Ele conseguiu o que só Henrique V. Flory havia conseguido: publicar dois livros seguidos em dois anos. (E, se vocês, meus leitores, não sabem quem é Henrique V. Flory, não os culpo, pois ele parou de escrever FC e hoje escreve livros de Administração, mas mesmo assim vocês perderam uma parte importante da história da FCB dos anos 1980/1990).

Estamos falando de Tibor Moricz, um dos autores mais comentados dos últimos tempos na comunidade de ficção científica brasileira. Depois de lançar Síndrome de Cérbero no começo de 2007, Tibor encerra 2008 com fome, ou melhor, com FOME, seu livro mais recente. Abaixo, uma entrevista inédita que Tibor concedeu exclusivamente para este blog, por e-mail.



Pós-Estranho - Para os leitores que não o conhecem: quem é Tibor Moricz? Fale um pouco de você.

Tibor Moricz - Nasci em São Paulo e morei aqui até os 14 anos, quando minha família se mudou para Araçatuba. Ficamos por lá até que eu fizesse 20 anos, viemos então para o Litoral de São Paulo, onde meus avós tinham uma pensão. Até hoje alterno momentos em Sampa e no Litoral. Mas minha residência fixa, hoje, é em Solemar na Praia Grande.
Sou um otimista por definição. Acredito que coisas boas virão (espero sempre que venham, espero... espe...ro...zzzzz) (risos).
Sou confiante, resoluto e firme nas minhas convicções. Sou um cara em constante mutação. Fica difícil ter um registro de mim mesmo nessas circunstâncias. Me adapto ao ambiente, sou camaleônico.


PE - Qual é o seu método? Você tem alguma disciplina para escrever?

TM - Sou completamente indisciplinado.
Escrevo quando me dá na telha e geralmente sem nenhuma idéia pré-concebida, nem argumento, nem roteiro, nem porra nenhuma. Simplesmente sento e começo a bater no teclado. Romances exigem um pouco mais de disciplina e para eles dedico algum tempo construindo um esqueleto que servirá sempre para firmar o capítulo seguinte (jamais a história toda).


PE - O que você acha da FC aqui e lá fora?

TM - Lá fora tenho muito pouco para achar. Meu inglês é bom para navegar pela Internet sem tropeços, mas fraco para a literatura. Além dos clássicos não conheço ninguém, fora o pouco que é traduzido aqui no país.
Me sirvo então do cardápio variado que a FC brasileira me oferece. Temos excelentes autores e um mercado que vai se abrindo ao gênero gradativamente.
Cada vez mais títulos vão sendo despejados, não só de FC, mas também de Fantasia. Tem muita coisa ruim, mas também muita coisa boa. Destaque para a Christie com seu excelente Fábulas do tempo e da eternidade.


PE - Quais são seus autores preferidos (tanto de FC quanto de qualquer outro gênero)?

TM - Não tenho autores preferidos. O melhor é aquele que está na leitura da vez. Sou um leitor atípico, não me prendo a autores, nem gêneros. Não conseguiria elaborar uma lista de preferências.

PE - Que autores influenciam sua escrita?

TM - Se sofro influências, elas vem de uma sopa primitiva, formada pela leitura de vários autores desde minha adolescência. Não consigo definir isso, não conseguem definir isso.


PE - Quais são seus próximos projetos literários?

TM - Sou um escritor indisciplinado, um leitor atípico e um péssimo projetista. Não faço projetos. Tenho um romance em avaliação numa importante editora em regime de exclusividade e outra obra em andamento; um romance que mistura discos voadores e aparições religiosas. Além disso, apenas um quadro negro, alguns gizes e muita disposição. Mas cada coisa a seu tempo. Não projeto nada para o futuro. Cada obra, seja conto ou romance, nasce ao sabor do acaso.


PE - Você tem fome de quê?

TM - De ver a literatura de gênero receber no país a importância que deveria ter. De encontrar colunas nas mídias mais importantes, discutindo o gênero. De ver a boa literatura vencer e a má definhar, vencida pelas engrenagens de mercado. De ver excelentes autores como você, Fábio, e outros, publicados e fazendo o sucesso que tanto merecem.

Além de Síndrome de Cérbero e Fome, Tibor terá um conto inédito publicado no número três da revista TERRA INCOGNITA, que estará online ainda esta semana.

9 Comments

Eita! O Tibor mora na Praia Grande? Morei lá boa parte da minha infância...O que, ok, não tem picas a ver com a entrevista, foi só a surpresa. :-)

Muito legal, a entrevista. Parabéns aos dois, Tibor e Fábio, o Tibor pelo livro e o Fábio pelo espaço a tudo o que se faz de interessante no gênero, aqui, lá fora e quiçá em outros mundos. :-)

Abs.
L.

Boa entrevista.

Li o primeiro livro do Tibor, "Síndrome de Cérbero' e gostei muito, já li alguns contos dele e também achei muito bons.

Fabião, excelente você lembrar do Flory, ambos tem outras coisas em comum: chegaram de repente e com trabalhos bons, só espero que o Tibor não "suma", heheheheh.

Abraços

Salve, Lúcio! Obrigado pelos comentários gentis! Servimos melhor para servir sempre! :-)

Pois é, Ivo, mas acho que o Tibor não some não - apesar de morar mais longe, ele é um cara muito integrado ao fandom. Espero que a produção dele aumente muito nos próximos anos!

Lúcio,
Praia Grande faz parte de nossas vidas, entonces...:)

Ivo,
Não sumo, não. Estarei cada vez mais presente. Sempre.

Fábio,
Obrigado pela enorme força!! :))

Ei Tibor!

Adoro indisciplinados que dão certo, eles me dão esperanças de ser alguém sem nunca ter que me disciplinar!!
Morar na praia deve ser tudo de bom, não? Estou pensando em ir me isolar em PG pra escrever a tese.

Estarei no lançamento amanhã!

Beijos!
Cris

Indisciplinados que dão certo?? Quem disse que eu dei certo? Ainda tenho um longo caminho pela frente (bem, espero que nem tão longo assim, já não sou mais um garoto...rsrs). Bom saber que estará lá!

Essa entrevista me lembrou Raul: eu prefiro ser esse camaleão ambulante...

Estarei lá depois de amanhã também :)

Quer dizer... o lançamento ainda é amanhã!! :-)

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Esta página contém um post de Fábio Fernandes publicado em dezembro 2, 2008 2:00 AM.

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    por Fábio Fernandes

  • Jornalista, tradutor. Escritor, roteirista e dramaturgo. Pesquisador de cibercultura e professor do cursos de Tecnologia e Mídias Digitais e Jogos Digitais da PUC-SP. Interesses de pesquisa: comunicação e cibercultura, semiótica, teoria literária, ficção científica, tribos e subculturas, novas mídias, games.
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