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janeiro 31, 2006
Em Defesa do Rebound Guy
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Jennifer Aninston e Vince Vaughn começam a namorar durante as filmagens de "The Breakup", no verão passado
Nos Estados Unidos, eles chamam de “rebound” (rebote) aquela pessoa que você namora logo depois de ser deixada por um grande amor, depois de um pé na bunda, de uma fossa federal. Ou seja, você ainda está carente, frágil, precisando de alguém, e de repente aparece uma pessoa super legal, cheia de amor para dar… Mas que não chega a te deixar apaixonada. Mesmo assim, você se esforça para que o novo relacionamento dê certo e se sente bem com todo o amor e atenção que está recebendo. Alguns namoros no rebound estão fadados ao fracasso, servem só para curar a ferida e, às vezes, nem isso. Mas outros, milagrosamente, funcionam. A pessoa que inicialmente não te fascinava tanto assim, com o tempo vai te conquistando por qualidades que vão desde um senso de humor delicioso até uma sintonia sexual perfeita com você.
Mas a fama negativa que acompanha os namoros rebound faz com que os homens e mulheres nessas situações sejam vítima de total descrédito e preconceito. Veja o caso de Vince Vaughn, por exemplo, o atual namorado de Jennifer Aninston. A atriz foi deixada há um ano por Brad Pitt, um dos homens mais bonitos e desejados da atualidade. Tough act to follow. O mundo inteiro pensou: onde é que ela vai arrumar alguém que supere Brad Pitt? Como ela vai conseguir esquecer Brad Pitt? Para piorar, a cobrança era de que Jennifer arrumasse um namorado tão espetacular quanto a moça por quem ela foi trocada, Angelina Jolie. Só assim, ela sairia por cima. Mas Jennifer contrariou as expectativas da mídia de entretenimento. Uns seis meses depois do divórcio, ela se envolveu no trabalho com outro colega, solteiro, super engraçado, um cara NORMAL e longe de pertencer ao Olimpo dos galãs de Hollywood. Um cara meio barrigudo, mas grandão, com um corpo razoável, do tipo que deve ser super aconhegante para se deitar diante de uma lareira ou sobre uma toalha de praia. Um cara que não se liga muito em moda, em roupas de designers, em aparecer todo perfeitinho para as câmeras. Um cara que parece um real man, volta e meia acompanhado de amigos leais com quem sai para se divertir, bater papo e tomar umas de vez em quando, mas que prioriza a companhia da namorada acima de tudo. A reação dos tablóides americanos, no entanto, é de total incredulidade quanto ao amor de Jennifer por Vince. Inicialmente, insinuaram que era golpe de relações públicas, ou no máximo uma forma de Jennifer tentar mostrar que tinha esquecido o ex-marido. Mas, depois que Jen e Vince foram vistos, consistentemente, desde então, sempre juntos e aos beijos, a incredulidade deu lugar ao deboche e à torcida contra, como se todos estivessem ansiosos para provar que Jennifer não gosta de Vince de verdade, que ele é apenas um rebound passageiro. Isso sem falar nas críticas ao aspecto físico de Vince. Give the guy a break, for chrissakes.
Sinceramente, eu tendo a acreditar mais na solidez de uma relação que começa devagarzinho, em que o amor acontece depois que as pessoas passam a se conhecer de verdade, do que numa união que começa com uma paixão arrebatadora e perigosa. Sim, Vince é o rebound de Jennifer, mas quem garante que a união deles não vai durar até mais e ser mais feliz que a de Brad e Angelina? Espero que os dois namoros dêem certo, mas não escondo minha torcida pelos patinhos feios da história.
Se você nunca viu um filme do divertido Vince Vaughn, alugue Swingers (1996), ou The Wedding Crashers (2005). Ele também está em Mr. and Mrs. Smith (2005), justamente o filme onde Brad e Angelina começaram a se envolver. Será que foi desde então que Vince sentiu um instinto protetor por Jennifer? Pouco depois da estréia de Mr. and Mrs., o destino juntou Vince e Jen no verão de 2005 para filmar The Breakup, onde a química entre os dois - cômica e romântica - funciona super bem. Não surpreende que o romance tenha extrapolado a ficção.
Posted by leilac at 4:26 PM | Comments (22)
janeiro 30, 2006
Censura tem pernas curtas
O cientista James Hansen em foto de Fred R. Conrad/The New York Times
O Governo Bush, altamente comprometido com as empresas de energia/petróleo e outras grandes poluidoras da atmosfera, tem feito de tudo para negar as conclusões científicas sobre o efeito estufa e as mudanças que vêm ocorrendo no clima do planeta. Agora sabemos também que a administração Bush tentou silenciar a maior autoridade da NASA em mudanças climáticas, o cientista James Hansen, que, em vez de ceder à pressão, resolveu colocar a boca no trombone.
Segundo a entrevista de Hansen ao New York Times de domingo, as pressões começaram através de telefonemas desde o mês passado, depois que ele divulgou dados de que 2005 tinha sido o ano mais quente em um século; e depois de uma palestra que ele deu ao Sindicato dos Geofísicos afirmando a necessidade de se diminuir imediatamente as emissões de dióxido de carbono (o que contraria a atual política do governo americano). Dirigentes da NASA então, através do departamento de Comunicações da empresa, começaram a ameaçá-lo de "sérias conseqüências" caso ele continuasse a fazer tais declarações em público. E que, nas entrevistas à imprensa, ele seria substituído por outros representantes da Agência. E Hansen não é o único cientista que o governo está tentando censurar. Na Administração Nacional de Pesquisas Atmosféricas e Oceânicas, os cientistas que podiam falar diretamente com a imprensa antes do governo Bush, agora têm que esperar aprovação de Washington para poderem conceder entrevistas.
Outro caso de possível censura exposto nos últimos dias foi o corte das cenas de nudez de Katie Holmes (noiva grávida de Tom Cruise) com o super sexy Aaron Eckhart do filme Thank You For Smoking em sua exibição no Sundance Festival. A cena constava do filme quando foi mostrado no ano passado no Festival de Toronto e, durante a exibição em Sundance, o sumiço causou surpresa e muitos rumores de que havia sido cortada a pedido de um ciumento Tom Cruise. Logo após a sessão, nem o próprio diretor sabia por que as imagens tinham sido cortadas, e nem a empresa produtora do filme, Fox Searchlight, jamais fora consultada sobre essa mudança. Agora, a explicação oficial é de que houve um acidente na montagem da fita enviada para o festival de Sundance. Mas a teoria conspiratória contra Tom Cruise continua vivíssima em Sundance e no resto do país.
Posted by leilac at 1:18 PM | Comments (74)
janeiro 27, 2006
Vou banir o seu IP

O novo ídolo do geek-trash nacional, Ewerton
Estou aqui às gargalhadas depois de ouvir esse hit tosco que anda fazendo sucesso na Internet tupinambá: "Vou te deletar do meu orkut" (Nessa matéria do Globo tem link para ouvir a música), do jovem paranaense Everton Adroal (agora Ewerton) e que, claro, já tem até comunidade no orkut.
Num estilo sertanejo, ou melhor, sertanerd (brega versado em internet), Ewerton brada:
Você sempre jurou a mim eterno amor
Que se casaria comigo e seria feliz
Mas você mentiu e vi que estava errado
Um dia vi você saindo com um ex-namorado
Eu vou te deletar te excluir do meu orkut
Eu vou te bloquear no MSN
Não me mande mais scraps nem e-mails, powerpoint
Me exclua também, e adicione ele!
Quem entende alguma coisa de música facilmente perceberá as deficiências na gravação, no canto (gritado, fora do tom e utilizando alguns clichês vocais bem amadores), sem contar com a ingenuidade total da letra. Mas se você está a fim de dar boas risadas, ou enviar uma mensagem para alguém que te traiu, by all means toque a música de Ewerton.
Só não sei se a popularidade que a música está conseguindo se deve aos que a ouvem como piada involuntária, ou se a maioria dos fãs realmente acha que Ewerton é um gênio por se aproveitar da moda do orkut e ainda usar a rede para divulgar o seu trabalho.
Outra coisa que me fez rir hoje no orkut foi essa comunidade: "Peruas no orkut do meu marido", para todas as mulheres revoltadas com os esposos que aceitam adicionar um bando de mulheres como amigas no seu orkut. Acho que deve rolar coisa parecida entre as esposas de blogueiros ao verem alguns comentários insinuantes das leitoras nos blogs dos maridos (Xi, acabei de adicionar o Flávio Prada no meu orkut... Mas foi ele quem me convidou!)
Posted by leilac at 8:15 PM | Comments (27)
janeiro 26, 2006
Nostalgia do Roller Disco
O cinema Castro Theatre de San Francisco está promovendo nesta sexta-feira à noite uma maratona de filmes baseados na febre do Roller Disco, entre 1979 e 1980. Como todo filme que se aproveita de uma moda jovem para chamar público, os três títulos da mostra apresentam tramas toscas, mas acompanhadas de boa música (da época) e com atores bem populares. O mais famoso dos três filmes programados, e o único que assisti na época, é Xanadu - que eu já mencionei recentemente neste post - com Olivia Newton-John e Gene Kelly. Os outros são Roller Boogie, com Linda Blair (sim, aquela do Exorcista) e Skatetown, USA, com um jovem Patrick Swayze, Scott Baio e aquela atriz que fazia a Marcia Brady.
Algum de vocês assistiu aos filmes ou lembra da febre dos patins de quatro rodas no Brasil? Eu era fanática por patinação e roller disco, entre os 11 e 12 anos. Tive um par bem parecido com este da foto, depois consegui convencer meus pais a me comprarem patins de bota - numa loja em Ipanema que se chamava Waimea 5000. Era uma bota de couro azul celeste, ha ha ha, e as rodas eram amarelas. Eu, minha irmã mais nova e nossas amigas íamos religiosamente patinar em pistas abertas como a da Lagoa e a do Arpoador, e em rinks pagos que tocavam música disco, como o da Lagoa e o da Gávea. Tinha ainda o Roller Disco do Canecão, e mais um no Shopping Rio Sul. Durante a semana, a gente ensaiava no playground do prédio as piruetas, curvas, corridas, andadas de costas, agachamentos, levantadas de perna... Um barato. Essa roupinha da moça na foto era bem típica para as meninas, collant ou camiseta e uma sainha curta. Como se levantava muito a perna, a gente usava um shortinho por baixo. E as canções que a gente mais adorava que tocassem nos rinks eram "Your Song" (Billy Paul) e "Lança-Perfume" (Rita Lee). Eles apagavam a luz e deixavam só a stroboscópica nessas músicas. O problema é que às vezes algum pereba caía na pista escura e aí todo mundo atrás se estabacava por cima. Um dos momentos inesquecíveis dessa época pra mim foi o meu aniversário de 12 anos, na pista de patinação ao ar livre do Arpoador. Era uma linda tarde de sol e vento de junho, os alto-falantes tocando a alto astral "Coming Up" do Paul McCartney, eu e minhas amigas "arrasando" na pista e um visual incrível da praia. Tenho que lembrar de agradecer ao meu paizão por nos levar a esses lugares, todo fim de semana, e ficar sozinho nos bancos nos assistindo, horas a fio, até que todas as meninas decidissem que era hora de voltar pra casa.
Nos meus 20 e poucos anos, eu comprei um par de roller blades, aqueles patins inline, super velozes. Não foi a mesma coisa. As botas eram muito duras, grandalhonas, desconfortáveis e calorentas, as freadas eram difíceis e os tombos mais catastróficos. Andei neles pela primeira vez quando fui a Nova York com minha amiga Virginie, e nós duas resolvemos ir para a pista de rollerblade do Central Park. Eu não sabia frear direito, mas mesmo assim achei que seria tranqüilo descer uma ladeira patinando. O que se seguiu foi uma cena digna daqueles vídeos do Faustão: eu desci a ladeira desembestada, numa velocidade muito maior que eu esperava; achei que iria perder velocidade na subida, mas isso não aconteceu, eu não conseguia parar. Entrei em pânico, achando que ia acabar tropeçando numa pedra ou galho de árvore, voar longe e me arrebentar no asfalto. Então vi um rapaz mais à frente, gritei "Help, grab my arm please, I can't stop", e nisso eu já estava ultrapassando o sujeito. Mas ele conseguiu me alcançar e me segurar, quase caímos, mas deu certo. Minha amiga, que tinha preferido não descer a ladeira de patins, assistiu tudo às gargalhadas, mas por um momento temeu pela minha sorte. Depois desse episódio até patinei várias vezes, mas sempre em pistas absolutamente planas. Ladeiras, nunca mais.
Posted by leilac at 5:03 PM | Comments (35)
janeiro 25, 2006
Misturando amor e política
O rapazinho da foto à esquerda é um dos garoto(a)s propaganda do site Act for Love, onde americanos progressistas e de esquerda, militantes ou não, podem procurar um parceiro amoroso que tenha afinidade política com eles. Além dos classificados românticos, o site promove ativismo em causas como pesquisa de células-tronco, direitos civis e sindicalismo. Parte da renda obtida pelo site é doada para blogs progressistas, que são hoje importantes formadores de opinião nos Estados Unidos, e anunciam o Act for Love. No site, as fotos dos solteiros (mudando cada vez que você entra na página) mostram muita gente jovem e bonita.
Com mais de 1000 anúncios de pessoas procurando namoro, o site faz sucesso porque muitos não suportam conviver com pessoas de ideologia política oposta. Claro que você vê por aí casais felizes em que um votou no Bush e o outro no Kerry, ou em que um votou no Lula e outro no Serra. Mas para pessoas extremamente politizadas, nem sempre é possível gostar de alguém que acalente idéias políticas que elas consideram execráveis. Não adianta o outro ter uma cara linda e um corpinho maravilhoso se sua postura, seu modo de pensar, lhe causa horror. Não há tesão que resista a uma coisa dessas...
Eu me casei com uma pessoa progressista e sempre me atraí mais por homens que estivessem politicamente mais à esquerda, como eu. Claro que tive um ou outro namorado de ideologia política conservadora, talvez numa proporção de 5% do total. Mas invariavelmente me arrependi por ter me envolvido com esses direitistas. No final, a deficiência de formação humanística que os fez adotar essas idéias reacionárias mais cedo ou mais tarde acabou se manifestando em atitudes do dia-a-dia: menosprezo aos pobres, racismo, sentimento de superioridade em relação a mulheres, etc. Eu vejo a política, a moral e os relacionamentos humanos como coisas bastante interligadas. Mas claro que nem sempre é uma questão de caráter; pode ser, como eu disse antes, um problema na educação, as idéias a que a pessoa foi exposta na juventude e infância. É perfeitamente possível haver um direitista que seja por personalidade um altruísta, que trate bem as mulheres e deteste racismo (mas isso é mais difícil de achar). Acima de tudo, acho que uma diferença de idéias radical entre duas pessoas politizadas pode gerar tanto desentendimento que, das duas uma: ou eles vão acabar se divorciando após uma discussão sobre a espionagem doméstica de Bush, ou, se eles são do tipo de casal masoquista, que adora brigar apenas para fazer um belo make-up sex, a relação tem tudo para dar certo.
Posted by leilac at 5:50 PM | Comments (31)
janeiro 24, 2006
Stress nas lojas Apple
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Muvuca dentro de uma loja da Apple em Londres: mesma cena se repete em qualquer loja Mac do mundo
Há meses estou querendo comprar um computador novo, da Apple. Então volta e meia tenho entrado na loja Mac que fica num shopping center aqui de Sacramento, para paquerar os produtos. Há coisa de um ano atrás, era tranqüilo entrar na loja, experimentar os computadores, conversar com os funcionários. Mas nos últimos meses, a febre do IPod tornou a experiência de ir a uma loja da Apple uma coisa frustrante, um stress. As lojas se transformaram em zoos, você não consegue obter a atenção dos vendedores. Filas imensas se formam para comprar IPods, cartões de ITunes, acessórios do mp3 player como armbands e bolsinhas de couro. Tudo que tem a ver com IPod se transformou em objeto de desejo consumista. O design dos produtos é sleek; a qualidade e o prazer que proporcionam, excelentes; o status de possuir um dos aparelhinhos da Apple causa nos despossuídos inveja ou, no mínimo, curiosidade.
No rastro da popularidade dos IPods, a Apple está conseguindo vender mais computadores Mac. Então, o comprador não interessado em IPod na loja tem que competir também com outros 200 yuppies e geeks igualmente interessados em mexer nas máquinas e conseguir a atenção exclusiva (e longa) dos vendedores. Afinal, se você vai desembolsar mais de 1000 dólares, não pode ser uma compra assim no impulso, sem pensar bem, comparar e obter todas as informações possíveis. Para piorar, além dos yuppies e geeks, também ocupam os computadores da loja (conectados direto na Internet) adolescentes histéricas que aproveitam para entrar no MySpace - uma espécie de Orkut que faz mais sucesso aqui nos EUA. Se você sofre de impaciência ou alguma fobia social, síndrome do pânico - mesmo que leve -, mantenha-se afastado dessas lojas. Você vai surtar.
Por tudo isso, nós decidimos lá em casa comprar o nosso Mac via internet. Estamos de olho nas promoções de computadores refurbished (devolvidos por outros compradores ainda sem uso, ou levemente usados, e que passam por um rigoroso controle de qualidade e reparos - se necessário - pela Apple). Eles saem mais barato que os produtos comprados zero quilômetro, e você só acha os refurbished na loja da Apple online. Com a vantagem de se livrar da muvuca. Mas, no fundo, o que eu queria mesmo era a satisfação de comprar direto na loja, botar as mãos nesse computador imediatamente, isso depois de ficar horas mexendo em todos eles, e sendo paparicada por um vendedor até ter a certeza de que estou comprando o melhor produto do mercado. Pena que os adolescentes do MySpace e IPod-maníacos não estejam me deixando usufruir da minha fantasia completa a contento.
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LINDO PROTESTO ESTUDANTIL

Depois que eu já tinha escrito o post sobre a Apple, fiquei sabendo desse protesto genial de estudantes da faculdade de Direito de Georgetown, em Washington D.C., hoje, durante a palestra do procurador geral do Governo Bush, Alberto Gonzales. Membros da platéia, alguns deles vestidos com capuzes pretos em alusão aos torturados de Abu Ghraib, se levantaram, viraram as costas para Gonzales e abriram o cartaz que dizia: "Aqueles que sacrificam sua liberdade pela segurança não merecem nenhuma das duas" (Benjamin Franklin). A citação é uma crítica perfeita ao programa do governo Bush que promove espionagem doméstica sem obtenção de mandado judicial, contrariando as leis do país, com a desculpa esfarrapada de que isso seria necessário para o combate ao terrorismo. (Foto Associated Press/Charles Dharapak).
Posted by leilac at 1:18 PM | Comments (30)
janeiro 22, 2006
Alguém suando frio aí?
Não sei até quando a grande imprensa americana vai conseguir esconder a conexão direta entre o presidente George Bush e o lobista corrupto Jack Abramoff. A revista Washingtonian revela que há pelo menos cinco fotos mostrando Dubya com Abramoff e sua família. A reportagem da revista teve acesso a essas fotos através de fontes que preferem permanecer no anonimato, por razões óbvias. As fotos estão sendo mantidas em local seguro, para evitar que a Casa Branca as encontre e destrua. Essas fontes afirmam que Abramoff, caso seja perguntado pela Justiça, irá dizer que o presidente Bush até sabia o nome dos filhos do lobista, e costumava apontar a coincidência de ambos terem gêmeos.
Jack Abramoff, que está sendo processado por crimes de corrupção, fraude e sonegação de impostos, faz parte de um grupo dedicado desde os anos 80 a manter os republicanos no poder a todo custo, o chamado K Street Project. Ele tem ligações próximas com Karl Rove, Tom DeLay, e foi um dos principais contribuidores individuais para as campanhas presidenciais de Bush. (Via SmithAntics)
Update em 23/1: A Time Magazine também teve acesso às fotos de Bush com Abramoff. Embora a fonte da revista (provavelmente a mesma da Washingtonian) não tenha permitidp que a Time publicasse essas fotos, a reportagem diz que é bem provável que as imagens acabem sendo divulgadas, já que os tablóides americanos estão correndo atrás - e serão capazes de pagar uma boa grana para isso. E o maior temor da Casa Branca é que essas fotos, se publicadas, se transformem numa imagem ícone representando o envolvimento direto de Bush com um escândalo de corrupção.
Posted by leilac at 2:10 PM | Comments (22)
janeiro 20, 2006
Sexo, política, blogs e chick lit

A blogueira ruiva Ana Marie Cox (Wonkette) e a garota de programa/blogueira Jessica Cutler (Washingtonienne)
Uma garota de programa no Congresso, um blog sobre fofocas político-sexuais, a campanha presidencial de John Kerry e o romance de uma assessora de imprensa com um jornalista de televisão casado são alguns dos ingredientes da trama de Dog Days, o recém-lançado livro de Ana Marie Cox, jornalista americana de 32 anos, e até pouco tempo blogueira responsável pelo Wonkette. Para quem não conhece, Wonkette é um dos mais famosos blogs americanos, uma mistura de coluna social com comentário político da cena de Washington. O que distingue Ana Marie Cox é o humor sexual no meio da cobertura política, como nesse divertido post especulando sobre o tamanho do p*nis de Kerry, na época da eleição de 2004.
Dog Days é segundo a crítica um típico exemplar da chick lit (comédias românticas em forma de livro, em geral mais lidos por mulheres), mas talvez só será apreciado por quem gosta de políticas e fofocas do poder. A história é ficção, mas baseada em parte num fato real, anunciado pela primeira vez pela Wonkette: uma funcionária do Senado americano, Jessica Cutler, blogava anonimamente sobre suas aventuras sexuais com políticos de Washington, inclusive contando sobre os homens que pagavam para ter sexo com ela.
Ana Marie está aproveitando bem a fama que o blog lhe trouxe. Mas no momento, ela está se dedicando apenas a promover o livro e a escrever o próximo - de não-ficção, investigando a nova geração de militantes políticos americanos. Ela agora só irá blogar eventualmente no Wonkette, que passa a ser redigido por dois blogueiros homens com talento semelhante para o sarcasmo e obsessão com sexo e fofocas no meio dos poderosos. Ao ser perguntada sobre como se sente ao ver o Wonkette tomado por dois homens, ela responde: "I'm thrilled; until now the idea of Wonkette being taken over by two men only existed in my letters to Penthouse Forum."
Confesso que sou consumidora eventual de chick lit, e estou ansiosa para ler o Dog Days, mas vou esperar até o livro sair mais barato, em paperback. Ao mesmo tempo, fico imaginando quando é que vão lançar no Brasil um romance que tenha um blogueiro(a) como personagem principal. Além dos livros que conhecemos com coletâneas de textos de blogs, não conheço um romance completo que fale sobre blogs em sua trama. Será que o filão é interessante?
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E por falar em sexo, o Top 15 Tiago Casagrande dá um show de bom humor em sua entrevista para a Mulher Mistério. Ah, e não deixem de acompanhar o novo blog verbeático Vodca, Caprichos e Libidinagem, ou VCL para os íntimos.
Posted by leilac at 1:08 PM | Comments (30)
janeiro 19, 2006
O mafioso e a mídia bundona

À esquerda, o lobista corrupto Jack Abramoff; na foto menor, a ombuNdAswoman do Washington Post, Deborah Howell.
Quem acompanha o meu blog desde o início sabe da minha chateação com o sorry state da mídia americana, ao meu ver uma das maiores responsáveis pelo marasmo da sociedade, ao abafar e omitir escândalos e desmandos do governo Bush, e via de regra reproduzir, sem questionar, o discurso da Casa Branca. Um episódio que aconteceu hoje reflete exatamente isso. O blog do Washington Post, dedicado a abrir espaço de discussão com os leitores sobre a linha editorial e gráfica do jornal, fechou hoje indefinidamente para comentários de leitores (e deletou os anteriores), depois que centenas deles escreveram pesadas críticas à postura da colunista ombudsman Deborah Powell, que insiste em colocar o escândalo de corrupção do lobista Jack Abramoff como um caso que envolve tanto democratas e republicanos, quando já ficou claro que esse criminoso confesso atuava contribuindo com dinheiro e fazendo tráfico de influência somente com o partido de Bush. E inclusive, vendendo a companhia do próprio presidente W - um fato gravíssimo que está sendo deliberadamente ignorado pela grande imprensa (ISSO realmente me deixa PASMA, que porra de imprensa é essa? Se fosse contra um presidente como o Clinton, uma notícia como essa estaria diariamente nas TVs, mas na era do império republicano de King George, a mídia se cala). Mas, voltando ao caso do Washington Post, o editor do jornal tenta justificar o fechamento dos comentários de leitores como sendo culpa de gente que se excedeu com mensagens de "ataque pessoal, palavrões e hate speech". No entanto, o blog Democratic Underground já tinha arquivado toda a discussão - post e comentários -, que coloca à disposição dos leitores mesmo depois que o Washington Post os deletou. Ali você pode ver que a grande maioria dos comentários era num tom civilizado e não há mais que um "bullshit", o que dificilmente nos EUA hoje é considerado palavrão. Portanto, fica claro que o que acontece ali é uma dificuldade da ombudsman e do jornal de aceitarem críticas. E afinal, receber críticas é justamente o papel de um ombudsman e, no caso, de um blog aberto para ouvir feedback dos leitores. Deborah Howell, por sinal, também está se recusando agora a responder ao Media Matters for America, um site que faz uma crítica diária de jornalistas e pundits que passam informações falsas ou disseminam preconceitos e mitos para o público.
Posted by leilac at 6:17 PM | Comments (9)
janeiro 18, 2006
Jogo do currículo
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Eu e Chris passeando em Lake Tahoe no último verão
A Ana Maria Gonçalves retoma o jogo do currículo, que agitou os primórdios da blogosfera e agora eu também não resisti em continuar. O jogo consiste em enumerar seus feitos mais inusitados, heróicos, ou experiências mágicas e inesquecíveis da sua vida. Parece que na primeira versão da blogosfera você ganhava pontos se conseguisse "superar" o currículo do outro blogueiro, mas acho que no fundo o objetivo era fazer cada um mexer nos arquivos da memória e lembrar todos os momentos que fizeram a vida valer a pena. Para mim, foi um excelente exercício, já que minha memória anda péssima e eu pensei que nem ia conseguir um currículo semi-decent. Mas, como em toda carta de apresentação que preciso fazer, eu começo sem muita esperança e acabo no final satisfeita com o resultado. É, até que meu currículo tá bem legalzinho.
1) Nadei ao lado de um tubarão (pequeno) em Fernando de Noronha. Ele tinha um olho do mal, mas não fiquei com medo. Também lá vi uma tartaruguinha do mar sair do ovo na areia e ir andando, sozinha, direto para o mar.
2) Passei a noite dormindo num veleiro, nas águas calmas da baía de Ilha Grande, em Angra.
3) Comi carne de jacaré.
4) Passeando na Promenade de Nice, na França, olhei para aquele moço ao meu lado e pensei: puxa, queria ter um namorado assim como ele. Casamos meses depois.
5) Aprendi a sambar no pé com 27 anos. Depois aprendi a dançar gafieira. E salsa. Não faço feio.
6) Fiquei grávida. Pari. Amamentei. Sou mãe de um menino lindo que não canso de beijar e abraçar.
7) Caminhei pelo Central Park no outono, em plena troca de cores da folhagem.
8) Namorei vendo o pôr-do-sol nas Pedras do Arpoador.
9) Já entrevistei o Roberto Carlos e a Vera Fisher. Entrevistei um governador numa viagem de helicóptero. Fui assaltada durante uma reportagem e depois me entrevistaram na televisão.
10) Fui apresentada ao Lula.
11) Lembro exatamente a sensação de deitar numa canga macia nas areias de Ipanema e sentir o carinho da brisa no corpo, fechar os olhos e só ficar curtindo o barulho das ondas. Ou de bater papo com as amigas horas, dentro d'água. Ou fazer xixi sentada na areia molhada quando o mar tá de ressaca e você não tem coragem de entrar.
12) Voltei ao Rio em férias e ensinei meu filho a fazer castelo de areia molhada, e a brincar de cavar banheirinha. É bom quando a onda vem e enche todo o buraco com água e espuma.
13) Já namorei brasileiros, americanos, um chileno, um francês, um canadense, um porto-riquenho. Conclusão: não tem muita diferença ;)
14) Entrei sem saber, com uma amiga, numa boate em Nova York freqüentada apenas por negros. Aproveitamos para aprender um monte de passos novos de dança. Ninguém nos olhou atravessado, fomos até bem paqueradas.
15) Saí para dançar com três amigos gays, em Washington, numa boate em que eu era a única mulher. Um dos três começou a dançar atrás de mim e proclamou: "Brazilian women have the nicest asses".
16) Viajei sozinha para a Europa, pros Estados Unidos. Nunca deixei de fazer o que queria só por falta de companhia. No final, acabei sempre fazendo amigos no meio da viagem e me divertindo pra caramba até quando saía sozinha.
17) Não esqueço do sabor de certas comidas: o feijão de aroma maravilhoso da minha avó; o doce de ovos da minha mãe; o folheado de damasco que comi numa confeitaria em Roma; o hot fudge sundae que comi pela primeira vez que me aventurei sozinha nos Estados Unidos, aos 13 anos.
18) Fui na passeata de preto pelo impeachment de Collor do Leme a Ipanema no verão de 92 - depois de dormir apenas umas 3 horas de sono, tinha passado a noite anterior dançando sem parar com minha melhor amiga na boate Mariuzinn. Da passeata, saímos para comer com amigos repórteres. Se existia uma esquerda festiva, era eu mesma.
19) Levei trote do Bussunda (entre outros veteranos) na faculdade de Jornalismo. Depois de mendigarmos trocados no sinal, com as caras todas pintadas, tudo acabou em cerveja.
20) Já acampei com outras três mulheres, num trailer, na beira de um rio. Grávida.
21) Andava de skate quando criança, conseguia até descer ladeira. Brincava de pegar onda de prancha de isopor com minhas irmãs e meu irmão no Arpoador, até com mar bravo. Tinha certeza que eu ia ser surfista quando crescer. Nas nossas corridas de bicicleta, eu fingia que estava de moto. Pena que cresci e virei uma wimp.
22) Minha melhor amiga é a mesma desde os nossos 8 anos de idade. Lembramos de todas as nossas conquistas, gafes, namorados e tragédias que tivemos. Quando uma esquece, a outra faz o favor (?) de lembrar. Puxa, pena que ela não está aqui para me ajudar com essa lista. Mas agora eu tenho que parar e ir fazer outras coisas gostosas, como brincar com o meu filhão.
Posted by leilac at 8:44 PM | Comments (39)
janeiro 17, 2006
Deusas
Ontem enquanto nossos filhos brincavam, eu e minhas amigas aproveitávamos para espiar as atrizes no red carpet do Golden Globes. Digam o que quiser de mim, mas eu AMO ver as atrizes deslumbrantes em seus vestidos glamourosos e peles perfeitas. Claro que é divertido rir de um ou outro modelito estapafúrdio, ou mesmo de uma simpática Drew Barrymore que errou gravemente ao dispensar o sutiã - ao apresentar um dos prêmios, os peitos dela quase repousavam no pódio. Mas o que eu gosto mesmo é de ver as moças acertando, arrasando no tapete vermelho e no palco. Minhas preferidas de ontem estão nas fotos abaixo:

Scarlett Johansson tem busto de deusa italiana, é o cleavage mais bonito do cinema atual. Esse vestido vermelho ficou bem na pele clara da atriz, que também acertou no cabelo e na maquiagem. Perfeita.

A inglesa Keira Knightley é um pouco magrinha demais, mas seu rosto é lindo, e ela mostrou um tremendo bom gosto com a escolha desse vestido. O mais original da noite.
Mas, deixando a aparência física de lado, o meu momento favorito da cerimônia dos Golden Globes foi o discurso de Steve Carell , que eu adoro, ao ganhar o prêmio de melhor ator de comédia na TV, por seu hilário papel em The Office. Ele fingiu que a mulher dele é quem tinha escrito o discurso de agradecimento e então começou uma divertida e carinhosa homenagem a ela (atriz Nancy Walls), lendo um discurso onde supostamente a mulher cobrava sua importância por ter sentido a dor do parto dos seus filhos lindos, ter colocado sua carreira de lado para apoiar a dele, e querer que ele avise quando for chegar tarde em casa porque ela também tem compromissos tão importantes quanto os dele. Era gostoso ver Nancy dando risadas com o discurso, linda e feliz.
Tudo isso para dizer que ver outras mulheres deslumbrantes e poderosas também me faz sentir mais forte e mais bonita. Até na blogosfera temos nossas deusas, que agora revelam suas fantasias no mais novo lançamento da Verbeat, o bl*g coletivo feminino er*tico Vodca, caprichos e libidinagem. Visitem, deliciem-se e comentem - mas, please, não façam como um sujeito que chegou lá fazendo crítica literária em alguns dos posts. Esnobismo intelectual tem limite. Do contrário, periga o cara reclamar que a parceira dele está dizendo clichês, quando ela arriscar um dirty talkzinho básico. Ou criticar esteticamente a forma como ela está flexionando o pé durante o org@smo.
Posted by leilac at 12:28 PM | Comments (37)
janeiro 15, 2006
Minha garagem vai aparecer na TV
O canal de TV francês/alemão Arte está fazendo um documentário sobre movimentos de cidadãos contra o governo Bush, e escolheu entre eles os Freeway Bloggers, que somam hoje 1800 militantes no país inteiro. O movimento começou a partir da idéia de um cidadão da California, que, indignado com a falta de espaço para mensagens de oposição a Bush na mídia, resolveu exercer sua liberdade de expressão e levar sua mensagem a milhares de pessoas colocando enormes cartazes de protesto nas freeways americanas (em passarelas, ou terrenos baldios ou prédios onde pudessem ser bem visualizados pelos motoristas). Ele achou também que poderia conseguir muitos adeptos à sua idéia a partir de um site na internet, que foi como amigos meus descobriram o movimento e passaram a fazer o mesmo aqui em Sacramento. Quando a equipe de reportagem do canal Arte combinou a matéria com o Freeway Blogger, nossos amigos pediram autorização para filmar aqui na nossa garagem uma confecção de cartazes, e em seguida partir para colocá-los na freeway. Pois então, tivemos essa experiência sui generis aqui em casa ontem à noite. Os caras da televisão eram alemães falando inglês perfeito, e muito simpáticos. Até levaram na esportiva a brincadeira boba do meu cunhado, que chegou interrompendo a gravação de uma entrevista, batendo com força na porta da garagem, dizendo que era o FBI. Ainda não sabemos exatamente quando o programa irá ao ar na França, mas eles prometeram nos enviar uma cópia em DVD.
Posted by leilac at 8:27 PM | Comments (24)
janeiro 14, 2006
Fantasias de mp3
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Imagem: "Dancing Queen", do http://worldsaga.net/gallery
Ouvir música com fone de ouvido do seu mp3 player te desliga muito mais do mundo à sua volta e dá mais vazão a viajar com as músicas. Eu por exemplo tenho uma fantasia diferente para cada canção que eu escuto no meu player.
Señorita (Los Lonely Boys): Soy una chica caliente andando pelas ruas de um gueto latino em Los Angeles. Todos os rapazes me desejam, mas só um me interessa. "You're my little señorita/Y tu eres la más bonita/You've got it going on" e aí vem um solo delicioso de guitarra em wa-wa, o vocalista tex-mex grita "ora le" e nesse ponto já estou quase rebolando e jogando a cabeça de um lado para o outro mas aí me lembro que estou na máquina elíptica da academia 24 Hour Fitness, nenhum gato latino in sight. Mas acho que de alguma forma acabei dando bandeira. Um jovem mulato de cornrows no cabelo, muito bonito, está me olhando. E um rapaz sikh de turbante. E um coroa ruivo feioso.
Vento (Los Hermanos): Essa música me transporta direto para o Rio de Janeiro. Estou voltando da praia de carro, olhando pro mar, e as pessoas que andam no calçadão ficando pra trás... Estou feliz e relaxada com o corpo fresquinho e salgado depois de muitos mergulhos. "Posso ouvir o vento passar/assistir à onda bater". Acho que estou próxima de uma crise de abstinência de Rio e de praia. Ainda bem que a próxima música a tocar é bem gringa, Take me out (Franz Ferdinand) - boa para me animar pros exercícios de glúteos. Preciso estar em forma para aparecer na praia este ano. AAAAAAH!
Push (Madonna): Volto aos tempos de solteira quando ia dançar nas boates do Rio com minhas melhores amigas. O ritmo é bom de dançar, fico imaginando os passos que cabem nessa música, muitas reboladas, chassés... Mas não é que o ritmo também é ótimo para fazer abdominais? Pensando bem, essa cadência seria também propícia a outros tipos de vai-e-vem. "You push me, a better version of myself/You push me, only you and no one else/You push me to see the other point of view/You push me when there’s nothing else to do/You push me when I think I know it all/You push me when I stumble and I fall."
Naked As We Came (Iron & Wine): Se você conseguir abstrair do fato que a linda letra desta música fala da consciência da mortalidade, da possibilidade de perder a pessoa amada, a melodia faz mais lembrar um preguiçoso despertar entre lençóis ao lado do seu amor, num quarto cheio de claridade, numa casa nas montanhas. O dia está lindo lá fora, mas você quer ficar ali aconchegada mais um pouquinho. Aí eu lembro que estou num colchão de espuma imundo da 24 Hour Fitness. Acabou o relaxamento, hora de ir pra casa. Graças a Deus pelo meu mp3 player.
Posted by leilac at 12:27 PM | Comments (23)
janeiro 13, 2006
Mardi Gras

A Prefeitura de New Orleans forneceu o background perfeito para o presidente George Bush, que voltou ontem à cidade destruída pelo Katrina depois de uma ausência de três meses. O presidente participou de uma mesa redonda com o prefeito Ray Nagin, pequenos empresários e líderes comunitários de Nola. Bush tentou passar otimismo quanto ao futuro e à reconstrução da cidade, mas o plano do Governo para a recuperação das áreas afetadas pelo Katrina foi recebido com muitas críticas pela população de New Orleans. Por exemplo, o Governo dará apenas de 4 meses a 1 ano para que bairros destruídos atraiam um número suficiente de residentes, do contrário eles serão totalmente demolidos. Ele não chegou a parar para visitar os bairros que continuam devastados, sem luz e água, com lixo por todos os lados e árvores ainda caídas pela rua. Em Jackson Square, meninas do colégio Sacred Heart fizeram um protesto exigindo do governo mais empenho no investimento em reforço dos diques.
O Idelber Avelar já voltou a New Orleans e está começando uma série de posts contando a situação da cidade.
Posted by leilac at 10:41 AM | Comments (13)
janeiro 12, 2006
Estou me achando linda hoje...
... Depois de ver essa foto da Britney Spears aí embaixo. Que ela tinha mau gosto para se vestir todo mundo sabia, inclusive ela foi eleita a mais mal vestida de 2005, mas daí a aparecer em público para fazer compras nas lojas mais caras do país com esse figurino trailer trash, que nem mesmo um prostituta junkie usaria para sair de casa, até eu fiquei espantada. Fora o cabelo de quem acabou de acordar, a pele castigada, o peito caído sem sutiã, o braço roliço... A própria marca da camiseta já diz "Rehab". Britney, isso tudo é depressão por ter se dado conta de que seu marido é um completo white trash?
Posted by leilac at 11:19 AM | Comments (49)
janeiro 11, 2006
Fatos e Fotos IV

Busted: o dublê de governador da California Arnold Schwarzenegger pilota motocicletas há anos nos Estados Unidos e nunca tirou licença específica para motos. A polícia descobriu que o governador está em descompasso com a lei depois que Schwarzie bateu de moto este domingo (levando seu filho de 12 anos no carrinho lateral de sua Harley; o menino não teve ferimentos, mas o pai levou 15 pontos na beiçola). Pelo visto, além de mau ator e governador medíocre, ele é também péssimo motorista. Aliás, o ano não começa bem para o Terminator, que em 2005 viu sua popularidade despencar e não conseguiu aprovar em plebiscito nenhuma de suas propostas de mudança na legislação estadual.

Angelina Jolie está grávida de Brad Pitt, garante a revista People. Há várias semanas os tablóides especulavam sobre a repentina protuberância na barriga da magérrima Jolie, que assumiu o relacionamento com Brad Pitt - ele inclusive se tornou oficialmente pai dos filhos adotivos dela. No momento, Angelina está filmando The Good Shepherd junto com Matt Damon na República Dominicana, além de contribuir para uma organização de caridade em benefício do povo haitiano, Yele Haiti.

O preznit George W. Bush mais uma vez define sua idéia de "democracia" ao atacar o direito da oposição de se manifestar contra a estratégia do governo no Iraque, como sendo "conforto apenas para os inimigos" e "irresponsável". Os Democratas responderam dizendo que o presidente não tem que estabelecer que tipo de debate é aceitável. "Americanos patriotas continuarão trazendo as questões mais duras, porque nossos bravos homens e mulheres no Iraque, suas famílias e todo o povo americano merecem saber que seus líderes se responsabilizam por seus atos", disse o líder democrata no Senado, Harry Reid. A deputada democrata da California Nancy Pelosi arremata: "a falta de um debate honesto e aberto tem sido uma das principais marcas desta guerra". Esse discurso de Bush contra a oposição vem no rastro de uma pesquisa de opinião da Associated Press-Ipsos mostrando que os americanos prefeririam o controle do partido Democrata no congresso (em vez da continuidade da maioria Republicana) por 49% a 36%. Eleições para o Congresso dos EUA acontecem este ano, em novembro.
Posted by leilac at 11:46 AM | Comments (20)
janeiro 10, 2006
Não percam!
A Mulher Mistério coloca seu biquini e encontra um pranchão nas ondas do Rio. Não percam esta picante entrevista.
Posted by leilac at 2:42 PM | Comments (7)
janeiro 9, 2006
Bomba encontrada no Starbucks

(AP Photo/Eric Risberg)
Uma bomba caseira foi encontrada hoje de tarde no banheiro de uma loja da Starbucks no centro de San Francisco. Um funcionário do café, estranhando o objeto (feito com um pedaço de uma lanterna e fios eletrônicos), acionou a polícia. Depois de evacuar mais de 100 pessoas no prédio e nas lojas adjacentes e de impedir o tráfego de carros e pedestres na área, o esquadrão anti-bombas conseguiu desativar o artefato, em questão de 20 minutos. A história ainda está sendo apurada pelos jornais e pela polícia, portanto ainda não temos detalhes da investigação. Qualquer ato de terrorismo, mesmo que tosco, é levado a sério nos Estados Unidos. Imagino que as investigações devam levar em conta desde funcionários descontentes, até militantes anticorporativos, além é claro da possibilidade de terrorismo anti-americano.
Update em 11/1: a Polícia de San Francisco prendeu o suspeito de ter plantado a bomba no Starbucks. Ainda não se sabe o motivo que levou o americano Ronald Schouten, 44 anos, a tentar explodir a loja, mas foi muito fácil chegar até ele. As câmeras de vigilância do Starbucks gravaram sua imagem, quando ele entrou pedindo grãos de café usados (que muita gente utiliza para fertilizar plantas). Antes que o funcionário entregasse os grãos, ele pediu a chave do banheiro, onde permaneceu por vários minutos, e depois sair, sem levar os grãos de café. Os baristas imediatamente suspeitaram do sujeito, foram olhar o banheiro e viram junto ao vaso sanitário o artefato, feito de dinamite. Segundo a polícia, Ronald agiu sozinho e não tem ligação com qualquer grupo terrorista ou militantes anti-Starbucks que já vandalizaram lojas da cadeia na cidade há três anos.
Posted by leilac at 7:07 PM | Comments (18)
janeiro 7, 2006
A culpa é dele
O simpaticíssimo Leandro Gejfin , síndico da nossa comunidade de blogs Verbeat, estava tentando consertar um problema de pop-ups invasores, mas, ainda abalado pela ressaca do réveillon no Rio de Janeiro, apertou a tecla errada e acabou provocando uma pane nos sistemas de comentários de todos os blogs verbeaters. O servidor só vai consertar o defeito na segunda-feira, portanto vocês podem ler nossos blogs à vontade, mas infelizmente estamos fechados para comentários neste fim de semana. Claro que os blogueiros verbeaters vão passar por uma crise de abstinência pela falta de feedback dos leitores, entrar em depressão profunda e tudo o mais. Mesmo assim, prometi ser muito compreensiva e meiga com o Gejfin. A culpa é sua, seu gauchinho chato, feio e bobo! Não, não adianta, não consigo ter raiva desta criatura do bem.
Update na segunda-feira, 9/1/06: Os blogs da Verbeat já voltaram ao normal, embora alguns comentários tenham sido perdidos. Se algum comentário seu sumiu, por favor não pense que foi deletado de propósito, foi um acidente. Mas a culpa é do Gejfin. Todinha dele. Mesmo assim, nós ainda o amamos.
Posted by leilac at 2:32 PM | Comments (17)
janeiro 6, 2006
Programador racista ou defeito do software?
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Camiseta de protesto contra Wal-Mart, maior cadeia de retail do mundo e famosa por pagar baixos salários e promover péssimas políticas trabalhistas. Agora, empresa tenta se defender de acusação de racismo
No website da gigante americana Wal-Mart, até ontem, a página que vendia o DVD da série de TV "Planeta dos Macacos" trazia como recomendação de filmes "similares", documentários sobre personalidades negras como Martin Luther King Jr, Tina Turner, a atriz Dorothy Dandridge e o boxeador Jack Johnson. Algum consumidor percebeu isso e espalhou o link pela Internet essa semana, sugerindo que a Wal-Mart estava promovendo racismo. A empresa respondeu hoje que os links para tais documentários eram um "glitch" (erro de programação) do site, e não um ato intencional da companhia, e que por isso estaria eliminando todos os links de recomendação de filmes semelhantes até que o problema fosse sanado.
A Wal-Mart, consciente do problema de relações públicas que tem nas mãos, desculpou-se profundamente em nota oficial e entrevistas à imprensa. Admitiu que a associação do Planeta dos Macacos aos filmes sobre personalidades negras era extremamente ofensiva, e a empresa ainda está investigando quando e por quê o problema aconteceu. Aparentemente, outros filmes eram associados erradamente aos documentários sobre afro-americanos, como por exemplo o desenho animado Powerpuff Girls. Não sei se vão divulgar o resultado desta investigação, mas estou curiosa para saber se o link foi uma brincadeira de mau gosto de algum programador racista, ou de um funcionário interessado em atacar a reputação da Wal-Mart, ou mesmo um mero glitch do sistema.
Posted by leilac at 4:11 PM | Comments (1)
janeiro 5, 2006
Oscar mais chique e inteligente

Adorei a escolha de Jon Stewart para ser o apresentador da entrega do Oscar 2006. Stewart tem um dos programas mais inteligentes e divertidos da TV americana hoje, The Daily Show with Jon Stewart, usando ironia e sarcasmo para comentar as principais notícias do dia, criticar o comportamento da imprensa americana, políticos e personalidades pop. O Daily Show, no canal a cabo Comedy Central, é parte paródia de telejornal, parte talk show e parte veículo para monólogos à la standup comedy de Stewart. Ele é apartidário e não costuma poupar ninguém, republicanos ou democratas, mas não esconde sua tendência progressista, e o fato de ter votado em John Kerry na eleição presidencial de 2004. Foi nessa eleição, aliás, que Jon Stewart protagonizou um dos momentos mais hilários e surpreendentes da TV americana ao vivo. Durante um programa de debates da CNN, o Crossfire, que colocava um apresentador democrata (Paul Begala) contra um republicano (Tucker Carlson) diante de um auditório ao vivo, Jon Stewart, em vez de se comportar como o convidado engraçadinho que os âncoras esperavam, resolveu protestar contra o programa, que a seu ver só reproduzia o discurso de marketing político de cada partido, num desserviço ao povo americano. Alguns dos momentos inesquecíveis do Crossfire que teve a participação de Jon:
CARLSON: Ah, pera aí, pensei que você ia ser engraçado. Vamos lá, seja engraçado!
STEWART: Não, eu não sou seu macaco amestrado.
(...)
CARLSON: Você é mais engraçado em seu programa.
STEWART: Sabe o que é interessante? Você é tão canalha em seu programa quanto em qualquer outro programa.
(...)
STEWART: Esse programa de vocês, o problema não é apenas que o Crossfire é ruim, mas sim que o programa está prejudicando a América. Por isso, eu vim aqui para pedir: Stop, stop, stop, stop hurting America. E comecem a trabalhar para o povo.
CARLSON: Quanto vocês pagam?
STEWART: O povo? Não muito.
BEGALA: Mais que a CNN, com certeza.
STEWART: Mas pelo menos você pode dormir com a consciência tranqüila. Sabe, nós precisamos da sua ajuda. No momento, vocês só estão ajudando as corporações empresariais e os partidos políticos. E o povo é deixado de fora, fica lá cortando a grama de suas casas.
BEGALA: Nós ajudamos políticos e corporações ao criticá-los? Você acabou de dizer que nós somos duros demais com eles.
STEWART: Não, não, não, vocês não são duros com eles. Vocês são parte das estratégias deles. Vocês são, como se diz, partisan hacks (pessoas a serviço de seus partidos políticos).
Tucker Carlson, o almofadinha republicano de Crossfire, perdeu rapidamente a esportiva, chamando Stewart de butt-boy de John Kerry. Mas Stewart continuou na mesma linha, e ainda ironizou o fato de que Carlson, de apenas 35 anos, usa gravatas borboleta. Num país onde o público está acostumado a ver discursos ensaiados, personalidades artificiais e polidas, seguindo scripts de marketing político à risca, ver a espontaneidade e o tom desafiador de Jon Stewart foi como uma brisa de ar fresco num ambiente sufocante. A estrela de Stewart a partir daí começou a subir (seu público hoje é de 1,5 milhão de espectadores, embora o programa passe tarde da noite em TV a cabo), enquanto o programa Crossfire foi extinto pela CNN poucos meses depois.
Se Jon Stewart será um bom apresentador para o Oscar, é difícil predizer. Mas não tenho dúvida que ele será muito mais engraçado que Billy Cristal e David Letterman, mais elegante que Chris Rock e menos goofy que Steve Martin. A Academia mostra, com a escolha de Stewart, que está se modernizando e não tem tanto medo assim de controvérsia.
Posted by leilac at 11:05 AM | Comments (5)
janeiro 3, 2006
Trolls de blogs viram tema de pesquisa acadêmica
Para quem não sabe, troll é o jargão para aqueles espíritos de porco anônimos (ou que até assinam nome, mas ninguém sabe como são, de onde vêm e o que fazem) que têm como principal objetivo na vida xingar e colocar comentários desagradáveis nos blogs alheios. A maioria deles age motivada por discordâncias político-ideológicas, mas há também os stalkers movidos por inveja pessoal ou outro tipo de recalque.
O fenômeno da trollagem é bastante conhecido entre os blogueiros, que, ao se depararem com tais maníacos, por vezes se vêem forçados a apagar comentários, banir os IPs, ou simplesmente deixá-los falar e expor sua própria fragilidade mental. Mas poucos fora do ambiente da blogosfera conhecem essas criaturas pestilentas. Agora, porém, os trolls viraram objeto de estudo na Academia. A pesquisa está sendo desenvolvida pelas professoras Adriana Amaral e Claudia Quadros, do Mestrado em Comunicação da Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, PR, para o Grupo de Pesquisa em Cibercultura do Mestrado da UTP, que iniciará suas atividades em março de 2006. Adriana e Claudia são ambas jornalistas e têm doutorado na área, além de um interesse especial na mídia dos blogs. (Quem deu a dica sobre essa pesquisa foi a Su Gutierrez.)
Como já fui várias vezes atacadas por trolls aqui e em outros blogs, fiquei interessadíssima na pesquisa delas, até já respondi o questionário preliminar (Download file), que depois será a base de entrevistas em profundidade. Com certeza, não faltarão blogueiros ansiosos para contar suas experiências e estratégias de combate a trolls.
Posted by leilac at 4:09 PM | Comments (38)
janeiro 1, 2006
2006 começa trash

Imagem do blog Just Jared
Depois de muita dificuldade para conseguir uma gravadora para lançar seu primeiro disco, o marido de Britney Spears, dançarino e dublê de cantor de rap Kevin Federline, conseguiu produzir seu álbum independente e lançou à 0 hora de hoje seu primeiro single. Que vem a se chamar Popozão (ouça aqui), inspirado no funk carioca. Fiquei pensando de onde Kevin teria tirado essa influência, já que ele não parece ser cosmopolita o suficiente para conhecer música brasileira (ainda que lixo). Descobri que foi o produtor dele, Disco D, noivo de uma brasileira de São Paulo, que teve a idéia (A Maitê me contou que essa brasileira é a Luciana Vendramini). Disco D provavelmente pensou que uma batida diferente e uma letra que fala de bunda grande iriam ajudar Kevin a chamar a atenção com sua música. Vários blogs estão tentando transcrever a letra pouco inteligível de PopoZão. A melhor até agora foi de um post na comunidade "Oh No, They Didn't" do livejournal.com, que cita a Tati Quebra-Barraco e comenta horrorizada o baixo nível e o machismo das músicas funk brasileiras. Bem, eu não sou muito entendida em funk carioca, mas a impressão que dá ao ouvir o single de K-Fed é que não se parece muito com o som que sai das favelas do Rio. A letra, no entanto, tem até trecho de uma música funk bem conhecida:
PopoZão
(Barulhos de gata no cio)
Gatinha sai do chão
Vai descendo o popozão
In portuguese it means
Bring your ass on the floor and move it real fast
I wanna see your kitty and a little bit of titty
Wanna know where I go when I'm in your city
Girl don't you worry about all the dough
Coz a cat is coming straight out of the know
Ready to rock them shows all the way to Rio
Bring that Brazil booty on the floor
Up, down, all around
Work that shit to this funky sound
Wanna see what I'm gonna owe
Vai descendo o popozão
Po, Po, Po, Po, PopoZao, PopoZao
Po, Po, Po, Po, PopoZao, PopoZao
Po, Po, Po, Po, PopoZao, PopoZao
Posted by leilac at 12:00 PM | Comments (42)