Os meus leitores já repararam que não estou escrevendo rigorosamente todos os dias, como fazia até bem pouco tempo. Paciência, please, ao menos por enquanto: estou trabalhando muito e as traduções, bem como as aulas, demandam uma grande dedicação.

O que me salva é que minha dedicação aos livros não é menor. A quantidade de livros que estou lendo é grande e vai gerar uma boa quantidade de resenhas muito em breve, algumas para o The Fix (tem uma saindo por esses dias), outras para este blog, outras para um outro blog que está surgindo (pronto, falei). Provavelmente até o fim desta semana ou o começo da próxima estarei abrindo os trabalhos no outro - sem abandonar este nem um pouco, ressalto.

Enquanto isso, lendo os seguintes livros:

The Road, Cormac McCarthy - eu não levava muita fé nesse escritor, muito embora o filme baseado em seu livro No Country for Old Men tenha levado o Oscar, coisa e tal. Mas ontem achei o pocket na Cultura a um preço ridículo de tão barato e comprei. Resultado: quase não dormi esta noite. Não conseguia parar. Extremamente bem escrito. Uma história pós-apocalipse nuclear feita para figurar entre as melhores do gênero, como Damnation Alley, de Roger Zelazny, e The Memoirs of a Survivor, de Doris Lessing.

The Immortalists, de David M. Friedman - um dos melhores livros de não-ficção que li nos últimos tempos, que conta uma história interessante e assustadora ao mesmo tempo: a parceria inusitada entre o herói da aviação norte-americana Charles Lindbergh, responsável pela primeira travessia do Atlântico em 1927, e o cientista francês Alexis Carrel, Prêmio Nobel de Medicina de 1912. O objetivo da parceria: buscar a imortalidade através da perfusão de órgãos, ou seja, a manutenção da vida dos órgãos internos do corpo humano, inicialmente fora do corpo. Um projeto algo frankensteiniano, iniciado em 1930 e que vai se tornando mais assustador quando Lindbergh assume publicamente seu apoio à Alemanha nazista, às vésperas de uma Segunda Guerra Mundial que ele jurava aos militares americanos que jamais aconteceria. Contraditório como todo ser humano, Lindbergh era anti-semita e acreditava na superioridade da "raça" branca (coloco raça entre aspas porque esse conceito já caiu por terra cientificamente), mas ao mesmo tempo era capaz de gestos desprendidos e de uma grande dedicação em projetos que tinham motivação de ajuda humanitária. Foi ele, por exemplo, quem aperfeiçoou um modelo de centrífuga que até hoje é utilizado em laboratórios clínicos, e seu método de perfusão permitiu a evolução de procedimentos científicos para transplantes. Lendo para pesquisa, juntamente com o excelente The Plot Against America, de Philip Roth, uma história alternativa que narra o que poderia ter acontecido aos judeus dos EUA caso Lindbergh tivesse concorrido à presidência em 1940 (isso nunca aconteceu). Roth é sempre uma ótima leitura.

Continuo lendo Vellum, de Hal Duncan, além da biografia de Nietzsche escrita por Rüdiger Safranski, que também é biógrafo de Heidegger. Mais detalhes em breve.

2 Comments

Fiquei apaixonado pelo texto do Cormac quando li Onde os velhos não têm vez. Comprei este e A Estrada numa tacada só pela internet.

Ambos são demais. Apesar de completamente distinto em termos de gênero e proposta, não consigo me decidir qual o melhor.

Agora quero ler o No Country for Old Men. Acabei The Road hoje e foi uma porrada. Muito, mas muito bom mesmo.

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Esta página contém um post de Fábio Fernandes publicado em May 5, 2008 9:19 AM.

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