Ainda me recuperando da gripe, fui comprar suco de laranja e aproveitei para passar na locadora em frente. Traduzindo sem parar há semanas, não sei o que é cinema há meses, então fui lá, lépido e fagueiro.
Conversei com o dono da locadora, um cara animado que entende de cinema e com quem dá pra bater um bom papo, e resolvi pegar o último do Neil Jordan, Valente, com Jodie Foster, que perdi no cinema. Ok, não é FC, mas também sou filho de Zaratustra, ora pipocas - mereço um pouco de violência fake de vez em quando para realizar a boa e velhíssima katharsis aristotélica.
Mas isso até meus olhos pousarem na prateleira de desenhos animados.
Às vezes é ótimo não estar por dentro das coisas. Ter surpresas de vez em quando faz muito bem à alma, ainda mais quando essa alma está mais caída de lado que o sujeito do poema do Leminski. A surpresa em questão foi descobrir que o DVD com a animação Liga da Justiça - A Nova Fronteira acabou de sair no Brasil.
Baseado na EXCELENTE graphic novel de Darwyn Cooke, A Nova Fronteira mostra os heróis da Era de Ouro (Superman, Batman e Mulher Maravilha, criados nas decadas de 1930 e 1940) encontrando os heróis da Era de Prata (Flash e Lanterna Verde, entre muitos outros, como Ajax, o Caçador de Marte e o Arqueiro Verde). Na verdade, a história tem três subtramas: a história de Hal Jordan e do seu caminho desde a Guerra da Coréia até o encontro com o alienígena que lhe passará o legado do anel do Lanterna Verde; a forte campanha (não é dito, mas é explicitamente baseado no macarthismo) que força os heróis mascarados a se aposentarem por não quererem revelar suas identidades; e uma grande ameaça para o mundo, conhecida apenas como o Centro (mas que fãs de H.P.Lovecraft identificarão facilmente, e mais não digo).
Nem pisquei: aluguei, trouxe pra casa e tomei dois litros de suco de laranja assistindo a 74 minutos de animação que me fizeram muito feliz. Continuo gripado, mas agora nem sinto. Vou dormir bem esta noite.
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