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A dica é da Adriana Amaral:

A tese do pesquisador Mirko Tobias Schaefer da Utrecht University está disponível em pdf e se chama Bastard Culture! User Participation and the extension of Cultural Industries e deve interessar a todos que pesquisam questões relativas à cultura participatória e a questão dos fãs-usuários.

Schaefer é Professor Assistente do Departamento de Mídia e Estudos Culturais da universidade de Utrecht, na Holanda. Baixei a tese dele (em inglês) e já comecei a ler. Muito, muito interessante. Vale a pena.

Acabamos de chegar aos idos de Janeiro, e as minhas leituras estão em maximum overdrive por motivo de férias (que só agora, tão perto do fim, começo de fato a aproveitar). Mas não deixei nem por um momento de meu dedicar ao meu maior vício depois de Coca Zero e biscoitos recheados sabor morango. Abaixo, a lista de livros lidos até o momento e o que estou lendo agora:


Livros lidos:


1. Time´s Eye - Arthur C. Clarke e Stephen Baxter

2. Sunstorm - Arthur C. Clarke e Stephen Baxter

3. Tendeléo´s Story - Ian McDonald

4. O Contrabaixo - Patrick Süskind (releitura)

5. Scissors Cut Paper Wrap Stone - Ian McDonald (releitura)

6. Firstborn - Arthur C. Clarke e Stephen Baxter

7. A Diet of Treacle - Lawrence Block

8. Desabrigo e Outros Trecos - Antonio Fraga

9. Griffin´s Egg - Michael Swanwick

10. On Chesil Beach - Ian McEwan

11. New Light on Drake Equation - Ian McLeod


O que estou lendo:


A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón - Altamente indicado por amigos do Brasil e do exterior. Larry Nolen leu no original espanhol e promete uma grande resenha em seu blog em breve. Recebi este livro e sua continuação, O Jogo do Anjo. Aguardem resenha dos dois em breve - mas não neste blog. Obrigado a Roberta Pantoja, da Editora Objetiva, pelo envio.

Emissaries From The Dead - Adam Troy-Castro - É o segundo livro que estou lendo da lista de indicados ao Philip K. Dick Award de 2008. Aguardem resenha em breve no Post-Weird Thoughts.

Continuo lendo non-stop: agora, Sunstorm, de Clarke e Baxter, o segundo volume da trilogia A Time Odyssey. Este volume parece ter muito mais o dedo do mestre Clarke (particularmente nas cenas ambientadas na lua). Deve agradar aos fãs mais hardcore dele. Estou gostando até agora, e curioso para ver onde isso vai dar (e não é essa uma das características de um bom livro?)

Ian McDonald, Scissors Cut Paper Wrap Stone. Na minha humilde opinião, junto com as histórias de Chaga (o romance Evolution´s Shore e a novela Tendeléo´s Story), é um dos melhores livros de McDonald. Esta novela cyberpunk não perdeu nem um pouco de seu vigor desde a publicação original, em 1994, e (Jacques vai discordar dessa) dá uma surra em Brasyl.

Falando em Tendeléo´s Story, ontem li pela primeira vez essa história, que acabou de ser republicada no ótimo volume The Best of The Best, Volume 2, editado por Gardner Dozois. É uma história sobre desterritorialização (a narrativa do exílio forçado da africana Tendeléo e de como ela vai parar em Londres depois que Nairóbi e as cidades ao redor são tomadas pelo esporo alienígena conhecido como Chaga) e sobre reencontro. Sobre adaptação e convivência com outras espécies. Altissimamente recomendado.

Enquanto isso, leio mais coisas em paralelo. Não só ficção científica. E vamos que vamos.

E, enquanto a novidade não chega, já comecei 2009 com algumas leituras muito interessantes. Confiram:

Arthur C. Clarke e Stephen Baxter, Time´s Eye. - É o primeiro volume da trilogia A Time Odyssey. Muito bacana, a leitura é fluida e ligeira, e a premissa (uma "discontinuidade" que subitamente mistura numa "colcha de retalhos" diversas épocas da humanidade) é instigante. Lembra (ainda que de passagem) uma série clássica de TV da qual pouca gente deve lembra: Viagem Fantástica (Fantastic Journey no original - a história de um grupo de gente que some no Triângulo das Bermudas e descobre que ele é um portal para várias terras paralelas). Já estou no fim e pronto para pegar o volume 2, Sunstorm.

Murder in Baker Street (ed. Martin H. Greenberg, Daniel Stashower e Jon L. Lellenberg). - Uma coletânea de contos de Sherlock Holmes, é claro. Lendo para pesquisa.

Thomas Merton, A Montanha dos Sete Patamares - A autobiografia de um dos maiores filósofos católicos do século XX. Merton é um dos meus preferidos junto com Santo Agostinho e São Francisco; este monge trapista, com seu interesse pelo zen-budismo e pela filosofia oriental, teria muito que ensinar ao papa Bento XVI, com sua abertura de mente e capacidade de amar o próximo independentemente de etnia, religião e pensamento político. Seus livros são grandes leituras para qualquer pessoa que queira paz e tranqüilidade, mesmo que não se interesse por religião.

Esta lista fecha minha série de 2008. Nela, ao contrário dos contos, novelas e noveletas, misturo brasileiros e estrangeiros com alegria e prazer, porque foi um ano muito rico para todos nós.


Joe Abercrombie, The Blade Itself


Jonathan Carroll, The Ghost in Love


Jeff Carlson, Plague Year


Michael Chabon, Gentlemen of the Road


Michael Chabon, The Yiddish Policemen´s Union


David Louis Edelman, Infoquake


David Louis Edelman, Multireal


Neil Gaiman, The Graveyard Book


William Gibson, Spook Country


Otis Adelbert Kline, The Swordsman of Mars


Ian McDonald, Brasyl


Flávio Medeiros, Quintessência (infelizmente, não encontrei o livro no sites da Cultura, da Saraiva, da FNAC e da Amazon)


Patrick Ness, The Knife of Never Letting Go


Chris Roberson, End of the Century


Chris Roberson, The Dragon´s Nine Sons


John Scalzi, Old Man´s War


Ekaterina Sedia, The Secret History of Moscow


Ekaterina Sedia, The Alchemy of Stone


Liam Sharp, God Killers


Antônio Xerxenesky, Areia nos Dentes

Continuamos com a série dos Melhores de 2008. Abaixo, as melhores noveletas estrangeiras que li ao longo deste ano.

Vale o mesmo critério do post anterior: ordem alfabética de sobrenome de autor, pelo critério internacional). Como na lista anterior, coloco meus top 10.

Vamos lá?


The Cambist and Lord Iron: a Fairytale of Economics, Daniel Abraham (Logorrhea)


Sunworld, Eric Brown ( The Solaris Book of New Science Fiction, Volume Two)


Minutes of The Last Meeting, Stepan Chapman (Steampunk)


Seventy-Two Letters, Ted Chiang (Steampunk)


The Merchant and the Alchemist's Gate, Ted Chiang (publicada em formato chapbook pela Subterranen Press)


Watson´s Boy, Brian Evenson (The New Weird)


At Reparata, Jeffrey Ford (The New Weird)


Dividing the Sustain, James Patrick Kelly (The New Space Opera)


The Things They Left Behind, Stephen King (Just After Sunset)


Beyond the Aquila Rift, Alastair Reynolds (Year´s Best SF 11)

Por incrível que pareça, ainda mergulhado em trabalho (e não vou emergir antes do dia 15 de janeiro, aproximadamente), talvez eu poste um pouco menos do que gostaria. Talvez não. Em todo caso, começo agora a postar as minhas listas do ano. A primeira é talvez a mais boba de todos: aproveitando a deixa do meu amigo americano Larry, começo a série de listas de fim de ano relacionando todos os livros lidos em 2008 (esta lista, claro, poderá ser atualizada até o dia 31, e provavelmente será).

Nem vou disputar com ele: este ano foi um dos meus mais fracos da década em termos de quantidade de livros lidos (em termos de qualidade não, pelo contrário, mas sobre isso eu falo em outro post). Foram menos de duzentos livros, ao contrário do que eu havia suposto e escrito aqui há pouco tempo.

Não faz mal: 2009 será melhor. Enquanto isso, minha lista de livros lidos em 2008, sem ordem específica de leitura ou de preferência. Os links são para os livros que resenhei, seja aqui, seja em outras publicações:


1. Mary Shelley, Frankenstein (releitura)

2. William Gibson, Spook Country

3. Roman Jakobson, A geração que desperdiçou seus poetas

4. Stephen King, The Waste Lands

5. Stephen King, Wizard and Glass

6. Leon Trotski, A Revolução de Outubro

7. Joseph Roth, Berlim

8. Arkadi Vaksberg, O Laboratório dos Venenos

9. Stephen King, The Wolves of the Calla

10. Yevgeny Zamyatin, We

11. Flávio Medeiros, Quintessência

12. Maiakovski, Poemas

13. SF´s Best 11 (ed. David G. Hartwell e Kathryn Cramer)

14. Cory Doctorow, Someone Comes to Town, Someone Leaves Town

15. Stephen King, Bag of Bones

16. Alexandre Barbosa, Cuidado, a Internet está Viva!

17. The New Weird (ed. Ann e Jeff Vandermeer)

18. Stephen King, Song of Susannah

19. Stephen King, The Dark Tower

20. Stephen King, Salem´s Lot

21. Ian McDonald, Brasyl

22. Ekaterina Sedia, The Secret History of Moscow

23. Octavio Aragão, Quadrophenia

24. Isaac Asimov, Foundation (releitura - tradução)

25. Isaac Asimov, Foundation and Empire (releitura - tradução)

26. Jeff Vandermeer, The Situation

27. The New Space Opera (ed. Jonathan Strahan e Gardner Dozois)

28. Charles Stross, Accelerando

29. David Gerrold, The Martian Child

30 Matthew Hughes, Template

31. Cormac McCarthy, The Road

32. Cormac McCarthy, No Country for Old Men

33. Jeffrey Thomas, Blue War

34. Adam Roberts, Splinter

35. Eric Brown, Helix

36. Paper Cities (ed. Ekaterina Sedia) - resenha de Jacques Barcia

37. Joe Haldeman, The Accidental Time Machine

38. Steven Gould, Jumper

39. Steven Gould, Reflex

40. Steven Gould, Jumper - Griffin´s Story

41. Kelly Link, Magic for Beginners

42. Eric Brown, Kéthani

43. Brad Meltzer, The Book of Lies

44. Tobias Buckell, Crystal Rain

45. Otis Adelbert Kline, The Swordsman of Mars

46. Stephen King, The Mist

47. Stephen King, The Girl Who Loved Tom Gordon

48. Thomas M. Disch, The Word of God

49. Heather Ingemar, A Slip of Wormwood

50. Robert T, Jeschonek, Mad Scientist Meets Cannibal

51. The Solaris Book of New SF Vol. 2 (ed. George Mann)

52. SF´s Best 13 (ed. David G. Hartwell e Kathryn Cramer)

53. Michael Chabon, The Yiddish Policemen´s Union

54. Robert J. Sawyer, Rollback

55. Jonathan Carroll, The Ghost in Love

56. Michael Chabon, Gentlemen of the Road

57. Steampunk (ed. Ann e Jeff Vandermeer)

58. Fast Ships, Black Sails (ed. Ann e Jeff Vandermeer)

59. Thomas M. Disch, Camp Concentration

60. John Scalzi, Old Man´s War

61. John Scalzi, The Ghost Brigades

62. John Scalzi, The Last Colony

63, John Scalzi, The Sagan Diary

64. John Scalzi, Zoe´s Tale

65. Asimov´s SF Magazine - 30th Year Edition (ed. Sheila Williams)

66. Vladimir Nabokov, A Defesa Lujin

67. José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira (releitura)

68. Ficção de Polpa 2 (ed. Samir Machado de Machado)

69. Antonio Xerxenesky, Areia nos Dentes

70. William S. Burroughs, The Job

71. Chris Roberson, The Dragon´s Nine Sons

72. Algys Budrys, Rogue Moon

73. David Louis Edelman, Infoquake

74, David Louis Edelman, Multireal

75, Neil Gaiman, The Graveyard Book

76. Ekaterina Sedia, The Alchemy of Stone

77. Monteiro Lobato, O Presidente Negro (releitura)

78. Erich Maria Remarque, Nada de Novo no Front (releitura)

79. Michael Crichton, Jurassic Park

80. Patrick Ness, The Knife of Never Letting Go

81, Michael Crichton, Eaters of the Dead

82. Jeff Carlson, Plague Year

83. Jeff Carlson, Plague War

84. Alan Pauls, O Passado

85. Clinton Davisson, Hegemonia

86. Christie Lasaitis, Fábulas do Tempo e da Eternidade

87. Tibor Moricz, Síndrome de Cérbero

88. Tibor Moricz, Fome

89. Aldous Huxley, Brave New World Revisited (releltura)

90. China Miéville, Looking for Jake

91. Bruce Sterling, Schismatrix Plus (releitura)

92. Anna Funder, Stasilândia

93. Ivonete Lucirio, Você Pode Viver 100 Anos

94. Arthur Conan Doyle, O Cão dos Baskervilles (releitura)

95. Futures From Nature (ed. Henry Gee)

96. Michael Crichton, The Great Train Robbery

97. Stephen King, Just After Sunset

98. Joe Abercrombie, The Blade Itself

99. Brian Herbert e Kevin J. Anderson, The Road to Dune

100. Brian Herbert e Kevin J. Anderson, Sandworms of Dune

101. Caleb Carr, The Italian Secretary

102. Olaf Stapledon, Last and First Men (releitura)

103. Kevin J. Anderson, The Last Days of Krypton

104. Vanessa Bárbara, O Livro Amarelo do Terminal

105. Solaris (revista) (ed. Nelson de Oliveira)

106. Neuromancer (revista) (ed. Nelson de Oliveira)

107. Thomas M. Disch, 334

108. Dashiell Hammett, The Maltese Falcon (releitura)

109. Michael Crichton, The Terminal Man

110. China Miéville, Perdido Street Station (releitura)

111. Tobias Buckell, Ragamuffin

112. Brandon Sanderson, Mistborn

113. David M. Friedman, The Immortalists

114. Philip Roth, The Plot Against America

115. Richard Brautigan, An Unfortunate Woman

116. Brian Herbert e Kevin J. Anderson, Hunters of Dune

117. Tara Dixon-Engel e Mike Jackson, The Wright Brothers

118. Edmund Couchot, Des Images, du temps et des machines

119. Jeff Vandermeer, Predator: South China Sea

120. Ficção de Polpa 1 (ed. Samir Machado de Machado)

121. Martin Heidegger, The Concept of Time

122. George R. R. Martin, Dying of the Light

123. Santo Agostinho, Sobre a Potencialidade da Alma

124. John Rieder, Colonialism and the Emergence of Science Fiction

125. Joachim Fest, Hitler (Vol. 1)

126. Slavoj Zizek, Arriscar o Impossível

127. Zeljko Loparic, Ética e Finitude

128. Emmanuel Levinas, Ética e Infinito

129. Adam Roberts, The History of Science Fiction

130. Alan Moore, The League of Extraordinary Gentlemen - Black Dossier

131. Michael Crichton, Prey

132. Bruce Sterling, Tempo Fechado

133. Michael Crichton, State of Fear

134. David Thorpe, Híbridos

135. João de Fernandes Teixeira, Como Ler a Filosofia da Mente

136. Marcelo Leite, Promessas do Genoma

137. Liam Sharp, God Killers

138. Dostoiévski, Os Irmãos Karamázov

139. Fate Fantastic (ed. Martin Greenberg e Daniel M. Hoyt)

140. Michael Crichton, Sphere

141. Thomas Merton, Book of Hours

142. Thomas Merton, A Vida Silenciosa

143. Norbert Elias, A Solidão dos Moribundos

144. Joe Haldeman, A Separate War and Other Stories

145. Something Magic This Way Comes (ed. Martin Greenberg e Sarah A. Hoyt)

146. Angela Mendes de Almeida, A República de Weimar

147. Michael Crichton, The Lost World

148. Batman e a Filosofia (ed.

149. Henry James, The Turn of the Screw (releitura)

150. John Updike, The Widows of Eastwick

151. William Gibson, Neuromancer (releitura - tradução)


Até o momento, 151 livros, dos 14 são releituras, e, destas, três para fins de tradução. Romances foram maioria esmagadora; mas também várias coletâneas de contos, a maioria bons, um ou outro fraco, e alguns excelentes. 49 foram resenhados.

Até o fim do ano, aguardem listas com os melhores livros lidos em 2008, divididos em romances, contos, noveletas e novelas.

Airman

Airman, de Eoin Colfer - Um livro steampunk do criador da série Artemis Fowl, que por sua vez também não é absolutamente nada do que eu esperava.

Para ser sincero, eu não esperava nada dessa série, porque não havia me interessado em lê-la até agora - mas, depois de começar a ler Airman e navegar um pouco pela Web para conhecer um pouco da história da série premiada de Coifer, agora fiquei com vontade. 2008 foi um ano fundamental para detonar de vez meus preconceitos contra a literatura dita infanto-juvenil.

Eu não disse no meu último post sobre leituras, mas o caso é que ando me apaixonando pela literatura infanto-juvenil - ou o que dizem que é literatura infanto-juvenil, ou YA (young adult), pelo menos nos países de língua inglesa. E que eu não acho que seja tão infanto assim - ou, melhor, que já deixou de ser faz tempo.

Não vou escrever nenhum ensaio aqui agora, mas o caso é que eu recentemente publiquei no Fantasy Book Critic (e em breve também no Post-Weird) uma resenha do EXCELENTE e IMPERDÍVEL livro The Knife of Never Letting Go, do inglês Patrick Ness.

Tendo acabado de ler também outra pequena pérola (ok, eu sei que é clichê, mas o que é que eu possa fazer se é verdade?), The Graveyard Book, da dupla Neil Gaiman/Dave McKean, e também lendo agora Un Lun Dun, o infanto-juvenil do mestre da New Weird, China Miéville (quem ainda não leu a GRANDE entrevista que meu amigo e sócio Jacques Barcia fez com ele, faça o favor de clicar aqui, ora pipocas).

E ainda tenho mais um livro na fila (End of the Century, de Chris Roberson, que tem um conto escalado para uma edição futura da TERRA INCOGNITA). Enfim, é livro que não acaba mais.

Mas o que todos esses livros têm em comum? Todos (com talvez a exceção do livro de Neil Gaiman) apresentam adolescentes que fogem aos estereótipos nos quais os adultos (ou seja, nós, estes ex-adolescentes que vêem essa fase da vida como se pertencesse a outra era geológica, e não há uma ou duas décadas, tão pouco tempo na vida do nosso universo) os tentam enquadrar. Os livros são pé-na-cara, pé-em-deus-e-fé-na-taba, com histórias sobre ritos de passagem, onde os protagonistas sofrem, amam, têm desilusões, mas conseguem se virar no mundo sem os adultos (bom, talvez com a little help de vez em quando), e saem de suas experiências com outro olhar sobre o mundo, outra visão, outro Weltanschaaung, como se diz em filosofia e psicanálise.

Aguardem em breve resenhas desses livros e mais considerações sobre essa nova literatura para jovens que serve, hoje mais do que nunca, para adultos.

UPDATE: A resenha de The Graveyard Book que fiz para o Fantasy Book Critic acabou de sair, aqui.

Muita, muita coisa num fim de ano cada vez mais rápido e caótico:

The Job - Interviews with William S. Burroughs - é o que está no título: uma série de entrevistas que Burroughs, o genial escritor beat americano, concedeu no final dos anos 1960 e que ele próprio depois complementou com cut-ups de entrevistas anteriores, para amplificar o efeito e tornar o texto (teoricamente) mais claro e compreensível. E realmente ficou, embora o clima de paranóia esteja aguçado como nunca. Mais do que recomendado.

A Montanha Mágica - O clássico de Thomas Mann é cada vez mais uma leitura atual e maravilhosa. A história do imobilismo de Hans Castorp, que vai visitar um amigo num sanatório na Suíça e simplesmente vai ficando e se tornando quase uma peça da mobília. Estou lendo na nova tradução para o inglês (excelente trabalho de John E. Woods) por pesquisa e por prazer.

The League of Extraordinary Gentleman, the Black Dossier - quem me cantou a pedra foi o Carlos Orsi: há algum tempo achei a Absolute Edition, capa dura, com todos os extras, na Cultura, por nada menos que 300 reais. Agora achei o TP convencional, brochura, só a história sem extras, por muito, muito menos. Vou começar a devorar hoje mesmo!

E tem mais, mas fica pra amanhã que hoje (depois de fazer faxina na casa) está me dando uma preguiça absolutamente macunaímica!

Acabei ontem de ler MultiReal, de Davis Louis Edelman, e só tenho uma coisa a dizer (por ora): é o MELHOR livro de ficção científica que li este ano - e eu li muitos livros de FC em 2008.

Comecei logo na seqüência The Knife of Never Letting Go, de Patrick Ness. Ficção científica que recebeu o rótulo infanto-juvenil, mas não se enganem: Ness escreve com a habilidade de um Ray Bradbury em Something Wicked This Way Comes, ou de um Stephen King em Stand by Me, ou seja, escreve histórias sobre adolescentes mas sem em nenhum momento subestimar a inteligência do leitor, e justamente por isso torna o livro uma leitura para todas as idades.

Terminando de ler agora a coletânea de contos inéditos (pasmem) de piratas Fast Ships, Black Sails, editada por Ann e Jeff VanderMeer. Dica para os editores: as coletâneas do casal VanderMeer precisam ser publicadas URGENTEMENTE no Brasil; para aqueles que têm medo porque os autores são desconhecidos em terra brasilis (o que é uma meia-verdade, pois eles são de fato inéditos no Brasil, mas já são conhecidos por muitos fãs), fiquei sabendo (embora ainda não tenha confirmado a informação) de que uma editora do Rio de Janeiro adquiriu os direitos da série de fantasia histórica Teméraire, de Naomi Novik, autora que está na coletânea de piratas.

E, fechando este post (porque ainda tenho muitos outros livros na minha mesa de cabeceira): recebi da Editora DCL o romance infanto-juvenil de FC Híbridos - Nem Homens, Nem Máquinas, de David Thorpe. Aguardem resenha em breve aqui. Obrigado a Alexandre Nix pelo envio.

Devorando a coletânea de contos inéditos Fast Ships, Black Sails, editada pelo casal Ann e Jeff VanderMeer (co-editores das EXCELENTES coletâneas The New Weird, Steampunk). A temática é no mínimo inusitada, mas faz sucesso nos EUA: piratas!

Tem de tudo: de piratas do espaço em naves orgânicas às velhas e clássicas histórias ded piratas buscando tesouros nas selvas da América do Sul. Já estou quase na metade e gostando muito. Aguardem mais comentários aqui.

Além disso, começando agora MultiReal, continuação de Infoquake, outro ótimo livro pós-cyber de David Louis Edelman. Aguardem resenhas e uma entrevista com Mr. Edelman em breve no PWT.

xii_feira_livro
...não vou ficar só falando do Invisibilidades, claro. Mil coisas mais rolando por aqui e pelo Brasil afora: acabo de voltar de Belém do Pará, onde participei da XII Feira Pan-Amazônica do Livro, autografando meu livro do Gibson e vi que lá também tem FC, surrealismo e se bobear até new weird.


Lendo no momento:
The Book of Lies - Brad Meltzer - pra resenhar no Fantasy Book Critic;

Sherlock Holmes - The Complete Novels and Stories, Volume II - Prazer pessoal e possibilidades futuras;

Fragile Things, Neil Gaiman - O original em inglês, claro, porque a Conrad que me perdoe, mas não dá pra comprar coletânea partida ao meio (aliás, partido ao meio só o Visconde do Ítalo Calvino e olhe lá). Falando em Holmes, Gaiman também escreveu uma história do maior detetive do mundo, e está nessa coletânea: A Study in Emerald (que, por um feliz acaso, também está na versão brasileira - mas está até hoje online for free, pra quem quiser ler djá).

Ouvindo incessantemente no MP3 Player, de modo quase obsessivo: Peter Murphy (em especial All Night Long, do álbum Love Hysteria).


Acabo de receber da Amazon a coletânea Leviathan no. 4, editada por Forrest Aguirre. Já tinha ouvido falar muito bem dela, e parece que não vou me arrepender. Entre os autores, vários cujos contos eu já li em coletâneas como Steampunk, The New Weird ou Paper Cities: Michael Cisco, Ben Peek, Jay Lake (este é sensacional, recomendo fortemente), KJ Bishop e Stepan Chapman (outro que me surpreendeu).

E esqueci de agradecer em público ao meu sócio-amigo-quase-irmão, Jacques, que na Fantasticon me deu o romance Trial of Flowers - a Novel of the City Imperishable, do Jay Lake. Eu já sou fã do Lake por suas incríveis histórias de cidades bizarras, e estou louco para ler essa história, que se passa no mesmo ambiente de seu excelente conto Promises; a Tale of the City Imperishable. Valeu, meu camarada!!!!

As férias começaram ma non troppo: hoje retomo os estudos de doutorado (uma análise do conceito de pós-humano na ficção científica) e continuo trabalhando em projetos e escrevendo. E, claro, lendo bastante. Abaixo, uma lista do que tenho lido:

Perdido Street Station, de China Miéville - relendo este já clássico que inaugurou o subgênero literário chamado de New Weird. Miéville, que já escreveu mais dois livros ambientados no universo bizarro de New Crobuzon: The Scar e Iron Council, além de uma ótima coletânea chamada Looking for Jake, que contém uma história de New Crobuzon mas outras igualmente incríveis, lançou recentemente um infanto-juvenil que de bobo não tem nada: Un Lun Dun, que narra a incrível viagem de duas meninas por uma Londres oculta - algo no mesmo tom de Neverwhere, de Neil Gaiman, mas ao mesmo tempo bem diferente. Vale a pena conferir. Aguardem resenha em breve, além de uma surpresa no Post-Weird Thoughts.

Dreamsongs, Vol. 1, de George R. R. Martin - Comecei agora; o grande barato é ler os primeiros contos que o cara publicou em zines na década de 1960. Coisas meio lovecraftianas, mais para Old Weird que para New, mas também o cara tá com quase 70 anos, né? Muito bom

Mad Scientist Meets Cannibal, de Robert T. Jeschonek. Autor de livros de Star Trek, Jeschonek estreia com uma minicoletânea que faz parte do showcase da PS Publishing. O livro ainda não saiu, mas recebi uma ARC (Advance Reviewer Copy) para resenhá-lo no The Fix. Esse cara eu não conhecia, mas até agora estou adorando os contos da minicoletânea. Jeschonek lembra Frederic Brown e William Tenn. Bárbaro!!

A Magia das Máquinas - John Wilkins e a origem da mecânica moderna, de Ana Maria Alfonso-Goldfarb. Excelente livro, fruto da dissertação de mestrado da Professora Goldfarb, da PUC-SP, para pesquisa no romance que estou escrevendo agora (mais sobre isso depois).



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    por Fábio Fernandes

  • Jornalista, tradutor. Escritor, roteirista e dramaturgo. Pesquisador de cibercultura e professor do cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Jogos Digitais da PUC-SP. Interesses de pesquisa: comunicação e cibercultura, semiótica, teoria literária, ficção científica, tribos e subculturas, novas mídias, games.
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