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abril 30, 2006

Garotinho fazendo pirraça

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Quanto tempo vocês acham que vai durar essa greve de fome do pré-candidato à presidência pelo PMDB Anthony Garotinho? O roliço ex-governador do Rio não parece ser uma pessoa com grande auto-controle para resistir por muito tempo a um bom prato de comida. Para piorar, Garotinho não está em greve contra um patrão ou autoridade específica com quem possa negociar diretamente, mas sim contra o que considera um complô da mídia, do governo Lula e do mercado financeiro contra a sua candidatura.

Ele resolveu parar de comer até que sejam satisfeitas duas condições: primeira, "que seja instituída uma supervisão internacional no processo político-eleitoral brasileiro, assegurando a igualdade de tratamento a todos os candidatos, com acompanhamento de instituições nacionais que tradicionalmente defendem a democracia"; segunda, "que os veículos de comunicação que fazem calúnias cedam o mesmo espaço para que a população possa conhecer a verdade dos fatos".

Essa apelação patética de Garotinho acontece no rastro de uma série de denúncias de irregularidades na arrecadação dos recursos para a sua pré-campanha, descobertas pelo jornal O Globo e a Revista Veja. Hoje a imprensa foi convocada para assistir ao início da greve de fome de Garotinho, na sede do PMDB no Rio. Imagino a dificuldade dos jornalistas para segurarem o riso, quando, diante das câmeras, Garotinho sentou-se num sofá da antesala da presidência regional do partido e começou a ler um livro; depois, sua esposa, a governadora Rosinha, juntou-se a ele, abraçou-o e os dois passaram um tempão sentados num sofá, de olhos fechados, na mesma posição.

Posted by leilac at 3:03 PM | Comments (19)

abril 28, 2006

Botando os pezinhos de fora

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Adaptação ao modo de vida americano tudo bem, mas sem esmalte vermelhão, nem chinelo vagabundo para combinar com vestido.

Para Lúcia Carvalho

Finalmente o sol voltou ao Norte da California, depois de um março e boa parte de abril estranhíssimos, com chuva incessante. As californianas já não viam a hora de tirar suas sandálias e chinelos do armário e poderem curtir a primavera pegando um solzinho nas pernas e pés. Assim que a previsão do tempo anunciou sol para o meio desta semana, eu resolvi fazer um pedicure. Sim, pedicure, porque aqui nos EUA, nem todo mundo faz as unhas das mãos, mas usar sandália sem pintar as unhas dos pés é como andar pelada. Eu bem que resisti alguns anos a essa imposição, pois como típica carioca prefiro pintar a mão do que os pés, mas depois percebi que, para manter um polished look, chique e profissional, no escritório, durante a primavera e o verão, usar sandália sem unhas pintadas era um fashion don't. Capitulei. Mas ainda assim resisto ao esmalte vermelhão que quase todas as americanas usam no pé, prefiro usar uma cor clarinha e delicada.

O problema é que aqui eles cobram os olhos da cara por uma sessão de pedicure. Num salão bom, é coisa de 35 dólares pra cima. Então eu resolvi procurar um nail salon "baratinho", e achei um perto do trabalho que cobrava 19 dólares. Confesso que fiquei meio tensa quando vi que na porta tinham umas oferendas de frutas e doces, tipo uma macumbinha básica asiática - depois vim descobrir que os donos/funcionários do salão são vietnamitas, e o povo lá costuma ter uns pequenos altares nas portas das casas e lojas, para agradar os espíritos. Achei as pessoas bem arrumadinhas, o salão limpinho, e resolvi arriscar... E qual não foi a minha surpresa quando o único homem presente no recinto (com uma cara totalmente normal e masculina, parecendo ser o dono do salão ou marido de uma das manicures) veio fazer o meu pé!

Não vou negar que a princípio fiquei pouco à vontade para entregar meus pés a um homem-manicure, que nem gay parecia ser. Fazer mão e pé aqui nos EUA inclui uma boa dose de massagem, leva um tempão... Mas eu não ia pagar o mico de sair correndo dali e fazer essa desfeita com o pobre homem-manicure. Não gosto de ser preconceituosa. Então mantive o ar blasé e sentei na cadeira que ele me indicou, e abri um livro para ler e me abstrair daquela situação. E lá ia o homem-manicure botando meus pés de molho, passando creme, tirando cutícula, botando de molho de novo, passando creme, fazendo uma massagem de meia hora incluindo um troço de ficar puxando e estalando meus dedinhos (vai ver que é alguma sabedoria vietnamita, não reclamei), mas a pior parte foi quando o cara ficou passando uma espécie de pedra pomes para exfoliar o meu pé - sou super sensível, aquilo além de doer estava me dando uns reflexos no joelho e até "lá" - reclamei mas o homem não parou, fiquei mordendo o lábio de aflição até a tortura acabar. (Lembrei de uma outra manicure vietnamita que eu tive, excelente, mas que fazia uma massagem horrível, quase quebrando cada ossinho da minha mão.) Finalmente o cara pintou as unhas, depois me deu um chinelinho de borracha e me mandou ir para outra estação numas máquinas secadoras. Li metade do último livro do Gabriel García Marquez nessa brincadeira.

1_d5e3c2bd9d071399ba877877647a47a9.jpg O resultado final foi bem razoável. Não foi o melhor pedicure que eu já fiz na vida, mas ficou bonitinho apesar de uma imperfeição aqui e ali. Talvez eu até volte àquele salão, não me importaria de fazer com ele de novo. Mas confesso que ainda me sentiria mais à vontade com as manicures mulheres. Torço para que na próxima eu seja atendida por uma das manicures de lá que tinha por volta de 45 anos, elegante, com um olhar sereno e digno. A outra, a mais jovem de todas, era meio mandona, criticou minha escolha de esmalte e falava alto o tempo todo em vietnamita com uma voz anasalada. Acho que a senhora de olhar compreensivo será a única que atenderá meu pedido para não estalar meus dedinhos e não esfolar meu pé com a pedra pome.

Posted by leilac at 9:19 AM | Comments (48)

abril 27, 2006

Homens e focas disputam praia

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Turistas observam as focas de La Jolla, California

Nos anos 30, foi construída uma grande murada de pedra para criar uma praia mansinha na afluente comunidade de La Jolla, California, na região de San Diego. O lugar ficou conhecido como Children's Pool. Não se sabe porque, no final da década de 90, as focas descobriram essa prainha e começaram a usá-la como local de descanso e para dar à luz seus filhotes, principalmente entre janeiro e maio. Muitos moradores locais ficaram furiosos em ter que abrir mão de sua praia em benefício dos animais, que com cocô, restos de placenta e outros dejetos orgânicos, deixaram o lugar impróprio para o banho e brincadeiras na areia. Já os turistas ficaram maravilhados com a oportunidade de poder ver focas, especialmente os filhotes, tão de perto. A cidade ficou dividida entre os pró-foca e anti-foca.

focas.jpg E aí entram em cena os ecologistas e biólogos, alertando que as focas se assustam muito facilmente com a presença das pessoas e escapam para a água, o que é prejudicial à saúde delas - precisam de tempo suficiente descansando na areia e tomando sol. Sem contar que na fuga algumas mães abandonam os filhotes sozinhos na areia. De 1999 a 2004, a cidade de San Diego decidiu colocar uma corda de proteção impedindo pessoas de se aproximarem das focas durante a temporada de nascimento dos filhotes (janeiro a maio). Depois, os legisladores municipais optaram por deixar livre o acesso à praia em qualquer época do ano. Mas, ao receber denúncias de que moradores anti-foca estavam espantando os bichos para a água de propósito, biólogos do governo recomendaram ao San Diego City Council que a praia fosse novamente interditada aos humanos. A medida foi finalmente aprovada no dia 19, e essa semana a corda de proteção foi recolocada - nova vitória para as focas.

Alguns moradores protestaram contra a decisão, afirmando que o excesso de focas poderá atrair tubarões para as praias de La Jolla. Bem, mas o que eles pretendem? Assassinar todas as focas para que os tubarões não apareçam? Eu não sou especialista em tubarões como a Lucia Malla, mas imagino que o tubarão ficaria igualmente satisfeito em se alimentar numa praia cheia de pessoas quanto numa praia cheia de focas. O Oceano Pacífico é um habitat natural tanto de focas quanto de tubarões, e todo mundo que nada nessas praias precisa estar consciente do risco de ser atacado. Os surfistas da California sabem disso, e vão pra água contando com a sorte, apenas.

Uma coisa devia ser óbvia para esses moradores: não tem como convencer as focas a procurarem outra praia. Nem como se prever um ataque de tubarão. Cabe aos moradores se resignarem com o fato de que a Children's Pool agora é das famílias-foca, e irem procurar outro local mais adequado para o lazer de seus filhos.

Posted by leilac at 11:55 AM | Comments (17)

abril 26, 2006

Gasolina sobe, Bush corta legislação ambiental

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Foto tirada hoje em posto de gasolina de Los Angeles pela Associated Press

Os preços da gasolina estão batendo recordes aqui nos EUA. Passando de 3 dólares o galão, já é o dobro do que eu pagava quando eu me mudei pra cá há 6 anos atrás. A previsão é de que chegue a 5 dólares o galão nos próximos meses. Num país em que grande parte da população usa o carro para ir trabalhar (ou em que o carro ou caminhão é ferramenta de trabalho), esse é um dos principais motivos de insatisfação atualmente contra o governo. E o que o presidente Bush faz para tentar combater a alta dos preços? Retira "temporariamente" as regulações ambientais que obrigam as refinarias a usar aditivos para tornar a gasolina menos poluidora. (So much para quem fez tanta pose no Dia da Terra, não?)

Há cinco anos o Partido Democrata vem exigindo que o governo republicano de Bush tome medidas contra os abusos das grandes empresas de petróleo, como reforços nas leis antitrust, investigações contra preços especulativos, a imposição de um preço máximo, entre outras. Em vez disso, o governo Bush e seu partido criaram uma lei que deu incentivos fiscais de 2 bilhões de dólares às empresas de petróleo, para encorajar o aumento da exploração. Agora, sob a pressão dos eleitores revoltados com o preço da gasolina (há eleições para o Congresso este ano) e com a popularidade baixíssima de 32% de aprovação de seu governo, Bush acorda de um dia para o outro preocupadíssimo com a alta da gasolina, e está pedindo que o Congresso revogue os tax breaks para as empresas de petróleo e anunciando que vai investigar os casos de abusos de preços. Um pouco tarde, Mr. President.

Enquanto alegam que a alta dos preços é justificada pelo desequilíbrio entre oferta e demanda, o povo americano não engole as lágrimas de crocodilo das empresas de petróleo. Desde o ano passado, quando parte do país sofreu desabastecimento e todos os americanos pagaram caro pelo combustível após o desastre do Katrina ter diminuído a produção no sul do país, as empresas de petróleo têm anunciado lucros recordes. E o mesmo deve acontecer amanhã, segundo os analistas, quando a Exxon Mobil irá anunciar os resultados do primeiro quadrimestre. A insatisfação popular pode ser resumida nas palavras deste cidadão de Los Angeles, que ontem abastecia seu Toyota Camry por 47 dólares em Los Angeles: "Sou um capitalista, mas nesse caso nós estamos sendo extorquidos", afirmou o pequeno empresário Ron Safier, de 72 anos. "O governo tem que intervir e fazer as empresas de petróleo se ajoelharem." Não dá para esperar muito de um governo de direita e que é formado em seu cerne por ex-diretores de empresas de petróleo, e cuja política de energia foi decidida a portas fechadas entre o vice Dick Cheney e executivos das multinacionais do setor (até hoje as atas dessas reuniões não foram divulgadas para o público).

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barbjenna.jpg On a lighter note, fiquei sabendo que as filhas gêmeas do presidente, Barbara e Jenna (foto ao lado) foram a uma aula de spinning numa academia de ginástica em Washington, e tiveram que ouvir o professor falando mal do Bush durante as duas últimas músicas inteiras. Glenn Makl, o instrutor, não reconhecera as gêmeas entre os alunos, e provavelmente achou que a chance de ter algum aluno entre os 32% da população que apóiam Bush, era baixa. Ele ficou mostrando aos alunos o seu DVD de "Bushismos" (as frases mais estúpidas e sem sentido ditas pelo presidente) e comentando os seus trechos preferidos. Alguns dos freqüentadores da aula contaram sobre a gafe de Makl para o jornal Roll Call (de notícias dos bastidores de Washington), e a partir disso a história foi parar em outras colunas políticas. A academia de ginástica onde isso aconteceu, a Sports Club LA do West End de Washington, não demitiu o professor por conta do incidente com as gêmeas.

Posted by leilac at 9:54 AM | Comments (17)

abril 24, 2006

Ela de novo...

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Vocês se lembram dela? Pois então, a candidata republicana ao Senado (Florida) Katherine Harris foi pega numa flagrante tentativa de sedução barata com um repórter universitário na última sexta-feira. O pobre rapaz assediado, Justin Richards, da Universidade da Florida, contou que ela o pegou pela mão e o levou para um canto reservado, dizendo que queria ter uma conversa "nuclear" com ele... Uma conversa sobre tecnologia nuclear... Durante a entrevista, o pé dela roçava no dele, o joelho estava a milímetros de distância da perna do rapaz, e ela se inclinava na direção dele o tempo todo, chamando-o de "honey". O jovem repórter confessou que mal tinha coragem de tirar os olhos do bloco de anotações, pois ela estava perto demais, deixando-o totalmente sem graça.

Olha, eu dou a maior força para mulheres paquerarem quem elas quiserem. Mas nesse caso, se ela está em campanha por uma vaga no Senado Federal (e ainda por cima é casada), deveria demonstrar um mínimo de classe e decoro, e não sair por aí dando em cima de um jornalista frangote que acabou de conhecer e que provavelmente vai contar pra todo mundo o que aconteceu. Se fosse um homem candidato dando em cima de uma repórter, eu acharia igualmente podre. Mas com Harris é especialmente engraçado, porque ela consegue ser um dos personagens mais caricatos da política americana, com sua ambição desmedida, tanto por poder e dinheiro, quanto por ser objeto do desejo masculino.

Posted by leilac at 2:52 PM | Comments (19)

abril 23, 2006

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Arte do nosso amigo Jon Crossland. E não deixem de ver nesse vídeo o divertido take do Jon Stewart (The Daily Show), em quadrinhos, sobre o Decider-in-Chief. Vejam aqui mais um interessante sinônimo para a palavra "decider".

Algumas fotos do protesto contra Bush em sua rápida passagem por Sacramento ontem aqui.

Posted by leilac at 3:32 PM | Comments (16)

abril 22, 2006

Bush em Sacramento no Dia da Terra

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Neste Dia da Terra, o presidente George W. Bush passará rapidamente por Sacramento esta tarde para fazer uma demagogiazinha, brincar de ser moderno e ecológico, numa reunião com os empresários da Fuel Cell Partnership (que estão desenvolvendo combustível para carros à base de hidrogênio). Está sendo organizada uma manifestação em frente à sede da FCP, para protestar contra as políticas de Bush em geral, mas principalmente lembrar que o governo foi responsável por um imenso retrocesso nas leis ambientais do país. (Como vocês podem ver aqui e aqui).

O próprio programa do governo Bush para usar carros movidos a hidrogênio não é o que os ecologistas previram. Noventa por cento do hidrogênio a ser usado nos carros, dentro do programa de Bush, continuará vindo como produto do petróleo, gás natural e outros combustíveis fósseis, poluidores e não-renováveis.

* * * * *

O que cada um de nós pode fazer para evitar o aquecimento global:

- Usar carro apenas quando necessário, e optar por veículos mais econômicos em combustível e menos poluidores;
- Optar por eletrodomésticos que sejam eficientes no uso de energia;
- Deixar a sua casa mais eficiente no uso de energia: por exemplo, criar mais sombras para proteger do sol do verão, cobrir buracos por onde entra ar frio; tudo isso vai economizar ar condicionado ou aquecimento. Não gastar gás à toa no banho e na cozinha.
- Economizar energia em casa de uma forma geral.

Fonte: Union of Concerned Scientists

Este post faz parte da blogagem coletiva idealizada pela Lucia Malla para o Dia da Terra.

Posted by leilac at 7:12 AM | Comments (13)

abril 20, 2006

Dou um CD de presente...

..pra quem criar a melhor legenda para a foto abaixo:


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Presidente Bush e a patinadora Michele Kwan em almoço na Casa Branca.
Foto de Jason Reed/Reuters

Posted by leilac at 4:40 PM | Comments (15)

abril 19, 2006

Famosos e seus ridículos baby names

babystar.jpg Hoje ficamos sabendo que Tom Cruise e Katie Holmes tiveram uma menina. Chamaram-na de Suri. O nome diferente e esquisito só vem a confirmar o estereótipo dos artistas famosos que batizam seus filhos com os nomes mais estapafúrdios, aparentemente ignorando a possibilidade de que eles serão alvo de gozação para o resto da vida por conta disso. Veja alguns dos nomes mais recentes escolhidos por atores de Hollywood para seus bebês: Pilot Inspektor é o filho do ator Jason Lee; Banjo é o filho de Rachel Griffiths; Moxie CrimeFighter é o nome da filha do comediante e mágico Pen Jillette; Coco é a filha de Courtney Cox; Audio Science é o filho da atriz Shannyn Sossamon. Gwyneth Paltrow (ela mesma filha de artistas e com um nome estranho) colocou o nome de Apple em sua filha. Para o seu menino recém-nascido, ela escolheu Moses - um tanto incomum atualmente nos EUA, mas pelo menos ele saiu lucrando ao não ganhar um nome de fruta.

Isso não é exclusividade de Hollywood. Artistas brasileiros têm a mesma mania de escolher nomes exóticos para seus filhos, como "Mano Vladimir" (de Marisa Monte) e toda a prole de Baby Consuelo e Pepeu Gomes (a Riroca inclusive mudou de nome quando atingiu a maioridade, mas em vez de virar Cláudia ou Andréa, optou por outro nome que chama atenção, Sara Sheeva). O wife-beater Kadu Moliterno colocou nomes havaianos em seus filhos. Regina Casé escolheu Benedita para batizar sua filha, embora seja difícil encontrar qualquer outra pessoa que do século 20 pra cá considere esse o nome mais bonito para uma criança. Vai na mesma linha do nome Matilda, da filha de Heath Ledger e Michelle Williams (atores de Brokeback Mountain). Aliás, nomes muito antiquados ou bíblicos são outra preferência de artistas que não querem dar nomes comuns a seus filhos.

Esta matéria do New York Times no domingo tenta justamente analisar o que há por trás dessa mania das celebridades de escolher nomes escalafobéticos para suas crianças. Jenn Berman, psicóloga de Beverly Hills, acha que é uma forma de os atores provarem que são especiais e criativos, e inconscientemente desejam um futuro semelhante para seus filhos. Para Stuart Fischoff, que também já trabalhou com atores de Hollywood, dar um nome diferente é uma forma de romper convenções. Para muitos desses artistas, adotar um nome "normal" e tedioso seria uma forma de se render aos padrões da sociedade. "Eles estão ao mesmo tempo expressando sua criatividade, e mostrando que têm medo de serem considerados normais". A reportagem do New York Times lembra ainda nomes de filhos de celebridades que hoje já são adultos: Moon Unit, filha de Frank Zappa; Cheyenne, filha de Marlon Brando; e Osgood, filho de Anthony Perkins.

Mal posso esperar para saber o nome do bebê de Brad Pitt e Angelina Jolie. Há rumores de que eles vão escolher um nome africano. Mas, como isso já saiu nas revistas, é provável que eles mudem de idéia. De qualquer forma, nomes como John, David ou Emily devem ser descartados.

Posted by leilac at 9:36 AM | Comments (39)

abril 18, 2006

"Eu é que mando, o brinquedo é meu".

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Bush: I'm the decider (sic), I decide what's best

O presidente George W. Bush hoje mostrou mais uma vez que raciocina e fala como uma criança mimada de 7 anos de idade. Ao ser perguntado por um repórter, hoje, na Casa Branca, por que ele estava ignorando o conselho de uma série de generais que estão pedindo a saída do secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, Bush respondeu:

"Eu escuto todas essas vozes, eu leio as primeiras páginas e sei das especulações, mas eu sou o 'decididor' (o imbecil usou a palavra "decider", que também não existe), e eu decido o que é melhor, e o melhor é Donald Rumsfeld continuar como Secretário de Defesa."

Eu não sei o que é pior, o cara se expressar como um ditadorzinho de quinta categoria, como um adolescente mimado que está brincando de ser presidente, ou o fato de ele cometer um erro de inglês crasso, que nem uma criança no primário faria, embora ele seja graduado pela Yale e Harvard. "The decider". O cara só deve ter conseguido diploma de high school e universidade por influência do pai, não há a menor dúvida disso.

Veja o vídeo do Chimperor falando essa asneira no blog Crooks and Liars.

Posted by leilac at 3:28 PM | Comments (42)

abril 16, 2006

Coffee to go

Meu post hoje está lá no Bombordo, falando sobre a iminente chegada da Starbucks ao Brasil. Vão lá!

Posted by leilac at 9:54 PM | Comments (9)

abril 14, 2006

Feliz Páscoa, do meu Coelhinho

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Clique nas fotos e amplie.

Posted by leilac at 5:04 PM | Comments (23)

abril 13, 2006

Nem matéria paga faria melhor

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Fiquei pasma com a capa da IstoÉ Gente dessa semana, uma adulação descarada à socialite sonegadora Eliana Tranchesi. Não estou querendo entrar no mérito de se o MV Bill está certo ou errado em se associar à Daslu (sobre isso, leiam a discussão que gerou o post da Denise aqui). O que eu achei lamentável nessa matéria é a sua tentativa óbvia de reabilitar a imagem de Tranchesi junto ao público. Parece até um press release da Daslu, ou uma matéria encomendada; não há qualquer posicionamento crítico, mas apenas a exaltação dos projetos sociais da empresária. Para completar, ainda abrem com a cafonérrima frase "Eliana se diz mais espiritualizada", digna de texto de estagiária de jornaleco do interior.

Eu nem acho que seja matéria encomendada. É apenas um reflexo do jornalismo subserviente da área de celebridades no Brasil, sempre pronto a se deslumbrar com peruas cujos principais atributos são uma gorda conta bancária, um cabelo bem pintado de louro, corpo talhado a muita lipo, e algo mais de 15 minutos de fama. Pessoas que raramente têm algo interessante a dizer, e cuja prioridade é conseguir o máximo possível de bocas livres em festas, Ilhas de Caras ou papéis em novelas da Globo. Pelo menos os tablóides americanos e europeus não perdoam, debocham de cada deslize de suas socialites e starlets.

Outro detalhe que me salta aos olhos: na matéria, a favela aparece como um personagem coadjuvante, tratado com condescendência. Destaca-se o fato de que Tranchesi criou o filho de sua babá; acha a casa de uma das faveladas muito limpinha; e que uma das moradoras a recebeu com um "bolo de fubá delicioso". É uma matéria escrita para os olhos da classe média alta, de gente que tem medo, não sabe como é, e nunca pisou numa favela.

Posted by leilac at 6:21 PM | Comments (23)

abril 12, 2006

IPod Vending Machines

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Nada de refrigerantes ou Cheetos. A Zoom Shop do hotel Las Vegas Hilton vende IPods

Você percebe que o IPod já virou parte integral da vida dos americanos quando descobre que já existem até máquinas self-service vendendo os mp3 players da Apple em diferentes pontos dos Estados Unidos. A primeira surgiu há alguns meses no aeroporto de San Francisco, seguida por outra no aeroporto de Atlanta. Agora, também já tem pelo menos uma num hotel em Las Vegas e outra no San Francisco Argent Hotel. Quem passa na frente de uma dessas vending machines se diverte ao pensar no que aconteceria se o IPod ficasse emperrado (como o chocolate Twix do George em Seinfeld) e a pessoa não conseguisse pegá-lo depois de pagar. Ora, todo mundo nos EUA já passou por uma situação em que o seu lanchinho ficou preso no meio do caminho, ou em que a máquina engoliu seu dinheiro. Ou pelo menos já presenciou algum consumidor frustrado, sacudindo ou chutando a máquina, para ver se o produto finalmente caía.

Mas a Zoom Systems, que opera essas máquinas, garante que a cobrança (por cartão de crédito, semelhante a uma compra online) só é finalizada quando os sensores acusam que o braço robótico conseguiu corretamente tirar o produto da estante e depositá-lo no local de entrega para o comprador. As Zoom Shops vendem também câmeras fotográficas, celulares e outros artigos que custam até 500 dólares.

Posted by leilac at 5:27 PM | Comments (14)

abril 11, 2006

Vaca lambeu

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Depois de décadas usando seu cabelo naturalmente crespo, o Tom Hanks parece ter adotado uma escova progressiva básica, ou um alisamento japonês, para seu visual no filme The Da Vinci Code, que estréia dia 19 de maio em lançamento global. As filmagens já terminaram há alguns meses, mas o ator pelo visto está curtindo manter os cabelos mais compridos e lisos. Pessoalmente, acho que ficou PÉSSIMO, e torço para a volta dos cachinhos, ou pelo menos do estilo mais curtinho, que cai bem melhor em Hanks.

Posted by leilac at 1:42 PM | Comments (20)

Porto do Desespero virou cult

porto.jpg Já dei muita risada com o post do Serbon criando hype sobre a blog-novela coletiva Porto do Desespero. A Anânima foi quem inventou a brincadeira e passou a bola pra mim, e em seguida vieram os capítulos do Serbon, Vanessa, Alex Castro e Biajoni, um mais surpreendente do que o outro. A personagem Mariana está se revelando uma vilã pior que a Maria de Fátima de Vale Tudo. E agora, o Nelson Moraes dá um show de criatividade e bom humor no capítulo sete. Leiam, divirtam-se e fiquem por dentro - nunca se sabe, o próximo capítulo poderá parar nas suas mãos.

Posted by leilac at 8:51 AM | Comments (6)

abril 10, 2006

Vácuo cerebral

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Brincadeira, até o Ronald Golias tinha uma expressão mais inteligente do que ele...

Essa foto foi tirada hoje, durante um encontro do presidente com alunos de alto nível da Johns Hopkins University (Escola de Estudos Internacionais), onde os jovens puderam assistir ao vivo o discurso hesitante e sem nexo de George W. Bush.

Posted by leilac at 5:34 PM | Comments (8)

abril 9, 2006

American Dreamz

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Dennis Quaid e Hugh Grant em American Dreamz

O filme estréia daqui a duas semanas nos Estados Unidos e já está dando o que falar. O diretor Peter Weitz (mesmo de About a Boy e American Pie) junta nessa comédia um presidente abilolado e impopular, um concurso de calouros que mobiliza mais o público do que as eleições, e um muçulmano aspirante a ídolo que tem a missão de detonar uma bomba durante o programa, matando o presidente e também abalando a cultura pop americana. Qualquer semelhança com o presidente Bush e o programa American Idol não são mera coincidência. Inclusive, o ator Hugh Grant, no papel do juiz implacável do concurso, está fazendo uma divertida imitação do também inglês Simon Cowell.

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Sam Golzari no papel do candidato a American Idol e terrorista acidental

dennis_quaid12.jpg Dennis Quaid faz o papel do presidente que, no dia de sua reeleição, decide ler os jornais pela primeira vez depois de 4 anos, e entra em parafuso, ficando isolado durante semanas, o que derruba sua popularidade. Seu braço direito, um hilário Willem Dafoe envelhecido e careca, resolve colocar o presidente como um dos juízes do programa American Dreamz, a fim de recuperar a simpatia do público. O problema é que um dos finalistas do concurso é um imigrante que está sendo pressionado por terroristas a cometer um atentado em plena gravação ao vivo do programa. Eu estou curiosa para ver como essa história vai acabar, e se o filme é tão engraçado quanto About a Boy ou mesmo o adolescente American Pie.

Posted by leilac at 8:50 PM | Comments (11)

abril 7, 2006

Meu futuro Bob Dylan

Nesse vídeo a seguir, o Christopher toca gaita, tenta imitar o som do instrumento com a voz, e mostra atitude de roqueiro.

Ouvindo: Upside Down (Jack Johnson)

Posted by leilac at 5:12 PM | Comments (18)

abril 6, 2006

Cidadão para Bush: você me envergonha

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Harry Taylor dá uma bronca no presidente ao vivo, para
horror da platéia de
republican bitches.

O presidente Bush às vezes faz o que se chama aqui de "town hall meetings", encontros com a comunidade, em que cidadãos comuns têm oportunidade de lhe fazer perguntas. No entanto, representantes do governo sempre tomam todo cuidado para escolher quem pode entrar no auditório; pessoas suspeitas de serem de oposição são via de regra expulsas, ou sequer conseguem entrar. Mas alguma falha do Serviço Secreto aconteceu hoje, no town hall meeting numa faculdade da Carolina do Norte. O cidadão Harry Taylor botou as mãos no microfone e disse ao Presidente dos Estados Unidos:

TAYLOR: O senhor sempre fala em liberdade, e eu acho bom. Mas ao mesmo tempo que o ouço falar em liberdade, eu vejo o senhor defender seu direito de fazer escuta do meu telefone, me prender e manter detido sem indiciamento, me impedir de respirar um ar sem poluição e de beber água limpa e comida segura. Se eu fosse uma mulher, o senhor gostaria de restringir meu direito de escolha sobre continuar ou não a minha gravidez. O senhor...

BUSH: Já vi que não sou a sua pessoa favorita. Vá em frente. (risos e aplausos) Vamos lá, qual é a sua pergunta?

TAYLOR: Okay, eu não tenho nenhuma pergunta. O que eu queria dizer ao senhor é que - em toda a minha vida, eu nunca senti tanta vergonha, tanto medo da liderança em Washington, incluindo a presidência, o Senado e...

(Vaias)

BUSH: Não, esperem, deixem ele falar.

TAYLOR: E eu acho que apesar da sua retórica, a compaixão e senso comum foram abandonados durante sua administração, e eu esperava que, de vez em quando, o senhor tivesse a humildade e elegância de se sentir envergonhado. Também gostaria de agradecer a sua cortesia de me deixar dizer o que estou dizendo. Isso é parte do que nosso país representa.

O vídeo com essa cena está aqui, no blog Crooks and Liars. Taylor realizou o sonho de muitos cidadãos que estão engasgados com as políticas do governo Bush. A Casa Branca sempre teve a estratégia de manter o presidente afastado e protegido de seus críticos; até mesmo dentro do governo, seus aliados mais próximos têm o costume de evitar qualquer crítica ou discordância. Não é à toa que Colin Powell saiu, e Condoleeza - que sempre parece ver a realidade com lentes cor-de-rosa - subiu.

******

E enquanto levava uma bronca em pessoa do cidadão, Bush também foi bombardeado hoje pela oposição depois da revelação de que o ex-assessor de Cheney, Scooter Libby, depôs em juízo que o próprio presidente autorizou o vazamento de informação secreta da CIA para a imprensa, numa tentativa de justificar a escalada para a guerra no Iraque. Esse jornalista canadense lembrou bem que o presidente Bush uma vez disse "Quem vazar informação secreta neste governo será demitido". Hum, se a palavra de Bush valesse alguma coisa, ele deveria renunciar, não é mesmo?

No entanto, Bush não encontrará problemas na justiça neste caso, pois ele mesmo baixou uma lei autorizando a si próprio o poder de "desclassificar" (tirar o caráter secreto de) inteligência. De qualquer forma, a atitude de Bush tem implicações éticas e políticas, pois o vazamento foi feito no intuito de combater acusações da oposição, e não para proteger o país. Além disso, a participação tanto de Bush quanto de Cheney no vazamento de informações secretas da CIA levantam suspeitas de que eles também podem ter sido responsáveis pelo vazamento do nome da agente secreta Valerie Plame (mulher do embaixador que desmentiu o governo sobre o Iraque importar Urânio da Nigéria). Infelizmente, não há qualquer prova ou depoimento obtido pelos procuradores federais até o momento apontando quem foi o mentor do vazamento do nome de Valeria Plame à imprensa.

Posted by leilac at 1:25 PM | Comments (25)

abril 5, 2006

Da carranca para a risadinha

couric2.jpg O formato dos telejornais noturnos na TV aberta americana sempre contou com um apresentador masculino, de meia idade pra cima, seríssimo, de voz grave e empostada, comentando os fatos mais importantes do dia no país e no mundo. Hoje, a CBS anunciou uma contratação que pode revolucionar o gênero. Katie Couric, personalidade de riso fácil, que há 15 anos trabalha como apresentadora do matutino Today Show (mistura de noticiário com entretenimento) na NBC, aceitou o convite da outra emissora para se tornar a primeira mulher âncora de um telejornal americano no horário nobre.

Muitos, como eu, receberam a notícia com mixed feelings. É bom ver uma mulher chegar lá; mas Katie, apesar de ter seus momentos de seriedade e competência entrevistando até chefes de Estado, parece mais à vontade e em seu elemento quando faz a parte "fluff" do programa, as conversas bobas entre os outros apresentadores, entrevistas com astros de Hollywood, palhaçadas em que o apresentador vira a própria matéria - ora falando de si próprios, ora fazendo chá-de-bebê para os co-âncoras na frente das câmeras, fantasiando-se de Bob Esponja no Halloween, ou comentando sobre o fim de semana com a família, entre outras amenidades que roubam o tempo das notícias de verdade. "She's a clown", dizem alguns, "não tem credibilidade para apresentar um noticiário sério". Outros críticos duvidam que ela vá ficar à vontade em seu novo cargo, sem poder usar seu charme e mostrar as pernas bem torneadas.

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Katie Couric dança com Antonio Banderas num recente programa Today Show.

Pessoalmente, eu até prefiro a Katie Couric quando ela faz entrevistas sérias, e acho-a extremamente irritante, cabotina e pateta quando ela faz a parte brincalhona do programa. Mas é justamente isso que a maioria do público parece gostar, tanto que há quem a considere uma das namoradinhas da América. No entanto, a audiência do telejornal noturno não é a mesma do Today Show; e mesmo quem gosta de sua performance no programa matinal, pode querer outro tipo de apresentação na hora do evening news. Talvez a pergunta principal seja: quem é que vai mudar mais, Katie Couric ou o formato um tanto gasto do telejornal da noite? Será que a contratação de Katie significará ainda mais entretenimento no lugar de jornalismo (coisa que já está bastante escassa na TV americana, mesmo quando o apresentador é um coroa carrancudo)? Ou irá Katie bancar um jornalismo sério e investigativo? Essa última hipótese parece remota, mas ainda torço por ela.

Sem dúvida, a contratação da CBS é uma tentativa de ganhar audiência a partir do superstardom e carisma de Couric. Nos últimos anos, a emissora continuava atrás das duas competidoras, NBC e ABC, nos telejornais tanto da manhã quanto da noite. Agora que Tom Brokaw (NBC) e Dan Rather (CBS) se aposentaram, e Peter Jennings (ABC) morreu, não há atualmente nos telejornais noturnos nenhum âncora com um público fiel e com um nome gravado na cabeça dos telespectadores como Katie Couric. Tenho certeza que os primeiros programas dela terão enorme audiência, no mínimo pela curiosidade para ver se ela vai conseguir se sair bem ou não. Depois dessa primeira fase é que veremos se ela vai se solidificar como uma âncora do noticiário noturno, obtendo a credibilidade do espectador americano.

Posted by leilac at 1:27 PM | Comments (16)

abril 4, 2006

Saia justa

SP_01.jpg A forma mais inferior de vida na televisão americana, depois dos âncoras da Fox News, são os "repórteres" de entretenimento. Parece que as redes de TV escolhem a dedo os homens e mulheres com Q.I. mais baixo, com personalidade mais desinteressante, para entrevistar os astros de Hollywood. Uma delas é a Jill Rappaport (foto), da NBC, que hoje de manhã no Today Show tomou um dos maiores foras de sua vida. Ela conversava ao vivo com as atrizes Jennifer Aniston, Catherine Keener e Joan Cusack, sobre o novo filme delas, Friends with Money. Então ela pergunta a Aniston se é verdade o rumor de que ela iria casar com Vince Vaughn numa cerimônia de 8 milhões de dólares em que Oprah seria a anfitriã. A atriz, em vez de responder, apertou os lábios e ficou em silêncio. Um silêncio constrangedor, seguido momentos depois pela reprimenda de Catherine Keener à entrevistadora: "Eu pensei que você não ia perguntar sobre isso, mas você foi e perguntou". A resposta patética de Jill: "É frustrante, porque os rumores não param de correr. Quando você ouve falar de um casamento de 8 milhões de dólares, você quer ser convidada." No que Keener retruca: "Agora é que você não vai ser convidada MESMO", levando as amigas Aniston e Cusack às gargalhadas. Tentando tirar a cara do chão, Jill respondeu, numa alusão a um filme recente de Vaughn, The Wedding Crashers: "Espero então que o Vince não se importe de ter uma penetra em seu casamento."

joan_cusack2.jpg O novo filme de Aniston, Keener e Cusack estréia esse fim de semana nos Estados Unidos e também conta com Frances McDormand, sob direção de Nicole Holofcener - a mesma de "Lovely and Amazing" (2002), que eu adorei. Com esse timaço de atrizes, e uma diretora inteligente e delicada, Friends with Money (foto) promete. Nessa comédia de comentário social e psicológico, as personagens são um grupo de amigas casadas e ricas, com exceção da personagem de Aniston, que deixou de ser professora para trabalhar como faxineira, para horror das outras mulheres e seus maridos.

Posted by leilac at 7:33 PM | Comments (10)

abril 3, 2006

História de violência

O SERVIÇO (Capítulo 2 da blog-novela coletiva O Porto do Desespero)

Roberto se debatia e tentava arrancar os dedos de Zeca que lhe apertavam o pescoço. Tinha pouco tempo e não. conseguia. mais. respirar. Zeca acabou soltando-o.

- Pô Zeca, que porra é essa, eu trouxe o dinheiro todo, olha aqui.
- Por que vocês foram matar o Antoine, porra? O cara era o nosso policial.
- Eu ia dar a grana que ele pediu. Mas o cara tentou abusar da Mariana.
- Estrupô ela?
- É.
- Porra, aí é foda, tu tá certo. Mas agora vocês deixaram a gente numa situação fodida com a polícia. Só esse dinheiro aí não vai dar pra pagar o prejuízo.
- Tá bom, Zeca, que mais você quer que a gente faça?
- Tem um serviço que ninguém tá a fim de fazer, pegar uns caras do Paquistão lá na fronteira. Depois da merda que vocês fizeram, sobrou pr'ocês aí.

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E agora eu passo a continuação dessa história para o SERBON!


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Esse fim de semana eu vi um dos piores filmes dos últimos tempos, "A History of Violence", com Viggo Mortensen (foto), Maria Bello, Ed Harris e William Hurt. Ficamos decepcionados, porque gostamos dos atores e a crítica tinha sido tão favorável. Mas tanto eu quanto meu marido odiamos, era um clichê atrás do outro, desde os diálogos até a história e a música de fundo. Nem a bunda nua do Viggo e a cena de 69 do casal principal foram capaz de salvar essa catástrofe. Sem contar que eu odeio cenas de violência gratuita; claro que sabia que o filme era sobre isso - duh! -, mas foi o Peter quem botou no Netflix, e volta e meia eu aceito ver algum mais violentozinho quando a crítica elogia. Arre, agora tenho mais uma justificativa para eu não querer ver outro filme sangrento tão cedo. Na nossa fila do Netflix os próximos são Brokeback Mountain, Capote e Walk the Line.

Tudo isso ajuda a explicar a dificuldade que tive em cumprir a tarefa que a Anânima me passou em continuar a novela acima (ficas me devendo essa, hein!!!). Ela começou um conto de suspense barra pesada e me passou a bola para continuar (sim, uma corrente, mas que exige criatividade, e não sei se correspondi à expectativa, porque não costumo escrever ficção). A essa altura a novela já está deslanchando, e passou um pouco para comédia, ficando cada vez mais misteriosa e imprevisível.

Posted by leilac at 4:24 PM | Comments (10)

abril 2, 2006

Refém libertada sofre ataque da direita

capt.sge.exi31.310306153954.photo00.photo.default-272x373.jpg Que felicidade ver Jill Carroll, jornalista freelance de 28 anos que ficou 3 meses seqüestrada por insurgentes no Iraque, ser libertada na última quinta-feira. Mas o vídeo dela feito por seus captores momentos antes de sua libertação, e divulgado por um website islâmico e de lá para a mídia internacional, mostrava Carroll usando véu muçulmano e elogiando seus seqüestradores, criticando os Estados Unidos e dizendo que havia sido muito bem tratada em cativeiro e os mujahedeen iam ganhar no final. Estava na cara que ela tinha falado aquilo sob pressão, mas mesmo assim os pundits da direita americana na sexta-feira, em vez de comemorar a libertação e comentar a coragem da jornalista, começaram a vilanizá-la, como neste programa de rádio que é também transmitido pela TV a cabo MSNBC:

Bernard McGuirk: "Ela parece o tipo de pessoa que usaria um daqueles coletes de suicide bomber e tentar entrar na Zona Verde. (...) Por que vestir aquele negócio na cabeça? Tira aquilo!"

Charles McCord: "É, ela cozinhava com eles, vivia com eles..."
McGuirk: "A essa altura ela pode até estar grávida de um bebê Habib. (...) Ela já é um tipo de Taliban..."

Num nível um pouco menos rasteiro, os ataques seguiram mais na linha deste blog de direita, revoltado com a crítica de Carroll no vídeo à presença dos americanos no Iraque. "Ela já deve ser a nova heroína da esquerda por se colocar contra o governo Bush. E como assim, 'os americanos'? Ela não é americana também?" Houve também muitos que se adiantaram dizendo que a moça devia estar sofrendo de síndrome de Estocolmo, à la Patty Hearst ou Giuliana Sgrena. Pior ainda, houve na blogosfera da direita quem insinuasse que Carroll poderia ser cúmplice de seu próprio seqüestro. A cretinice desse pessoal é realmente sem tamanho.

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Agora, eles todos quebraram a cara depois que Jill Carroll, já de volta aos Estados Unidos e livre do jugo dos seqüestradores, desmentiu tudo o que disse naquele vídeo, afirmando que fora obrigada a fazer propaganda em troca de sua libertação. Puxa, queria ver esses blogueiros da direita no lugar dela, teriam se cagado de medo o tempo inteiro, e feito qualquer coisa para salvar a própria pele. Afinal, os caras, que tanto defendem a guerra no Iraque, não são sequer capazes de abandonar o conforto de suas casas para irem se alistar. Já Jill Carroll foi para o Iraque como repórter freelance (do Christian Science Monitor), sem sequer o apoio de seguranças pessoais e outras mordomias que os jornalistas contratados possuem por lá (e que ainda assim já exige muita coragem).

O Christian Science Monitor tem dado todo o apoio possível a Carroll e sua família. Logo após o seqüestro, o jornal resolveu contratá-la como efetiva, para que ela tivesse direito a benefícios (seguro de vida para a família, saúde, aposentadoria etc). E o jornal também sempre defendeu a moça e foi o primeiro a dar sua versão sobre o vídeo de propaganda dos insurgentes. Também no CSM tem um belo tributo ao intérprete iraquiano de Carroll, que foi assassinado no dia do seqüestro, lembrando também que muitos outros já foram mortos ao ajudar a imprensa internacional a cobrir a guerra no Iraque.

Posted by leilac at 3:39 PM | Comments (14)