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g19_xray_radio_1985A NASA estava anunciando já há alguns dias que tinha uma grande novidade para contar, a descoberta de um objeto que eles andavam caçando há nada menos que cinqüenta anos e que do qual só agora tinham tido confirmação visual.

Claro que não faltaram os engraçadinhos de plantão que mencionaram discos voadores, Área 51, alienígenas e até mesmo um certo padre voador, que não é o Bartolomeu de Gusmão, como todo mundo bem sabe. Nada disso, senhores e senhoras leitores meus: como sempre, a verdade é sempre mais surpreendente. Neste caso, além disso, é bela e elegante. Trata-se de uma supernova, a mais jovem de nossa galáxia. É um grande achado, particularmente se levarmos em conta que a última vez em que isso aconteceu, em nossa pequena galáxia de cem bilhões de estrelas, foi há mais de 400 anos.

Seu nome oficial é G1.9+0.3. Na verdade, o objeto da foto é um composto de gases em expansão, remanescente da explosão de uma supernova, que, para quem não sabe, é o nome dado aos corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas com mais de 10 massas solares.

A supernova em questão fica perto do centro da galáxia, a cerca de 28 mil anos-luz de distância, e tem cerca de 140 anos de idade. A imagem em cores falsas (produzidas para permitir a visualização pelo olho humano) mostra o remanescente conforme visto pelo Observatório Orbital de Raios-X Chandra e o Very Large Array (uma poderosa rede de antenas de rádio) no Novo México, EUA. Só para vocês terem uma noção do tamanho do bicho, o objeto tem cerca de 13 anos-luz de extensão, ou seja, cerca de 130 trilhões de quilômetros de uma extremidade a outra.

A fonte oficial da notícia está aqui. Mas a dica foi da sempre atenta super-astrônoma Giseli Ramos. Os dados técnicos eu peguei no Bad Astronomy, do grande blogueiro-astrônomo Phil Plait.

Nos dias em que estive de cama, não li tanto quanto gostaria, mas consegui finalizar um livro que havia começado há tempos e deixei de lado por causa das traduções e resenhas. Estou me referindo a Accelerando, de Charles Stross. Depois de Neuromancer e Snow Crash, Accelerando é O livro para se ler se você quiser entender um pouco mais sobre as mudanças de paradigma pelas quais o mundo vem passando nas últimas décadas. Accelerando é um fix-up de nove novelas (concebidas desde o começo como romance mas escritas devagar, ao longo de cinco anos) que têm como foco a Singularidade, uma teoria matemática bastante complexa mas que, ao longo das últimas décadas encontrou ressonância no trabalho tanto de físicos como Frank J. Tipler (autor do polêmico mas excelente The Physics of Immortality) quanto o padre e paleontólogo francês Teilhard de Chardin, ambos defensores de uma teoria do Ponto Ômega, literalmente o fim da humanidade para abrir caminho a uma outra inteligência, algo muito explorado em histórias de pós-humanos na New Space Opera. Mas Charles Stross foi um dos que melhor exploraram, em tempos recentes, a complexidade de tamanha empreitada em termos de esforço humano - e impacto na psique e no comportamento da raça. Accelerando precisa ser publicado urgentemente no Brasil.

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