Recently in resenhas Category

professordebotanica

Um homem em busca de um passado que não viveu e de um futuro breve porém brilhante. Vocês já leram isso muitas vezes. Entre outros autores, os alemães Patrick Süskind e Thomas Bernhard escreveram narrativas densas e tristes a respeito (o tragicômico O Contrabaixo, de Süskind, e o fúnebre Extinção, de Bernhard, são bons exemplos disso).

No Brasil, acaba de ser lançado um romance que, sem imitar os alemães, segue no mesmo tom: é O Professor de Botânica, de Samir Machado de Machado (Não Editora).

O livro quase lembra Thomas Bernhard, com a diferença fundamental da juventude. Bernhard era irônico, cínico e cruel (até consigo mesmo). Samir não consegue (e isso é bom): ele é jovem, tem a maturidade "além de seus anos", como alguém já disse, mas o frescor de sua escrita não dá margem aos sofrimentos (fake ou não) tão comuns à sua geração, que começou em blogs e se agarrou desesperadamente a uma tentativa (vã) de se tornarem grandes escritores falando apenas do que sabiam, como mandavam Hemingway e Faulkner (e Bukowski e Fante obedeciam). A diferença é que esses jovens escritores não tinham a maturidade e a experiência nem de Bukowski nem de Fante (e muito menos de Hemingway ou Faulkner).

Samir também não tem. Mas O Professor de Botânica não trata de jovens que bebem, se drogam, fazem sexo e vivem noites vazias que Walter Hugo Khoury já havia explorado muito melhor num (ótimo) filme de quarenta anos atrás. O Professor... é uma extrapolação para o futuro: Samir olha para a velhice e suas conseqüências.

O protagonista é Eduardo Rotgeller, um professor universitário na casa dos sessenta anos, viúvo e sem filhos, e que só tem suas flores e sua cadeira na universidade como referência de vida. Uma referência que pode estar prestes a acabar por causa de manobras políticas dentro da universidade, e da intrusão de uma nova figura no jogo acadêmico: o mais jovem e politicamente bem-relacionado Rogério Mourão (nenhuma relação com o famoso astrônomo carioca).

A única pessoa que o acompanha (mas não o entende) é seu bolsista Guilherme, abertamente inspirado no amigo e sócio de Samir, Guilherme Smee. Guilherme não narra o livro, mas é através de suas observações mentais que ficamos sabendo como o mundo vê Rotgeller - e não é com bons olhos.

No entanto, a vida segue para os dois e para o resto do mundo. E numa dessas viradas que o mundo acadêmico dá (e quem o habita sabe), Rotgeller é obrigado a dividir uma pesquisa com Mourão - pesquisa essa que ele vem fazendo há anos, e que tem certeza de que o acadêmico mais jovem plagiou, embora não possa prová-lo. Juntos, os dois (com seus respectivos bolsistas, Guilherme e uma garota cujo nome não sabemos) viajam até uma reserva florestal no interior do Rio Grande do Sul, onde coletarão plantas para a pesquisa. E lá, entre vegetação densa (a descrição do território da floresta onde Rotgeller e seus companheiros penetram é precisa e seca - e por isso mesmo mais perigosa) e uma chuva súbita e violenta, Rotgeller e Mourão confrontarão um ao outro.
O Professor de Botânica adentra pouco o território do estereótipo - é difícil trabalhar um personagem muito mais velho, com um histórico diferente. Mas não é este o objetivo da ficção? Sair de você e buscar um outro?

É o que Samir faz com seu protagonista. Ao contrário de Flaubert com sua Madame Bovary, Eduardo Rotgeller não é Samir Machado. Mas um ponto que não foi totalmente solucionado está nos diálogos, que em vários momentos soam artificiais, principalmente no começo. Mas, no decorrer da narrativa, no calor dos acontecimentos, Samir vai se soltando, dando às personagens suas devidas vozes, e eles tomam as rédeas.
Até chegar a um dos momentos mais memoráveis do livro, a frase que Rotgeller profere no confronto entre Rotgeller e sua nêmese, o professor Mourão:

"Eu tenho exata noção da minha mediocridade."


Essa frase é o ponto de convergência de todos os conflitos que se assumem como tais a partir daí, mudando o ritmo do romance a uma velocidade vertiginosa, ou tão vertiginosa quanto a densidade daquele trecho de Mata Atlântica permite. Rotgeller tem a exata noção de sua mediocridade, e é isso o que o motiva a um último gesto dentro da reserva, um gesto que não o redime da tragédia que virá em seguida.

O Professor de Botânica é um romance de estréia que se lê de uma sentada - até porque não resta alternativa para o leitor, que se percebe tão emaranhado nas lianas e raízes da narrativa como as personagens que se perdem na reserva florestal. Samir é um escritor que prende a atenção, e só isso é motivo de sobra para se prestar atenção nele no futuro.

A notícia já tem um tempo, mas só agora o amigo e editor Rodrigo Gurgel me deu a confirmação definitiva: por motivos orçamentários, o Le Monde Diplomatique Brasil fez um "passaralho" (para os neófitos: jargão da área jornalística para demissão em massa) na redação. O principal prejudicado (depois, claro, dos coleguinhas postos na rua) foi o suplemento literário Palavra.

Foi quase um ano inteiro publicando artigos e resenhas nesse caderno. O primeiro, em duas partes (aqui e aqui), foi sobre a ficção científica brasileira.

Além desses dois, foram no total sete resenhas e um conto inédito. A lista, com os links, vocês podem ver abaixo:


A entrevista que não acaba - Uma resenha do livro Conversas com Woody Allen, de Eric Lax.

O passado dói - Uma resenha do livro O passado, de Alan Pauls.

Um mapa dos corações humanos (de São Paulo e do Brasil) - Uma resenha de O Livro Amarelo do Terminal, de Vanessa Bárbara.

Quando o labirinto é o mundo - Uma resenha de Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago.

Um portal de papel - Uma resenha da revista/portal-de-papel colaborativo Solaris.

A Defesa Lujin - ou a precisão do texto - Uma resenha de A Defesa Lujin, de Vladimir Nabokov.

O grande concerto - Um conto de minha autoria, até então inédito.

Um presidente negro que a história esqueceu - Uma resenha de O Presidente Negro, de Monteiro Lobato.


Infelizmente, a revista acabou quando ainda havia uma série de artigos (e uma entrevista) a serem publicados. Rodrigo batalhou bravamente uma nova casa para os articulistas, mas a crise econômica mundial teve reflexos sobre as redações de jornal, sejam físicas ou virtuais, e não houve como retomar os trabalhos em outra revista ou jornal. Meus agradecimentos ao Rodrigo pelo excelente papel como editor durante todo o seu tempo à frente do Palavra.

Os próximos textos de minha autoria do Palavra serão publicados, portanto, aqui. Aguardem em breve, resenhas de Dostoiévski, Carlos Ruiz Zafón, Roberto Bolaño e P. D. Smith (este último, com uma entrevista exclusiva). O primeiro texto, que será postado ainda hoje, é uma resenha de O Professor de Botânica, de Samir Machado de Machado. Vocês não perdem por esperar.

areia-nos-dentes


Como dizia Freud, às vezes um charuto é apenas um charuto. Isso, claro, não precisa ser levado sempre ao pé da letra: o livro de estréia de Antônio Xerxenesky, Areia nos Dentes, não é apenas um charuto. Como também não é um cachimbo, aliás (a escolha de logomarca da Não Editora foi pra lá de metalinguística).

No evento Invisibilidades, promovido pelo Instituto Itaú Cultural no ano passado, o escritor Octavio Aragão levantou a possibilidade (para Octavio uma certeza) de que Areia nos Dentes era ficção científica: afinal, tinha zumbis - que, ao contrário do que pensam os insignes frequentadores de cinema, não são criação de filmes de horror, mas sim da ficção científica; os zumbis modernos (não estamos falando aqui da tradição do folclore haitiano, pesquisada por Wade Davis e publicado em seu hoje clássico A Serpente e o Arco-Iris, que virou um bom filme dirigido por Wes Craven em 1988) são criaturas da paranóia nuclear, fruto de mutações geradas pela radiação das bombas atômicas, ou, como na série de games e de filmes Resident Evil, por um vírus (o livro Eu Sou a Lenda, de Richard Matheson, também trata disso - esqueçam a péssima versão para o cinema estrelada por Will Smith).

Octavio aceitou o livro como ele veio - como uma narrativa passada no Velho Oeste (no caso específico, a fronteira dos EUA com o México, em fins do século 19), envolvendo amor, morte, tiros e zumbis. Não que ele não tenha podido ou querido ler algo mais nessa narrativa; ele simplesmente fez a leitura mais evidente e mais impactante de Areia... - que é necessariamente a primeira leitura que se faz de um livro. E a leitura que mais lhe agradou.

Em sua entrevista para o Pós-Estranho, Xerxenesky nega: para ele, um charuto nem sempre é apenas um charuto. Areia... é mais do que isso, aliás, Areia... nem é isso:

Seria minha história um faroeste com zumbis? Duvido muito. Claro que tem esses elementos aos montes, claro que trabalha com toda essa carga cultural que me inspirou desde a adolescência, mas a verdade é que uso o termo "faroeste com zumbis" mais como método de despertar o interesse do leitor. Sempre acho que escrevi um romance sobre o ato de escrever, sobre como a literatura não pode corrigir ou alterar a realidade, mas como ela é uma boa maneira de aliviar o seu peso.

Peço licença para discordar.

É claro que Areia nos Dentes pode ter diversas leituras. Ele pode ser lido como a busca do pai, ele pode ser lido como uma experiência formal inovadora para os padrões brasileiros, tão acostumados à falta de storytelling e a uma estrutura narrativa mais próxima da literatura francesa e sua tradição de contes philosophiques, muito mais interessados na forma como a situação e o sentimento dos personagens se desenrolam do que na história propriamente dita, muitas vezes considerada secundária ou até mesmo um obstáculo indesejável (com as honrosas exceções de Raymond Queneau, Georges Perec e o grupo OuLiPo, que buscou e conseguiu um equilíbrio entre forma e conteúdo, e das novissimas gerações, representadas por Michel Houllebecq).

E pode também ser lido como um western com zumbis.

Isso não é absolutamente nenhum demérito para Areia nos Dentes nem para Antônio Xerxenesky, pelo contrário. Xerxenesky parece seguir, voluntariamente ou não, os passos de um grande escritor gaúcho que não tinha medo da narrativa: Érico Veríssimo. Em sua saga O Tempo e o Vento, Veríssimo explora a história do Sul do Brasil ao longo de séculos, numa narrativa mais influenciada pelas sagas épicas anglo-americanas que pela textualidade francesa, então em voga no Brasil.

O próprio Xerxenesky assume essa ligação com a narratividade contemporânea ligada aos EUA:

Somente depois de ler Cormac McCarthy que vi que era possível uma literatura que rompesse a obviedade e as limitações de trabalhar-se com o gênero faroeste. A mescla com o horror (no caso, os filmes de zumbis) também veio por meio dessas paixões naturais.

Então percebemos que um charuto é um charuto - além de ser também muito mais que um charuto.

Leiam Areia nos Dentes sem medo de enfrentar uma narrativa intelectualizada ao extremo. Xerxenesky é um intelectual de primeira água, mas está muito longe de ser chato, tanto pessoalmente quanto em seus escritos (aliás, faríamos muito bem se abandonássemos de vez essa visão preconceituosa do intelectual-como-chato e do papo-cabeça-como-algo-incompreensível. Não é nada disso, meus leitores e leitoras, não é por aí que a banda toca). Xerxenesky segue, ainda que apenas em parte, a estratégia narrativa de Ricardo Piglia: conta uma história na superfície e outra no fundo. Embora ele pareça gostar mais da narrativa de fundo (e é um direito dele como criador, foi o que o motivou), os leitores poderão perfeitamente se identificar com a narrativa da superfície (que não é superficial, prestem bem atenção). E se divertir com um livro que entretém sem ser raso. E que faz pensar sem ser didático.

Mas o mais importante mesmo (e, para mim, a principal razão pela qual vocês devem ler este livro correndo) é que Areia nos Dentes é um livro bom. Um livro bem escrito. Um livro que respeita a inteligência do leitor. Um livro que atesta a inteligência de seu autor.

Xerxenesky está apenas no começo: há muito que ler, muito que conhecer, muita estrada para percorrer. Mas que começo brilhante.

hibridos_david_thorpe


Quando recebi esse livro, confesso que não sabia o que esperar. Não conhecia David Thorpe. Por outro lado, eu havia acabado de ler The Knife of Never Letting Go, de Patrick Ness, já comentado de passagem aqui.

Logo, esse livro me pegou num momento ótimo da minha carreira de crítico/resenhista, porque (sejamos bíblicos hoje) "caíram-se-me as escamas dos olhos", como disse Saulo/Paulo no caminho para Damasco, e eu hoje sei que a literatura dita infanto-juvenil, ou Young Adult, como é conhecida nos países anglos, é muito mais bacana do que a mídia e o senso comum nos fazem pensar.

Híbridos segue uma linha que poderíamos chamar de tipicamente britânica: a da distopia política. Claro, vocês vão me perguntar: afinal, toda distopia não é essencialmente política? E eu responderei: sim, evidente, está aí titio Fredric Jameson que não me deixa mentir, com suas excelentes análises sobre o cyberpunk.

A questão é que literatura infanto-juvenil de modo geral lida com ritos de passagem do adolescente (seja a passagem da infância para a adolescência, seja da adolescência para a fase adulta). Na Inglaterra, porém, esse rito de passagem quase nunca se dá sem um profundo envolvimento político - e Híbridos coloca de cara a política no cerne da questão.

O protagonista é Johnny Online, um dos tais híbridos - humanos que, subitamente, passaram a apresentar mutações nas quais seus corpos começam a "produzir" aparelhos eletrônicos. Esses aparelham brotam da pele (acarretando infecções e inflamações, para as quais quase nenhum medicamento resolve) e se fundem com o corpo dos infectados. O caso de Johnny - blogueiro que escreveu, num momento de angústia e raiva, a Declaração dos Direitos dos Híbridos, que passa a ser seguida como uma bíblia pelos híbridos - é um dos mais bizarros: seu rosto virou um monitor de computador, com caixas de som, microfone, teclado e câmera embutidos. Ele só consegue se alimentar por uma sonda, mas tirando isso (como se isso fosse pouco) o resto de seu corpo é normal.

A história começa quando ele é abordado por uma jovem rica, Kestrella Chu, que pede ajuda para procurar sua mãe desaparecida. Tanto Kestrella quanto a mãe pegaram o vírus Sinistro, responsável pela hibridização. O efeito colateral de Kestrella não é muito grande - sua mão direita virou um telefone celular - mas foi o suficiente para que ela fosse afastada da escola e perdesse quase todos os amigos. Pois ser um Híbrido é anátema; é ser infecto, ser sujo - e até mesmo o governo da Inglaterra vê as coisas assim. O slogan do governo inglês para a ser "Mantenham a Inglaterra Limpa!" Isso lembra alguma coisa?

1984, por exemplo. Ou V de Vingança misturado com o vírus da AIDS. Preconceito e intolerância que se tornam justificativa para a criação de um estado fascista, que identifica e prende os híbridos. Isso não torna nem um pouco fácil a missão de Johnny, que não só conseguiu até aquele momento se manter um "cinza" (híbrido que não recebeu identificação oficial e que, portanto, não pode ser rastreado nem preso com facilidade), como agora precisa arriscar sua liberdade para encontrar Kestrella - e correr o risco maior ainda de não se apaixonar por ela.

A narrativa de Híbridos é um pós-cyberpunk para todas as idades: tem alta tecnologia, tem hibridização e sucateamento de material, tem personagem em fuga. E tem inteligência. A história alterna capítulos com os pontos de vista de Johnny e de Kestrella, mostrando que uma situação pode ser bem mais complexa do que aparenta quando envolve seres humanos e suas emoções (e os personagens de Thorpe são bem convincentes para seres bidimensionais).

O cuidado com Híbridos envolve um trabalho metalingüístico muito atraente para o leitor, a começar pela embalagem do livro, lacrada como se fosse um produto altamente perigoso de manipular:

embalagem_frente
Frente


embalagem_verso
Verso

Além disso, a história é feita para crianças, jovens e adultos - aliás, fico me perguntando até que ponto esse tipo de distinção ainda é válido. A história é boa e funciona. E dá vontade de ler mais: será que essa história é a primeira de uma trilogia (apesar de ter um fim, ok? Quem não gosta de trilogias não precisa se preocupar)? Thorpe faz alusões a clássicos cyberpunks como Neuromancer, de William Gibson, e Synners, de Pat Cadigan. É uma história veloz, furiosa, assustadora e com um final não necessariamente feliz, mas muito interessante (mais do que isso e eu estrago a leitura de vocês. ;-) Altamente recomendado.

Em tempo: Johnny Online tem um blog em português também. É bem bacaninha. Check it out.


Ontem em casa, depois de passar (infelizmente) rápido no lançamento do livro do Tibor Moricz (mais detalhes no próximo post) e de participar de uma banca de TCC na PUC, recebi uma grata surpresa: a caixa com os dois volumes contendo a novíssima tradução de Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski (claro, de quem mais? ;-), feita direto do russo por Paulo Bezerra com base na edição crítica russa das obras completas do autor, com ilustrações de Ulysses Boscolo.

Aguardem resenha no Le Monde Diplomatique em breve. Obrigado a Fernanda, da Editora 34, pelo envio.

Eu_Claudio

Eu, Cláudio e Cláudio, o Deus, de Robert Graves - Eu li o primeiro, um excelente romance histórico escrito por um dos papas do gênero, o saudoso Robert Graves, há muuuiito tempo, numa edição do Círculo do Livro (aliás, ainda existe?). Confesso que nem sabia da existência do segundo livro, mas vou me penitenciar rapidinho lendo ambos os livros para o Le Monde Diplomatique. Obrigado ao Rodrigo Gurgel, editor do Caderno Palavra, e a Marilu, da assessoria de imprensa da editora A Girafa.

Eu não disse no meu último post sobre leituras, mas o caso é que ando me apaixonando pela literatura infanto-juvenil - ou o que dizem que é literatura infanto-juvenil, ou YA (young adult), pelo menos nos países de língua inglesa. E que eu não acho que seja tão infanto assim - ou, melhor, que já deixou de ser faz tempo.

Não vou escrever nenhum ensaio aqui agora, mas o caso é que eu recentemente publiquei no Fantasy Book Critic (e em breve também no Post-Weird) uma resenha do EXCELENTE e IMPERDÍVEL livro The Knife of Never Letting Go, do inglês Patrick Ness.

Tendo acabado de ler também outra pequena pérola (ok, eu sei que é clichê, mas o que é que eu possa fazer se é verdade?), The Graveyard Book, da dupla Neil Gaiman/Dave McKean, e também lendo agora Un Lun Dun, o infanto-juvenil do mestre da New Weird, China Miéville (quem ainda não leu a GRANDE entrevista que meu amigo e sócio Jacques Barcia fez com ele, faça o favor de clicar aqui, ora pipocas).

E ainda tenho mais um livro na fila (End of the Century, de Chris Roberson, que tem um conto escalado para uma edição futura da TERRA INCOGNITA). Enfim, é livro que não acaba mais.

Mas o que todos esses livros têm em comum? Todos (com talvez a exceção do livro de Neil Gaiman) apresentam adolescentes que fogem aos estereótipos nos quais os adultos (ou seja, nós, estes ex-adolescentes que vêem essa fase da vida como se pertencesse a outra era geológica, e não há uma ou duas décadas, tão pouco tempo na vida do nosso universo) os tentam enquadrar. Os livros são pé-na-cara, pé-em-deus-e-fé-na-taba, com histórias sobre ritos de passagem, onde os protagonistas sofrem, amam, têm desilusões, mas conseguem se virar no mundo sem os adultos (bom, talvez com a little help de vez em quando), e saem de suas experiências com outro olhar sobre o mundo, outra visão, outro Weltanschaaung, como se diz em filosofia e psicanálise.

Aguardem em breve resenhas desses livros e mais considerações sobre essa nova literatura para jovens que serve, hoje mais do que nunca, para adultos.

UPDATE: A resenha de The Graveyard Book que fiz para o Fantasy Book Critic acabou de sair, aqui.

livro-amarelo-do-terminal

É o título da resenha que escrevi sobre o ótimo O Livro Amarelo do Terminal, de Vanessa Bárbara, lançado pela CosacNaify. Aqui, no Le Monde Diplomatique.

Da mesma editora, estou terminando de ler agora O Passado, de Alan Pauls, belo de doer (e doloroso de ler, embora essencial) e na seqüência lerei o recente Conversas com Woody Allen, do qual vocês podem ter um gostinho aqui.


Recebi do Tibor Moricz uma cópia de seu livro FOME, que a Tarja Editorial lançará no começo de dezembro. Eric Novello fez uma boa resenha do livro aqui no Aguarrás.

Aguardem em breve aqui uma resenha não só do FOME como também de Síndrome de Cérbero, e uma entrevista com Tibor - que terá um conto publicado na próxima edição da TERRA INCOGNITA.

A dica é do Eric Novello: o blog da Cristina Alves, que comenta e resenha livros de FC e fantasia, tanto publicados nos EUA quanto traduções portuguesas. Excelente blog, que fiquei muito honrado de conhecer. Como dizia Sting, we work the black seam together. E assim vamos construindo a grande rede.

Este é o nome de uma das resenhas mais bacanas, divertidas e bem-sacadas que eu já li sobre o Projeto Intempol.

ensaio_sobre_a_cegueira
Ainda não tive tempo de ver o filme do Fernando Meirelles, que, está todo mundo dizendo, é bom - espero, porque além de Meirelles ser um tremendo dum cineasta, ele não podia ter escolhido livro melhor para adaptar nesses tempos de cegueira coletiva da humanidade: Ensaio sobre a Cegueira é um dos melhores livros de José Saramago, e tem tudo a ver com ficção científica no que ela tem de melhor: a crítica à sociedade contemporânea.

Escrevi uma crítica do livro no Le Monde Diplomatique. Em breve, comentários sobre o filme aqui.

Vladimir Nabokov escrevia um texto como quem tece uma estrutura delicada, respeitando a etimologia do texto como tessitura, como tecido, algo que é mais tramado e costurado do que criado do nada.

Existem duas maneiras de se revolucionar uma narrativa (Borges diria que são duas dentre muitas outras, incontáveis, mas isto ocuparia muito espaço aqui): pela forma e pelo conteúdo.

Autores como Julio Cortázar, Ítalo Calvino e todos os membros do grupo OuLiPo [1] (do qual Calvino também participou), como Raymond Queneau e Georges Perec, tinham um carinho especial pela forma de suas narrativas. Sem nunca descuidar do conteúdo, eles impunham a si mesmos regras franciscanas (ou seriam jesuíticas?) para escrever seus textos.


Este é o começo de minha resenha do livro A Defesa Lujin, recém-lançado pela Companhia das Letras, e que vocês podem ler na íntegra na última edição do caderno Palavra do Diplô, aqui.

Tá lá na home, mas o link principal é este aqui.

O autor? Um ilustre desconhecido, inclusive para mim: Robert T. Jeschonek, que acaba de publicar seu primeiro livro, Mad Scientist Meets Cannibal, na verdade um showcase da PS Publishing, com poucos contos. Mas excelentes. Jeschonek lembra (como diz Mike Resnick no prefácio) R.A. Lafferty, muito pouco lembrado no Brasil, mas também lembra dois dos meus autores preferidos da velha guarda: William Tenn e Fredric Brown. Fiquem de olho nesse cara. Vale a pena.

Lavinia2

Este é o livro que muita gente estava esperando. Lavínia é o mais recente livro da mestra Ursula K. LeGuin. Ambientado no mesmo cenário da Eneida, de Virgílio, LeGuin usa um recurso semelhantes ao que Marion Zimmer Bradley usa em As Brumas de Avalon: dar voz à mulher, relegada a um papel secundário (ou nulo) na história.

Na Eneida, Virgílio só cita Lavínia, a segunda esposa de Enéias, ao tratar de um presságio: na véspera do desembarque de Enéias em Latinum (região da Itália anterior à fundação de Roma), os cabelos de Lavínia's aparecem recobertos por uma espécie de fogo-fátuo, um augúrio de que a guerra está por vir.

Em Lavínia, Le Guin reverte inteligentemente o jogo, dando voz à personagem que da título ao livro. Filha do Rei Latinus e da Rainha Amata, governantes de Latinum, Lavínia foi prometida pela mãe (semi-enlouquecida pela perda de seus outros filhos por doenças ainda na infância) a seu sobrinho, Turnus, rei da vizinha Rutuli. Mas o rei discorda: seguindo as palavras de um oráculo, ele anuncia que Lavínia se casará com um estranho recém-chegado de Tróia, Enéias. Isso vai provocar uma guerra civil.

Estou apenas citando uma sinopse, porque acabei de receber o livro. Aguardem uma resenha mais saborosa em breve.



Este arquivo

Esta página é um arquivo de posts recentes da categoria resenhas.

relatos é a categoria anterior.

reviews é a próxima categoria.

Posts recentes na página principal - ou vá aos arquivos pra ver outros posts.

Pós-estranho

  • escrever dói
    por Fábio Fernandes

  • Jornalista, tradutor. Escritor, roteirista e dramaturgo. Pesquisador de cibercultura e professor do cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Jogos Digitais da PUC-SP. Interesses de pesquisa: comunicação e cibercultura, semiótica, teoria literária, ficção científica, tribos e subculturas, novas mídias, games.
  • foto: Pisco del Gaiso


  • assine o feed assine o feed

Outros tempos,
outros mundos

Interface com o Vampiro

A Construção do Imaginário Cyber - William Gibson, Criador da Cibercultura

Blablablogue

Wild Mood Swings

Imagem do banner

  • "Mão", colagem digital de Aurora Barbosa


Verbeatblogs.org

Partners in crime

  • Add to Technorati Favorites
  • eXTReMe Tracker