenda conservadora, enquanto se auto-intitula "fair and balanced". Além da Fox, há uma série de programas de rádio terríveis, racistas mesmo, como o de Rush Limbaugh, que também têm uma audiência enorme. Na blogosfera, também não faltam blogs populares direitistas como o Drudge Report, que recentemente empurrou a história furada de uma moça que teria sido atacada por um negro partidário de Obama (na verdade ela inventou tudo, e marcou o próprio rosto com um B ao contrário, porque fez olhando no espelho - duhrrr...)
Nessa reta final de campanha, depois de perceber que os xingamentos e rumores racistas estavam alienando mais do que ganhando novos eleitores, o time McCain/Palin está apostando com toda força no roteiro anti-comunista para atacar Obama, e ver se conseguem alguns votinhos com esse medo de uma guerra de classes. Hoje McCain chamou Obama de "Redistributor in Chief". Sinceramente, acho que esse terrorismo vermelho não vai mudar muito o atual quadro da eleição, que coloca os republicanos numa queda acentuada:
Claro que tem muita gente ignorante, fã da Sarah Palin, etc, que acredita piamente que o Obama é tudo aquilo acima, muçulmano, terrorista, comunista e assassino de bebês. Mas esses já estão no bolso dos republicanos há muito tempo. McCain/Palin estão perdendo porque alienaram os moderados (incluindo eleitores freqüentes do partido republicano), e suas acusações absurdas e inescrupulosas aumentam a rejeição à campanha.
Posted by leilac at 5:47 PM | Comments (5)
outubro 22, 2008
Buy, Baby, Buy
O escândalo do dia nos EUA foi o dinheiro gasto pela campanha presidencial do Partido Republicano em roupas para a candidata Sarah Palin e sua família. Em menos de um mês, a conta foi de mais de 150 mil dólares, nas lojas mais caras do país, como Neiman Marcus, Barneys e Saks Fifth Avenue. Alguns dos doadores para a chapa republicana ficaram furiosos, pois preferiam que o dinheiro tivesse sido usado para a campanha em si, e não para proveito pessoal da candidata e sua família. Claro que é legítimo fazer um "makeover" da governadora vinda dos cafundós do Alasca, e até mesmo comprar umas peças de designer milionário aqui e ali. Daí a esbanjar mais do que o salário ANUAL da governadora (125 mil) em um punhado de roupas, sapatos e acessórios, é indecente. A hipocrisia de Sarah Palin e sua campanha, que insistem em caracterizá-la como uma mulher do povo, hockey mom - enquanto debocha do suposto "elitismo" dos democratas - se acentua. Ela podia muito bem comprar uns tailleurzinhos mais em conta na Macy's, Nordstrom, Ann Taylor, ou outras peças na Banana Republic ou J. Crew. Ou mesmo comprar peças menos absurdamente caras na Neiman Marcus. Por exemplo, esse conjuntinho da Tahari sai por módicos 528 dólares, enquanto esse outro - a cara da Sarah Palin - da Neiman Marcus custa somente 398!!!! Okay, então vocês querem uma roupa de designer luxuoso, que tal esse Armani por coisa de 2 mil dólares? Para ela chegar a 150 mil, ela teria que ter comprado pelo menos umas 70 roupas e mais sapatos e bolsas nessa faixa de preço, o que é o tipo de coisa que só uma deslumbrada nouveau riche faria (com a diferença que pagaria com o próprio dinheiro).
Não há dúvida de que a campanha de McCain/Palin marcou bobeira nesse episódio. Primeiro, porque os jornalistas têm fácil acesso aos relatórios de gastos de campanha. Mas acima de tudo, porque não lhes ocorreu que o esbanjamento em artigos de luxo para Palin e sua família fosse chocar o eleitor, especialmente os consumidores do Wal-Mart que eles querem cortejar. Seria muito mais inteligente escolher peças bonitas em lojas acessíveis à classe média. Basta lembrar o sucesso que Michelle Obama fez quando apareceu na TV com um vestido preto e branco da White House/Black Market, que custou 148 dólares. O modelo se esgotou rapidamente da loja, tamanha a procura depois que a esposa de Obama apareceu no The View com o vestidinho florido.
No mesmo dia, soubemos também que Sarah Palin levou as filhas para viagens de trabalho e cobrou do Governo as passagens e hospedagens (incluindo hotéis de luxo). Ela também pediu reembolso do estado pela viagem que ela e a família fizeram para assistir a uma corrida de snowmobile do seu marido. E quem não se lembra que ela cobrou "per diem" de viagem do governo enquanto estava em sua própria casa em Wasilla? Ou seja, enquanto ela faz sua propaganda política baseada em sua suposta austeridade fiscal, o que se vê cada vez mais é uma pessoa se aproveitando financeiramente de seu cargo público.
Posted by leilac at 6:16 PM | Comments (4)
outubro 16, 2008
Classe e segurança do inabalável Obama

Obama e McCain se levantam da cadeira ao final do debate de ontem
No debate de ontem, o republicano John McCain, perdendo nas pesquisas de opinião, partiu para o ataque sobre Barack Obama. Mesmo sob intensa pressão, o candidato democrata demonstrou um incrível auto-controle, disciplina, elegância e tranqüilidade, deixando por vezes de responder aos ataques do adversário para se concentrar em sua mensagem: seu plano para a economia, para melhorar a vida dos americanos, é melhor. Numa verdadeira atitude de "dar a outra face", Obama respondeu à pergunta do moderador Bob Schieffer sobre os ataques duros da campanha de McCain, dizendo que não se importa em ser atacado pessoalmente durante a eleição, mas o que o povo americano não pode aguentar são mais quatro anos de política economica falida. E por isso, ele prefere usar o seu tempo falando das coisas que importam para o povo: como resolver a atual crise.
Enquanto alguns eleitores poderiam ter preferido uma atitude mais forte por parte de Obama, a maioria dos espectadores gostou do candidato parecer estar num nível acima das mesquinharias, mais estadista e presidencial, capaz de no futuro sentar na mesa de uma negociação difícil sem demonstrar nervosismo ou antagonismo excessivo. McCain, em contraste, não parava de fazer caretas e mostrar sua impaciência e frustração. Eu vi esse vídeo comparando uma das caretas do McCain com um vídeo viral do "esquilo dramático", achei hilário:
E continuando nesse tom leve, a rede de conveniência 7-Eleven, pela terceira eleição consecutiva, promoveu uma "votação" em que os fregueses escolheriam um copo de café escrito Obama ou McCain. Adivinhe quem ganhou disparado, pela maioria ou pelos estados:
Interessante é que a "eleição" dos copos de café no 7-Eleven também deu os resultados corretos nas duas últimas eleições, em que Bush venceu Gore e depois Kerry (no Colégio Eleitoral ao menos).
Posted by leilac at 12:59 PM | Comments (12)
outubro 11, 2008
McCain e os eleitores racistas e desinformados
Tudo começou vários meses atrás, quando a emissora de direita Fox News lançou o rumor absurdo de que Barack Obama seria muçulmano e teria estudado numa madrassa na Indonésia. Assim que ele venceu as primárias do Partido Democrata, uma série de correntes de e-mail mentirosos continuaram essas calúnias, e ainda incluindo outra falsidade, a de que Obama não prestava juramento à bandeira americana. Além de outras empresas que podem ser chamadas de jornalísticas, como a CNN, terem desmentido os rumores da Fox News, Obama lançou um website que também esclarecia a verdade. Sites da internet dedicados a desmentir rumores e lendas urbanas também traziam a versão verdadeira sobre a vida de Obama, que nasceu e foi criado no Havaí, apesar de ter passado pouco tempo quando pequeno na Indonésia - onde estudou numa escola pública, não religiosa - e formou-se em Harvard para em seguida passar boa parte de sua vida adulta em Chicago, indo a uma igreja cristã.
Ainda assim, o pobre coitado que se desinforma assistindo à Faux News ou escuta talk radio shows como Rush Limbaugh, não teve acesso a informações corretas sobre Barack Obama. Continuou pensando que o candidato, com seu nome exótico, é algum tipo de muçulmano, estrangeiro, e radical anti-americano.
Enquanto a campanha presidencial estava mais focada nas diferenças das plataformas de governo entre McCain e Obama, e em seguida na novidade de Sarah Palin, e depois a crise econômica, não houve tanto destaque aos rumores absurdos e racistas contra Obama; até que os próprios dirigentes da campanha de McCain, vendo as pesquisas dando ampla vantagem ao democrata, resolverem concentrar todas as forças no ataque ao caráter do adversário. Através da candidata a vice, Sarah Palin, começaram as acusações de que Obama era "amigo de terroristas" (em referência a um professor de Chicago que foi ativista estudantil radical nos anos 60 e colocou uma bomba numa estátua, mas mais tarde se transformou num acadêmico em Educação). Obama conhece Ayers superficialmente, mas isso não impediu o Partido Republicano e seu braço na imprensa, a Fox News, de exagerar e mentir sobre essa ligação.
O resultado foi o acirramento do ódio e sentimentos violentos por parte desses eleitores que começaram a gritar "Mate Obama", "Bomba no Obama", "Terrorista", "Traidor" etc, na frente de Palin e McCain, sem qualquer reação por parte dos candidatos. Isso até sexta-feira, quando McCain, tomado pelo mínimo de dignidade que lhe resta, achou por bem dar uma dose de realidade à turba. Alguns até o vaiaram quando ele defendeu Obama como um homem de bem. Vejam essa incrível cena:
Não se sabe ainda se isso significa mais uma mudança no rumo da errática e desesperada campanha de McCain, mas imagino que tenha sido uma reação às diversas manifestações de repúdio, inclusive por parte de alguns republicanos, à incitação dessas emoções perigosas. O deputado democrata John Lewis - muito estimado pelo Senador McCain - chegou a comparar essa situação com o que aconteceu nos anos 60, no Alabama, durante a campanha segregacionista de George Wallace, governador e candidato a presidente. Em 63, um atentado a bomba numa igreja freqüentada por negros matou quatro meninas numa manhã de domingo em Birmingham, Alabama. (Aliás outro dia escutei no rádio a entrevista com o pai de uma delas. Quatro décadas depois, o luto continua.) "Como pessoas públicas com o poder de influência e persuasão, Palin e McCain estão brincando com fogo, (...) é um jogo perigoso", alertou Lewis.
McCain, no entanto, não gostou dessa comparação com George Wallace e hoje distribuiu um comunicado exortando Obama a "repudiar" as declarações de John Lewis que seriam ofensivos a ele, Palin e seus eleitores. O porta-voz de Obama respondeu que, embora não se deva comparar as palavras de McCain/Palin com o segregacionismo de George Wallace, John Lewis está correto em condenar a retórica de ódio que o próprio McCain se preocupou em desmentir ontem à noite, e também o discurso de Palin de que Obama "palls around with terrorists".
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Para ter mais uma noção do tipo de pessoa que assiste à Fox News e acredita que Obama é um "terrorista", assista a esse vídeo, feito dia 8 no estado da Pensylvannia, com eleitores que iam assistir a um comício de McCain e Palin:
Ou que tal esse sujeito que trouxe um boneco do macaco George, com um chapeuzinho dizendo "Obama":
Essa gente dá medo.
Posted by leilac at 5:40 PM | Comments (11)
outubro 7, 2008
Obama brilha no segundo debate
O formato "town hall", com os candidatos respondendo perguntas da platéia, é considerado especialidade de John McCain. E sem dúvida, o candidato republicano foi muito bem essa noite. Mas infelizmente - para ele -, seu adversário Barack Obama se mostrou totalmente confortável, elegante, tranqüilo e presidencial caminhando pelo palco e se comunicando com os eleitores ali ao vivo e em casa. Não só a postura de Obama foi estelar, mas ele respondeu mais diretamente e melhor às perguntas, com exemplos específicos e se estendendo mais nos temas que importam à população. Plano de saúde é um dos maiores problemas nos EUA (caros, cobertura insuficiente) e Obama colocou isso como uma das prioridades de seu governo, além de energia, enquanto McCain não deixou clara essa prioridade, e ainda fez uma fraca defesa de seu plano.
Uma pesquisa de opinião nacional da CNN deu vitória a Obama no debate, de 54% a 30%. Segundo outra pesquisa, da CBS, com eleitores indecisos apenas, Obama ganhou o debate para 39% deles, enquanto McCain foi o preferido de 27% essa noite. E 35% desses independentes acharam que houve empate. Um dado importante nessa pesquisa é que 68% acreditam que Obama irá tomar as decisões certas sobre economia, comparado com 49% que confiam mais em McCain nesse aspecto.
McCain repetiu os mesmos ataques que ele e Palin já haviam feito a Obama nos dois debates anteriores, tentando pintá-lo como inexperiente, irresponsável, e favorável a aumento de taxas. Obama replicou com firmeza, mas passou mais tempo falando de suas propostas do que atacando ou respondendo ao oponente. O eleitor moderado não gosta de muita negatividade por parte dos candidatos, e isso está prejudicando McCain. Vejam esse momento em que o republicano se refere a Obama no debate como "aquele ali":
No final do debate, quando os candidatos e as esposas cumprimentavam as pessoas na platéia, McCain chegou a dar um tapinha no ombro de Obama, mas não aceitou o aperto de mão. Estranhíssimo:
Notem no vídeo acima que Wolf Blitzer, âncora bem moderado da CNN, fala que McCain aparenta mesmo um desdém por Obama.
Para quem continuou assistindo os comentários pós-debate na MSNBC e CNN, ou a transmissão da C-SPAN, viu-se que McCain e sua esposa saíram do auditório rapidamente após alguns cumprimentos, mas Barack e Michelle Obama continuaram e conversaram com um a um na platéia, dando autógrafos e tirando fotografias com os eleitores. Não entendi por que McCain perdeu essa oportunidade de ganhar alguns votinhos a mais (estava irritado demais, ou já era muito tarde para um senhor como ele continuar acordado? Não acredito que houvesse algum compromisso inadiável após as 10 da noite.)
Pelo menos McCain teve o bom senso de não repetir as nojentas acusações que ele e sua candidata a vice, Sarah Palin, estão usando contra Obama, incitando os piores instintos de ódio e racismo em seus eleitores. Essa semana, enquanto Palin e McCain discursavam caluniando Obama, houve gritos de "terrorista!" "matem-no!" e "traidor da pátria", sem qualquer reação por parte dos candidatos como um "calma, não é assim..." Essa incitação fascista é perigosíssima até para a segurança de Obama. Se já não faltavam malucos de extrema-direita e racistas capazes de atentar contra vida do candidato democrata em ascensão, imagine agora, com o aval da liderança para essa linha de pensamento odioso. Jornalistas contam que durante um comício de Sarah Palin na Flórida, viram um dos presentes dizer a seguinte expressão racista para um operador de som de TV: "sit down, boy". Isso e outros gritos contra os jornalistas presentes aconteceram depois de Sarah Palin reclamar da mídia americana e da jornalista Katie Couric (como se fosse da repórter a culpa da candidata republicana não ter cultura ou preparo nenhum para responder as perguntas mais básicas).
A tática de concentrar nos ataques e calúnias a Obama vem do desespero dos republicanos, porque o candidato democrata está ascendendo fortemente nas pesquisas sem parar nas últimas duas semanas, roubando até estados tradicionalmente conservadores que McCain pensava estarem garantidos para a sua chapa. McCain precisava ter massacrado Obama no debate de hoje para ter ganhado alguma vantagem, mas não foi o que se viu. Com certeza McCain e Palin irão afundar jogando toda a lama que puderem no campo adversário. Espero que a maioria do eleitorado tenha bom senso para despachar de vez essa turminha do jogo sujo e que manipula o seu rebanho de ignorantes para manter um projeto de poder que já causou suficientes prejuízos para a economia e a paz mundiais.
Posted by leilac at 7:10 PM | Comments (7)
outubro 4, 2008
Diversão com Palin e seu velhote
David Letterman continua afiado, nessa montagem impagável de Sarah Palin no debate:
E por falar em stinking corpse, que tal o McCain se gabando da Sarah Palin, Hãaaaan???
Posted by leilac at 9:01 AM | Comments (2)
outubro 2, 2008
Biden chora mortes na família, Sarah sorri - what a bitch!
Sem dúvida, Sarah Palin superou as expectativas sobre ela nesse debate. Usando todo o seu charme folksy forçado, ela não engasgou nas próprias palavras, estava bonita e falando sempre direto para o eleitor, fazendo suas promessas vazias como, por exemplo, "acabar com a ambição e corrupção em Wall Street". Se você não se incomodou com o fato de ela falar "NUKULAR" em vez de "nuclear" umas 20 vezes, "maverick" umas 30, de juntar as expressões "Joe Six Pack" e "Hockey Mom" na mesma frase, e dizer "also" 30 mil vezes ao longo do debate, fugir de várias perguntas, e se enrolar novamente na questão do aquecimento global, dificilmente você não vai achar horrível o fato de, logo depois de Joe Biden engasgar de emoção ao falar da morte da mulher e da filha, ela logo em seguida sorrir e continuar falando do grande "Maverick" John McCain, sem sequer mencionar rapidamente um "sinto muito" para o outro candidato. Vejam o vídeo:
Sarah foi mais charmosa e televisiva, mas em termos de conteúdo, Joe Biden foi melhor e deixou bem claro que McCain é a continuação de George Bush, e que sua fama de independente, maverick, é balela. No melhor momento dele, Joe Biden chamou a política de plano de saúde da chapa republicana de "Bridge to Nowhere", uma alfinetada em Sarah Palin que levou o auditório às gargalhadas.
Uma das coisas que os republicanos gostam em Sarah é a sua capacidade de se "conectar" com o eleitor no plano emocional. Mas nesse debate, acho que ela falhou nesse aspecto. Apesar do excelente "eye contact" - coisa que faltou totalmente ao McCain semana passada - suas tentativas de se referir ao "da poltrona" foram claramente forçadas, ensaiadas. O choro de Biden, por outro lado, foi capaz de gerar forte empatia com quem estava assistindo.
Em resumo, a boa performance de Sarah pode servir para estancar temporariamente a fuga de votos de independentes para Obama, ou diminuir a vergonha que os republicanos mais cultos estavam sentindo de sua candidata a vice. Sem se submeter a um vexame total, ela salvou sua carreira política, mesmo que perca esta eleição.
Biden estava aparecendo, para muitos eleitores, pela primeira vez. Foi competente, mostrou preparo, e atacou muito bem John McCain. O democrata tinha mais a ganhar do que perder aparecendo nesse debate, e para a chapa democrata e para seu futuro político, ele ganhou.
Não muda o quadro geral, em que Obama está em franca vantagem em relação a McCain, e começa a firmar o jogo em vários estados decisivos para o resultado no Colégio Eleitoral. Faltam ainda dois debates entre Obama e McCain, que devem ser mais definitivos do que o debate dos vices para a decisão final do eleitorado. Falta apenas um mês para a eleição.
Update: PESQUISA DE OPINIÃO DA CBS DÁ VITÓRIA A BIDEN
Entre eleitores indecisos, 46% acham que Biden foi melhor no debate; 33% acham que foi empate, e 21% acham que Palin foi melhor.
Confirmando minhas impressões acima, ambos os candidatos conseguiram melhorar sua imagem diante do eleitor nesse debate (53% vêem Biden de forma melhor, 42% não mudaram de opinião, e apenas 5% o vêem mais negativamente; para Palin, 55% desses eleitores independentes têm agora uma visão melhor sobre ela, enquanto 30% não mudaram de opinião, e 14% pioraram a opinião sobre ela.)
Outra confirmação dos meus comentários: "also" foi a palavra que Sarah Palin falou mais vezes, em todo o seu discurso. "John McCain" foi o que Biden mais repetiu.
Posted by leilac at 7:10 PM | Comments (5)




