Recently in leituras Category


Acabo de receber da Amazon a coletânea Leviathan no. 4, editada por Forrest Aguirre. Já tinha ouvido falar muito bem dela, e parece que não vou me arrepender. Entre os autores, vários cujos contos eu já li em coletâneas como Steampunk, The New Weird ou Paper Cities: Michael Cisco, Ben Peek, Jay Lake (este é sensacional, recomendo fortemente), KJ Bishop e Stepan Chapman (outro que me surpreendeu).

E esqueci de agradecer em público ao meu sócio-amigo-quase-irmão, Jacques, que na Fantasticon me deu o romance Trial of Flowers - a Novel of the City Imperishable, do Jay Lake. Eu já sou fã do Lake por suas incríveis histórias de cidades bizarras, e estou louco para ler essa história, que se passa no mesmo ambiente de seu excelente conto Promises; a Tale of the City Imperishable. Valeu, meu camarada!!!!

As férias começaram ma non troppo: hoje retomo os estudos de doutorado (uma análise do conceito de pós-humano na ficção científica) e continuo trabalhando em projetos e escrevendo. E, claro, lendo bastante. Abaixo, uma lista do que tenho lido:

Perdido Street Station, de China Miéville - relendo este já clássico que inaugurou o subgênero literário chamado de New Weird. Miéville, que já escreveu mais dois livros ambientados no universo bizarro de New Crobuzon: The Scar e Iron Council, além de uma ótima coletânea chamada Looking for Jake, que contém uma história de New Crobuzon mas outras igualmente incríveis, lançou recentemente um infanto-juvenil que de bobo não tem nada: Un Lun Dun, que narra a incrível viagem de duas meninas por uma Londres oculta - algo no mesmo tom de Neverwhere, de Neil Gaiman, mas ao mesmo tempo bem diferente. Vale a pena conferir. Aguardem resenha em breve, além de uma surpresa no Post-Weird Thoughts.

Dreamsongs, Vol. 1, de George R. R. Martin - Comecei agora; o grande barato é ler os primeiros contos que o cara publicou em zines na década de 1960. Coisas meio lovecraftianas, mais para Old Weird que para New, mas também o cara tá com quase 70 anos, né? Muito bom

Mad Scientist Meets Cannibal, de Robert T. Jeschonek. Autor de livros de Star Trek, Jeschonek estreia com uma minicoletânea que faz parte do showcase da PS Publishing. O livro ainda não saiu, mas recebi uma ARC (Advance Reviewer Copy) para resenhá-lo no The Fix. Esse cara eu não conhecia, mas até agora estou adorando os contos da minicoletânea. Jeschonek lembra Frederic Brown e William Tenn. Bárbaro!!

A Magia das Máquinas - John Wilkins e a origem da mecânica moderna, de Ana Maria Alfonso-Goldfarb. Excelente livro, fruto da dissertação de mestrado da Professora Goldfarb, da PUC-SP, para pesquisa no romance que estou escrevendo agora (mais sobre isso depois).

Como alguns dos meus leitores devem saber, por mais de um ano mantive um blog sobre literatura brasileira no Overmundo. Capitaneado por Hermano Vianna, José Marcelo Zacchi, Ronaldo Lemos e Alexandre Youssef e uma super-equipe de jornalistas, programadores, escritores do maior calibre como Helena Aragão, Thiago Camelo, Viktor Chagas e Saulo Frauches (que tive o prazer e a honra de conhecer pessoalmente e com quem espero ainda poder bater altos papos), o Overmundo presta um serviço de primeiríssima qualidade na divulgação da cultura brasileira. Contendo seções como o overblog (para matérias jornalísticas), o banco de cultura (para falar de cultura e também para quem quiser apresentar suas próprias obras culturais - minha primeira coletânea de contos, Interface com o Vampiro está lá, gratuito para quem quiser baixar), um guia e uma agenda cultural. Todo mundo pode participar. Eu participei ativamente durante a maior parte do anos de 2006, chegando a fazer parte de duas rotações da equipe de conselheiros do site (um sistema de autogestão que acabou não dando certo, mas que gerou discussões muito válidas e pertinentes). Em 2007, por conta de diversas questões pessoais, fui me afastando aos poucos. Cheguei a participar um pouco (muito pouco) das discussões e postar algumas coisas no blog, mas em 2008, nem meia dúzia de posts. Assim, O Viajante Imóvel entrou em coma, foi para o limbo, esperando algo que nem mesmo eu sei o que é.

Ontem recebi um e-mail do Overmundo para me lembrar de que all things must pass, tudo deve passar, todas as coisas um dia chegam ao fim:

Nós, da Equipe de Moderação e Administração do Overmundo, valorizamos muitíssimo o trabalho que você e seus companheiros blogueiros têm feito nos blogs hospedados no Overmundo. Por isso, é não sem algum pesar que comunicamos o cancelamento do serviço de hospedagem desses blogs no próximo dia 15 de julho.

Quando o Overmundo surgiu - e lá se vão mais de dois anos desde então -, avaliamos que uma comunidade de blogueiros que tratasse sempre de temas relacionados à cultura brasileira pudesse agregar valor e atraísse outros colaboradores interessados em manter blogs no mesmo sistema, criando assim uma rede de "blogs parceiros" que se consolidaria como um excelente manancial de informações na internet. Isso de certa maneira aconteceu. Mas os desenvolvimentos de serviços semelhantes (ainda que voltados não apenas para a cultura brasileira), gratuitos, livres e de excelente qualidade, nos fez caminhar aos poucos para a alternativa do Overfeeds, que soma os papéis de agregar e dar visibilidade aos blogs sem demandar a hospedagem no Overmundo. Esta ferramenta atraiu blogueiros que estavam acostumados com outros serviços e interessados em continuar neles. Fomos então levados à percepção de que não faria sentido dedicar tamanho esforço de desenvolvimento tecnológico para aperfeiçoar um sistema de blogs nativos no Overmundo que iria apenas competir com os bons serviços já existentes neste âmbito. Por outro lado, fazia ainda mais sentido nos concentrarmos em melhor oferecer aquilo que hoje é o diferencial do Overmundo: a plataforma colaborativa, a comunidade, a agregação, e por essa razão, demos vazão ao projeto Overmídia .

É claro que gostaríamos muito de continuar a oferecer este serviço, mas avaliando os custos de operacionalidade e a demanda da comunidade por tais serviços, nossa opção, ao menos por ora, é de encerrar o serviço de hospedagem dos blogs. O Overfeeds, no entanto, seguirá funcionando como principal plataforma agregadora de feeds relacionados aos blogs que se cadastraram através do site, e nós recomendamos fortemente que você crie um novo blog e o registre no Overfeeds para continuar tendo seus posts republicados automaticamente seguindo a dinâmica editorial colaborativa dos serviços do Overmundo.

O objetivo desta mensagem é deixá-lo avisado o quanto antes do fim do serviço de hospedagem de blogs do Overmundo, de modo que você possa preparar o terreno para um novo blog e importar para ele todos os posts anteriores de seu blog no Overmundo. Dessa forma, não haverá perda substancial de seu esforço ao longo deste tempo, e seus textos e demais arquivos estarão todos disponíveis no novo blog, que poderá ser hospedado em quaisquer outros serviços, como WordPress, Blogger e outros.

Nós nos dispomos a auxiliá-lo neste processo de exportação e importação de posts tanto quanto possível. Para isso, basta que você entre em contato com a Equipe de Moderação do Overmundo , expondo suas dúvidas e interesses.

Pedimos desculpas pelos eventuais transtornos e contamos com sua compreensão nesta situação, torcendo para que seu blog *O Viajante Imóvel* continue um grande parceiro do Overmundo.


Concordo plenamente. Não só porque o sistema de overfeeds é muito eficiente e não precisa mais hospedar blog algum no espaço do Overmundo, que cresceu muito nesses dois anos. No meu caso, concordo duplamente, porque depois de um ano de posts constantes, acabei abandonando o blog. Não foi intencional, mas simplesmente a vida me levou por outro caminho - no caso dos blogs, o caminho me trouxe até aqui.

Quero aproveitar esse espaço para agradecer ao Hermano, à Helena, ao Thiago, ao Saulo, ao Viktor e a todos os overmanos e overminas com quem tive a oportunidade de ter um contato tão gregário (eu que às vezes não aparento mas sou tão ermitão). Fui muito feliz no Overmundo. Desejo toda a felicidade do mundo, vasto mundo, para todos vocês.

Não pretendo voltar muito ao Overmundo porque sou um cara meio estranho. Quando me afeiçôo a alguém ou alguma coisa e esse contato se interrompe seja qual for o motivo, tenho muita dificuldade de retomá-lo. A nostalgia me dilacera. Mas guardo para sempre no coração a lembrança (será por isso que sempre choro ao ler o poema de Drummond sobre Itabira? Talvez).

Quanto ao Viajante Imóvel, vou salvar o conteúdo, mas ainda não sei se vou criar um blog novo para recolocá-lo. O futuro dirá. E o futuro é tudo o que me interessa, porque o passado, por mais lindo que tenha sido, dói.

Trabalhando muito em ritmo de fim de semestre, mas sempre me atualizando com novas leituras. Aqui, uma lista do que estou lendo neste momento:

Perdido Street Station, de China Miéville - O clássico da New Weird. Relendo. Preciso dizer mais?

The Word of God, de Thomas M. Disch - Tom Disch é um autor clássico norte-americano. Seu livro Camp Concentration é um dos melhores dos anos 1960. Aqui, ele pega onde Philip K. Dick largou e assume para si o papel de divindade. Eu vi a luz e me rendi: só espero que ele perdoe a nós, pobres pecadores, por não termos prestigiado a palestra que ele deu na PUC-RJ em 1990 (quero dizer, vocês é que vão arder no inferno, porque eu e mais meia-dúzia estivemos lá e vimos em seu rosto a tristeza por ter tão poucos interlocutores).

The Plots to Rescue the Tsar, de Shay McNeal - Um interessantíssimo livro e dos planos que foram feitos para o resgate do czar, sua mulher e seus filhos após a Revolução Russa - o que acabou não ocorrendo. Lendo como pesquisa para finalizar meu romance.

Dying of the Light, de George R. R. Martin - o primeiro romance de um dos maiores autores de fantasia de hoje, autor da saga A Song of Ice and Fire. Esse livro é de ficção científica, e é ambientado no mesmo universo da belíssima novela A Flor de Vidro, que traduzi há quase vinte anos para a finada edição brasileira da Isaac Asimov Magazine.

A Game of Thrones, de George R. R. Martin - o primeiro volume da saga de fantasia de Martin. Está começando bem. Há muito tempo eu não lia fantasia dita convencional, mas vários amigos e colegas me recomendaram tanto que acabei comprando para ver no que é que dá. Acho que vai dar samba (ou, no caso, uma canção celta do Clannad).

Aqui, agora, trabalhando e ouvindo no MP3 Player: Protection, Massive Attack. É bom. Todo mundo precisa de proteção de vez em quando.


O convite é da inglesa Victoria Hoyle, que faz parte do coletivo de escritoras do blog Eve´s Alexandria: uma leitura coletiva de Ulysses, de James Joyce, a começar em 16 de junho, no chamado Bloomsday (pra quem não sabe, a data que consta do próprio livro, o dia em que se passa a ação da história).

Ela não chegou a estabelecer nenhuma regra específica, mas pediu que todo mundo que quiser participar escreva um post no dia 16, dando suas primeiras impressões, e depois vá postando em seus blogs periodicamente, do jeito e na freqüência que achar mais conveniente.

Estendo o convite para meus conterrâneos, o que quer dizer: está valendo tanto ler no original quanto em tradução. O importante é ler. E comentar.

Alguém me acompanha nessa?

Pessoal, este é só pra avisar que, na esteira do Pós-Estranho, criei um novo blog, o POST-WEIRD THOUGHTS. Nele, eu estou em parceria com o Jacques Barcia, meu mais novo grande amigo (que nunca vi pessoalmente, pasmem vocês, mas por quem ponho a mão no fogo). O PWT é um blog exclusivamente em inglês, basicamente para resenhas de livros. Mas não pensem que vou abandonar o Pós-Estranho não, pelo contrário. Isto é só o começo da dominação mundial. ;-)

Enquanto a novidade não vem dar na praia, como diria Herbert Vianna, saiu mais uma resenha minha na The Fix. Desta vez é um texto sobre a sensacional Weird Tales, a edição de numero 349, comemorativa de 85 anos da revista (85 anos com interrupção, infelizmente; ela ficou no limbo por mais de vinte anos e só voltou na década de 80, tendo ido recentemente também para a web). Este número é excelente: além de apresentar novos autores, como a ótima Sarah Monette, tem ainda a volta do sensacional Michael Moorcock e seu igualmente sensacional Elric de Melniboné, com sua espada devoradora de almas Stormbringer. Vale a pena assinar.

Os meus leitores já repararam que não estou escrevendo rigorosamente todos os dias, como fazia até bem pouco tempo. Paciência, please, ao menos por enquanto: estou trabalhando muito e as traduções, bem como as aulas, demandam uma grande dedicação.

O que me salva é que minha dedicação aos livros não é menor. A quantidade de livros que estou lendo é grande e vai gerar uma boa quantidade de resenhas muito em breve, algumas para o The Fix (tem uma saindo por esses dias), outras para este blog, outras para um outro blog que está surgindo (pronto, falei). Provavelmente até o fim desta semana ou o começo da próxima estarei abrindo os trabalhos no outro - sem abandonar este nem um pouco, ressalto.

Enquanto isso, lendo os seguintes livros:

The Road, Cormac McCarthy - eu não levava muita fé nesse escritor, muito embora o filme baseado em seu livro No Country for Old Men tenha levado o Oscar, coisa e tal. Mas ontem achei o pocket na Cultura a um preço ridículo de tão barato e comprei. Resultado: quase não dormi esta noite. Não conseguia parar. Extremamente bem escrito. Uma história pós-apocalipse nuclear feita para figurar entre as melhores do gênero, como Damnation Alley, de Roger Zelazny, e The Memoirs of a Survivor, de Doris Lessing.

The Immortalists, de David M. Friedman - um dos melhores livros de não-ficção que li nos últimos tempos, que conta uma história interessante e assustadora ao mesmo tempo: a parceria inusitada entre o herói da aviação norte-americana Charles Lindbergh, responsável pela primeira travessia do Atlântico em 1927, e o cientista francês Alexis Carrel, Prêmio Nobel de Medicina de 1912. O objetivo da parceria: buscar a imortalidade através da perfusão de órgãos, ou seja, a manutenção da vida dos órgãos internos do corpo humano, inicialmente fora do corpo. Um projeto algo frankensteiniano, iniciado em 1930 e que vai se tornando mais assustador quando Lindbergh assume publicamente seu apoio à Alemanha nazista, às vésperas de uma Segunda Guerra Mundial que ele jurava aos militares americanos que jamais aconteceria. Contraditório como todo ser humano, Lindbergh era anti-semita e acreditava na superioridade da "raça" branca (coloco raça entre aspas porque esse conceito já caiu por terra cientificamente), mas ao mesmo tempo era capaz de gestos desprendidos e de uma grande dedicação em projetos que tinham motivação de ajuda humanitária. Foi ele, por exemplo, quem aperfeiçoou um modelo de centrífuga que até hoje é utilizado em laboratórios clínicos, e seu método de perfusão permitiu a evolução de procedimentos científicos para transplantes. Lendo para pesquisa, juntamente com o excelente The Plot Against America, de Philip Roth, uma história alternativa que narra o que poderia ter acontecido aos judeus dos EUA caso Lindbergh tivesse concorrido à presidência em 1940 (isso nunca aconteceu). Roth é sempre uma ótima leitura.

Continuo lendo Vellum, de Hal Duncan, além da biografia de Nietzsche escrita por Rüdiger Safranski, que também é biógrafo de Heidegger. Mais detalhes em breve.

Este arquivo

Esta página é um arquivo de posts recentes da categoria leituras.

implants é a categoria anterior.

lingüística é a próxima categoria.

Posts recentes na página principal - ou vá aos arquivos pra ver outros posts.

pós-estranho

  • estranha jornada noite adentro
    por Fábio Fernandes

  • assine o feed

imagem do banner

  • "Cabeça", colagem digital de Aurora Barbosa.

A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO CYBER - William Gibson, Criador da Cibercultura

  • v e r b e a t b l o g s
  • São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 2006

ONDE COMPRAR A CONSTRUÇÂO DO IMAGINÁRIO CYBER

Partners in Crime

eXTReMe Tracker

  • Add to Technorati Favorites
  • I AM A WEIRD WRITER