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Recebi hoje o seguinte e-mail da minha amiga e colega pesquisadora Adriana Amaral, a Lady A e repasso com o maior prazer:


Caros amigos e colegas,
Repasso para vocês a entrevista que dei ao programa Cybercubo gravado em abril na TV Feevale (Novo Hamburgo - RS) sob orientação da professora Paula Puhl. O tema foi cyberpunk e cibercultura e o formato do programa foi bem interessante e inovador, buscando algumas referências como o Roda Viva. Espero que gostem. Seguem as 4 partes postadas no youtube:


Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Acabei de ver as quatro partes e adorei. A Adriana, que além de professora e pesquisadora do Mestrado em Comunicação e Linguagens da UTP-PR, é autora do ótimo
Visões Perigosas: uma arque-genealogia do cyberpunk, dá um show de bola na entrevista. Fundamental para quem quer saber mais sobre cibercultura e cyberpunk. Check it out!

Tive a honra de ter meu livro resenhado por uma das tradutoras que mais admiro, a Ludimila Hashimoto, tradutora de Alan Moore (A Voz do Fogo) e dos livros de Terry Pratchett da série Discworld, em seu ótimo blog. Foi a melhor e mais bem sacada resenha sobre ele até agora. Ludi foi uma das poucas observadoras que sacaram o porquê da inserção de uma passagem especial sobre moda no livro. Meu mais sincero obrigado a ela.

Não, prezados leitores, não é uma pegadinha. A PUC-SP está começando hoje um ciclo de animação japonesa, organizado por alunos do primeiro ano do curso de Tecnologia e Mídias Digitais. O primeiro filme será a versão comemorativa de 25 anos do clássico cyberpunk AKIRA, de Katsuhiro Otomo, e este que vos escreve teve o prazer de ser convidado para comentar o filme após sua exibição.

A exibição será às 13h, mas chegar um pouco antes é recomendável. Desculpem a postagem tão em cima da hora, mas só obtivemos confirmação de data ontem à noite. Avisarei com mais antecedência os próximos filmes (entre os quais estará o imperdível Serial Experiments: Lain)

Pessoal, este é só pra avisar que, na esteira do Pós-Estranho, criei um novo blog, o POST-WEIRD THOUGHTS. Nele, eu estou em parceria com o Jacques Barcia, meu mais novo grande amigo (que nunca vi pessoalmente, pasmem vocês, mas por quem ponho a mão no fogo). O PWT é um blog exclusivamente em inglês, basicamente para resenhas de livros. Mas não pensem que vou abandonar o Pós-Estranho não, pelo contrário. Isto é só o começo da dominação mundial. ;-)

blackman.jpgA informação é do Jeff VanderMeer, que ficou sabendo através do interessante blog Eve´s Alexandria: o ganhador do Arthur C. Clarke Award 2008 é Richard Morgan, por seu livro Black Man (título original britânico: a edição dos EUA tem o título de Thirteen).

Richard Morgan é um nome que eu sempre recomendo a amigos e editores. Seus três (até o momento) livros com as aventuras pós-cyber de Takeshi Kovacs, ex-Enviado da ONU no século XXV numa sociedade onde as pessoas trocam de corpos como quem troca de roupas e que alterna a cada livros papéis como os de detetive, mercenário e até criminoso, estão entre os mais criativos deste começo de milênio. Altamente recomendado. Ainda não li Black Man, mas se tiver um décimo da qualidade dos citados acima, já mereceu o prêmio. Leiam correndo esse cara.

Thumbnail image for nodemagazine.jpgCalma, este post não tem nada de sacanagem (do tipo erótico, digo). Como eu nunca cansei de dizer, William Gibson é um grande agente provocador que, através dos seus livros, ajudou a dar forma à cibercultura como a conhecemos hoje. Ou seja, se não fosse por ele, não teríamos o conceito de ciberespaço, o dub não teria tido tanta atenção da mídia, Zion e a a moda óculos-espelhados-roupas-de-couro jamais teriam entrado na moda através de Matrix (que por sua vez não teria nem existido).

Não bastasse ter feito isso, ainda ajudou, com seu amigo e parceiro Bruce Sterling, a cunhar o termo steampunk para denominar toda história de alta tecnologia ambientada no século XIX, graças ao seu livro The Difference Engine.

Quando Reconhecimento de Padrões, o primeiro livro do que agora podemos dizer que é sua mais nova trilogia, foi publicado, uma das coisas mais interessantes é como William Gibson continua influenciando pessoas e tendências sem precisar se esforçar. Apenas pelo fato de sua protagonista desse livro, Cayce Pollard, usar uma jaqueta Buzz Rickson (um tipo de jaqueta de aviador fake e razoavelmente cara) na cor preta, que não existia no mundo real, a Buzz Rickson Products prontamente passou a produzir a dita-cuja não só na sua tradicional cor verde-oliva, mas também na cor preta, que se tornou o modelo "Pattern Recognition" Black MA-1 Intermediate Flying Jacket.

Agora, acabo de ficar sabendo que outro produto derivado do universo gibsoniano vazou para o mundo real: é a Node Magazine, revista criada pelo magnata belga Hubertus Bigend, figura que aparece tanto em Reconhecimento... quanto em Spook Country, seu mais recente livro. Criada em janeiro de 2007, a revista é um apanhado de links sobre William Gibson e suas referências. É uma revista aparentemente simples, mas parece interessante; vale a pena dar uma navegada, nem que seja como tributo ao mestre.

A dica é da Asamiya Athena, que também teceu em seu fotolog elogios ao meu livro A Construção do Imaginário Cyber. Agradeço penhorado!


UPDATE 17 DE MARÇO: Hoje William Gibson completa 60 anos de idade. É, pessoal, o tempo passa - mas o Grande Mestre Cyberpunk continua alive and kicking. Este ano será o Ano Gibson no Brasil - é só aguardar um pouco as novidades da Editora Aleph.

tattoo_celular.jpgQuando eu era mais novo, tinha um enorme fascínio por tatuagens. Cheguei a selecionar algumas imagens de revistas (todas de astronomia - a mais legal era uma gigantesca imagem de Júpiter, mostrando seus detalhes com precisão, inclusive a Grande Mancha Vermelha, a tempestade em forma ovalada que assola uma parte do planeta há cerca de 200 anos) e de livros (a nave Discovery, de 2001 - Uma Odisséia no Espaço, na concepção de Michael Whelan.

Mas o tempo passou e tudo o que acabei fazendo foi furar as duas orelhas, colocar brincos enormes de argola, deixar o cabelo crescer até as costas e andar pelas ruas de Londres em 1991 me sentindo Steve Vai ou Grimjack (quem me conhece hoje não acredita MESMO nisso, mas que aconteceu, aconteceu).

Recentemente, numa conversa entre amigos, eu disse que só colocaria uma tatuagem hoje se ela pudesse ser reconfigurável, ou seja, se eu pudesse mudá-la à vontade sem precisar passar de novo pelas agulhas ou por lasers, e se eu pudesse inclusive ocultá-la quando me enjoasse.

Pois é, não existe nada imaginado pelo ser humano que não possa ser realizado, com tempo, paciência e alta tecnologia. Uma das provas é o trabalho de Jim Mielke, criador da Digital Tattoo Interface, nada menos que uma tela de celular feita com tinta eletrônica e com tecnologia Bluetooth implantada subcutaneamente. A tela aparece e desaparece e pode até ser reconfigurada dependendo da função utilizada (tem até vídeo!).

Mais detalhes aqui.

Se isso der certo e for comercializado, já estou na fila.

...mais uma ótima notícia para os fãs: a Night Shade Books está oferecendo uma série de e-books para download grátis. São três histórias: um conto de Andy Duncan, um conto de Garth Nix e um romance de Richard Kadrey.

Dncan e Nix são autores relativamente novos, que valem a pena ser lidos. Mas Kadrey me chamou a atenção na hora: afinal, ele foi um autor associado à primeira onda cyberpunk. Um de seus contos chegou a ser publicado na falecida edição brasileira da Isaac Asimov Magazine.

A dica foi do Larry, do OF Blog of the Fallen.

(aliás, o Larry é um cara extremamente culto, leitor de Borges no original, e há poucos dias lançou uma questão sobre a forma do épico segundo Borges e Bioy Casares que deu muito o que falar: esse post gerou uma belíssima ponderação/provocação de Hal Duncan, um dos autores da onda New Weird . Pedi permissão a Mr. Duncan para traduzir esse belíssimo texto, mas como ele é muito grande, peço que esperem alguns dias, pois aqui o tempo ruge, como diz meu pai. São muitas coisas a traduzir. Mas espero que se divirtam com o livro de Kadrey e reflitam com os posts de Larry e Hal Duncan.

Rewired.jpgAcabou de chegar: editada no ano passado por James Patrick Kelly e John Kessel, REWIRED é uma antologia que apresenta dezesseis contos escritos e publicados em diversas coletâneas entre 1996 e 2006. Embora a antologia se assuma como "pós-cyber", quase um terço de seus autores estava lá, na coletânea que começou tudo: Mirrorshades. Bruce Sterling, William Gibson, Pat Cadigan, Michael Swanwick estão entre os usual suspects; outros, como Paul Di Filippo, Walter Jon Williams e Mary Rosenblum, são da mesma geração, e não entraram na coletânea original por um triz. Já Greg Egan (um dos poucos a ter contos traduzidos no Brasil, na extinta Isaac Asimov Magazine) deslanchou a carreira mesmo nos anos 1990, assim como Jonatham Lethem (que também já publicou na Asimov, e cujos livros de ficção não-científica a Companhia das Letras tem publicado consistentemente no Brasil) e Gwyneth Jones. Por fim, a realmente nova geração, que já não está se encaixando muito em nenhuma classificação: David Marusek, Charles Stross e Cory Doctorow.

Sobre classificações: lendo ontem a introdução a The Space Opera Renaissance, mencionado em outro post, é possível perceber como a questão das classificações de subgêneros começa a incomodar até mesmo os autores e editores norte-americanos e ingleses (a questão do New Weird, debatida numa lista de discussão em 2003 e publicada parcialmente em The New Weird, também é muito esclarecedora). Mais sobre isso em breve.

overclockedcoverbig.jpgÉ o título (tradução literal) de um ótimo e pertinaz (como dizia meu professor de jornalismo, nos já longínquos anos 1980) ensaio de Clive Thompson na Wired. Analisando uma novela de Cory Doctorow, After the Siege, Thompson faz uma defesa da literatura de ficção científica como a única que ainda explora questões fundamentais do ser nestes tempos cyber - a última grande literatura de idéias.

O que a boa ficção científica nunca deixou de fazer. Desde os tempos anteriores a Isaac Asimov, escritores como A.E.Van Vogt exploravam o impacto das novas tecnologias sobre os seres humanos - ainda que essas tecnologias estejam distantes no futuro, como em Far Centaurus, onde Vogt descreve o que acontece à primeira missão tripulada a Alpha Centauri, em que os astronautas permanecem em sono criogênico até o destino final, quinhentos anos depois... apenas para descobrir que, nesse meio tempo, a raça humana descobriu a viajar a velocidades mais rápidas que a luz e já colonizou Centauri. Como os viajantes congelados lidam com esse choque tecnocultural? É o tipo de questão que permeia a ficção científica desde o pai-de-todos, Frankenstein.

Doctorow, um dos membros mais recentes a entrar para essa honrosa confraria, explora questões mais sintonizadas com a nossa realidade, como a reprodução digital, o copyleft e as comunidades em rede, mas sem deixar de tocar em temas recorrentes para a raça humana, que continuam a nos assombrar, como a guerra e suas conseqüências, o que, além de After the Siege, ele mostra brilhantemente em seu conto When SysAdmins Ruled the Earth, que ganhou o Prêmio Locus de Melhor Noveleta em 2006, e que pode ser lido de graça aqui.

Mas o melhor é que TODA a obra de Doctorow pode ser baixada e lida de graça em seu site, craphound.com. Tanto After the Siege quanto When Sysadmins... podem ser lidos separadamente ou dentro da coletânea Overclocked, graças ao Creative Commons.

Doctorow é o único caso até o momento de um escritor de FC (aliás, de um escritor de QUALQUER tipo de literatura) que disponibilizou de boa vontade sua obra completa na Web. Ele mesmo já declarou que isso tem aumentado o número de vendas de seus livros (que continuam a ser vendidos nas livrarias normalmente); é o fenômeno tropa-de-elite: às vezes cópias gratuitas (ou vendidas a um preço ridículo) impulsionam as vendas do produto original, ao invés de diminuí-las.

Mas, para quem não lê em inglês, don´t worry, be happy: parece que vai pintar livro do Doctorow em português no Brasil em breve. Vamos torcer.

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A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO CYBER - William Gibson, Criador da Cibercultura

  • v e r b e a t b l o g s
  • São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 2006

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