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novembro 30, 2005
Na defensiva

Essa foto para mim mostra um Bush acuado, hoje de manhã em seu discurso em defesa da estratégia do governo na guerra. O discurso foi fraquíssimo, sem grandes novidades quanto a um plano para uma saída do Iraque, dentro da velha máxima "stay the course", só sair depois que as tropas iraquianas estiverem devidamente treinadas, etc. Apesar da promessa de divulgação de um plano "para a vitória no Iraque", Bush não trouxe qualquer fato novo, e o livreto distribuído após o discurso é pouco mais que uma peça de relações públicas, reafirmando o "sucesso" da ação americana e martelando a palavra "vitória" em cada título e cada parágrafo, além de minimizar o impacto dos constantes ataques a bomba na região como "um parâmetro que os terroristas e insurgentes querem que o mundo use". Nem mesmo alguns dos fãs mais ferrenhos do presidente gostaram da atuação de Bush hoje, embora a máquina de marketing do governo tenha decidido, mais uma vez, por usar uma claque de militares como platéia e photo-op para o presidente. Acredito que a grande mídia vai explorar apenas o lado positivo dessa photo-op, nas imagens em que Bush aparece sob as placas de "Victory", ou cumprimentando os jovens da Academia Naval de Annapolis. Mas a blogosfera e os sites de notícias na Internet têm entre as fotos mais populares e mais enviadas por e-mail hoje uma imagem bem mais negativa (abaixo), a dos midshipmen dormindo, entediados, na platéia, enquanto esperam Bush chegar ao palco (ele se atrasou mais de uma hora).

"Gee, we're so psyched to hear our commander in chief--he's such an inspiring leader--we're on the edge of our seats!!" (sugestão de legenda by capt.k)
Posted by leilac at 4:53 PM | Comments (6)
novembro 29, 2005
A política burra e tosca da abstinência

Vejam que coisa patética essa campanha pela abstinência sexual antes do casamento, promovida pelo estado americano de Iowa como forma de evitar a gravidez adolescente. Wait for the "BLING" significa "Espere pela aliança", sendo que bling é uma gíria meio gasta para brilhante, ou jóia. Parece mesmo uma pessoa mais velha, ou branca, numa tentativa desajeitada e preconceituosa de se aproximar dos adolescentes, em especial os negros.
O governo de Iowa, através de seu Departamento de Saúde Pública, em vez de informar os jovens sobre as várias opções de controle da natalidade e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, optou por pregar "apenas abstinência" (abstinence only), e gasta dinheiro com livretos, camisetas, canetas, vídeos escolares, sem falar em comerciais de TV e billboards como o da foto acima, para promover a sua campanha moralista. Entre os itens a serem ensinados no programa, que atinge escolas e organizações comunitárias e religiosas, estão as seguintes pérolas:
"Uma relação mutuamente monogâmica no contexto do casamento é o padrão esperado da atividade sexual humana";
"Relações sexuais antes do casamento podem trazer grandes prejuízos físicos e psicológicos";
"Ter filhos fora do casamento trará conseqüências terríveis para a criança, os pais e a sociedade";
"Se você já fez sexo, deve optar agora pela abstinência até o casamento".
São conceitos extremamente moralistas, e que qualquer pessoa com noção de realidade sabe que não funcionam na prática. Adolescentes namoram e fazem sexo, jovens transam antes de se casarem desde que o mundo é mundo e independente do grau de conservadorismo das sociedades onde vivem. O desejo sexual é imprevisível e difícil de controlar. Diante disso, a política mais eficaz e honesta para prevenção da gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis é uma educação sexual clara sobre todas as opções de anticoncepcionais, camisinhas e outras formas de proteção. Privar os jovens dessa informação é cruel, pois é a ignorância a maior causa da gravidez indesejada e das doenças venéreas. A política da abstinência é burra, e só pode ser explicada por uma influência nefasta do lobby religioso fanático dentro de um governo.
Lamentavelmente, setores da direita brasileira estão tentando importar a idéia da abstinência sexual como política de controle da natalidade e doenças venéreas no país. Para mim, alguém que defende essa política só pode ser os seguintes tipos de pessoa: alguém virgem, muito inexperiente ou reprimido, capaz de acreditar que a abstinência é uma opção viável para a maioria dos jovens; um fanático religioso ignorante ou um político desonesto que se utiliza da lavagem cerebral de seus seguidores para atingir seus objetivos.
Ainda bem que há jovens inteligentes e capazes de se rebelarem contra essa onda de repressão conservadora nos Estados Unidos. Na foto ao lado, você vê um grupo de adolescentes de uma high school no Tennessee, protestando contra a diretoria da escola, que recolheu todos os exemplares do jornal estudantil por causa de uma matéria que informava sobre os diferentes métodos contraceptivos. "Censorship got me pregnant" (A censura me engravidou), escreveram as meninas nas camisetas que usaram no dia seguinte no colégio (foto ao lado). Via Pandagon.
Posted by leilac at 7:38 PM | Comments (26)
novembro 28, 2005
A volta de King Kong (de novo)

O gorilão à moda de Peter Jackson
Que coincidência, eu tinha acabado de desenterrar meu trauma de infância por ter assistido ao King Mong com Costinha, e eis que fico sabendo da iminente estréia de mais um remake de King Kong, desta vez sob a direção de Peter Jackson (Lord of the Rings). Jackson, 44 anos, conta que decidiu fazer cinema aos 9, assim que assistiu à versão original de King Kong (a de 1933, em preto e branco), e ao longo dos anos se tornou um aficcionado colecionador de memorabilia e de partes do cenário desse filme. Depois do sucesso de crítica com Heavenly Creatures (estrelando Kate Winslet), em 1994, o diretor neozelandês conseguiu apoio para se dedicar a uma refilmagem do clássico. Depois de escrever um script fraco, em 96, Jackson deixou a idéia de molho para se dedicar à trilogia do Lord of the Rings. Só então retomou o projeto, e conseguiu reunir um elenco de primeira linha para os papéis principais: Naomi Watts, Adrien Brody e Jack Black (fotos menores).
O filme ainda está em estágios finais de pós-produção, apesar da estréia próxima, em 14 de dezembro. Um único crítico teve acesso à versão quase-final do filme de Jackson - Devin Gordon, da Newsweek - e gostou: "a surprisingly tender, even heartbreaking, film. Like the original, it's a tragic tale of beauty and the beast (...) Jackson has honored his favorite film in the best possible way: by recapturing its heart-pounding, escapist glee". O diretor fez questão, inclusive, de incluir uma cena que tinha sido cortada da versão original de 1933, em que homens caem dentro de um buraco e são devorados por aranhas gigantes na Ilha da Caveira. Enquanto o remake campy de 1976 (com Jessica Lange e Jeff Bridges) mudava um pouco a história, retirando os outros animais gigantes e pré-históricos da ilha, e trocando a equipe de cinema por uma equipe de exploradores de petróleo, Jackson preferiu ser o mais fiel possível à versão original, o que o levou a recriar nos estúdios a Nova York dos anos 30. Sua visão do remake não permitia mexer na cena clássica em que King Kong luta contra os aviões bimotores no topo do Empire State Building.
Obviamente que ninguém pode ir ao cinema esperando realismo de King Kong. É para embarcar na fantasia mesmo. Para quem não se importa com isso, será uma boa oportunidade de reviver o encantamento da infância de quando se assistiu à versão anterior do filme (seja a de 1933 ou de 1976), ou de levar os seus filhos para ver uma história que assusta e fascina o público há tantas gerações. Eu não lembro de muitos detalhes do filme de 76 (que passou, senão me engano, em 77 no Brasil), mas sem dúvida não me esqueço da empolgação que eu senti já antes de ir ao cinema, lembro até da roupa que eu vesti, e que eu discuti com minha mãe sobre usar a minha bota nova de cano alto para fora ou para dentro do jeans. Lembro que achei a Jessica Lange linda, com seu vestido branco no altar de sacrifício ou na cena do clímax em Nova York. São recordações como essas que mostram o quanto um filme se transforma num ícone - a gente lembra dos preparativos, de onde estava, com quem foi assistir, em que cinema, para o resto da vida.
Posted by leilac at 3:47 PM | Comments (20)
novembro 27, 2005
Suave luz de novembro

Chris e priminha Emily

Eu e Chris à beira de um lago numa winery em Amador County

Jogando bola no Capitol Park em Sacramento

Curtindo o final do dia na Story Winery em Plymouth, ao sul de Sacramento.
Posted by leilac at 1:25 PM | Comments (17)
novembro 26, 2005
Takai dá o recado
O Pedro Alexandre Sanches conta neste post que a Fernanda Takai, no show do disco "Toda Cura para Todo Mal", noite passada em São Paulo, numa parada entre as músicas, falou contra a violência doméstica, que mata mais mulheres em idade reprodutiva do que o câncer. Legal a Fernanda encampar essa causa. E por falar em Pato Fu, eu, aqui do exílio, ainda não ouvi o último disco, mas já pedi de presente de Natal. Algum de vocês já tem e achou legal?
Posted by leilac at 4:32 PM | Comments (9)
novembro 23, 2005
Tolerância Zero
Às vezes eu ou outras colegas somos verbalmente atacadas por homens na blogosfera, que ridicularizam o nosso constante estado de alerta contra o machismo em textos, caixas de comentários ou posts. Alguns simplesmente reclamam que somos sensíveis demais e levamos piadas a sério. A questão, meus camaradas, é que a violência contra a mulher só vai diminuir no dia em que os homens aprenderem a respeitá-las em todas as instâncias, e pararem de disseminar – mesmo em piadas ou comentários babacas – conceitos atrasados que vão desde a inferioridade feminina na vida profissional ou conjugal até a aceitação de violações físicas ao corpo da mulher. O que pode ser descontado como piada por um homem inteligente, será levado a sério certamente por um número muito maior de meninos, rapazes e homens de pouco discernimento - é o que mais tem nesse planeta.
Uma em cada três mulheres no mundo todo já foi surrada ou molestada sexualmente, segundo dados da ONU. O grande desafio é tornar a violência contra a mulher socialmente e culturalmente inaceitável, além de crime com punições severas, mundialmente. Nem mesmo nos países desenvolvidos as mulheres estão seguras contra a violência que vem de maridos, pais, namorados ou estranhos. Nos Estados Unidos, 700 mil mulheres são estupradas ou molestadas sexualmente a cada ano. Em Genebra, Suíça, um estudo concluiu que 20 por cento das estudantes de segundo grau já tinham sofrido algum tipo de violência sexual. Uma pesquisa brasileira em São Paulo mostrou que 13% das mortes de mulheres em idade reprodutiva eram homicídios, dos quais 60% eram perpetrados pelos próprios parceiros das vítimas. No Peru, um estudo revelou que 90% das grávidas entre 12 e 16 anos tinham sido vítimas de estupro, incluindo incesto.
Organizações em defesa dos direitos da mulher lutam para eliminar as brechas e anacronismos nas leis de seus países que permitem a impunidade dos agressores. No Paquistão e em outros países de forte influência islâmica, uma denúncia de estupro só é aceita se a mulher conseguir um certo número de testemunhas homens para confirmar que houve o crime. Em lugares como Uruguai, Costa Rica, Etiópia e Líbano, há artigos ridículos na legislação dando liberdade ao estuprador que peça sua vítima em casamento (caso ela aceite).
A situação é ainda mais grave nos países onde costumes milenares de violência contra a mulher continuam sendo tolerados. Há a tradição da mutilação genital feminina (principalmente na África), dos assassinatos de moças cujos pais não conseguem reunir um dote para o casamento (notadamente Índia e Bangladesh), os assassinatos em defesa da honra (tanto de pais quanto de maridos, principalmente no Oriente Médio e América Latina).
Por tudo isso, um relatório do Banco Mundial estimou que a violência contra a mulher causa mais mortes e invalidez do que acidentes de trânsito e malária combinados, nas mulheres em idade reprodutiva. Em 2002, o Conselho da Europa declarou a violência contra a mulher uma questão de emergência de saúde pública. Em 1999, a ONU declarou o 25 de Novembro como Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Nos últimos anos, o dia 25 é seguido pelos 16 Dias de Ativismo contra a Violência contra a Mulher, promovendo manifestações e eventos no mundo todo. Além disso, foi criado em 1997 o Fundo das Nações Unidas para Eliminar a Violência contra a Mulher, que patrocina programas em 96 países diferentes.
Mas não podemos apenas esperar que ativistas façam o trabalho por nós. Cabe a cada um contribuir para impedir que nossas mulheres, mães, irmãs, amigas ou mesmo desconhecidas continuem sofrendo violência física e verbal. Não compactue, denuncie. E, mulheres, não se submetam a um homem violento ou excessivamente agressivo: é inaceitável, e não é normal. Procure ajuda de outras pessoas que gostam de você. Procure uma delegacia da mulher, onde vão te tratar de maneira digna, elas são treinadas para isso.
Cabe a cada um de nós, também, ficar de olhos e ouvidos bem abertos para protestar contra o machismo, que só contribui para a perpetuação da violência. Não deixe que a reação agressiva dos trogloditas te desanime. A excrescência que sai da boca desses brutamontes suja apenas a eles próprios, como nos exemplos a seguir de mimos dirigidos a mim na blogosfera, onde alguns homens apelam facilmente para o xingamento sexual quando se vêem ameaçados por uma mulher numa discussão política:
- “Feminista frígida” (Rafael Azevedo, blogueiro de direita, aquele que “numa brincadeira” desejou que uma líder sem teto fosse torturada sexualmente com tubos de PVC e ratos)
- “Mal comida”, “tá precisando de um crau” (Cláudio Cordeiro, comentarista reacionário de blogs, cujo parentesco com o mundo animal é mais próximo do que o nome sugere)
- “Foi dar pra um gringo” (Alexandre, troll)
- “Gretchen Fonda, Conga, Conga” (Raimundo Arão, blogueiro de direita)
- “Vagina arregaçada” (comentarista troll anônimo)
As irmãs Mirabal
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![butterflies_movie[1].jpg](http://www.verbeat.org/blogs/stuckinsac/arquivos/butterflies_movie%5B1%5D.jpg)
O dia 25 de novembro foi escolhido para marcar a luta pela eliminação da violência contra a mulher em homenagem às três Irmãs Mirabal – Las Mariposas – assassinadas por ordem do ditador dominicano Rafael Trujillo nessa data, em 1960. Minerva, Pátria e Teresa Mirabal eram ativistas contra a ditadura sangrenta do “Chefe”, que durou 31 anos e caiu (foi assassinado) um ano após a morte das irmãs. O ditador Trujillo conheceu a família Mirabal ainda nos anos 30, e ficou tentando conquistar Minerva durante um baile. Minerva rejeitou-o enfaticamente, já tendo ouvido falar inclusive de mulheres que sofreram abuso nas mãos do ditador. Trujillo pouco depois começou a perseguir politicamente a família Mirabal, aumentando ainda mais a indignação de Minerva e suas irmãs contra o regime. Elas seguiram em frente organizando movimentos de resistência e ganhando fama em toda a República Dominicana como “Las Mariposas”, resistindo a prisões, represálias, e por fim morrendo assassinadas pelos capangas do ditador. A história fascinante das irmãs Mirabal virou um TV movie bacaninha com a Salma Hayek no papel principal, e Edward James Olmos interpretando o ditador.
(Esta é uma Blogagem Coletiva organizada pela Denise Arcoverde, marcando o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Era para o dia 25, mas resolvi me adiantar um pouquinho, porque no meio do feriadão do Thanksgiving estarei muito ocupada com reuniões em família...).
Posted by leilac at 4:06 PM | Comments (66)
novembro 22, 2005
Dez filmes que eu odiei

Começou a rolar uma lista divertida na blogosfera americana. Não resisti e resolvi vasculhar a memória atrás dos filmes que eu vi e mais detestei. Claro que a minha lista não seria equivalente à dos 10 piores filmes jamais feitos, pois eu costumo ler as críticas antes de pagar o ingresso, então fui poupada de muitas bombas. No entanto, há vários na minha lista que assisti quando criança ou adolescente, levada inadvertidamente para a tortura cinematográfica ou por pais ou por amigos. Há ainda alguns que eu vi já adulta, prostrada diante da TV ou influenciada por algum hype enganoso. Com vocês, a minha lista de stinkers:
1 - Dances with Wolves (Dança com Lobos), 1990 – Inexplicavelmente ganhou o Oscar de melhor filme em 91. Um tédio, veículo para o narcisismo do ator e diretor Kevin Costner, e onde os personagens ostentam medonhos penteados mullet, embora a história se passasse no século 19.
2 - Six Days, Seven Nights, 1998 - A Anne Heche conseguiu seus 15 minutos no spotlight quando namorou a comediante assumidamente lésbica Ellen DeGeneres, para depois dar um PNB nela e se casar com um homem e ter filho. Essa popularidade lhe garantiu um papel nesse filmeco ao lado de Harrison Ford, mais uma vez interpretando o aventureiro de meia-idade destemido, rústico e sexy. Heche está insuportável como uma editora de moda nova-iorquina chata e histérica. Quando vimos esse filme, meu marido mesmo disse que não agüentava mais ver histórias em que personagens coroas se dão bem com moças novas, e que a Anne Heche tinha sensualidade zero. No meu caso, o que irritou mais foi ter que assistir mais um filme em que um homem forte e outdoorsy se vê perdido na selva com uma mulher urbana e orgulhosa, gritando sempre que cobras ou baratas sobem em cima dela, e os dois brigam o filme inteiro até admitir a irresistível atração física entre os dois no final. Então incluo nessa minha implicância filmes como a saga Indiana Jones e Caçadores de Esmeraldas.
3 - Top Gun, 1986 - Há quem ache essa história de homens tentando provar quem é o mais foda um grande entretenimento, mas para mim, é comédia involuntária. Todos os efeitos especiais de aviões supersônicos não escondem a tosquice da trama, o romance sem graça entre Tom Cruise e Kelly McGillis, a chatice típica dos filmes adolescentes dos anos 80 (trilha sonora horrenda incluída).
4 - Pearl Harbor, 2001 - O diretor de filmes de ação descerebrados Michael Bay pega um dos episódios mais marcantes da História Americana e o transforma num longo e tedioso tearjerker, com um triângulo amoroso açucarado acontecendo em meio a explosões em câmara lenta.
5 – Costinha e o King Mong, 1977 - Okay, deu para perceber que eu era apenas uma criança quando minha mãe me levou para ver esta obra-prima trash, uma paródia ao sucesso de King Kong. Não consigo lembrar de uma só cena deste filme de Costinha, mas apenas da minha sensação, ao final - saindo do Cine São Luiz, caminhando sobre os tapumes da obra do Metrô -, de que o cinema nacional era a coisa mais patética do universo. O elenco tinha algumas das maiores figuraças dos anos 70, como Ferrugem e Wilza Carla.
6 - Dirty Dancing, 1987 - Quando esse filme estreou no Brasil, eu estava na faculdade e fazia estágio no Jornal O Dia. Lembro de pegar carona no carro da minha melhor amiga, que era a cara da Jennifer Grey, indo para o jornal e escutando no rádio “I had the time of my life” ou seja lá qual for o título da pavorosa música-tema de Dirty Dancing. Minha amiga tinha visto o filme e achado o máximo, ficou até fã do Patrick Swayze. Acabei deixando passar, e só fui assistir pela TV, há poucos anos atrás. É mais uma daquelas tramas risíveis dos anos 80, que mistura o conflito entre pobres e ricos, patinho feio e garotas sexy, a ameaça da gravidez, etc, tudo com um figurino lamentável, fotografia e iluminação de segunda, e again, uma trilha sonora bem datada.
7 - Star Wars saga (1977 em diante) - Os fãs do filme e suas muitas sequels que me desculpem, mas desde a estréia (que assisti no cinema, aos 9 anos), nunca consegui achar graça nessa mitologia intergalática, na voz radiofônica de Darth Vader, nos bonecos extraterrestres, nas briguinhas de espadas a laser, e na Princesa Leah, que vem a ser a heroína mais sem sal de toda a história do cinema.
8 - Atração Fatal, 1987 - Como trama de suspense, o thriller de Adrian Lyne funciona bem. O problema é a “moral” da história, em que a “outra mulher” é uma psicopata ameaçando o feliz lar de um homem inocente.
9 – Xanadu, 1980 - É, eu tinha 12 anos e este filme, um musical-fantasia sobre patins, estreou no auge da minha febre de rollerdisco. Era imperdível para minhas amigas e eu. Além disso, Olivia Newton-John já era nossa ídola por causa de Grease. Mas mesmo com todas essas ressalvas, eu consegui reconhecer já na época que o filme era um fiasco. Olivia fazia o papel de uma Musa Inspiradora sobre patins, que aparecia na vida de um jovem artista e de outro bem mais velho (Gene Kelly). Os números musicais misturam big band dos anos 40 com discoteca, country e rock farofa. No final, nenhum público sai satisfeito.
10 – The Blair Witch Project, 1999
O hype da época é de que o filme era um dos mais assustadores dos últimos tempos. Sem mostrar cenas sangrentas, o medo seria sempre presente e muito mais real. O formato de fake documentary seria a grande inovação, e o marketing confundiu alguns espectadores, que acreditaram ser aquilo uma história real. Fui conferir e, em vez de medo, senti sono. Houve a desconfiança de que os próprios responsáveis pelo filme teriam criado sites de fãs na Internet antes da estréia, para promover o hype. Hoje sempre fico com um pé atrás com filmes que chegam com tamanha campanha de marketing logo de cara. Prefiro os sleeper hits, aqueles que não são blockbusters mas você fica sabendo por propaganda boca a boca, por amigos ou familiares que têm bom gosto para filmes, ou através de resenhas de críticos que em geral acertam na mosca.
Posted by leilac at 11:59 AM | Comments (50)
novembro 21, 2005
Aviso: ser republicano faz mal à saúde

Na foto à esquerda, Dick Cheney, ao se formar na universidade - quando não era de se jogar fora -, e hoje, como vice-presidente. Por isso, meninas, pensem bem antes de casarem com um bonitinho conservador. Um dia a beleza vai embora e só restará um chato amargo, rancoroso e envelhecido, te enchendo a paciência com diatribes reacionárias.
Posted by leilac at 12:40 PM | Comments (18)
novembro 19, 2005
Garofalo: de atriz cult a radialista de esquerda

Ela é bem baixinha, tem 41 anos, é um pouco mais cheia que a média das atrizes de Hollywood, mas dentro e fora da tela do cinema Janeane Garofalo conquistou uma legião de fãs com sua inteligência, quick wit , sarcasmo e uma beleza "normal" que agrada a muitos fãs masculinos. Muitas vezes Garofalo faz aqueles papéis da slacker inteligente e desprezada, que acaba revelando sua beleza e conquistando o galã no final da comédia romântica. No Brasil, ela ficou conhecida principalmente por seus papéis em Reality Bites, The Truth About Cats and Dogs e Romy & Michelle's High School Reunion.
Mas desde o início da guerra do Iraque, Janeane Garofalo passou a atuar numa nova arena. Politicamente progressista, ficou revoltada com a decisão do governo de ir à guerra, e então emprestou sua fama a eventos ativistas anti-Bush, começou a aparecer cada vez mais em programas jornalísticos da TV defendendo o ponto de vista da oposição. Pouco depois, acabou se tornando a maior estrela da nova rádio nacional de esquerda americana, a Air America, lançada em março de 2004. Janeane tem o programa Majority Report, junto com o ator Sam Seder. Eles descem o malho em Bush e nos republicanos, comentam todos os assuntos políticos em pauta, mas com humor e muitas referências a cultura pop e literatura. O programa freqüentemente convida os principais blogueiros da esquerda americana, como Duncan Black do Atrios, Markos do Daily Kos e Bill Scher do Liberal Oasis.
Posted by leilac at 6:48 PM | Comments (37)
novembro 18, 2005
Mulheres carregam a África nas costas

Ellen Johnson-Sirleaf, no centro, rodeada de eleitoras liberianas
O resultado oficial da eleição só será anunciado dia 23, mas com quase 100% dos votos contabilizados, a imprensa mundial já considera Ellen Johnson-Sirleaf vitoriosa na corrida presidencial da Libéria, tornando-a a primeira mulher a ser eleita presidente em toda a África. Até o momento ela tem cerca de 60% dos votos, contra 40% de seu oponente, o ex-jogador de futebol George Weah. Ellen tem 67 anos, é formada em Harvard e ex-funcionária do Banco Mundial. Para marcar esse momento histórico, eu queria linkar e traduzir um trecho desse artigo emocionante do New York Times, escrito pela liberiana Helene Cooper :
Enquanto eu passava de carro pela cidade, eu vi mulheres que conheci por toda a minha vida. Havia mulheres velhas - velha na África significa acima de uns 35 anos - com pesadas pilhas de bambu em suas costas. Às vezes, a carga era maior que as costas que as carregavam, subindo com dificuldade uma ladeira após outra. Havia mulheres em seus vestidos coloridos - que na Libéria chamamos de 'lapas' -, amontoadas à beira das estradas vendendo laranjas, ovos cozidos e nozes. Havia jovens mulheres e meninas, sentadas na frente de seus barracos banhando seus filhos, irmãos e irmãs, em baldes de plástico. Não há eletricidade ou água corrente, e uma menina de uns 10 anos arrasta um balde de água suja do córrego ladeira acima até sua casa, para poder dar banho em sua irmãzinha de 4 anos.Estas são as mulheres com quem eu cresci na Libéria, as mulheres por toda a África - o pior lugar que existe para ser mulher - e que de alguma forma conseguem carregar todo o continente em suas costas.
Na Libéria, quando seus filhos foram raptados e drogados para participar das facções rebeldes, e quando seus maridos voltavam para casa dos bordéis e as infectavam com HIV, e quando os soldados do governo invadiam suas casas e as estupravam na frente de seus filhos adolescentes, estas eram as mulheres que se erguiam e continuavam indo em frente. Continuavam vendendo peixe, mandioca e nozes no mercado para poderem alimentar suas famílias. Davam à luz filhos de seus estupradores nas florestas e carregavam crianças nas costas equilibrando jarros d'água na cabeça.
Essas são as mulheres que foram votar semana passada. Elas ignoraram as ameças de jovens rapazes que prometiam mais guerra se seu candidato George Weah, um ex-jogador de futebol, não ganhasse.
Essas mulheres da Libéria, em grande maioria, ignoraram esses garotos e fizeram de Ellen Johnson-Sirleaf, 67 anos, a primeira mulher eleita para dirigir um país africano. Não me surpreendeu ver o Sr. Weah imediatamente dizer que a eleição tinha sido roubada, ao contrário do que afirmaram os observadores internacionais. Nesse meio século desde que os europeus deixaram a África, seus homens parecem ser incrivelmente propensos a se auto-enganarem.
Ninguém sabe ao certo que tipo de presidente será a Sra. Johnson-Sirleaf, economista formada em Harvard e que foi presa por um dos muitos dirigentes que arrasaram a Libéria nas últimas décadas. Há várias mulheres na África que nos envergonharam, como Winnie Madikizela-Mandela. Mas depois de 25 anos de guerra, genocídio e anarquia, é seguro apostar que Ellen Johnson-Sirleaf vai deixar no chinelo todos os homens que a precederam como líderes do país. E nem vai ser difícil, já que ela sucede Charles Taylor e Samuel Doe, ambos carniceiros da pior espécie.
Desde que os resultados da eleição foram anunciados, há uma imagem da minha viagem a Bukavu (Congo) que não sai da minha cabeça. É a de uma mulher de seus 30 anos. Estava anoitecendo quando eu a vi, subindo um morro na saída da cidade enquanto eu passava de carro. Ela carregava tanta lenha que seu peito quase tocava o chão, tão curvadas estavam as suas costas. Mesmo assim, ela seguia, na ladeira íngreme que levava à sua casa. Seu marido caminhava à frente. Ele não carregava nada. Nada na sua mão, nada nos seus ombros, nada nas suas costas. Ele toda hora se virava para trás e reclamava, pedindo que ela andasse mais rápido.
Eu quero voltar para Bukavu e encontrar essa mulher, e lhe dizer o que está acontecendo na Libéria. Eu quero dizer a ela: seu tempo virá, também.
Posted by leilac at 9:55 AM | Comments (21)
novembro 17, 2005
Qual é a música...

... que eles estão dançando?
Sugestões:
- Dancing Queen (Abba)
- In the Navy (Village People)
- Relax (Frankie Goes to Hollywood)
- If I Could Turn Back Time (Cher)
- Tainted Love (Soft Cell)
- I Want to Break Free (Queen)
- Ring my bell (Anita Ward)
(Foto acima cortesia de SmithAntics)
Posted by leilac at 11:34 AM | Comments (25)
novembro 15, 2005
Fatos e Fotos II

A revista masculina americana GQ abriu uma exceção e, em vez de eleger "O Homem do Ano", elegeu em 2005 a Mulher do Ano: Jennifer Aninston, por sua postura bem humorada e digna diante da sua separação de Brad Pitt, em meio ao escândalo da traição com Angelina Jolie. Eu também gostei e estou torcendo por ela. Ficou muito linda nessa capa.

Policial à paisana prende um manifestante universitário anti-Bush na Coréia do Sul (aqui na California é noite do dia 15, lá na casa da Lúcia Malla o dia 16 já tá cheio de novidades...) Foto Reuters.

Laura Bush abre a boca para comer um doce, tomando cuidado para não arrebentar a pele já demasiadamente esticada, durante a cerimônia de chá na Doshisha Girls' Senior High School em Kyoto, dia 16, no Japão. Foto Reuters.
Posted by leilac at 11:05 PM | Comments (43)
novembro 14, 2005
Farmácia não é igreja: Target sucks

A popular loja de departamentos Target está permitindo que seus funcionários da Farmácia, por motivos "religiosos", se recusem a vender a pílula contraceptiva de emergência, ou pílula do dia seguinte (aqui conhecida também como "Plan B"). A desculpa da empresa é que ela precisa respeitar os sentimentos religiosos e costumes de seus funcionários, e que se um farmacêutico se sentir desconfortável distribuindo esse tipo de pílula, a empresa não fará nada para impedi-lo. Depois que uma moça de 26 anos em Missouri teve sua prescrição médica para uma dessas pílulas Plan B rejeitada pelo funcionário da farmácia da Target, no final de setembro, a organização Planned Parenthood organizou protestos e em seguida convocou um boicote à empresa. Em nota oficial, a Target diz que sua política é o funcionário, nesses casos, recomendar ao cliente que vá para outra farmácia da Target (ou de outra rede de farmácias mais próxima) para receber sua pílula, ou seja, não estaria "impedindo" que ninguém deixasse de comprar o remédio. Ora bolas, se tu te despencas para uma Target (geralmente loja em subúrbios, que você precisa ir de carro), chega lá com um pedido urgente de um remédio, e um funcionário se recusa a te atender, te obrigando a ir procurar outro estabelecimento - para mim, isso é constrangimento ao consumidor, e uma forma de dificultar sim a comercialização do tal remédio. Embora esteja colocando a responsabilidade nas costas dos funcionários pela decisão, está claro que é a Target a responsável por discriminar a pílula do dia seguinte. Principalmente porque a resposta oficial da empresa admite que "the emergency contraceptive Plan B is the only medication for which this policy applies".
Se a Target realmente quer se estabelecer dentro do setor de venda de remédios, deveria exigir que seus funcionários jamais discriminem consumidores e que cumpram o seu papel de entregar os remédios receitados diretamente pelo médico (é assim que funciona nos EUA, remédios de prescrição são personalizados por médico e paciente). Um farmacêutico que não se sente confortável vendendo remédios A ou B, deveria ter escolhido outra profissão, ou virado padre ou pastor evangélico. O consumidor não tem nada a ver com isso, e merece ter em mãos o seu remédio, legalmente prescrito pelo médico, da forma mais rápida possível.
Posted by leilac at 5:37 PM | Comments (24)
novembro 12, 2005
Snapshots by Denise

Nosso encontro com o Alex Castro e o cachorro mais famoso da blogosfera, Oliver

Chris dormindo na ida para San Francisco

Golden Gate ao anoitecer

Degustação em Napa
Posted by leilac at 8:28 PM | Comments (18)
novembro 11, 2005
Da Oprah para nossa mesa de bar
Ele foi abandonado pela noiva às vésperas do casamento. Em vez de afundar na fossa e no desespero, ele decidiu manter a festa, só que sem noiva. A lua de mel na Costa Rica também já estava paga, então decidiu convidar o irmão para ir com ele. Só pediu para o pessoal do hotel cancelar as pétalas de rosa na cama e trocar champanhe por cerveja. Assim, no ano de 2000, começou a aventura dos irmãos Franz e Kurt Wisner, que resolveram definitivamente mudar de vida depois da experiência, pedindo demissão de seus empregos e partindo para uma viagem por quase 60 países - incluindo o Brasil. Franz teve então a idéia de contar sua história num livro, Honeymoon with my brother, que tem feito sucesso aqui nos Estados Unidos. Os dois já estiveram no programa da Oprah, no Today Show, e em matérias de jornais como o Los Angeles Times. A Sony Pictures gostou tanto da história que comprou os direitos para fazer um filme, com a intenção de escalar como atores, nos papéis dos irmãos, Jim Carrey e Will Ferrell. Detalhe: o foco principal do filme será na parte em que Franz e Kurt estão no Rio de Janeiro.
Denise e eu jantamos ontem num restaurante espanhol de tapas com os gatíssimos Franz e Kurt, que por coincidência estudaram na Davis High School com o meu marido. Eles agora moram em Los Angeles e estão aqui de passagem, visitando os pais e autografando livros em lojas da região. Foram super simpáticos e não páram de elogiar o Brasil, e adoraram saber que vão aparecer num blog para brasileiros. Franz, o noivo abandonado (na foto, à direita, com Denise e Kurt), agora, além de celebridade, está super feliz, casado com uma atriz linda e com um filhinho de 4 meses.
Posted by leilac at 12:54 AM | Comments (25)
novembro 9, 2005
Derrota acachapante de Schwarzenegger

Hasta la vista, Governator! You're finished in California!
O governador da California Arnold Schwarzenegger gastou bilhões de dólares do contribuinte impondo um plebiscito para levar diretamente ao eleitor as suas propostas de mudança na legislação do estado, em vez de submetê-las aos deputados estaduais. Apostou que ia ganhar mais fácil junto aos eleitores do que no Legislativo, mas perdeu feio: todas as quatro medidas propostas pelo governador e outras quatro do Partido Republicano foram derrotadas, até mesmo uma que impunha alguns limites no direito ao aborto e dividiu bastante o eleitorado. As medidas que Schwarzenegger pretendia passar eram relativas a aumentar o poder do Executivo estadual quanto ao orçamento, reduzir direitos dos professores, limitar a liberdade financeira de sindicatos, e reforma eleitoral (distrital). Essa eleição mostrou que o ibope do ator/dublê de governador aqui na California está baixo, e que os sindicatos - principais inimigos de Schwarzenegger - ainda gozam de prestígio junto à população.
Ainda nas eleições especiais: mais um motivo para amar San Francisco.
Posted by leilac at 1:53 PM | Comments (15)
novembro 8, 2005
Visitante ilustre
Nesta quarta-feira à noite vou buscar no Aeroporto de Sacramento a poderosíssima blogueira Denise Arcoverde, que vai passar uns dias aqui em casa e fazer comigo umas road trips pelo Norte da California. Estamos animadíssimas para nos encontrar pessoalmente pela primeira vez, passear muito e, of course, fofocar. Minha idéia é começar na quinta-feira com um passeio ao Napa Valley, especificamente na região de Saint Helena, que tem um centro super charmoso, e lindas wineries incluindo a do diretor de cinema Francis Ford Coppola, com direito até a um museu onde ficam expostas relíquias de filmes como Poderoso Chefão e Apocalipse Now. Eu gosto de parar na deli da Dean & Deluca para almoçar. Provavelmente faremos wine tasting num lugar belo e aconchegante, como a Beringer, que fica numa casa antiga e lindíssima, cercada por jardins super bem cuidados. É também em Saint Helena que fica o castelo de pedra do Culinary Institute of America, onde alguns sortudos estudam para se tornarem chefs e enólogos. No dia seguinte, a intenção é ir para San Francisco - que dispensa apresentações, mas se quiser olhar tem umas fotos legais aqui. Bem, nos próximos dias devemos contar mais sobre o nosso roteiro do fim de semana, com fotos... U-hu!!!
Posted by leilac at 5:03 PM | Comments (28)
novembro 7, 2005
Boicote a machismo em blusas dá resultado
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Foto do mais recente catálogo da Abercrombie & Fitch
Uma das lojas de roupas preferidas de universitários e adolescentes de high school americanos, a Abercrombie & Fitch, lançou recentemente uma linha de camisetas com dizeres ridículos e um tanto degradantes para as mulheres. "Quem precisa de cérebro quando tem estes aqui?", dizia uma das T-Shirts, a mensagem obviamente se referindo aos peitos da moça descerebrada que vestir a camiseta. "Louras são adoradas, morenas são ignoradas", eram os dizeres de outra blusa. Mais uma para implicar com as morenas: "I had a nightmare I was a brunette". Outra era cruel para as gordinhas: "Do I make you look fat?" As feministas da Women & Girls Foundation, da Pennsylvania, resolveram então organizar um boicote - ou "girlcott" - à Abercrombie & Fitch semana passada. E deu certo. A empresa, que já foi alvo de protestos por outras entidades (depois de fazer camisas consideradas ofensivas por minorias asiáticas, e também por causa de um catálogo em que insinuava uma espécie de orgia entre os modelos), não estava interessada em comprar outra briga e resolveu entrar em acordo com a Women & Girls Foundation, retirando as camisetas machistas das suas prateleiras, e até aceitando sugestões para futuras mensagens que fossem mais "empowering" para as meninas, em vez de estimular estereótipos machistas e jogar mulheres umas contra as outras. No entanto, alguém precisa avisar para a Women & Girls Foundation que a Abercrombie & Fitch continua vendendo as camisetas babacas em seu website - com exceção daquela sobre os peitos.
Posted by leilac at 2:17 PM | Comments (24)
novembro 5, 2005
Casal Bush em solo brasileiro

George Dubya e Laura Boca-de-Coringa Bush chegaram a Brasília na noite do dia 5, e seguiram direto para o Hotel Blue Tree, onde descansam antes do encontro com Lula nesse domingo. O nosso amigo jornalista e blogueiro Sérgio Leo, do Valor, estará cobrindo essa primeira visita de Bush ao Brasil. Espero que ele dê uma colher de chá para nós e conte como foi a aventura no seu blog.
Posted by leilac at 7:28 PM | Comments (24)
novembro 4, 2005
Jabás, payolas e a mediocridade do rádio
Quem trabalha na indústria musical ou de rádio no Brasil já está careca de saber o que é o jabá - presentes, favores ou mesmo dinheiro dados aos responsáveis pela programação das rádios para tocarem um determinado artista de uma gravadora. Em alguns casos, as gravadoras tentam agradar com brindes os jornalistas responsáveis pela divulgação e crítica de novos discos. Mesmo quem nunca ouviu falar nisso deve ter sabido do recente escândalo armado pela Veja depois que a Warner distribuiu IPods para críticos musicais junto com o novo disco de Maria Rita. O que talvez vocês não saibam é que o jabá é prática bem difundida nos Estados Unidos, e conhecida aqui como "payola". Recentemente, a Sony BMG foi pega no flagra pelo Procurador Geral de Nova York, Eliot Spitzer, em atos explícitos de "pay for play" e multada em 10 milhões de dólares. "O QUE PRECISO FAZER PARA QUE VOCÊS TOQUEM AUDIOSLAVE NA WKSS ESTA SEMANA?" perguntava um funcionário da gravadora em e-mail a um programador da rádio WKSS. "Qualquer coisa que você imaginar, posso tornar realidade." Spitzer também descobriu que as gravadoras subsidiárias da Sony estavam dando aos radialistas presentes como laptops, IPods e viagens para aumentar o número de execuções de músicas de artistas como Jennifer Lopez e Celine Dion (valha-me Nosso Senhor, pobre público). Agora o escritório de Spitzer está investigando a Warner, EMI e Universal.
A Federal Communications Commission, entidade federal americana, tem leis claras proibindo o payola; no entanto, é legal uma rádio aceitar pagamento para tocar uma música, contanto que anuncie isso no momento em que ela está sendo tocada. Segundo esta matéria no Village Voice, foi assim que foram lançados o Limp Bizkit e John Mayer. Mas isso não tem inibido as gravadoras a continuarem pagando por trás. Além dos prêmios mais instigantes que citei acima, a investigação de Spitzer revelou formas de jabá patéticas, como a promoção em que os DJs recebiam um tênis (não o par; um pé só), e depois só receberiam o outro depois de tocarem 10 vezes a música A.D.I.D.A.S. do rapper Killer Mike. No rastro da publicidade obtida pela ação do procurador de Nova York, a FCC prometeu iniciar sua própria investigação, mas há quem não acredite que isso vá adiante. A última vez que o órgão multou rádios por payola foi em 1998, quando estações do Texas aceitaram jabás para tocar uma música nova do Bryan Adams.
Esse domínio das gravadoras sobre a programação é com certeza um dos fatores da mediocridade atual das rádios americanas. Mas não é o único. Um dos principais motivos é uma concentração cada vez maior de estações nas mãos de conglomerados nacionais gigantescos, como Clear Channel e Infinity, depois de uma desregulamentação da indústria em 1996. A padronização é tão grande que dificilmente você verá muita diferença entre os dials da California, Montana ou Illinois. E a repetição das mesmas canções chega às raias do insuportável. Uma estação típica que toca os Top 40 hits tem em sua programação menos de 200 músicas - metade do que se tinha há dez anos atrás, segundo a revista Entertainment Weekly. Para piorar, o número de comerciais parece ser cada vez maior entre as seqüências de músicas. E não sei se vocês já ouviram, mas anúncio de rádio americana pode ser extremamente irritante. Eu não consigo ouvir. Quase todo mundo que eu conheço aqui só ouve CD player no carro, ou então as rádios jornalísticas. Outros estão optando cada vez mais pelo satellite radio, que oferece centenas de estações sem qualquer intervalo comercial - você paga uns 13 dólares por mês, compra o aparelho específico (50 a 100 dólares) e pronto, fica livre dos anúncios de Carl's Jr. para sempre. Dentro de casa, cada vez mais consumidores usam a Internet para ouvir rádios online, podcasts, e baixar músicas (legal ou ilegalmente).
Mas eu ainda preferia ver as velhas rádios convencionais se tornando mais independentes e arrojadas como já foram nos anos 70, lançando bandas capazes de influenciar gerações com música inovadora e de qualidade, respeitando mais o ouvinte em vez de se tornarem puras fabriquetas de dinheiro. No entanto, a paciência do público está se esgotando. A audiência das rádios já caiu 13% nos últimos dez anos. Em pouco tempo, o ouvinte sem poder aquisitivo acabará sendo o único sobrando nas rádios comerciais - e aí, os próprios anunciantes vão sentir na pele o desastre de uma programação musical pífia.
Posted by leilac at 7:36 PM | Comments (32)
novembro 3, 2005
Robotox
Eu já vi um monte de fotos em que a primeira-dama dos EUA, Laura Bush, se assemelha a um andróide, com sua cara sem expressão definida, completamente esticada por plástica e muito Botox. Mas as imagens abaixo superam tudo que já vi até hoje. Tirem as crianças da sala. (Via Dependable Renegade)

Camilla Parker Bowles e Laura Bush em recepção na Casa Branca. Por que será que ela está tão trincada?
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Será que ela tomou as pílulas pra ADD do Bush? Ou teria Charles sussurrado alguma coisa sobre Tampax em seu ouvido? E onde estaria a mão direita dele? E by the way, Laura, a sua mão é 20 anos mais velha que o seu rosto. You're not fooling anyone.
Posted by leilac at 10:00 PM | Comments (23)
SiteMeter e voyeurismo
Eu resisti bastante antes de instalar um desses serviços de estatísticas de visitas em blogs. Sempre achei um pouco injusto, meio que uma forma de invadir a privacidade dos meus leitores, eu ficar vigiando quem está me lendo, de onde vieram, por quanto tempo, que tipos de perversões googladas os trouxeram aqui, etc. Também tinha medo de ficar deprimida se o serviço acusasse um baixíssimo número de leitores para o Stuck in Sac. Foi o Idelber quem me convenceu, lá por meados de junho passado, a instalar um desses visit trackers no meu blog, dizendo que eu era um dos top referrers para o Biscoito. E eu sabia que não estava lendo o blog dele 10 vezes por dia, como uma stalker enlouquecida. Deviam ser mesmo os meus leitores clicando no link do meu blogroll. Então resolvi instalar um site tracker, ainda na época do blogspot.
Gostei, foi divertido e realmente o número de visitas diárias era mais alto que eu esperava. Nem fiquei muito viciada em checar o troço, como acontece com muitos blogueiros. Sim, é legal ver que um blogueiro de respeito me visita, mas no final das contas, o que determina o sucesso de um post é o leitor gostar tanto a ponto de deixar um bom comentário. Ou seja, o visit tracker é uma curiosidade, mas posso viver sem ele.
Na minha mudança para a Verbeat, voltei a ficar um tempão sem instalar um site meter, até que vi no blog da Laura a foto do mapa mundi com a localização de todos os visitantes recentes do blog, oferecida pelo SiteMeter, e achei lindo. Instalei o meu e vi que o serviço é bem legal, oferecendo detalhes bem mais minuciosos sobre os leitores que o SiteTracker do meu blogspot. Tenho usado bastante o SiteMeter para retribuir visitas caladinhas, ou conhecer blogueiros (ou referrers) que eu nunca tinha lido antes. Adoro ver quando tem alguém me lendo de alguma cidadezinha que eu nunca ouvi falar, no Brasil ou em outra parte do mundo. E, quando sobra tempo, eu me preparo para a comédia ou o medo das visitas que chegam por busca Google ou Yahoo. Algumas das minhas preferidas:
“Época, anos 90, que roupas usavam”
Quantos anos você tem, cinco? Ou então sua memória deve ser pior que a minha. Olha, pelo que os meus neurônios restantes me permitem lembrar, no início dos anos 90 a gente ainda usava calças com a cintura alta. Lembro também de uma moda pavorosa, em que a gente saía à noite de short curtinho e meia-calça fina. Ou dos vestidos curtos trapézio (justos em cima e allargando até a barra, na forma deste feioso quadrilátero). Usei também uns coletes de seda e muito hippie-chic. Rolou para os homens uma moda meio grunge, de camisas de flanela quadriculada.
“lésbicas”
Que é isso, tá me estranhando? Nada contra as companheiras homossexuais, mas eu sou hetero até nos meus sonhos eróticos.
“bonecas sexy americanas”
Não sei bem o que você está procurando; seriam bonecas infláveis? Travestis bonitas nos Estados Unidos? Ou você está querendo promover uma sexualização precoce na sua filha? Enfim, essa foi na categoria creepy.
“gostaria de saber da carreira do ator sylvester stallone”
O mais engraçado nessa aí é o jeito que ele faz a busca, com a pergunta completa e sem a noção de que isso só vai atrapalhar e trazer mais resultados inúteis com “gostaria” “de” e “saber”. Categorias novato na web, loser (por ser fã de Stallone).
“pornô”
Além de tarado, é preguiçoso. Não poderia ser mais específico? E será que não percebeu, pela descrição que o Google dá do link pro Stuck, que não tem nada de pornográfico aqui nesse site? Categorias pervertido, burro.
“fotos dos tipos de revólveres”
Isso aqui é um blog anti-armas. Xô, xô.
leila
Mais um clueless pelo visto. A pessoa que fez a busca coincidentemente mora no Brasil, mas talvez não saiba que Leila é um nome comum em países árabes, na Índia e em toda a diáspora onde essas populações se espalham. A busca dela trouxe sites como "Leila music", "Leila Arboretum", a poeta anglo-persa Leila Farjami, a cantora curda Leila Fariqi, entre outros.
Posted by leilac at 9:31 AM | Comments (29)
novembro 1, 2005
Cena de Cinema no Senado Americano
Parecia uma tarde de terça-feira normal no Senado dos Estados Unidos. De repente, o líder da Minoria (Partido Democrata), Senador Harry Reid, surpreendeu completamente os republicanos, ao invocar a "Regra 21" da Casa, pela qual qualquer Senador pode exigir uma reunião a portas fechadas, para debater algum assunto secreto e urgente. O presidente da sessão, seguindo o regimento, ordenou que os guardas militares retirassem todas as pessoas, que não os senadores, do Plenário. Assim, os senadores republicanos foram obrigados a permanecer, trancados e contrariados, junto com seus opositores, e a discutir um assunto do qual vinham fugindo há mais de um ano: a provável manipulação pelo governo da inteligência que levou o país à guerra do Iraque. Os republicanos, que dominam tanto o Senado quanto a Câmara dos Deputados, também controlam a comissão que investiga as falhas (ou manipulação) da inteligência sobre o Iraque. O Senador Harry Reid quis cobrar do Senador republicano Pat Roberts, presidente desta comissão, que o trabalho andasse, o que não vem ocorrendo por pressão da Casa Branca. "Não existe independência entre os Poderes hoje neste país", protestou o Senador Reid. O Senador democrata Jay Rockefeller, que participa desta comissão, revelou que o próprio Roberts lhe confidenciara que o Governo Bush queria que esta investigação ficasse no "backburner" (mais ou menos como a gente diz "na geladeira", ou seja, o mais ignorada possível).
Eleitores democratas, blogueiros progressistas em geral AMARAM a manobra de Reid. Finalmente, o Partido Democrata mostrou "cojones", convocou os republicanos para um duelo e mostrou à opinião pública que não está disposto a se dobrar (that was about time!) aos desmandos do partido de Bush, e aproveitou um bom momento para discutir o assunto essencial: a responsabilidade do governo na manipulação de informações para convencer o público e o Congresso da idéia falsa de que o Iraque oferecia um perigo iminente. "Nosso país está em guerra; não existe no momento nada mais importante do que esta guerra para se discutir", justificou Reid, numa entrevista coletiva disponível em vídeo aqui. Com isso, os democratas também conseguiram colocar em foco principal na imprensa um tema comprometedor para o governo, que já estava conseguindo fazer morrer na mídia os efeitos do indiciamento de Libby.
Mesmo assim, nem toda cobertura dessa notícia vai ter efeito positivo para os democratas. Os republicanos e os programas televisivos da direita já estão dando porrada sistematicamente em Reid, fazendo o spin da notícia assim: "os democratas seqüestraram o Senado"; "os democratas fecharam o Senado"; "eles se rebaixaram ao esgoto", "foi um stunt". O próprio New York Times deu agora na versão online uma manchete fraca, colocando o acontecimento como um duelo partidário (ignorando o fato de que está em jogo a própria democracia americana, enquanto não se investiga a responsabilidade do governo e enquanto a Casa Branca manipula Senado e Câmara dos Deputados a seu bel prazer). O líder republicano no Senado, Bill Frist (que por sinal está sendo investigado por atos ilícitos de especulação financeira), protesta, furibundo, dizendo-se traído pelo colega democrata, em quem jamais irá confiar novamente, por ter "seqüestrado" o Senado. Ao que Harry Reid respondeu: "Lamento que ele não conheça o regimento da Casa; a Regra 21 já foi usada dezenas de vezes." A maioria das ocasiões em que o Senado fechou as portas para reuniões secretas foi sobre questões de segurança nacional, armas químicas, mas na última vez foi para discutir o pedido de impeachment ao presidente Clinton, em 1999.
Posted by leilac at 10:35 PM | Comments (13)