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Eu não disse no meu último post sobre leituras, mas o caso é que ando me apaixonando pela literatura infanto-juvenil - ou o que dizem que é literatura infanto-juvenil, ou YA (young adult), pelo menos nos países de língua inglesa. E que eu não acho que seja tão infanto assim - ou, melhor, que já deixou de ser faz tempo.

Não vou escrever nenhum ensaio aqui agora, mas o caso é que eu recentemente publiquei no Fantasy Book Critic (e em breve também no Post-Weird) uma resenha do EXCELENTE e IMPERDÍVEL livro The Knife of Never Letting Go, do inglês Patrick Ness.

Tendo acabado de ler também outra pequena pérola (ok, eu sei que é clichê, mas o que é que eu possa fazer se é verdade?), The Graveyard Book, da dupla Neil Gaiman/Dave McKean, e também lendo agora Un Lun Dun, o infanto-juvenil do mestre da New Weird, China Miéville (quem ainda não leu a GRANDE entrevista que meu amigo e sócio Jacques Barcia fez com ele, faça o favor de clicar aqui, ora pipocas).

E ainda tenho mais um livro na fila (End of the Century, de Chris Roberson, que tem um conto escalado para uma edição futura da TERRA INCOGNITA). Enfim, é livro que não acaba mais.

Mas o que todos esses livros têm em comum? Todos (com talvez a exceção do livro de Neil Gaiman) apresentam adolescentes que fogem aos estereótipos nos quais os adultos (ou seja, nós, estes ex-adolescentes que vêem essa fase da vida como se pertencesse a outra era geológica, e não há uma ou duas décadas, tão pouco tempo na vida do nosso universo) os tentam enquadrar. Os livros são pé-na-cara, pé-em-deus-e-fé-na-taba, com histórias sobre ritos de passagem, onde os protagonistas sofrem, amam, têm desilusões, mas conseguem se virar no mundo sem os adultos (bom, talvez com a little help de vez em quando), e saem de suas experiências com outro olhar sobre o mundo, outra visão, outro Weltanschaaung, como se diz em filosofia e psicanálise.

Aguardem em breve resenhas desses livros e mais considerações sobre essa nova literatura para jovens que serve, hoje mais do que nunca, para adultos.

UPDATE: A resenha de The Graveyard Book que fiz para o Fantasy Book Critic acabou de sair, aqui.

É o nome do artigo que acabo de publicar na revista online de cibercultura 404nOtF0und, editada pelo professor André Lemos, uma das maiores autoridades brasileiras em cultura cyber e blogueiro de primeira hora, autor do ótimo livro Cibercultura. Esse artigo faz parte de um livro que estou escrevendo sobre moda cyber, ainda sem editora.

Quem me cantou a pedra foi o mestre Jedi Tiagón:

A artista norte-americana Tanya Vlach, que perdeu um olho em um acidente de carro em 2005, está desafiando cientistas a criarem uma câmera que possa ser integrada à sua prótese, para gravar tudo o que mirar.

Mais aqui.

Isso tem tudo a ver com um livro excelente de um autor inglês pouquíssimo conhecido por aqui, D. G. Compton, The Continuous Katherine Mortenhoe. Só que, no livro, quem tem implante de gravação no olho é um jornalista, que acompanha os últimos dias de vida da última pessoa (a tal Katherine Mortenhoe) a morrer de doença numa Terra do futuro em que as pessoas são virtualmente imortais.

Esse livro foi adaptado para o cinema em 1980 por Bertrand Tavernier, e no Brasil recebeu o nome de A Morte ao Vivo, com Harvey Keitel e Romy Schneider. Até onde sei, não saiu em DVD ainda. Merecia.

Quem avisa é Samir Machado de Machado, da Não Editora:

É com imensa alegria que comunicamos que o romance Areia nos Dentes, do Antônio Xerxenesky, é um dos três finalistas do Prêmio Açorianos de Literatura 2008 na categoria narrativa longa.

Categoria Narrativa Longa
- Acenos e afagos, João Gilberto Noll, editora Record.
- Depois do sexo, Marcelo Carneiro da Cunha, editora Record.
- Areia nos dentes, Antônio Xerxenesky, Não Editora.

Ainda estamos de queixos caídos por aqui, assimilando a notícia.

Já pedi ao Samir para, quando os queixos dele e do Antonio voltarem ao normal, concederem uma entrevista a este humilde escriba. E, em breve, resenhas por aqui. Aguardem.

Acabei ontem de ler MultiReal, de Davis Louis Edelman, e só tenho uma coisa a dizer (por ora): é o MELHOR livro de ficção científica que li este ano - e eu li muitos livros de FC em 2008.

Comecei logo na seqüência The Knife of Never Letting Go, de Patrick Ness. Ficção científica que recebeu o rótulo infanto-juvenil, mas não se enganem: Ness escreve com a habilidade de um Ray Bradbury em Something Wicked This Way Comes, ou de um Stephen King em Stand by Me, ou seja, escreve histórias sobre adolescentes mas sem em nenhum momento subestimar a inteligência do leitor, e justamente por isso torna o livro uma leitura para todas as idades.

Terminando de ler agora a coletânea de contos inéditos (pasmem) de piratas Fast Ships, Black Sails, editada por Ann e Jeff VanderMeer. Dica para os editores: as coletâneas do casal VanderMeer precisam ser publicadas URGENTEMENTE no Brasil; para aqueles que têm medo porque os autores são desconhecidos em terra brasilis (o que é uma meia-verdade, pois eles são de fato inéditos no Brasil, mas já são conhecidos por muitos fãs), fiquei sabendo (embora ainda não tenha confirmado a informação) de que uma editora do Rio de Janeiro adquiriu os direitos da série de fantasia histórica Teméraire, de Naomi Novik, autora que está na coletânea de piratas.

E, fechando este post (porque ainda tenho muitos outros livros na minha mesa de cabeceira): recebi da Editora DCL o romance infanto-juvenil de FC Híbridos - Nem Homens, Nem Máquinas, de David Thorpe. Aguardem resenha em breve aqui. Obrigado a Alexandre Nix pelo envio.

Devorando a coletânea de contos inéditos Fast Ships, Black Sails, editada pelo casal Ann e Jeff VanderMeer (co-editores das EXCELENTES coletâneas The New Weird, Steampunk). A temática é no mínimo inusitada, mas faz sucesso nos EUA: piratas!

Tem de tudo: de piratas do espaço em naves orgânicas às velhas e clássicas histórias ded piratas buscando tesouros nas selvas da América do Sul. Já estou quase na metade e gostando muito. Aguardem mais comentários aqui.

Além disso, começando agora MultiReal, continuação de Infoquake, outro ótimo livro pós-cyber de David Louis Edelman. Aguardem resenhas e uma entrevista com Mr. Edelman em breve no PWT.

Falei tanto no Invisibilidades (o blog está temporariamente fora do ar por problemas técnicos) que esqueci de agradecer a um grande amigo, que infelizmente não pôde ir, mas que esteve presente ao almoço dos colaboradores no sábado, antes do evento: trata-se do Ivo Heinz, que não só compareceu como cumprimiu uma promessa que havia me feito há tempos (e verdade seja dita: só não cumpriu antes porque EU não consegui me encontrar com ele antes): me deu uma cópia do livro Through Stranger Eyes, uma coletânea de ensaios de David Brin. Muito obrigado, Ivo!!

ensaio_sobre_a_cegueira
Ainda não tive tempo de ver o filme do Fernando Meirelles, que, está todo mundo dizendo, é bom - espero, porque além de Meirelles ser um tremendo dum cineasta, ele não podia ter escolhido livro melhor para adaptar nesses tempos de cegueira coletiva da humanidade: Ensaio sobre a Cegueira é um dos melhores livros de José Saramago, e tem tudo a ver com ficção científica no que ela tem de melhor: a crítica à sociedade contemporânea.

Escrevi uma crítica do livro no Le Monde Diplomatique. Em breve, comentários sobre o filme aqui.

Tá lá na home, mas o link principal é este aqui.

O autor? Um ilustre desconhecido, inclusive para mim: Robert T. Jeschonek, que acaba de publicar seu primeiro livro, Mad Scientist Meets Cannibal, na verdade um showcase da PS Publishing, com poucos contos. Mas excelentes. Jeschonek lembra (como diz Mike Resnick no prefácio) R.A. Lafferty, muito pouco lembrado no Brasil, mas também lembra dois dos meus autores preferidos da velha guarda: William Tenn e Fredric Brown. Fiquem de olho nesse cara. Vale a pena.

Meu sócio, parceiro de crime, amigo-quase-irmão Jacques Barcia lavrou um tento, como se dizia em tempos steampunk de antanho: conseguiu entrevistar o escorregadio China Miéville, autor de um dos top ten de FC e Fantasia de todos os tempos: Perdido Street Station.

A entrevista pode ser lida aqui, no Post-Weird Thoughts. Em inglês.

Lavinia2

Este é o livro que muita gente estava esperando. Lavínia é o mais recente livro da mestra Ursula K. LeGuin. Ambientado no mesmo cenário da Eneida, de Virgílio, LeGuin usa um recurso semelhantes ao que Marion Zimmer Bradley usa em As Brumas de Avalon: dar voz à mulher, relegada a um papel secundário (ou nulo) na história.

Na Eneida, Virgílio só cita Lavínia, a segunda esposa de Enéias, ao tratar de um presságio: na véspera do desembarque de Enéias em Latinum (região da Itália anterior à fundação de Roma), os cabelos de Lavínia's aparecem recobertos por uma espécie de fogo-fátuo, um augúrio de que a guerra está por vir.

Em Lavínia, Le Guin reverte inteligentemente o jogo, dando voz à personagem que da título ao livro. Filha do Rei Latinus e da Rainha Amata, governantes de Latinum, Lavínia foi prometida pela mãe (semi-enlouquecida pela perda de seus outros filhos por doenças ainda na infância) a seu sobrinho, Turnus, rei da vizinha Rutuli. Mas o rei discorda: seguindo as palavras de um oráculo, ele anuncia que Lavínia se casará com um estranho recém-chegado de Tróia, Enéias. Isso vai provocar uma guerra civil.

Estou apenas citando uma sinopse, porque acabei de receber o livro. Aguardem uma resenha mais saborosa em breve.


Acabo de receber da Amazon a coletânea Leviathan no. 4, editada por Forrest Aguirre. Já tinha ouvido falar muito bem dela, e parece que não vou me arrepender. Entre os autores, vários cujos contos eu já li em coletâneas como Steampunk, The New Weird ou Paper Cities: Michael Cisco, Ben Peek, Jay Lake (este é sensacional, recomendo fortemente), KJ Bishop e Stepan Chapman (outro que me surpreendeu).

E esqueci de agradecer em público ao meu sócio-amigo-quase-irmão, Jacques, que na Fantasticon me deu o romance Trial of Flowers - a Novel of the City Imperishable, do Jay Lake. Eu já sou fã do Lake por suas incríveis histórias de cidades bizarras, e estou louco para ler essa história, que se passa no mesmo ambiente de seu excelente conto Promises; a Tale of the City Imperishable. Valeu, meu camarada!!!!

As férias começaram ma non troppo: hoje retomo os estudos de doutorado (uma análise do conceito de pós-humano na ficção científica) e continuo trabalhando em projetos e escrevendo. E, claro, lendo bastante. Abaixo, uma lista do que tenho lido:

Perdido Street Station, de China Miéville - relendo este já clássico que inaugurou o subgênero literário chamado de New Weird. Miéville, que já escreveu mais dois livros ambientados no universo bizarro de New Crobuzon: The Scar e Iron Council, além de uma ótima coletânea chamada Looking for Jake, que contém uma história de New Crobuzon mas outras igualmente incríveis, lançou recentemente um infanto-juvenil que de bobo não tem nada: Un Lun Dun, que narra a incrível viagem de duas meninas por uma Londres oculta - algo no mesmo tom de Neverwhere, de Neil Gaiman, mas ao mesmo tempo bem diferente. Vale a pena conferir. Aguardem resenha em breve, além de uma surpresa no Post-Weird Thoughts.

Dreamsongs, Vol. 1, de George R. R. Martin - Comecei agora; o grande barato é ler os primeiros contos que o cara publicou em zines na década de 1960. Coisas meio lovecraftianas, mais para Old Weird que para New, mas também o cara tá com quase 70 anos, né? Muito bom

Mad Scientist Meets Cannibal, de Robert T. Jeschonek. Autor de livros de Star Trek, Jeschonek estreia com uma minicoletânea que faz parte do showcase da PS Publishing. O livro ainda não saiu, mas recebi uma ARC (Advance Reviewer Copy) para resenhá-lo no The Fix. Esse cara eu não conhecia, mas até agora estou adorando os contos da minicoletânea. Jeschonek lembra Frederic Brown e William Tenn. Bárbaro!!

A Magia das Máquinas - John Wilkins e a origem da mecânica moderna, de Ana Maria Alfonso-Goldfarb. Excelente livro, fruto da dissertação de mestrado da Professora Goldfarb, da PUC-SP, para pesquisa no romance que estou escrevendo agora (mais sobre isso depois).

Trabalhando muito em ritmo de fim de semestre, mas sempre me atualizando com novas leituras. Aqui, uma lista do que estou lendo neste momento:

Perdido Street Station, de China Miéville - O clássico da New Weird. Relendo. Preciso dizer mais?

The Word of God, de Thomas M. Disch - Tom Disch é um autor clássico norte-americano. Seu livro Camp Concentration é um dos melhores dos anos 1960. Aqui, ele pega onde Philip K. Dick largou e assume para si o papel de divindade. Eu vi a luz e me rendi: só espero que ele perdoe a nós, pobres pecadores, por não termos prestigiado a palestra que ele deu na PUC-RJ em 1990 (quero dizer, vocês é que vão arder no inferno, porque eu e mais meia-dúzia estivemos lá e vimos em seu rosto a tristeza por ter tão poucos interlocutores).

The Plots to Rescue the Tsar, de Shay McNeal - Um interessantíssimo livro e dos planos que foram feitos para o resgate do czar, sua mulher e seus filhos após a Revolução Russa - o que acabou não ocorrendo. Lendo como pesquisa para finalizar meu romance.

Dying of the Light, de George R. R. Martin - o primeiro romance de um dos maiores autores de fantasia de hoje, autor da saga A Song of Ice and Fire. Esse livro é de ficção científica, e é ambientado no mesmo universo da belíssima novela A Flor de Vidro, que traduzi há quase vinte anos para a finada edição brasileira da Isaac Asimov Magazine.

A Game of Thrones, de George R. R. Martin - o primeiro volume da saga de fantasia de Martin. Está começando bem. Há muito tempo eu não lia fantasia dita convencional, mas vários amigos e colegas me recomendaram tanto que acabei comprando para ver no que é que dá. Acho que vai dar samba (ou, no caso, uma canção celta do Clannad).

Aqui, agora, trabalhando e ouvindo no MP3 Player: Protection, Massive Attack. É bom. Todo mundo precisa de proteção de vez em quando.


O convite é da inglesa Victoria Hoyle, que faz parte do coletivo de escritoras do blog Eve´s Alexandria: uma leitura coletiva de Ulysses, de James Joyce, a começar em 16 de junho, no chamado Bloomsday (pra quem não sabe, a data que consta do próprio livro, o dia em que se passa a ação da história).

Ela não chegou a estabelecer nenhuma regra específica, mas pediu que todo mundo que quiser participar escreva um post no dia 16, dando suas primeiras impressões, e depois vá postando em seus blogs periodicamente, do jeito e na freqüência que achar mais conveniente.

Estendo o convite para meus conterrâneos, o que quer dizer: está valendo tanto ler no original quanto em tradução. O importante é ler. E comentar.

Alguém me acompanha nessa?



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  • Jornalista, tradutor. Escritor, roteirista e dramaturgo. Pesquisador de cibercultura e professor do cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Jogos Digitais da PUC-SP. Interesses de pesquisa: comunicação e cibercultura, semiótica, teoria literária, ficção científica, tribos e subculturas, novas mídias, games.
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