Don't stand by your man

Programas de rádio, TV e artigos de jornais discutiram o tema o dia inteiro hoje: como pôde Silda Spitzer se colocar ao lado do marido, o (agora ex) governador de Nova York Eliot Spitzer, depois que foi revelado que ele a traía freqüentemente com prostitutas? Isso não seria um péssimo exemplo para as mulheres, passando a idéia de submissão ao marido em qualquer circunstância? E mesmo que ela decida perdoá-lo, por que passar por essa humilhação pública, em vez de deixá-lo cuidar das entrevistas coletivas sozinho? O mais exasperante nisso tudo é que Silda nao é a primeira esposa de político fragorosamente traída a se prestar a tal papel. A NPR tem um ótimo slideshow lembrando as várias mulheres que se submeteram a posar ao lado dos maridos traidores, demonstrando uma inacreditável compostura.
É certo que Silda parece estar arrasada, em estado de choque. Outras imagens da ex-primeira dama revelam um ar bem mais jovial e atraente de uma mulher que parecia segura em seu casamento e dizia que os dois agiam sempre unidos como "um time". Eles se conheceram na época de universidade, quando estudavam Direito em Harvard. Ela construiu uma carreira bem sucedida de advogada, ganhando mais que o marido, até que em 1994 ela parou de trabalhar para cuidar das três filhas, enquanto Eliot iniciava a carreira política, candidatando-se a procurador geral do Estado. Silda mantém uma fundação chamada Children for Children, que incentiva crianças de famílias abastadas a doar e fazer trabalhos voluntários em benefício das mais pobres (ela teve essa idéia depois de presenciar as festas de aniversário ostentadoras da classe alta de Nova York - isso lembra um assunto recente da imprensa brasileira...)
Um artigo hoje na Slate aproveita o caso para criticar a decisão de mulheres profissionais que largam uma carreira de sucesso e passam a viver dependendo do marido. Afinal, numa situação de divórcio ou de o marido cair em desgraça, vai ficar complicado manter o padrão de vida a que ela tinha se acostumado. Mas ainda acho mais provável a Silda voltar ao mercado de trabalho aos 50 anos e recuperar sua carreira perdida, do que o Eliot conseguir continuar atuando como político e promotor, depois de se envolver com a prática ilegal de prostituição. Ele pode até ser indiciado por um crime arcaico, o de promover o transporte de uma pessoa entre dois estados para a prática de prostituição (ele teria pago para a garota de programa viajar de NY para Washington).
Há quem especule que Silda resolveu apoiar o marido publicamente, após o escândalo, acima de tudo para proteger as filhas adolescentes. Dina Matos McGreevey, a ex-mulher do ex-governador de New Jersey, James McGreevey - que renunciou depois de admitir ser gay e ter um caso extra-conjugal - acha que ninguém deve julgar definitivamente os atos de Silda, porque ela mal teve tempo de digerir os acontecimentos, e esposas de políticos sofrem muita pressão nessas situações. Dina conta hoje no New York Times que no dia em que James revelou ser gay, ela não tinha condições de pensar direito e aceitou quando o marido pediu que ela ficasse ao lado dele na entrevista coletiva. "Eu só pensava na minha filha", diz Dina, que é descendente de portugueses.
Comments
RC, pior que parece... Mas uma coisa é ser traída pela Angelina, outra é por uma, ou melhor, várias, garotas de programa. Ouch.
Márcio, não concordo que seja parte da cultura americana aturar traições. A mulher americana é muito independente, o número de divórcios aqui é alto. Eu acho que o fenômeno de aceitar esse tipo de traição é mais uma característica da classe política ou da classe alta (em boa parte do mundo), onde essas mulheres, ou homens, teriam muito a perder em termos de posição, poder e dinheiro, numa separação.
Posted by: Leila | março 20, 2008 12:17 PM
Essa senhora não é uma versão cinqüentona da Jennifer Aniston?!
Posted by: RC | março 20, 2008 10:51 AM
acho que ela se presta a um papel ridículo e humilhante; e eu, se fosse filho, ficaria com vergonha da minha mãe se sujeitar a uma situação dessas. mas não me surpreendi: já aconteceu com vários outros políticos norte-americanos - é uma das lamentáveis facetas da cultura protestante retrógrada: 'stand by your man', no matter what'. ARGH!!
Posted by: Marcio Gaspar | março 20, 2008 10:44 AM
Oi Leila! Eu concordo com a Dina. Não dá para julgar. É cada coisa. Mas não vemos isso na situação inversa.
Beijos
Posted by: Flávia Nogueira | março 17, 2008 12:59 PM
Como mãe, acho que matou a charada. Eu não teria pensado que seria por causa dos filhos, mas acho que é um bom motivo para passar por cima de tudo (saberei quanto tiver um). Por outro lado, não digo que seja o caso, mas sei de mulheres de homens importantes por aqui que sabem e não ligam. Preferem continuar com as regalias. Bj
Posted by: Liliana Bettina Alvez | março 17, 2008 9:11 AM
Imagino que tenha sido importante para as crianças vê-los juntos no meio de toda a crise. Deve dar uma uma sensação de segurança. Agora, dá p/ imaginar a raiva que ela deveria estar sentindo (só se fosse anormal não sentiria raiva); então sabe-se lá o que vai acontecer com eles no futuro.
Coitada, que situação horrível. Eu teria dado um belo pé na bunda no sujeito.
bjs
Posted by: Cris | março 17, 2008 6:33 AM
Sem dúvida é a maior pressão mesmo. Principalmente sobre a cabeça. ahahaha
Ótima foto.
Posted by: gugala | março 16, 2008 6:28 PM
Leila, qto sofrimento tem o rosto dela,coitada.
Deve ser pressionada por ele, pelo partido, há mta coisa em jogo, e com disse a Anna, esta hipocrisia deles cansa.
Aqui é mais rouxo isto, ninguém perde cargo público por causa de amantes, coisas do genero não é?
enfim, difícil julgar, tenho pena dela.
Obrigada pela visita, eu ando aparecendo pouco, mas te acompanho de longe,querida,
bjs paa vc e filhote lindo.
Laura
Posted by: Laura | março 15, 2008 7:52 PM
vi pela tv esta cena apenas rapidamente e pensei que a mulher fosse uma assessora, ou a vice... então era a própria mulher traída!?!?!? Concordo com o tiagón, eu teria ficado em casa com as filhas, e ele que se danasse sozinho. Mas vai compreender a cabeça e os valores dos outros... Que situação triste...
Posted by: LucianA | março 14, 2008 7:10 PM
Fiquei com a maior pena da mulher dele, ela está com uma expressão muito triste, humilhada... nunca vou entender o pq dessas mulheres de políticos ficarem ao lado deles enquanto eles 'pedem desculpas' e assumem serem infiéis - e hipócritas. Essa história de que é por causa dos filhos do casal não me cai bem, não vejo ligação entre ela apoiar o marido e estar na verdade se preocupando com os filhos.
O pior de tudo é que a Silda resolveu abandonar o emprego, ser sustentada pelo marido e cuidar dos filhos.
Posted by: Túlio | março 14, 2008 3:48 PM
a pessoa deve ficar em choque mesmo, não só pela traição mas por tudo que envolve a vida pública.
tivesse ele a generosidade de nno arrastá-la para essa insólita cena.
agora, leila, esse moralismo hipócrita da maioria dos norte-americanos é um pé no saco!
Posted by: anna | março 14, 2008 7:49 AM
Realmente são situações muitos complicadas! Mas ele devia ter o respeito de nem sequer lhe pedir para dar a entrevista com ele.enfim
Posted by: handsoftime | março 14, 2008 4:19 AM
quando vi a foto hoje, também fiquei repleto de interrogações. (que cessaram logo após, quando veio o feeling de "já visso antes".)
sou provavelmente o menos qualificado para falar sobre educação dos filhos, mas me parece que se ela estivesse preocupada mesmo com as crias, que ficasse com elas, ao invés de posar para o mundo ao lado ele. isso lá é exemplo de algo?
sei lá. se fosse eu a renunciar com uma história dessas, eu me sentiria ainda mais humilhado de ter a mulher ao lado.
Posted by: tiagón | março 13, 2008 6:12 PM