Nós não somos nada nesta vida - ou, descanse em paz, Marcelo

Agora há pouco fiquei sabendo pela Bia Kunze, a garota sem fio, via Twitter, da morte do Marcelo Nobrega. Para quem não conhecia o Marcelo, tomo a liberdade de reproduzir o que está na página dele do seu site, futuro.vc:


Cubro tecnologia há sete anos, especializado em celulares, gadgets, software, games e web 2.0. Escrevo para sites como o IDGNow, jornais (Jornal do Brasil, O Globo), revistas como a Rolling Stone Brasil, Revista da MTV e outras. Trabalho como Product Owner, ou coordenador de produto, em entretenimento na Globo.com.


O que o site não diz (o que nenhum site diz, aliás, sobre seu próprio criador): segundo quem conhecia o Marcelo, o cara era "um daqueles caras que você gosta de graça, pessoa de coração bom" (Fernando Fábio Seixas).

Para mim, que não conhecia o Marcelo, o que marca é a estupidez da morte súbita, aquela "indesejável das gentes", segundo Manuel Bandeira, que sempre vem quando a gente menos espera - e alguém me perguntará: e quando diabos a gente espera a morte? Os monges tibetanos esperam. Budistas em geral aprendem a conviver com a morte desde pequenos. Infelizmente minha formação budista sempre foi muito falha - não por culpa de meus mestres, mas por minha própria. Eu nunca soube lidar com a morte.

Por isso minha perplexidade diante desse infarto fulminante que levou um cara ainda jovem (não estou conseguindo achar a idade dele, mas me disseram - não confirmei - que ele teria 49 anos; quem souber por favor me confirme - UPDATE: segundo a rapaziada dos comentários, entre 32 e 36, o que só aumenta meu sentimento de assombro, por ter ido tão novo). Seja qual for a idade, o fato é que Marcelo Nóbrega era um homem que trabalhava, e muito, e estava aí, na vida, atuando, comunicando, sendo. E agora não é mais, não está mais (não aqui, mas isto não vem ao caso agora).

Toda morte tem pelo menos sempre um propósito: fazer os vivos pensarem que um dia será a vez deles. E isso não deveria ser uma coisa ruim. Isso deveria nos servir de convite para cuidarmos melhor do corpo, da cabeça e do coração. Para cuidarmos melhor de quem a gente ama. Porque, como disse Clara dos Anjos, a triste personagem do mais triste ainda Lima Barreto, nós não somos nada nesta vida. Ou seja: uma hora estamos aqui - e de repente não estamos mais. E é justamente por isso que devemos aproveitar cada minuto.

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Bruno Natal, do blog URBe, escreveu um texto bacana, de quem conheceu o Marcelo. Elis Monteiro e André Machado, Alexandre Matias , Pedro Doria e Henrique Martin também. Seguindo o exemplo do Bruno, conforme aparecerem mais textos, linkarei aqui.

11 Comments

dia muito triste aqui na Globo.com. essas coisas são muito estúpidas. não sei dizer com certeza a idade que tinha, mas era bem mais novo, em torno dos 35 anos.

abração.
gejfin

Belo texto.
E fico preocupado comigo mesmo, pois meu corpo emitido sinais de alerta e eu não tenho dado a devida atenção.

PS: Fábio Fernandes, só uma correção: lá em cima, não é "Fernando", é "Fábio" Seixas.

Eu também não conhecia o Marcelo pessoalmente, mas realmente fatos triste como esse nos mostram que não somos eternos e nem sempre vivemos como se a nossa estadia aqui tivesse hora para acabar.
Muito emocionante o seu post e que o Marcelo descanse em paz!
Déh


o conheci pessoalmente, muito rapidamente, mas tinha algum contato com ele e troquei umas ideias aqui e ali. o suficiente para admirá-lo. excelente profissional, inteligentíssimo... muito admirado por todos.
que eu saiba, ele tinha menos de 40 anos. uma pena, nem chegou na metade da vida e já foi embora... só mostra o quanto a vida é um fio fino e frágil, que pode se romper a qualquer momento... é uma grande perda sem dúvida.

Marcelo tinha apenas 36 anos. Era um cara maravilhoso. Apaixonado por tudo que fazia, pela família, pela vida. Um cara daqueles que sempre soube o que queria, firme em suas decisões. De uma inteligência ímpar, o papo com ele poderia durar horas e a gente nem sentia o tempo passar. As conversas iam desde amenidades à questões políticas, literatura. Cinema. E Tecnologia, claro.
Marcelo marcou a minha vida, mesmo. Passou e deixou uma marca mais que especial. Só ele tinha a coragem de me dizer certas verdades e, muitas vezes, me ensinou a olhar o lado certo das coisas. Foi ele quem disse uma vez, que deveria ver mais o lado bom das coisas, a beleza que nos cerca. A ser mais feliz. Marcelo era sinônimo de lealdade e alegria.

Muita tristeza mesmo aqui pela Globo.com.

Marcelo era uma pessoa incrível, que em pouquíssimo tempo ficou amigo.

Volta e meia eu e ele revezávamos as caronas de idas e vindas pra globo.com. Já me sinto estranho por saber que ele nunca mais estará ao meu lado pra aguentarmos o maldito trânsito para a Zona Sul, enquanto falávamos besteira pra passar o tempo.

Se não me engano, ele tinha 32-33 anos.

Abs, Pedro Dale (@pedrodale)

Fábio, o Marcelo tinha 32 ou 33 anos, completados dia 20 de janeiro. Eu estudei com ele no primário. Muito triste mesmo.

Segundo o pessoal do ForumPCs, ele tinha 33.

http://www.forumpcs.com.br/coluna.php?b=254964

33 anos. Se ele desencarnou tão cedo não foi por acaso, com certeza isto estava previsto no caminho da evolução espiritual dele. Deus sabe o que faz, e se teve que ser assim, é porque foi algo bom pra ele.

Pois é, Gejfin, e isso me deixa ainda mais assustado, com meus 43 anos e vinte quilos acima do peso.

É verdade, Enoch. É preciso estar atento e forte.
Valeu pela correção! Já está efetuada!!

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Esta página contém um post de Fábio Fernandes publicado em maio 29, 2009 1:08 PM.

Philip Roth, os limites da idade (e de como já somos pós-humanos sem perceber) é a postagem anterior.

A vida dá, a vida tira (ou: o luto continua) é a próxima postagem.

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    por Fábio Fernandes

  • Jornalista, tradutor. Escritor, roteirista e dramaturgo. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Pesquisador de cibercultura e professor do cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Jogos Digitais da PUC-SP. Interesses de pesquisa: comunicação e cibercultura, semiótica, teoria literária, ficção científica, tribos e subculturas, novas mídias, games.
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