Amazon.com e liberdades individuais

Quanto mais a grande teia mundial que é a Web abre a sua roda, mais a questão das liberdades individuais começa a ser discutida e rediscutida. Como no post mais abaixo sobre Heidegger e Derrida, leis existem - mas e quando é chegada a hora (seja por avanços tecnológicos, seja simplesmente porque a comunidade de cidadãos deseja, num estado democrático, novas leis ou regulamentações que ajudem a gerir, gerenciar, e não a mandar e oprimir) de mudar?

O caso #amazonfail é uma ótima ilustração disso. Até porque não se trata exatamente da aplicação de uma lei - não num primeiro momento, segundo a visão da Amazon - mas de um "direito" que eles se dão de remover os dados de ranking de vendas de todos os livros GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), com a alegação de respeitar o leitor adulto que frequenta o site - o que é engraçado, pois o leitor adulto pode tranquilamente acessar conteúdo relacionado à Playboy e não pode acessar mais rankings de vendas de O Amante de Lady Chatterley, de 1928? (os critérios inclusive não fazem sentido, porque nem sequer obedecem direito à própria homofobia explicitada pelo comportamento da empresa).

Querem mais sobre essa polêmica? Estou sem tempo para traduzir este texto EXCELENTE e HIPER-EM CIMA DA NOTÍCIA de Evgeny Morozov, do site net.effect, mas vale a pena vocês pararem tudo o que estão fazendo, lerem com calma e assinarem esta petição, que em poucas horas já tem mais de 1541 assinaturas (assinei-a há cinco minutos e duzentas pessoas assinaram na sequência, para vocês terem uma idéia da velocidade do negócio). Assinei e deixo público meu protesto, bem como minha decisão de não comprar mais nada na Amazon até que ela retire essa política homofóbica.

Talvez os idiotas da objetividade discordem. É o direito deles. Que bom vivermos numa democracia, hein? Já pensou se fosse no tempo da ditadura? Eu não poderia dizer o quanto essa ação da Amazon é imbecil, fascista, autoritária e preconceituosa (e também burra, porque afinal de contas o negócio deles é ganhar dinheiro, certo?), como algumas pessoas que mandam hate comments e hate mails para este escriba não poderiam protestar publicamente sem correrem o risco de terem suas casas invadidas no meio da noite e acabarem num porão do DOI-CODI, como aconteceu a pessoas de minha família - não é lenda, crianças, aconteceu mesmo.

Sigamos as leis? Sigamos. Mas não como cordeiros. Sem violência, mas com urgência. Porque discordar de boca é fácil. Difícil é assinar uma petição. Ou assim os fascistas (sim, crianças, eles ainda existem!) desejam que pensemos. Mas o mundo pode ser mudado. E está mudando. A luta continua - sempre.

7 Comments

A intolerância é intolerável!
Já assinei e vou recomendar esse boicote às pessoas...começa assim, continua pior.

Putz Fábio, que pancada é essa que levo pra começar meu dia?
E de quem ainda por cima? Da livraria mais festejada do mundo?!

Kct.

Já assinei.

Fabio, o Direito está sempre correndo atrás das mudanças da sociedade, por isso não é raro injustiças como a do post abaixo. Mas o que realmente surpreende e decepciona são atitudes como essa da Amazon, simplesmente imperdoáveis.

Melhoras!

Este não é um caso de "cumprir" ou "descumprir" leis estabelecidas. Este é um caso de verdadeiro descalabro e insensatez. Uma atitude preconceituosa dessas vai trazer enormes prejuízos à Amazon (tanto financeiros - porque muitos deixarão de comprar lá, escandalizados - quanto institucionais, já que sua imagem ficará indelevelmente manchada); será que ninguém lá tem esta noção? Quanto mais o tempo passa, mais me surpreendo com a pequenez humana.
Assinei a petição.

Caramba, apesar de elegerem Obama, os neocons continuam em todas as frentes.

O pior é este tipo de atitude vir de um varejista virtual ! Será que a turma neocon compra tanto assim que compensa eventuais perdas de clientes que, mesmo sem serem GLBTs, são ao menos simpatizantes da Liberdade de Expressão ???

E livros de História Alternativa falando de um suposto 3o. Reich vitorioso podem ter rankings de vendas, sem problemas, né ??? Os Judeus, Gays, Franceses, Holandeses e outros perseguidos ou invadidos não poderiam reclamar também ?
E isso eu falo de carteirinha, gosto muito de HA e este é o tema mais conhecido; na Comunidade do Orkut que eu modero (Ucronia e História alternativa), vira e mexe aparece alguém ressucitando tópicos antigos.

Como fala o Barreiros, tristes tristezas.

Não concordo com a atitude da Amazon mas vale lembrar também que se havia antes o sistema de ranking para tais livros >ALGO

(este comentário também é uma forma de rede social)

Nem preciso pronunciar minha decepção com atitudes medievais que ainda existem nos dias atuais. Não esperava um posicionamento tão homofóbico por parte da Amazon.com (e estranhei: por que eles acham que estariam respeitando o leitor adulto dessa forma?).

Vou assinar agora a petição e aguardar o resultado disso tudo!

Abraços

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Esta página contém um post de Fábio Fernandes publicado em abril 12, 2009 6:26 PM.

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    por Fábio Fernandes

  • Jornalista, tradutor. Escritor, roteirista e dramaturgo. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Pesquisador de cibercultura e professor do cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Jogos Digitais da PUC-SP. Interesses de pesquisa: comunicação e cibercultura, semiótica, teoria literária, ficção científica, tribos e subculturas, novas mídias, games.
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