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agosto 31, 2005
Política de Bush agrava desastre do Katrina
O presidente George W. Bush finalmente se mancou e decidiu voltar ao trabalho (dois dias antes do final previsto para suas férias), para fazer um pouco de relações públicas e dar impressão que está liderando a estratégia de emergência para salvar as populações atingidas pelo desastre causado pelo furacão Katrina. Mas fica difícil esconder o fato de que muitas tragédias poderiam ter sido evitadas, se o governo tivesse investido com antecedência num esquema efetivo de evacuação da população mais pobre, e que obviamente dependia totalmente da ajuda do Estado para escapar das suas cidades e obter abrigo adequado. Outro problema grave é que a Guarda Nacional, principal responsável por ajudar populações em caso de desastres naturais, tem boa parte de seus membros atualmente lutando no Iraque. No estado de Louisianna, 35% das tropas da Guarda se encontram no Iraque, enquanto no Alabama, também fortemente atingido pelo furacão e enchentes, o número sobe para 40%.
Não podemos esquecer também - como lembrou a nossa amiga cientista Lucia Malla em uma discussão na nossa lista blog-left - o papel do Global Warming no aumento da força de intempéries no mundo ultimamente. E o governo Bush tem negado todas as evidências científicas sobre isso e se recusado a adotar novas políticas ambientais para reduzir a emissão de gases poluidores, bem como se negado a aderir ao Tratado de Kyoto das Nações Unidas para evitar a mudança de clima global.
UPDATE EM 1/9: Bush deu uma entrevista hoje na ABC (Good Morning America), com uma falsa cara de compungido (aquele jeito dele de fingir consternação com canastrice, quase querendo rir), sobre o que governo está fazendo ou poderia ter feito para combater a emergência na Louisianna e Alabama. Numa demonstração total de cinismo (ou burrice), Bush afirmou que "ninguém esperava que os diques de New Orleans se rompessem". Meu Deus do céu! Até eu já sabia que isso era possível depois de ler um post antigo sobre a cidade no blog do Idelber. Como mostra o Daily Kos, a própria Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA) colocou a inundação de New Orleans como um dos três mais prováveis e maiores desastres que poderiam acontecer nos Estados Unidos (veja neste artigo aqui de 2001), ao lado de um terremoto gigante em San Francisco e um novo ataque terrorista a Nova York. O Governo Clinton criou um programa para reforçar os diques, e também para preservar ecologicamente as wetlands entre New Orleans e o Golfo, a fim de evitar maiores inundações, e o Governo Bush cortou os fundos, cancelou as medidas e promoveu desenvolvimento comercial de construções nas wetlands. Louisianna pediu do governo verbas de $60 milhões para investir no programa de Flood Control esse ano, mas recebeu apenas 10 milhões (esse dinheiro, em termos de construção nos EUA, é puro trocado). Enfim, as evidências são claras.
Posted by leilac at 7:52 AM | Comments (40)
agosto 29, 2005

Ilustração do blog Jesus' General, ironizando recente declaração de Bush sobre sua decisão de ficar de férias fazendo exercícios no rancho, em vez de se preocupar com os mortos no Iraque e falar com Cindy Sheehan.
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DE 2005 PARA 1968
A última coluna da Maureen Dowd (minha colunista favorita no New York Times, junto com o Frank Rich) está supimpa. Como sei que alguns dos leitores aqui não são obrigatoriamente fluentes no inglês, ou não se registraram no New York Times, eu tomo a liberdade de traduzir esse artigo da ruivona. Here it goes:
W. pulou do sofá.Ele não caiu do sofá, como quando ele se engasgou naquele pretzel.
Ele pulou.
De acordo com o UrbanDictionary.com, "jump the couch" (pular do sofá) virou gíria agora para "um momento que define quando a pessoa está no fundo do poço", inspirado no recente comportamento de Tom Cruise no programa da Oprah. Veja também "jump the shark" (pular o tubarão).
O ex-membro da Guarda Nacional americana que várias vezes desapareceu do serviço "pulou o tubarão", ao aparecer de uniforme militar naquele navio diante da faixa "Mission Accomplished". (Com a marra do Tom Cruise de Top Gun.)
Agora, o presidente pulou do sofá ao pedalar de bicicleta ao som dos tiros de agosto - a crescente carnificina e o caos no Iraque e Afeganistão.
Ele até trabalhou por alguns minutos esse mês, telefonando para um líder xiita em Bagdá dias atrás para convencê-lo a chegar a um consenso com os sunitas, para não rachar o Iraque. Mas os xiitas e curdos ignoraram o presidente e escantearam os sunitas. Acaba que o Iraque é justamente o braço do governo americano que os republicanos não conseguem controlar.
W. promoveu um churrasco para a imprensa na última quinta à noite. (Quem dera o presidente tivesse sido grelhado [com perguntas] em vez da carne.) Ele comeu peixe e salada de batata com maionese, junto com repórteres que tiveram que atravessar o acampamento antiguerra da Cindy Sheehan para chegar até a festa à beira da piscina.
Dan Froomkin escreveu no Washington Post que muitos repórteres cercavam Bush, seguindo-o a todo momento como mariposas, toda vez que ele se movia. W conversou sobre esportes e suas filhas gêmeas, ainda ignorando a verdadeira mudança de marcha cultural que está tornando 2005 em 1968.
Como disse o jornalista Dan Harris na ABC quarta-feira passada, o estado de espírito dos americanos hoje está bem diferente do início de 2003, quando as meninas da banda Dixie Chicks foram massacradas por criticarem o presidente logo antes da guerra começar.
O vídeo clipe número 1 na MTV é o anti-guerra do Green Day, "Wake
Me Up When September Ends". No domingo passado, Joan Baez cantou hinos pacíficos em Camp Casey, incluindo "Where Have All the Flowers Gone?" A Liga Nacional de Futebol Americano não cancelou seu patrocínio à turnê dos Rolling Stones, embora o carro-chefe da banda agora seja uma música crítica ao Sr. Bush e à guerra.Gary Hart iniciou seu editorial no Washington Post essa semana com uma citação de uma música anti-guerra do Vietnã, "Waist-deep in the Big Muddy, and the big fool said to push on."
O ex-chefe da campanha anti-guerra do candidato George McGovern em 1972 escreveu: "Nós mexemos num vespeiro. Nós nos enfraquecemos em casa e no resto do mundo. Nós estamos menos seguros hoje do que antes dessa guerra começar. Quem tem coragem de dizer isso agora?"
A ansiedade cresce entre políticos dos dois lados. Mais e mais americanos não querem seguir na política do "stay-the-course" (seguir o curso).
Seria de se imaginar que agora, assistindo ao desastre no Iraque, a turma de Bush teria aprendido algumas lições sobre as conseqüências de se distorcer os fatos para adequá-los à ideologia, e de se punir aqueles que tentam dizer a verdade. Mas eles continuam a se comportar como as meias-irmãs más da Cinderella, que cortam os próprios pés para fazê-los entrar no sapatinho de cristal: estraçalham a realidade para que o conto de fadas aconteça à maneira deles.Eric Lichtblau escreveu no New York Times essa semana que o governo demitiu o respeitadíssimo Lawrence Greenfeld, nomeado pelo Presidente Bush em 2001 para chefiar o Bureau of Justice Statistics, porque ele se recusou a aceitar ordens superiores para deletar de um press release o fato de que motoristas negros e hispânicos são tratados com mais agressividade pela polícia americana do que motoristas brancos, quando ela os ordena a parar na estrada. O estudo do Departamento de Justiça mostrou taxas obviamente mais altas de revistas corporais e uso de força junto a motoristas negros e hispânicos, comparada com os brancos. Temendo que a pesquisa desse munição a membros do Congresso que se opõem ao uso de dados sobre raças e etnias em investigações sobre terrorismo ou crime, os supervisores do Sr. Greenfield enterraram o relatório no website sem qualquer release à imprensa ou notificação aos parlamentares.
A reportagem diz que quando Mr. Greenfeld mandou o esboço do press release para a sua chefe, Tracy Henke - então interina como
assistant attorney general -, a parte sobre o tratamento aos motoristas negros e hispânicos foi riscada com uma anotação: "Precisamos disso?" E em seguida: "Faça as modificações."Assim como Condi Rice, Stephen Hadley, John Bolton e outros que ajudaram a distorcer a realidade para fins políticos, a Sra. Henke foi recompensada pelo presidente. Ela foi nomeada para um alto cargo no Departamento de Homeland Security.
Eu já estou me sentindo mais segura.
(Maureen Dowd em 27 de Agosto de 2005, New York Times)
Posted by leilac at 2:55 PM | Comments (10)
agosto 28, 2005
Blogosfera torce por Oliver
Neste domingo eu fiquei ligada (e continuarei na segunda) num drama que se desenrola na rota do furacão Katrina. O pé quente Idelber está no Brasil, mas Alex Castro recém chegou em New Orleans e já virou homeless, evacuado da cidade que periga ser inundada pelo furacão mais forte que já passou pela região. Alex conseguiu vaga num dos ônibus de sua universidade para sair de New Orleans, mas não pôde levar seu estimado cachorrinho Oliver.
Alex o deixou em casa, com bastante água e comida, torcendo para que o esperto bicho consiga se abrigar bem durante a tempestade. Mas a preocupação é grande, porque dependendo da força do furacão, algumas casas poderão ser destruídas. Pelo menos Alex estará são e salvo; depois de passar por um centro de desabrigados no Mississipi, ele acabou pegando um avião para Detroit, e de lá segue para Nova York, onde ficará hospedado na casa de uma amiga.
Oliver, hang in there!!!
Posted by leilac at 7:12 PM | Comments (19)
agosto 26, 2005
Lake Tahoe
É pra lá que eu vou este fim de semana! Espero que água não esteja muito gelada.
Posted by leilac at 6:49 PM | Comments (20)
agosto 25, 2005
Crying for our babies

Cindy se emociona ao ver uma pintura com o rosto de seu filho Casey
Hoje de manhã, ao assistir num telejornal um casal de pais de um militar morto na guerra do Iraque - mais um belo jovem a ser explodido em pedaços na guerra dos neoco(n)vardes Bush, Cheney, Haliburton & Co -, eu chorei porque, sendo mãe, sei perfeitamente que para aqueles pais, o forte soldado era ainda o mesmo bebê e menino que eles acalentaram. Por coincidência, Cindy Sheehan, a mãe do soldado morto que está acampada em frente ao rancho de Bush pedindo o fim da guerra e exigindo um encontro com o presidente, escreveu o seguinte hoje nos diários do Daily Kos:
Casey não foi sempre o homenzarrão, soldado bravo e forte. Ele já foi o meu lindo e doce bebê uma vez. Quando ele tinha uns dois anos de idade, ele me abraçava pelas pernas, por trás de mim, beijava o meu bumbum e dizia: 'I wuv you mama'.
Essa parte me emocionou bastante, até porque é exatamente o tipo de coisa que o meu filho faz, nessa mesma idade.
Diante dessa tristeza genuína de Cindy Sheehan, sinto ainda mais revolta quando os pundits da direita tentam demonizá-la pessoalmente, no intuito de desviar a atenção do público da mensagem essencial de Sheehan: que as tropas americanas estão se sacrificando por uma guerra que o governo Bush até hoje não sabe justificar de forma convincente para o público. Entre os principais detratores de Sheehan na TV e na blogosfera, está a abominável Michelle Malkin:

Embora seja filha de filipinos numa terra onde asiáticos são vistos com preconceito pelos brancos da direita, Michelle Malkin é conservadora e racista de dar nojo, defendendo, em seu livro, a existência de campos de concentração para os japoneses na Segunda Guerra Mundial, e que algo parecido seja feito com árabes e muçulmanos em geral agora, na guerra contra o terrorismo. Essa defesa escancarada do racismo, em vez de torná-la uma pária, rendeu-lhe um imenso crédito na inacreditavelmente reacionária mídia televisiva americana. Malkin hoje é figurinha fácil na Fox News e outros canais. Se o painel de discussão for sobre Cindy Sheehan, lá estará Malkin fazendo suas caras e bocas enquanto destrói o caráter da mãe de Casey. Mas Malkin é chamada também para defender o ponto de vista republicano em outros assuntos. Em seus chatíssimos blogs, incluindo um só para meter pau nos imigrantes, Michelle e seus colaboradores abordam todos os principais talking points da preferência do governo Bush e da extrema-direita em geral.
Mas a blogosfera americana da esquerda também não perdoa esse tipo de gente, e já criou a Operação Elefante Amarelo, para tentar recrutar os mais proeminentes pundits republicanos para irem combater no Iraque, já que eles são tão gung-ho em apoio à essa guerra, e o Pentágono se preocupa com a falta de voluntários para lutar. Michelle Malkin já recebeu seu convite.
Posted by leilac at 11:59 AM | Comments (24)
agosto 23, 2005
Um patriota

Enquanto Bush fazia o seu discurso para os Veteranos de Guerras no Estrangeiro, o ex-combatente Bill Moyers, 73 anos, fazia esse hilário protesto usando um "bullshit protector" para poupar seus ouvidos. Parabéns pela coragem de mostrar dissenso na cara de um presidente que não está acostumado a falar para platéias que não sejam meras claques, sempre peneiradas pelo governo. Durante esse discurso, Bush comparou sua "guerra ao terror" à magnitude e importância das duas guerras mundiais. Acho que Bill Moyers não engoliu essa.
Posted by leilac at 3:00 PM | Comments (21)
Pior que Nixon
George W. Bush agora é oficialmente o presidente mais impopular da História americana (pelo menos desde que são feitas pesquisas de opinião). Segundo o American Research Group, a aprovação de Bush despencou em um mês, de 42% para pífios 36%. O número de eleitores que desaprovam Bush subiu de 52% em julho, para 58% na medição de agosto. A aprovação de apenas 36% do eleitorado é ainda pior do que a de Richard Nixon em pleno escândalo de Watergate, no verão de 1973 (39% segundo o Instituto Gallup).
Interessante notar que essa pesquisa foi acompanhada de perguntas apenas sobre a economia interna. Os americanos não estão vendo melhoras em sua situação financeira e social, e também reagiram mal ao plano de privatização da Seguridade Social proposto pelo Governo. Mas claro que o clusterfuck do Iraque também influencia o aumento crescente na rejeição a Dubya. É o efeito Cindy Sheehan.
Até nas alas conservadoras, já começam a haver defecções. Este senhor aqui se revolta com o fato de que os EUA acabaram promovendo a tomada do poder por religiosos islâmicos no Iraque. Enquanto isso, gente simples do povo se exaspera com as diárias notícias de soldados voltando para casa dentro de caixões. Hoje mesmo vi no telejornal local a carinha de um rapaz lindo de 22 anos, soldado do Exército, que morava num bairro aqui perto, e morreu num roadside bombing este domingo.
Enquanto isso, outro republicano que tem despencado nas pesquisas de opinião, o governador do meu estado, Arnold Schwarzenegger, está apelando para tentar retomar alguma popularidade. Schwarzie, que irritou os californianos ao tentar atacar grupos como os policiais, bombeiros, professores e enfermeiras há alguns meses, também se viu às voltas com uma situação irregular para um governador de Estado. Ele estava recebendo U$ 1 milhão por ano como "editor" e colunista de duas revistas de fitness, num contrato que ele rescindiu mês passado, depois que o conflito de interesses veio à tona. Curiosamente, a mesma editora que publica essa revista, assinou um contrato de confidencialidade com uma mulher, Gigi Goyette, que dizia ter mantido um caso de 7 anos com Schwarzenegger, quando ele já era casado com Maria Shriver. A editora prometeu a Goyette publicar um livro com as memórias dela, pagou uma grana à moça para que ela jamais contasse a história a nenhum tablóide ou publicação, mas ela acabou a ver navios. Percebendo que tinha sido ludibriada e que o dinheiro tinha sido apenas um "cala-boca", Goyette contou a história à imprensa semana passada, mas o caso não foi muito divulgado. Vivendo tamanho inferno astral, Schwarzenegger resolveu recorrer a um dos poucos artifícios que tem para obter simpatia junto ao público, que é aparecendo como ator. Desta vez, ele está fazendo junto com Danny DeVito o mesmo papel deles no filme Twins, no comercial que aparece todo dia na TV sobre a California State Fair (evento de verão anual aqui em Sacramento). O tema da feira este ano é praia, e os dois atores aparecem na areia com ridículas camisas havaianas.
Posted by leilac at 7:56 AM | Comments (13)
agosto 20, 2005
Quando o Police veio ao Brasil em 82

Éramos uma turma de adolescentes entre 13 e 20 anos, amigos que moravam na mesma rua do Flamengo, bairro classe média da zona sul do Rio de Janeiro. Eu namorava o Zé Augusto, um gato estilo alternativo, de 19 anos, cabelos pretos ondulados, sempre calçando um tênis All Star cano alto, cor de vinho e meio rasgado. Era uma época simples, em que o mero fato de estarmos juntos com nossos amigos, batendo papo na calçada até o final da noite, já era felicidade absoluta. Eu ainda não tinha completado 14 anos, e tentava absorver o máximo que podia dos papos sobre política iniciados pelos garotos mais velhos, e pelo menos quando o assunto era música eu me sentia um pouco mais segura. Naquela época ouvíamos muita MPB, mas também éramos fãs de clássicos como Pink Floyd, Bob Marley, Rolling Stones, Beatles e The Who.
Algumas coisas que vi recentemente na blogosfera me levaram a essa viagem no tempo. O avatar (foto) do Gugala nas caixas de comentários do blog do Pecus me lembrou pra caramba do jeitinho dos meus amigos da época. Ele me disse que a foto era de 1981 - só podia ser. Depois, a Marília postou um trecho lindo da letra de So Lonely do Police. Então eu me lembrei que o único show do Police no Brasil, em fevereiro de 1982, no Maracanãzinho do Rio de Janeiro, foi o primeiro concerto de rock que eu assisti na vida, justamente com aquela turma de amigos. A maneira como a gente conseguiu entrar no show foi bastante peculiar.
O pai das nossas amigas Ana Paula e Ana Lúcia trabalhava com catering para uma empresa de eventos. Essa empresa é que estava trazendo o Police para o Brasil. Na época, o Police ainda era pouco conhecido no país, a única música deles que tocava nas rádios brasileiras era De Do Do Do De Da Da Da, que a gente achava meio babaca. Mas quando o pai das Anas ofereceu levar toda a nossa turma para entrar no show de graça, dentro da Kombi que ele usava para transportar os alimentos, é óbvio que a gente não iria perder uma oportunidade dessas. Era raríssimo naquela época uma banda internacional vir tocar no Brasil, a não ser que já estivesse em franca decadência. Então, aproveitar para ver um grupo que mal ou bem estava estourando aqui e no exterior, e ainda por cima sem pagar nada, era absolutamente imperioso.
Só o trajeto do Flamengo ao Maracanãzinho, com a gente sentado no chão da Kombi, sacolejando nos buracos de rua e quase caindo nas curvas, já foi uma aventura e tanto. Chegando lá, o pai das meninas conseguiu nos colocar com facilidade para dentro, e para nossa surpresa o Maracanãzinho não estava nem perto de lotar, ainda havia lugares disponíveis nas cadeiras de pistas, e foi onde ficamos, praticamente NA CARA do Sting, Copeland e Summers. Aí é que veio a nossa surpresa. Descobrimos que todas as outras músicas da banda eram excelentes e melhores que a atual música de trabalho. Que o Sting era gatésimo e comandava a participação da platéia, que pulava e repetia seu “Yo Yo Yo Yo… Yo Ye… Ye Yo….Ye Ye Ye Ye…” Cacete, foi bom demais. Lavei a alma, já no primeiro show de rock da minha vida, junto aos amigos mais especiais. Passei a amar o Police, e gosto deles até hoje. Fiquei pau da vida quando eles se separaram, pouco depois, porque a carreira solo do Sting é muito insossa em comparação com o excitement do som do Police.
Para quem não pôde estar lá, ou para quem quer lembrar, eis o set list com as músicas daquele show: Voices Inside My Head - Message In A Bottle - Every Little Thing She Does Is Magic - Spirits In The Material World - Hungry For You - When The World Is Running Down - The Bed's Too Big Without You - De Do Do Do De Da Da Da - Demolition Man - Shadows In The Rain - Walking On The Moon - Bring On The Night -One World - Invisible Sun - Roxanne - Don't Stand So Close To Me - Can't Stand Losing You/ Be My Girl - So Lonely
Como entramos de penetra, obviamente que o ingresso da foto não era meu. Achei numa pesquisa do Google, mais precisamente nesta página, de outro carioca que também nunca esqueceu o show. Reparou que o preço era dois mil cruzeiros? Isso foi antes do Plano Cruzado, gente, antes das merrecas novas, narjaras turettas, cruzeiros (de novo) e reais. Meninos, eu vi.
Posted by leilac at 2:54 PM | Comments (31)
agosto 19, 2005
Pra descontrair neste sábado

Hoje à noite, quando vocês estiverem se preparando para sair e paquerar, ou dar uma namoradinha nos seus significant others, pensem neste quadrinho acima.
A Denise Arcoverde tem feito uma série de belos posts como esse, para incentivar a auto-estima feminina e combater os estereótipos sobre as mulheres mais velhas. Se você ainda não leu, vá correndo.
Posted by leilac at 10:14 AM | Comments (19)
agosto 18, 2005
Que blogada mais linda
Emocionante, haunting, esse post da Renatinha, que eu faço questão de traduzir e repassar para vocês. Ela é brasileira-israelense, jornalista, correspondente do Globo em Jerusalém, e escreve direto de Neve Dekalim, assentamento de onde os israelenses estão se retirando de Gaza, e onde há resistência. Não importa a opinião que você tenha sobre esse conflito, o belíssimo post de Renata é uma prova do poder dos blogs de disseminar informações exclusivas, num ponto de vista muito mais íntimo e tocante do que as matérias de jornais. Vamos a ele:
Quarta-feira, 17 de Agosto de 2005Com licença, quem é você?
Fui dormir ontem às quatro da manhã, imaginando se as forças de segurança estariam prestes a entrar na sinagoga de Neve Dekalim, onde centenas de jovens clandestinos estavam se juntando para escapar de serem presos. Acordei às nove e meia da manhã. Todos os meus colegas jornalistas já tinham saído, porque as transmissões de TV começariam às seis. Eu estava sozinha na casa deitada no meu saco de dormir, quando senti alguém tentando me acordar. Quatro soldados estavam na sala, perguntando quem eu era. Surpresa, respondi que 25 jornalistas estavam morando naquela casa. Eles me pediram para checar os quartos, pediram pelo meu crachá de imprensa e depois foram embora. Assim que começou o meu dia!
Nesse momento, acho que já se pode dizer que a maioria das famílias já foram evacuadas do maior assentamento de Gaza. A tensão de ontem, quando colonos e policiais se confrontaram nas ruas, desapareceu. Hoje, os sentimentos das pessoas começaram a transbordar. Nada de violência, mas alguns gritos e muitas, muitas lágrimas. Admito que eu mesma chorei. Talvez seja o resultado de quatro dias sob um calor de 40 graus, quase sem dormir e sem comer, e muita pressão. Toneladas de pressão. Fui para o sul do assentamento, onde centenas de pessoas se sentaram nas ruas e começaram a cantar e orar. Por um momento, eu me descontrolei. Sou humana, me desculpe. Quando ouvi as típicas canções sionistas, como "Eli, Eli" de Raquel, meus olhos se encheram de lágrimas. Sentei-me, bebi água e me acalmei. Tudo sob controle. Passou. Não é fácil administrar as nossas emoções aqui. Continuei a trabalhar. Conversei com as pessoas. A hostilidade se rompeu e a tristeza encontrou o seu lugar nos corações dos colonos.
As pessoas lutaram quando policiais chegaram para colocá-las nos ônibus. Resistência. Desesperada, mas não violenta. A coisa mais bonita era a solidariedade de policiais e soldados, que se sentaram sob o sol escaldante junto com os colonos e seguraram suas mãos, cantando junto com eles. As pessoas estão tentando sempre desesperadamente se lembrar que, embora elas não concordem sobre o desengajamento e política em geral, nós somos ainda um só povo. O povo judeu não vai ser dividido.
Não sei dizer o que está acontecendo nos outros assentamentos, é difícil ter uma visão global dos acontecimentos quando se está em campo.
Agora está havendo um intervalo. O centro de Neve Dekalim parece uma cidade fantasma. Estão gritando em alto-falantes convocando soldados e policiais para uma reunião na sinagoga central para daqui a uma hora. Muito para escrever. Mas o tempo é curto. A única coisa certa é que nunca vai se escapar das cenas que vimos aqui. Nem os colonos, nem as forças de segurança, nem nós, jornalistas.
Posted by leilac at 9:42 AM | Comments (44)
agosto 16, 2005
Do blog para os palcos
Um dos mais engraçados mega-blogs políticos americanos é o Rude Pundit. O autor, Lee Papa, diz que está "orgulhosamente baixando o nível do discurso político" e usa palavrões fortes até mesmo para se referir ao presidente americano, como nesse post sobre a postura de Bush diante da mãe do soldado morto acampada em seu rancho do Texas. Percebendo o sucesso de público de seu blog, que ainda não fez dois anos, Lee Papa - antes um blogueiro anônimo - resolveu levar seu comentário político para os palcos. Estreou semana passada no New York Fringe Festival, num espaço pequeno no Bowery, o seu monólogo "The Rude Pundit in the Year of Living Rudely", que será apresentado em breve em outros teatros do país. A crítica do New York Times foi em grande parte favorável, comparando-o a Lenny Bruce, Richard Pryor and Hunter S. Thompson, mas ressalva que Lee Papa ainda é melhor blogueiro do que ator. Embora o texto fosse excelente (para quem não liga de ouvir obscenidades a cada frase), e as projeções no fundo do palco bem engraçadas, falta treinamento de interpretação para o Rude Pundit. Bem, talvez fosse apenas nervosismo de estréia.
Então fiquei pensando na blogosfera brasileira e tentando imaginar quem teria coragem de levar seu ato bloguístico para a ribalta. Como muitos de nós são um bando de bichos-do-mato que só têm coragem de sair da casca através da escrita, poucos nomes me vieram à cabeça. Biajoni? Alex Castro? A leonina Denise Arcoverde? A Fal, que pelo que disseram foi o grande "su" do salão de BH?
Posted by leilac at 2:23 PM | Comments (23)
agosto 15, 2005
Mãe e jornalista em Gaza
Adorei essa dica da Ana Maria Gonçalves, escritora e ex-blogueira pioneira (Udigrudi), recomendando o blog Raising Yousuf: Diary of a Mother Under Occupation, da jornalista palestina Laila El-Haddad. Minha xará escreve em inglês e fala do seu cotidiano, misturando política e baby blogging. Claro que seu ponto de vista é pró-Palestina, e ela diz algumas coisas que podem contrariar leitores pró-Israel (eu sinceramente acho que ambas as partes têm seu lado certo neste conflito, não consigo escolher ou torcer por uma só). Mas especialmente nesse dia tão importante, em que Israel teve a nobreza de iniciar a retirada dos seus colonos da Faixa de Gaza, vale a pena ouvir a narrativa dos fatos em primeira mão por uma mulher super interessante e que vive essa História na pele. Para um ponto de vista diferente e não menos fascinante, indico a leitura do blog Balagan, da brasileira-israelense Renatinha (Rinat), que também é jornalista, vive em Jerusalém e está sempre por dentro da política de Israel.
Posted by leilac at 9:43 AM | Comments (20)
agosto 13, 2005
Visitante ilustre
Deixando a tinta dos cartazes secar antes de ir pendurá-los nos
overpasses das rodovias...
Ontem à noite recebi o Freeway Blogger EM PESSOA na minha casa! How cool is that? Vários cartazes com mensagens anti-guerra e anti-Bush foram confeccionados na nossa garagem, para depois serem expostos em freeways aqui de Sacramento. Ontem, o nosso amigo mereceu uma matéria super legal no jornal inglês The Independent.
Posted by leilac at 7:09 AM | Comments (18)
agosto 10, 2005
Mãe protesta acampando no rancho de Bush
Uma corajosa mulher de 48 anos, Cindy Sheehan, que mora aqui pertinho, na cidade de Vacaville, California, transformou-se num símbolo de coragem ao fazer um desafio direto a George W. Bush, para que ele tente justificar a guerra do Iraque e tratar com a dignidade merecida as famílias dos mortos que se sacrificaram no absurdo conflito. O filho dela, Casey, de 24 anos, mecânico do Exército, morreu em abril do ano passado no Iraque, atingindo por granadas dos insurgentes. Dois meses depois, ela e outras 15 famílias de soldados mortos foram recebidos na Casa Branca, e a postura do presidente Bush no encontro deixou Cindy profundamente revoltada. Ele parecia tratar o evento como uma festa, mais uma photo-op, entrando na sala onde as famílias o esperavam dizendo: "Alrighty, who are we honorin' here today?" Cindy tentou falar de Casey e mostrar uma foto dele para o presidente, mas Bush nem quis olhar e desviou do assunto.
Cindy canalizou a sua indignação e tristeza criando o grupo anti-guerra chamado Gold Star Families for Peace, reunindo outros familiares de soldados mortos que exigem a retirada imediata das tropas. No sábado, Cindy aportou no Texas e resolveu acampar na frente do rancho de Bush, em Crawford, e diz que não sai de lá enquanto Dubya não vier falar com ela pessoalmente. "Eu quero perguntar ao presidente por que ele matou o meu filho. Ele diz que meu filho e os outros morreram por uma causa nobre, e eu quero saber que causa é essa." Até agora, Bush não se dignou a ir falar com ela, segue sua rotina de duas horas de malhação diária em sua fazenda como se não tivesse nada mais de urgente a fazer ou satisfações a dever. Mandou como representante para conversar com Cindy um assessor de Segurança Nacional. Mas Cindy não deixou o seu posto - nada pode deter uma mãe que teve o filho arrancado de seus braços e assassinado.
A sempre brilhante colunista Maureen Dowd, do New York Times, escreveu hoje essa coluna, mencionando até a nova música dos Rolling Stones para Bush, "Sweet Neo Con", em que a letra diz: "You call yourself a Christian/I call you a hypocrite". Dowd aponta que Bush, que já passou 20% da sua presidência de férias nesse rancho, sempre evita encontros com qualquer parte que discorde dele. Suas aparições públicas são sempre para convidados partidários, até mesmo nas suas campanhas presidenciais. Assim, ele nunca precisou defender suas ações para ninguém. Mas está ficando cada vez mais difícil para o presidente fugir das conseqüências humanas dessa guerra, que já matou mais de 1800 americanos, fora o número bem maior que esse de iraquianos, enquanto a verdadeira razão para o país buscar o conflito permanece nebulosa para a opinião pública. Numa pesquisa publicada pela Newsweek domingo, 64% dos americanos dizem que a guerra não ajudou a melhorar a segurança do país, e 61% desaprovam a maneira como o Governo Bush está administrando o conflito.
Posted by leilac at 9:49 AM | Comments (54)
agosto 9, 2005
Só em San Francisco...
Numa área rica como Sausalito, do outro lado da Golden Gate de San Francisco, a Polícia realmente não tem muitos crimes para resolver. Então, um dos casos mais comentados do momento é o do misterioso nadador nu, que sempre é avistado, nas últimas semanas, por volta de 3 da tarde, pelos clientes e garçons de um sofisticado restaurante à beira da Baía. Pelos relatos das testemunhas, o homem parece sempre fazer um movimento estratégico e virar o corpo para cima (nadando de costas) na hora que passa bem em frente ao restaurante, fazendo alguns comensais engasgarem com suas ostras ou clam chowders, diante da nauseante visão. O nadador nu também já foi avistado em outros pontos próximos, como a marina de Schoonmaker Point. A Polícia tem tentado apanhar o nudista em flagrante, mas ainda não teve sucesso. Os empregados do restaurante dizem que o homem tem cabelos bem compridos e bigode. Por isso, a princípio pensaram até que se tratava de uma mulher, mas foi na hora em que ele se virou que perceberam o sexo masculino do naturista. Para o chefe de Polícia de Sausalito, Scott Paulin, a preocupação não é apenas com a indecência, mas também quanto à segurança do próprio nadador. Afinal, o tráfego de embarcações lá é grande, e quem já esteve no norte da California sabe como a água aqui é gelada -- dificilmente se entra no mar sem roupa de borracha. Estou desconfiada que o tal nudista é algum remanescente da era hippie de San Francisco que entrou numa viagem de ácido e não saiu até hoje.
Posted by leilac at 12:33 PM | Comments (16)
agosto 8, 2005
A música do ano
Há muito tempo eu não ouvia uma música nas rádios americanas que remotamente me emocionasse. Mas a nova do Green Day, Wake me up when September ends, me agarrou pelo pescoço e me revirou do avesso. Lá pela segunda parte da música, quando a guitarra entra com mais peso, eu já estava às lágrimas. O líder da banda escreveu a canção pensando na morte do pai dele. A letra e a melodia passam a revolta, incredulidade e tristeza de se perder alguém.
Esta semana, o vídeo de Wake me Up estréia na MTV e VH1, e hoje está sendo exibido em primeira mão na AOL Music. O curioso é que, na hora de criar o vídeo, o tema mudou completamente. A história contada é a de um casal de jovens apaixonados, que se separa quando o rapaz vai lutar na guerra do Iraque. O clip tem cenas fortes, de soldados americanos morrendo. Provavelmente pensaram que seria uma abordagem mais atual e que teria mais eco junto à juventude americana. Não duvido que esse vídeo chegue ao primeiro lugar fácil. Você pode conferir o clip ou simplesmente escutar a música aqui.
Posted by leilac at 9:08 AM | Comments (22)
agosto 6, 2005

Troll: você ainda vai ter o seu.
Posted by leilac at 7:09 AM | Comments (35)
agosto 4, 2005
Tá explicado
Um dos melhores e mais lúcidos cartunistas americanos é o Tom Tomorrow. Neste recente quadrinho abaixo, ele se refere ao filme Groundhog Day (aquele em que Bill Murray acorda no mesmo dia mais de mil vezes e tem sempre que começar tudo de novo) para tentar explicar o porquê de o público americano não reagir apesar de anos e volumes de notícias que comprovam os desmandos do governo Bush e o absurdo da guerra no Iraque.
Posted by leilac at 10:45 AM | Comments (30)
agosto 3, 2005
Os melhores mugshots
O site The Smoking Gun tem uma divertida coleção de mugshots (aquelas fotografias tiradas pela polícia quando a pessoa é presa), que inclui atores, atletas famosos, personagens históricos e até anônimos que valem a pena ser vistos pela bizarrice das fotos. No topo de cada imagem, a explicação sobre as circunstâncias da prisão. Legal ver como algumas celebridades mantém um ar cool e debochado, e outras não disfarçam o sentimento de vexame, enquanto há aquelas que revelam o grau de álcool ou drogas consumido. Há uns que estão quase tão bonitos quanto no cinema ou TV, e outros que provam ser horrendos sem maquiagem e escova no cabelo. Reproduzo abaixo algumas das minhas preferidas:
Posted by leilac at 12:11 PM | Comments (18)
agosto 1, 2005
Animal americano na ONU

Bolton e Bush, dois exemplares da espécie dufus americanus
Há cinco meses, o preznit George W. Bush decidiu nomear o republicano reacionário e horrendo John Bolton (foto, parecendo um leão marinho velho) para embaixador americano nas Nações Unidas. O problema é que o cara já tinha se manifestado diversas vezes como ferrenho opositor da própria existência da ONU. Não bastasse isso, em sua carreira pública, segundo as investigações promovidas pelo Senado, Bolton era visto como um bully, grosseiro e intempestivo, que ameaçava e demitia quem não concordasse com ele, e capaz de distorcer inteligência e informações quando os relatórios não se encaixavam com sua agenda republicana. Ou seja, talento e ética zero para a diplomacia ou mesmo para ocupar qualquer cargo de gerência. Por causa desse perfil lamentável, até mesmo alguns republicanos no Senado têm se colocado contra a confirmação de Bolton para ONU, durante todo esse tempo. Mas Bush, alegando urgência, aproveitou-se de uma brecha na lei para nomear Bolton para as Nações Unidas durante o recesso do Congresso. Democratas e republicanos contrários à nomeação consideram um erro de Bush bypassar o Senado e insistir no nome de Bolton, que já chegará à ONU sem credibilidade para o cargo. No entanto, o secretário-geral Kofi Annan, como bom diplomata, diz que Bolton será bem recebido assim como todos os demais embaixadores da Organização. "Mas um embaixador precisa lembrar que sempre terá que convencer os demais 190, ou pelo menos a ampla maioria dos embaixadores, para que uma ação seja tomada." O brasileiro Ronaldo Sardenberg, atual membro do Conselho de Segurança da ONU, também prefere conciliar: "Não vamos prejulgá-lo. A tendência aqui na ONU é de nós trabalharmos uns com os outros. É essa a nossa expectativa"
Posted by leilac at 4:49 PM | Comments (22)