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outubro 30, 2005
Happy Halloween!
A pedidos, estou postando aqui umas fotos do meu pequeno Peter Pan... E que um monte de gente confundiu com Robin Hood, mas tudo bem, o importante é que todos falavam "que lindo, que fantasia bacana..." Hoje à noite sairemos de novo, trick or treating com a minha sobrinha de 11 anos (a diabinha na última foto) pelas casas do meu bairro.
Posted by leilac at 8:45 PM | Comments (26)
outubro 29, 2005
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Bush Lied, 2000 died - os freeway bloggers de Sacramento em ação, para lembrar ao público que o governo mentiu para levar o país à guerra do Iraque, e o número de soldados americanos mortos em combate já ultrapassa os 2000.
Recentemente, tivemos o primeiro amigo da família enviado para o combate no Iraque. Ele é engenheiro, major do Exército, mas é um americano progressista, que sempre foi contra essa guerra. Mesmo assim, ele foi obrigado a obedecer às ordens superiores e agora, aos 41 anos, teve que ser retreinado como airborne ranger (das forças especiais, para missões ultraperigosas), que era a sua unidade no início da carreira, aos 20 anos. Ele deixou em casa mulher e quatro filhos, e dois websites para eles monitorarem todos os dias para saber se ele está vivo ou morto.
Posted by leilac at 8:51 AM | Comments (16)
outubro 28, 2005
Primeiro indiciamento hoje à tarde!
Está marcada para as 2 da tarde, em Washington D.C., a entrevista coletiva do Procurador Patrick Fitzgerald sobre os resultados de sua investigação sobre o caso Plame (veja o post "Merry Fitzmas" abaixo se você ainda não conhece o escândalo). Fontes bem informadas garantem que hoje apenas Lewis Scooter Libby, chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, será indiciado por ter mentido ao júri sobre seu papel no vazamento do nome da agente da CIA à imprensa. Karl Rove continua em apuros, pois Fitzgerald ainda não teria concluído as investigações sobre a responsabilidade do Chefe da Casa Civil do governo Bush no caso. O indiciamento de Rove pode acontecer, mas não hoje. Infelizmente, parece não ter havido provas suficientes para indiciar ninguém por traição à pátria ("treason"), apesar das suspeitas desse tipo de conspiração recaírem sobre Rove, Libby e até o vice-presidente Cheney (que teria passado o nome de Valerie Plame para Libby). O difícil é provar que esses oficiais do governo sabiam que Plame era uma agente secreta, e não uma simples funcionária da CIA, entre outras tecnicalidades jurídicas que dificultam o processo. Bem, vamos esperar o fim do suspense hoje à tarde. Fitzmas ou Halloween?
UPDATE: Para quem tiver tempo e souber ler inglês, não deixe de ver aqui todo o texto do indiciamento de Libby, por obstrução de justiça, falsas declarações ao júri e perjúrio. O texto conta a história da conspiração do início ao fim, é fascinante... Legal também se você é advogado no Brasil e gostaria de ver como é o trabalho de um super procurador nos Estados Unidos.
Libby já pediu demissão do cargo de chief of staff da vice-presidência e assessor da presidência, que foi aceita com "deep regret" pelo vice-presidente Dick Cheney, nominalmente citado no indictment como uma das fontes de Libby sobre o nome de Valerie Plame. Resta saber quais serão as implicações do caso para o próprio Cheney. O indiciamento de Libby poderá gerar novos processos na justiça e no Congresso para investigar manobras do governo para convencer o público sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque. Como Libby era praticamente um alter-ego de Cheney, fica difícil isentar o vice-presidente de qualquer responsabilidade no caso. Para Bush, qualquer possibilidade o deixa mal na história: se ele sabia da conspiração contra o casal Wilson, cometeu crime; se ele não sabia, fica provado que é um mero marionete que nem sabe o que está acontecendo nos bastidores de seu governo.
UPDATE 2: Tanto Cheney quanto Libby sabiam que Plame era uma agente secreta, como bem aponta o jornalista e blogueiro Joshua Marshall, do Talking Points Memo, a partir do próprio documento do indictment. Foi treason com certeza, pena que por alguma tecnicalidade quanto a provas definitivas o procurador não se dispôs a indiciá-los por isso.
Posted by leilac at 6:36 AM | Comments (14)
outubro 27, 2005
Fatos e fotos

O técnico do time de baseball de Chicago White Sox (vencedor do campeonato World Series), Ozzie Guillen (à esquerda), é beijado na boca por um fã logo após a vitória contra o Houston Astros por 1 a 0, ontem à noite, em Houston. Acho fofo quando os homens assumem sua porção homossexual durante comemorações esportivas. Sério, acho uma gracinha. (AP Photo/Jeff Roberson)

O presidente da Exxon Mobil Corp., Lee Raymond, está feliz da vida hoje porque os lucros da empresa no terceiro quadrimestre deste ano aumentaram, devido à alta dos preços do petróleo e gás natural (nem a interrupção da produção nas áreas afetadas pelos furacões conseguiu diminuir o lucro - afinal, houve uma tremenda especulação com os preços ao consumidor). Mas um homem que tem essa cara, esse double chin, não tem motivos para rir de absolutamente nada. Nós estamos ferrados, pagando alto pela gasolina e por energia em geral, mas chegou a nossa hora de rir dele. Seu féladaputa horroroso!. (AP Photo/Donna McWilliam)

Bush ontem, falando para o Economic Club de Washington, não conseguia disfarçar o atual desconforto causado pela série de más notícias para o seu governo (ou boas notícias para nós) (AFP/Jim Watson)
Posted by leilac at 12:06 PM | Comments (17)
outubro 25, 2005
Cheney poderá cair já amanhã!

Esta "simpática" figura é o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney - para muitos, o presidente em exercício, já que Dubya sozinho não tem competência sequer para ser presidente de um time de baseball. Não foi difícil obter essa imagem do Cheney com um esgar de ódio, essa é uma expressão freqüente no rosto dele e aparece rotineiramente em fotos de jornais. Para mim, basta vê-lo para perceber que ele é a própria encarnação do mal - não precisa nem mesmo dos fatos, que o colocam como um dos principais defensores das políticas de pre-emptive wars, como representante dos interesses escusos de empresas de energia (ele foi presidente da Haliburton, que está lucrando horrores lá no Iraque por causa da guerra, inclusive com denúncias de superfaturamento de contratos), e, ao que tudo indica, como mentor do vazamento do nome da agente da CIA Valerie Plame para a imprensa, em represália ao marido dela, embaixador Wilson, que em 2003 desmentiu a versão do governo sobre as WMD no Iraque.
Gente bem informada em Washington já está dando conta que os indiciamentos no caso Valerie Plame vão sair nesta quarta-feira, podendo incluir até 5 altos oficiais do governo Bush.
Os rumores que circulam no momento: várias pessoas estão sendo sondadas para substituir Cheney, que poderá se afastar do cargo alegando motivos de saúde; a candidata medíocre/amiga de Bush para a Suprema Corte, Harriet Miers, desistiria de aceitar a nomeação, criando um fato novo para distrair a imprensa no caso do indiciamento de nomes próximos a Bush.
Num post divertido, a Wonkette aponta que o gato de Cheney subiu no telhado: assim como Bush elogiou o trabalho do então presidente da FEMA, Michael Brown, durante o desastre do Katrina ("He's doing a heck of a job"), para em seguida demiti-lo, agora a Casa Branca está defendendo Cheney dizendo que "the vice president is doing a great job as a member of this administration, and the president appreciates all that he's doing."
Posted by leilac at 1:55 PM | Comments (27)
outubro 24, 2005
Morre heroína negra dos direitos civis
Rosa Parks no dia da sua prisão por ter se recusado
a ceder seu assento no ônibus para um homem branco
Morreu nesta segunda-feira, de causas naturais, em Detroit, Michigan, um dos maiores símbolos da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, Rosa Parks, aos 92 anos. Tudo começou numa tarde de dezembro de 1955, quando ela tinha 42 anos e voltava de seu trabalho como costureira, num ônibus em Montgomery, Alabama. Naquela época, os ônibus tinham seções separadas para brancos (na frente) e negros. O ônibus começou a encher e o motorista pediu que os negros sentados na primeira fila de sua seção cedessem seus lugares. Rosa se recusou a dar seu lugar para o homem branco que insistia para que ela se levantasse. Por isso, foi presa, e dias depois, condenada por "conduta desordeira" e multada em 14 dólares (dinheiro razoável naquele tempo). "Eu sabia que, ao ser presa, esta seria a última vez em que eu sofreria esse tipo de humilhação dentro de um ônibus", disse Parks, que já militava há anos numa organização em defesa dos negros e em outra que incentivava o registro deles como eleitores.
A prisão de Parks foi o estopim para uma imensa mobilização contra o racismo nos Estados Unidos. Naquele mesmo dia, um grupo de negros fundou a Montgomery Improvement Association, liderada pelo Reverendo Martin Luther King Jr., então com 26 anos. A associação liderou pelos 381 dias seguintes um boicote de todos os negros (dois terços dos usuários) ao transporte público na cidade. Eles iam trabalhar a pé, ou usavam táxi ou faziam carpool. O boicote foi vitorioso e só terminou depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos julgou a segregação nos transportes coletivos em Montgomery como sendo inconstitucional. E o movimento ajudou a lançar King como um líder nacional pelos direitos civis.
Rosa Parks foi perseguida e ameaçada, demitida da loja onde trabalhava, e acabou se mudando para Detroit em 1957. Poucos anos depois, tornou-se parte do staff do deputado democrata de Michigan John Conyers. Ela acabou fundando o Instituto Rosa e Raymond Parks para o Autodesenvolvimento, para ajudar jovens a conseguirem oportunidades de educação, se registrarem como eleitores, e trabalharem em prol da paz racial. Ela continuou ativa, dando muitas palestras, até quando tinha mais de 80 anos. Em 1996, ganhou a Medalha Presidencial da Liberdade. O deputado Conyers lembra de Parks como uma pessoa calma, serena, e defensora da não-violência. "Ela era eloqüente sem nunca ter levantado a voz."
Posted by leilac at 9:32 PM | Comments (17)
outubro 22, 2005
Machismo custa emprego a guru da publicidade
Um dos publicitários mais famosos do mundo, o inglês Neil French, chocou a platéia de uma palestra para outros colegas da indústria, em Toronto, no início do mês, ao se lançar numa diatribe contra a atuação das mulheres em cargos executivos:
"Há poucas diretoras de criação mulheres porque elas não podem se dedicar integralmente ao trabalho. Em algum momento elas vão amarelar, e vão dar de mamar pra alguém. As mulheres não chegam ao topo na publicidade porque são uma porcaria."
Entre os presentes ao evento estava a diretora de criação canadense Nancy Vonk, que trabalha na Ogilvy & Mather, subsidiária da WPP, empresa que empregava Neil French como diretor de criação internacional. Vonk era amiga do publicitário e já acostumada a suas atitudes machistas, que costumava relevar porque French era um colega divertido e um mestre na profissão. Mas até para ela, as afirmações de French durante a palestra de Toronto foram longe demais. "My jaded jaw hit the floor".
A revolta dos presentes ao evento foi tão grande que o assunto virou matéria do maior jornal de Toronto, The Globe and Mail, a polêmica se alastrou por todo o meio publicitário e Neil French se viu pressionado a pedir demissão. A WPP, com sedes em Nova York e Londres, aceitou a demissão do homem que aos 61 anos é uma verdadeira lenda na publicidade, criador de anúncios clássicos como o do whisky Chivas Regal - a imagem da garrafa, sem o rótulo, e com os dizeres: "If you don't recognize it, you're probably not ready for it." Sempre fumando charutos, Neil French teve alguns empregos exóticos antes de se tornar publicitário, como aprendiz de toureiro, cobrador de dívidas e agente da banda Judas Priest. French era da mesma geração de publicitários que revelou o cineasta Ridley Scott, e deixou sua marca principalmente nos anos 70 e 80.
Mesmo depois da demissão, French não se diz arrependido do que falou. Em entrevista ao Globe and Mail anteontem, voltou a afirmar: "Você não pode ser um bom diretor de criação se vai ter um bebê e depois ter que se ausentar toda hora que a criança adoece". Aparentemente, este senhor é vaidoso demais para olhar à sua volta e perceber as milhares de mulheres que chegaram ao topo de empresas não só de publicidade, mas de qualquer indústria, no mundo inteiro. Ainda estamos longe de ocupar o mesmo número de cargos de CEO que os homens, mas já chegamos lá em número suficiente para provar que ser mãe não é desvantagem profissional. Só nos faz mais fortes.
Posted by leilac at 11:45 PM | Comments (31)
outubro 20, 2005
Chega de homicídios, gimme some loving
Estou absolutamente SATURADA de ver tantos seriados sobre investigação de homicídios na TV americana. Eu sei que muitos são excelentes, funcionam bem dramaticamente e tudo mais, mas será que precisa ter três CSIs diferentes (Las Vegas, Miami e New York), três Law & Order (original, Special Victims e Criminal Intent), NYPD Blue, Cold Case, Crossing Jordan, e tantos outros, toda semana, todos falando de assassinatos hediondos? Já repararam, aliás, a freqüência com que as vítimas são mulheres, mortas com requintes de sadismo? Sinceramente, vocês não vão me encontrar entre os telespectadores que continuam dando às séries CSI e CSI Miami os mais altos índices de audiência do horário nobre da TV americana. Gente, e o que é a canastrice do David Caruso, o ruivo Horatio de CSI Miami? O cara só fala olhando de soslaio, tirando calculadamente os óculos escuros, e numa entonação que mais parece um pastiche de ator de seriado B americano - sem ser um pastiche intencional. Ele é sempre o mais perspicaz, o moralmente superior, e o que consegue empatia com personagens crianças no final do episódio. Outro ator que me irrita nesses seriados (apesar de ser melhor que o Caruso) é o Vincent D’Onofrio, de Criminal Intent. Ele só faz os interrogatórios inclinando a cabeça para o lado, ou mesmo todo o corpo. As pessoas reais não falam assim inclinadas, a não ser que tenham alguma deformidade congênita na coluna.
Não sei se o sucesso desses programas é, em vez de um suposto sadismo do espectador, a satisfação de ver, em questão de 1 hora, o crime solucionado e os culpados detrás das grades. E há ainda quem curta a simples carga dramática dos episódios, alguns diálogos bem feitos e, em raros casos, personagens bem delineados, como em NYPD Blue. Mas quantas milhares de vezes é preciso assistir histórias de investigação de homicídio antes que todas comecem a ficar parecidas e deprimentes? Pra mim, não dá mais, já esgotei completamente qualquer curiosidade sobre esse gênero.
São poucas as alternativas não sangrentas de programas no horário nobre na TV americana. O melhor até o momento são as comédias inteligentes e inovadoras My Name is Earl e The Office, ambas na noite de terça-feira na NBC e com atores ótimos. Mas falta uma boa sitcom tradicional, do nível de Friends, Seinfeld, Frasier ou mesmo Mary Tyler Moore. As que ainda resistem, como Will & Grace, The 70’s Show e Everybody Loves Raimond, já perderam o viço e a criatividade.
Eu não consegui virar fã de Lost, nem me interessei pelos novos de mistério/medo/aventura que surgiram no seu rastro, como Invasion e Surface.
E o que dizer de um bom seriado romântico? Não tem nenhum. Sinto saudade do Once and Again, aquele em que um homem e uma mulher divorciados se apaixonavam e viviam um romance quentíssimo, enquanto lidavam com os problemas típicos de filhos adolescentes complicados, ex-marido e mulher, e outros parentes inevitáveis. Real, intenso e bonito. Conseguiram mostrar a primeira relação homossexual de uma menina de 14 anos com extrema delicadeza (a ótima Evan Rachel Wood, do filme Thirteen). Sinto falta até do Sex and the City, que é menos realista e com muita forçação de barra, mas era razoavelmente engraçado e dava para a gente se identificar com algumas histórias. Confesso que eu gostava de acompanhar até mesmo Party of Five e Felicity! Agora, o jeito é alugar comédias românticas no DVD mesmo, ou ler uns livros de chick lit, para matar a sede de romance.
Posted by leilac at 10:10 PM | Comments (44)
outubro 18, 2005
Natal antecipado para a esquerda, ou trick de Halloween?
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O procurador do Caso Plame poderá ser o Papai Noel da oposição a Bush.
Via Daily Kos.
Washington e a blogosfera americana estão abuzz com rumores que incluem até um pedido de demissão do vice-presidente Dick Cheney, que estaria sendo investigado como um dos responsáveis pelo vazamento do nome da agente secreta da CIA Valerie Plame para a imprensa - o vazamento foi uma retaliação torpe ao marido dela, ex-embaixador Joseph Wilson, que havia desmentido informações do governo Bush sobre o Iraque. A revelação do nome de um agente secreto é crime sério de traição à segurança nacional nos EUA, e as investigações do procurador independente Patrick Fitzgerald sobre o caso Plame poderão implicar uma série de altos oficiais do governo Bush, incluindo o chefe da Casa Civil e spinmeister Karl Rove. Rove já depôs para um grande júri no caso Plame quatro vezes - não há dúvida de que é um dos principais suspeitos na mira de Fitzgerald. Outras informações de bastidores dão conta de que até 22 nomes do alto escalão ou do círculo próximo a Bush poderão estar na lista de indiciados.
A euforia é grande entre a esquerda americana. Mas, acostumados às desilusões, nem todos estão confiantes de que terão um Natal antecipado para o fim de outubro, quando Fitzgerald deve anunciar a conclusão de seu trabalho e os indiciamentos. De qualquer forma, vale a pena curtir e surfar essa onda altamente favorável à oposição, depois de tanto tempo em que o governo Bush parecia get away with murder. A aprovação a Bush continua a cair (o número mais baixo no Gallup até hoje, 39%, pior que Nixon), republicanos como DeLay, Abramoff e Frist são processados na Justiça, o cabide de empregos do governo e a incompetência foram provados no episódio do Katrina e agora com a nomeação da medíocre amiga do presidente, Harriet Myers, para a Suprema Corte, a população está cansada das notícias negativas da guerra no Iraque. A condenação de Rove, Scooter Libby e, uau, Cheney, seriam a cereja no topo do hot fudge sundae. Melhor que isso, só se o escândalo acabar respingando no presidente George W. Bush. Afinal, já tem gente na mídia usando até as perguntas do tempo de Nixon: "o que o presidente sabia, e quando ele ficou sabendo?"
Posted by leilac at 9:11 PM | Comments (25)
outubro 17, 2005
Momento Trash: Rocky de volta aos 60 anos

Será que a veia explode antes de começarem as filmagens?
A capacidade dramática de Sylvester Stallone não lhe rendeu na vida muito mais do que papéis repetitivos de action heros com diálogos pífios. A série de cinco (!) filmes sobre o boxeador Rocky Balboa, escrita pelo próprio Stallone, foi o ponto alto de sua carreira, e até hoje ele vive obcecado com o personagem. Tanto que há anos tentava empurrar para os estúdios de Hollywood o Rocky VI, e agora, finalmente, conseguiu o sinal verde da MGM para montar Rocky Balboa, em que o lutador, viúvo e aposentado, resolve voltar aos ringues contra o atual campeão de pesos-pesados. "O filme é sobre todos os que querem participar da competição da vida, e não se contentam em simplesmente assistir", filosofa Stallone. "Nunca se é velho demais para escalar uma montanha, se esse é o seu desejo."
Christ almighty... Acho que a única chance de eu assistir a esse filme é sob tortura, ou numa reunião na casa de alguém para ver na TV e rir dos momentos de comédia involuntária.
Aliás, Laurinha, essa notícia me deu uma ótima idéia de música para adicionar à sua trilha sonora trash: Eye of the Tiger.
(Via um dos meus blogs prediletos, Dependable Renegade)
Posted by leilac at 9:51 PM | Comments (14)
É proibido chorar

Pergunta para mulheres e homens: você já chorou no trabalho?
Eu já paguei esse mico umas duas ou três vezes, em empregos anteriores onde me senti injustiçada por algum chefe carrasco ou equivocado. Como não ocupava nenhum cargo executivo, o choro não me tirou pontos na carreira, só me fez ter raiva de mim mesma por não conseguir segurar a emoção. Mas, quando se trata de uma mulher num cargo de direção, o buraco é mais embaixo. Chorar é tabu. Na selva corporativa, é preciso seguir à risca a lei do mais forte, e as mulheres têm que diariamente provar que não têm qualquer desvantagem em relação aos colegas homens. Mesmo que os hormônios e a criação diferente que tivemos quando crianças de vez em quando nos traiam. O negócio é apertar o lábio, trincar os dentes e pulsos, respirar fundo, e não deixar as lágrimas aflorarem em hipótese alguma.
Esse assunto virou tema de conversas em empresas americanas a partir da semana passada, quando a temível e gélida Martha Stewart disparou para uma das candidatas de seu programa The Apprentice: "Chore e você está fora. Mulheres executivas não choram, minha querida." A candidata recebeu a ameaça de "demissão" do programa depois de confessar que tinha se sentido tão humilhada com a derrota de seu grupo que quase chorou.
A polêmica gerou um ótimo artigo no caderno Style do New York Times, "Big Girls Don't Cry", analisando como o choro da mulher é percebido no ambiente de trabalho e mostrando até como, quando um homem chora na empresa, em vez de ser desmoralizado, a tendência é ele ganhar respeito dos subordinados e colegas, como sendo um raro espécime dotado de sensibilidade e doçura. O pior é que isso já aconteceu com um chefe meu, e lembro que assim que ele começou a se emocionar durante a reunião, aqueles que o combatiam se calaram, e não houve depois uma só palavra de gozação ou desrespeito sobre o episódio.
A reportagem do NYT traz dados super interessantes que explicam porque as mulheres tendem a chorar mais que os homens na vida adulta (quatro vezes mais que os homens, segundo pesquisa do médico William H. Frey II, autor do livro "Crying: The Mistery of Tears"). Um dos motivos pode ser biológico, devido ao hormônio prolactina, presente nas glândulas mamárias, e indutor da lactação, mas também encontrado no sangue e nas lágrimas. Os níveis de prolactina no sangue das crianças de ambos os sexos são praticamente os mesmos, mas a partir da puberdade, o nível de prolactina sobe consideravelmente nas mulheres. As glândulas lacrimais também são fisicamente diferentes em homens e mulheres, o que também pode explicar a dificuldade das moças para segurarem o choro em momentos de emoção.
Há ainda o fator sociológico, a diferença na forma em que meninos e meninas são educados na infância. Os garotos desde cedo são desencorajados a chorarem, e incentivados a extravasar sua frustração de forma mais agressiva. Então quando ele se torna um executivo ele vai socar a mesa, falar grosso. As meninas, a quem se é mais permitido chorar, teriam mais dificuldades de se comportar de forma diferente na vida adulta num episódio de raiva e frustração.
Por tudo isso, a verdade é que as mulheres executivas, ou mesmo profissionais subordinadas em ambientes corporativos, precisam de uma força ainda maior que a dos homens para conseguir controlar as emoções, para serem levadas a sério. Apenas uma injustiça a mais no ambiente de trabalho, mas quem sabe um dia ainda derrubamos esse tabu. Por que uma chefe não pode se emocionar, mostrar seu lado delicado e humano? Isso não a faz menos competente na sua área profissional.
Posted by leilac at 9:09 AM | Comments (31)
outubro 15, 2005
Conservadores se voltam contra sua boneca favorita

Elizabeth, da coleção American Girl sobre as meninas de antigamente
A direita americana não tem limite para o ridículo. Desta vez, escolheu como alvo de sua ira as bonecas da marca American Girl, um catálogo de bonecas caras e personalizadas, e cuja coleção patriótica de bonecas do passado sempre foi favorita entre famílias americanas conservadoras. A American Family Association e a Pro-Life Action League (Anti-Aborto) estão instando americanos a boicotarem os produtos da American Girl, porque a empresa (subsidiária da Mattel) está doando lucros da venda da pulseirinha "I Can" para a entidade Girls Inc., que promove a auto-estima das garotas e também atua em favor de legislações mais favoráveis às mulheres e meninas no Congresso americano. Para a extrema-direita, a Girls Inc. é simplesmente uma organização pró-lésbica e pró-aborto, embora o principal foco de atuação da entidade, fundada em 1864, seja ajudar meninas - principalmente as mais pobres - a terem força e coragem para desenvolverem ao máximo o seu potencial na vida. No caso da campanha "I Can", apoiada pela American Girl/Mattel, os fundos serão revertidos para programas de incentivo à maior participação das garotas em Ciências, Matemática e Esportes.
A presidente da Girls Inc., Joyce Roche, se diz abismada, pois a entidade jamais foi alvo de protestos. "Nós somos muito respeitados, nosso maior objetivo é ajudar as meninas a sonharem alto e enxergarem novas possibilidades." Os executivos da American Girl também estão revoltados com a campanha lançada pelos radicais conservadores. "Lamentamos profundamente que determinados grupos tenham decidido deturpar os esforços puramente altruístas da American Girl e transformá-los numa atitude política sobre assuntos os quais a nossa companhia não tem qualquer posição definida", diz a declaração oficial da empresa.
Minha vontade é encomendar imediatamente uma boneca American Girl para minha sobrinha de 7 anos. Tem uma coleção que é super legal, onde você escolhe o formato do rosto (quadrado, oval, redondo, queixuda, dentuça), a cor da pele, do cabelo (que pode ser curto ou comprido), dos olhos. O legal dessa coleção é que meninas negras, latinas, asiáticas, indígenas, todas podem encontrar uma boneca parecida com elas próprias, escolher as roupas, e até comprar uma roupa igual à das bonecas. Pena que o preço seja caríssimo, quase 90 dólares por uma boneca personalizada.
Então eu gostaria de sugerir uma boneca substituta para as famílias conservadoras. Que tal essa Slutty Barbie, quer dizer, a Barbie My Scene Bling Bling:
Posted by leilac at 2:06 PM | Comments (24)
outubro 14, 2005
Shut up Katie, parto não dói nada!
Desculpem-me os leitores pelo recorrente assunto da saga TomKat neste blog, mas é que me dá medo. Muito medo. As últimas notícias agora dão conta de que Katie Holmes e Tom Cruise vão insistir na prática disseminada pela Cientologia do parto silencioso. O já falecido inventor da seita, Ron L. Hubbard, orientou suas seguidoras a não usarem remédios ou anestesia durante o trabalho de parto, e que se mantenham em absoluto silêncio, sem gemidos e gritos, para não traumatizar o rebento. Hubbard, que nunca foi médico ou cientista nuclear, mas escreveu livros sobre esses assuntos, ao que me consta nunca deu à luz também, e parece acreditar que é a coisa mais fácil do mundo uma criança de 3 a 5 quilos com cabeção, ombros, braços e pernas, fazer a passagem pela estreita e delicada vagina de uma mulher. Katie, completamente lobotomizada por Tom Cruise e sua seita, aparentemente quer seguir os conselhos de outro casal cientologista, John Travolta e Kelly Preston, que tiveram sua filha Ella dentro de casa, num parto "silencioso" e sem anestesia (embora depois de 13 horas de trabalho de parto doloroso, Kelly tenha implorado para ir a um hospital tomar peridural, mas o nascimento estava próximo e as ruas de Los Angeles, como sempre, engarrafadas).
Não é por nada não, mas eu e todas as mulheres que eu conheço que já tiveram filhos podem atestar que é impossível ter um bebê sem dar um gemido, ainda mais quando não se usa anestesia. Uma amiga minha diz que a sensação de parir é mais ou menos como se tivesse uma vaca querendo sair de dentro de você. Outra descreveu a pressão na barriga, nos momentos finais, como se estivesse sendo esmagada pelos escombros de um edifício. Vou poupá-los das descrições de dor que ouvi sobre o momento em que o neném finalmente nasce, passando e rasgando tudo (meu parto começou normal mas acabou sendo cesariana de emergência, com neném nascendo pélvico/sentado). Enfim, não quero nem imaginar o sentimento de fracasso e inadequação que deve passar pela cabeça de uma mulher seguidora da cientologia, durante um trabalho de parto natural em que ela não consegue segurar os gritos e gemidos. Espero que Katie acorde desse transe e não se deixe influenciar por tamanha bullshit. Grite muito, minha filha, e se quiser vá ter o neném no hospital, tomando peridural assim que der a dilatação mínima pra isso.
Outra pergunta que não quer calar: como é que a barriga de Katie pode estar tão grande, se ela pode ter, no máximo, uns quatro ou cinco meses de gravidez? Teria sido um photoshop dessa revista, ou trata-se de uma gravidez à la Rosemary?
Posted by leilac at 12:28 PM | Comments (17)
outubro 13, 2005
Mira que sexy mi portuñol

Puta madre, errte Gael es un tesoro!!!
Mi amiga Chris Nóboa avisó que hoy es el Día Internacional del Portuñol, y mi bitácora no podería se quedar fuera de este movimiento.
El idioma español ni siempre me encantó, hasta el día que yo descubrí las películas de Almodóvar y percibí que era una lengua sexy para carajo. Imagine que maravilla debe ser oír el Gael Garcia Bernal sussurar para usted palabras de amor en el idioma de Cervantes? Dios mío, sólo de mirar para ese niño dá ganas de agradecer a los españoles por tenerem colonizado el México, porque siglos después eso posibilitó los acasos genéticos que llevaron al nacimiento de ese dios. Oh, pero también tengo que dar una enorme reprimenda en España por tener diezmado la riquíssima cultura indígena en las Américas, al final de cuentas fueron los aztecas que inventaron el chocolate. Ellos devían ser muy fodones también, pero no tenían arsenal comparable al del invasor blanco.
No soy como muchos brasileños, que odian a los argentinos. Como si puede odiar un país que hace tan maravilloso churrasco, inventó el tango (que también es sexy para carajo) y generó escritores como Jorge Luis Borges e Julio Cortázar? También me gusta mucho mi amigo Nandito, hijo de argentinos, hablador de portuñol legítimo, y a quien pensé en recorrer para ayudarme a escribir este post. Pero no quiso aburrir persona tan ocupada, entonces investigué mucho y acabé encontrando este maravilloso servicio de traducción gratuita automática. Puerra, ustedes estaban pensando que yo iba a hacer ese post entero sin siquiera consultar un diccionario? Tolitos... Chuté una palabrita aquí y allí, improvisé, pero en el general ese texto está escrito en español castizo.
Posted by leilac at 7:13 AM | Comments (41)
outubro 11, 2005
What the hell...?

Um prêmio para quem criar a melhor legenda para a foto acima. O que Bush está fazendo com este curvado cidadão durante os esforços de reconstrução pós-Katrina?
Posted by leilac at 11:50 AM | Comments (26)
outubro 10, 2005
Sim ao desarmamento
O comércio de armas de fogo é bastante livre nos Estados Unidos, por isso achei importante mostrar dados da experiência americana que mostrem como a facilidade de se obter armas contribui fortemente para o aumento da violência no país. E, dessa forma, queria ajudar a desmentir alguns argumentos que têm sido usados no Brasil pelo lobby pró-bala.
Dizer que o desarmamento e as restrições ao comércio legal não vão piorar em nada a venda de armas do mercado negro é uma falácia. Este estudo mostra que nos EUA quase toda arma obtida no mercado negro tem origem no comércio legal de armas. Seja por roubo ou por venda direta do primeiro usuário a outro que não tem direito ao porte, a arma pode terminar nas mãos erradas. A jornada é rápida. De 30 a 40% dos revólveres e pistolas usadas em crimes foram colocadas à venda pela primeira vez no comércio legal menos de 3 anos antes.
O estudo, financiado pela Fundação George Soros, revela ainda que o país tem em média 85 mortes diárias causadas por arma de fogo. A maioria dos óbitos é de vítimas de homicídios sem intenção dolosa ou de suicídios - ou seja, mortes por armas obtidas pelos “lawful citizens”.
Nos Estados Unidos, 40% dos domicílios possuem armas de fogo. Isso, em vez de contribuir para a auto-proteção dos cidadãos, leva as taxas de homicídio nos EUA a serem entre duas e dez vezes maiores que as dos demais países desenvolvidos. Pode-se até colocar em parte a culpa na cultura americana, na violência exposta na mídia e outros fatores. Mesmo assim, é ridículo argumentar a favor da posse de armas dizendo que “quem quer cometer um ato violento contra alguém o fará, mesmo se não dispuser de uma arma de fogo”. As armas de fogo são muito mais letais do que as outras. Isso sem falar que uma pessoa que não possui uma arma terá mais tempo para pensar e mudar de idéia antes de cometer uma vingança impulsiva, um ato irreversível. Os crimes passionais são o principal reflexo disso. Neste estudo do Violence Policy Center, com os dados fornecidos pelo FBI, vê-se que as armas de fogo foram o método mais usado pelos homens para matar mulheres no ano de 2003 (77% dos assassinatos foram por armas de fogo). Outro estudo, do Centers for Disease Control do governo federal, de 2001, mostrou que o número de assassinatos de mulheres por seus parceiros (maridos ou namorados) com armas de fogo é maior do que com o uso de todas as outras formas de violência combinadas.
Da mesma forma que, para se evitar uma doença é preciso fazer a profilaxia (prevenir é melhor e mais fácil que tratar), para se diminuir o número de mortes por armas de fogo, faz todo sentido controlar a comercialização de armas. E as altas taxas de mortes por armas de fogo num país são com certeza uma doença social que precisa ser tratada e prevenida.
Outro alerta: o lobby dos comerciantes de armas não se dá por satisfeito com a legalização; continua forçando mais e mais privilégios tanto para as indústrias quanto para potenciais assassinos. Nos EUA, a National Rifle Association está defendendo um projeto de lei no Senado que dará imunidade legal aos vendedores de armas, isentando-os de responsabilidade pelo descuido da venda para indivíduos que não tenham direito ao porte legal. Além disso, o governador Jeb Bush (irmão de George W.) apoiou uma nova lei monstruosa, já em efeito na Florida, em que qualquer cidadão pode atirar em alguém caso se sinta ameaçado, ou se achar que estará prevenindo um crime. É a chamada “shoot first law”. É a legalização do bangue-bangue, do salve-se quem puder.
As pessoas armadas, sendo "de bem" ou não, estão sempre sujeitas a erros de julgamento, a decisões equivocadas, a reações em reflexo. Quanto mais gente armada, maior vai ser o número de inocentes sendo assassinados. Não há a menor dúvida disso. Precisamos de mais paz, menos violência. Por isso é importante votar SIM ao desarmamento. Veja outras opiniões nesta blogagem coletiva do Nós na Rede.

Posted by leilac at 12:04 PM | Comments (24)
outubro 7, 2005
Tarde demais para salvar Katie

O casal creepy não perdeu tempo em procriar: vem aí mais um cientologista dentuço
Se o namoro e noivado de Tom Cruise e Katie Holmes pareciam relâmpago, sinistramente rápidos demais, então o que pensar da recém-anunciada gravidez da atriz de Dawson's Creek? Teria sido ela hipnotizada pelos seguidores da seita de Ron L. Hubbard?
Posted by leilac at 9:20 PM | Comments (20)
outubro 6, 2005
Quero ver Irene rir

Irene Guerreiro (1935-2000), aos 26 anos
Minha mãe estaria fazendo 70 anos nesse dia 7 de outubro. Ela faleceu há cinco anos, mas ainda choro e sinto demais a sua ausência. Não me conformo, não. Quando bate a saudade, a dor, o medo e a insegurança, eu olho para esse retrato. Esse olhar doce e o sorriso maravilhoso são só uma pista do amor, da generosidade e do calor que ela irradiava.
Meus pais namoraram ao som de Charles Aznavour nos anos 60. Ele tocava "La Bohème" no piano para ela. Depois que a família já estava completa, e eu tinha uns 6 ou 7 anos, nós todos curtíamos "She", da trilha sonora da novela das sete "Corrida do Ouro". Lembra? Então, Mãe, em sua homenagem nesse aniversário, vou tocar She, na versão de Elvis Costello.
Posted by leilac at 5:31 PM | Comments (31)
outubro 5, 2005
Are you a cook or a baker?

A chef inglesa Nigela Lawson
A bonita chef da foto acima, Nigela Lawson, sucesso em livrarias, programas de TV e jornais, costumava dizer que há dois tipos de pessoas na cozinha: aquelas que adoram fazer pratos salgados (cooks), e as que preferem fazer bolos e doces de forno (bakers). Muitas vezes, quem tem imenso talento para um dos tipos de culinária, sente-se extremamente intimidado para tentar o outro. Eu, com certeza, me enquadro na categoria bakers. Não que eu seja uma grande boleira, e raramente me aventuro nessas empreitadas (seria querer engordar), mas geralmente meus bolos e muffins dão certo, e os faço com grande prazer. Talvez porque, desde criança, minha mãe sempre aceitou a ajuda dos filhos na hora de fazer os bolos e doces, mas nos queria fora da cozinha na hora de fazer o almoço e o jantar. Fazer as sobremesas era sempre uma brincadeira em grupo, um acontecimento, premiado com a rapa de massas e recheios e latas de leite condensado, e depois o cheiro delicioso de um bolo assando; já a comida do dia-a-dia era mais um stress, uma obrigação em prol da sobrevivência da família, com óleo respingando, cheiro absolutamente nojento de galinha no vinagre, mãos fedidas de cebola e cortadas de faca. Acho que vem daí o meu pânico de cozinhar.
Voltando à Nigela: ela costumava se considerar uma "cook", porque achava cozinhar um ato mais criativo, pela flexibilidade de poder improvisar e trocar ingredientes, variar o tempo e a temperatura que a mistura fica na panela. Pela falta de prática e costume na infância, ela tinha receio de encarar uma receita de bolo. Até que ela resolveu perder o medo e descobriu como era fácil. Bastava ser bem disciplinada e seguir EXATAMENTE a receita, nas quantidades, ingredientes, tempo e temperatura. Você não pode reduzir o número de ovos ou a quantidade de farinha, do contrário o bolo não dará certo. O prazer e satisfação gourmet nesse processo, então, virá de escolher os melhores ingredientes, no sabor e no aroma. Hoje, Nigela se sente tão confortável como cook quanto como baker, e garante que qualquer um pode topar o desafio de fazer uma torta, com a receita certa.
E você, é um cook, um baker, ou - para me humilhar - os dois?
Posted by leilac at 10:24 AM | Comments (39)
outubro 3, 2005
Um amor igual aos outros, ou melhor

Heath Ledger e Jake Gylenhaal em Brokeback Mountain
Sinceramente me dói ver que tantas pessoas se opõem à legalização do casamento gay. É fantástico o amor e o desejo entre duas pessoas, e não vejo diferença nenhuma na dinâmica dos relacionamentos entre hetero e homossexuais. Já vi casais gays muito mais dedicados e fiéis que outros casais homem/mulher que eu conheço. Se um gay quer ser feliz e ser bom para a pessoa que ama, por que isso ofende tanto, por que isso vai influir na vida de estranhos que sequer os conhecem - mas mesmo assim fazem campanhas ridículas com adesivos e palavras de ordem preconceituosas?
Por isso estou ansiosíssima para ver a repercussão popular de um filme que só estréia em dezembro, mas já levou o prêmio de melhor filme em Veneza e encantou os críticos no último Festival Internacional de Toronto, mês passado: Brokeback Mountain, a história de um peão de fazenda (Heath Ledger) e um cowboy de rodeio fracassado (Jake Gylenhaal) que se encontram no Wyoming em 1963, e passam a viver uma belíssima história de amor que vai sobreviver 20 anos, em segredo, e mesmo depois dos casamentos deles com mulheres. Dirigido por Ang Lee (The Ice Storm, Crouching Tiger/Hidden Dragon), o filme se propõe a fazer o espectador se envolver e acreditar no amor entre duas pessoas, deixando o preconceito de lado. Os belíssimos atores escolhidos para os papéis principais com certeza ajudam, mas estou levando fé também nas opiniões da crítica e no talento do diretor Ang Lee para falar de forma delicada e contundente sobre relacionamentos pessoais. Para o crítico Owen Gleiberman, da Entertainment Weekly, em Brokeback Mountain a relação entre o casal de cowboys é tão bela e profunda que "é como se o amor estivesse ali sendo inventado". Se o filme conquistar o coração também do espectador comum, e quem sabe chegar ao Oscar, poderá converter muitos moviegowers a se tornarem mais tolerantes quanto ao amor homossexual.
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E para continuar nesse clima romântico, estou recomendando o disco novo da Sheryl Crow, Wildflower, que é lindíssimo. Não tem aquelas musiquinhas alto astral comerciais, mas sim uma bela coleção de canções reflexivas e delicadas de uma compositora que chegou à maturidade e sabe falar igualmente bem de amor, depressão, ou o medo de não ter conseguido realizar nenhum dos sonhos do passado. Eu já tinha gostado da música de trabalho nas rádios (Good is Good), mas agora está difícil saber qual a minha favorita entre esta e I Know Why, Perfect Lie e Where Has All the Love Gone. Crow diz que se inspirou muito em George Harrison para fazer esse disco, e você percebe claramente a influência dele nos arranjos de várias músicas. Há ainda uma bonita balada à la Elton John com uma óbvia referência ("butterflies are free to fly"), Always on Your Side. Dá para ouvir trechos das músicas do disco aqui.
Posted by leilac at 3:20 PM | Comments (30)
outubro 2, 2005
Colheita de outono
Posted by leilac at 9:20 AM | Comments (24)