Reflexões

Só agora, ao postar a entrada abaixo, percebi que fiquei quase 15 dias sem postar. Os mais atentos vão ver que andei cuidando um pouco mais do meu outro blog, mas não é o único motivo, claro. Trabalho, estudo e otras cositas más têm me segurado e feito com que eu concentre minha atenção (e a atenção de minha pena digital) em outros textos - a maioria dos quais, por enquanto, não verá publicação. (Mas apenas por enquanto, se tudo correr bem.)

Mas uma coisa tem me chamado a atenção ultimamente (eu já ia digitando chamado a intenção, o que seria um ato falho bem interessante): a quantidade de gente cantando a canção de Kali. O quê, senhores e senhoras meus leitores? Vocês não entenderam? Explico com prazer: a canção de Kali é uma referência a um clássico moderno da literatura de horror, Song of Kali, do fantástico Dan Simmons. Não vou dar uma resenha do livro hoje (juro que faço isso outro dia, se vocês quiserem, porque vale a pena), mas desde que o li, costumo usar essa expressão, que é citada pelo protagonista no seu monólogo na página final (impactante como um Joyce ou um Graham Greene, apenas para ficar em dois autores que me comovem pra burro) para falar das pessoas no mundo que cantam o ódio, a destruição, o caos, ou simplesmente a tosqueira, a bobagem e o desrespeito. Projetos são desfeitos, sonhos são assassinados, coisas que temos guardadas no coração simplesmente são arrancadas de nossos braços e se estilhaçam no chão. Assim como gente, sonhos também morrem.

Não consigo mais ser assim, me desculpem. Ainda escrevo sobre gente que sofre, sobre gente que morre, e morre mal - mas concordo com o Tarantino quando ele diz que a violência no cinema é para ficar no cinema. É a velha catarse aristotélica em ação - que venha então. Continuo com o sofrimento na escrita. É a única maneira de exorcizar os demônios e ser feliz. E é o que estou fazendo agora. Já tive muitos sonhos mortos. Não mais, crazy people, não mais. No que depender de mim, os meus sonhos e os dos meus amigos vão crescer e se multiplicar. Eu canto o canto de Krishna.

Ouvindo Life on Mars?, na versão do Seu Jorge. Meio melancólico, não reparem.

2 Comments

Muito bom texto, Fábio. Nunca deixe a vida ordinária que temos ser dominante. Ela é sem graça e repetitiva. Sonhe, mas sonhe muito mesmo. E compartilhe esses sonhos com outros sonhadores. Até onde isso pode ir, hein? Bem vindo de volta as postagens. Estávamos com saudades! Abraço.

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Esta página contém um post de Fábio Fernandes publicado em August 31, 2008 9:25 PM.

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