Acabei de ver pela TV, no programa Esporte Espetacular, da TV Globo, a história de Oscar Pistorius, velocista sul-africano que não tem as duas pernas. Pistorius nasceu sem as fíbulas (que antigamente chamávamos de perônios) e teve as duas pernas amputadas pouco abaixo do joelhos aos 11 meses de idade.
Pistorius sempre foi praticante de esportes, desde canoagem até (pasmem!) rúgbi. Mas em 2004, uma lesão num dos joelhos fez com que ele abandonasse esse rude esporte bretão e se dedicasse exclusivamente ao atletismo. Desde então, o sujeito só acumula títulos: é o atual campeão pára-olímpico na categorias de 100, 200 e 400 metros.
Até aí tudo bem. Mas Pistorius quer mais: ele quer correr em Pequim. Foi proibido: a decisão seria baseada num estudo segundo o qual as próteses flexíveis de carbono que Pistorius para substituir as pernas podem lhe dar uma significativa vantagem em relação aos velocistas sem deficiência.
Pistorius afirma que consultou diversos cientistas que lhe asseguraram que essa vantagem não existe. Mas, ao que parece, isso não foi confirmado. De qualquer maneira, a decisão do Comitê Olímpico é irrevogável, mas Pistorius já disse que não vai desistir.
Estamos assistindo ao começo de um momento muito interessante da história da humanidade: o advento do pós-humano. Não como superior ou inferior ao humano sem próteses, apenas diferente. Mas que exige o direito de ser tratado como igual. Quantas vezes já não vimos isso na história da ficção científica?
A diferença (que até pouco tempo atrás a FC não havia imaginado) é que não estamos falando de robôs, homens bicentenários e alienígenas solicitando tratamento igualitário. Estamos falando de algo que incomoda a humanidade desde o começo dos tempos: o direito do diferente.
Foi por não reconhecer o status de humanidade dos judeus que Hitler provocou o Holocausto na Segunda Guerra Mundial. Foi por não reconhecer o status de humanidade dos kosovares que Slobodan Milosevic promoveu a "limpeza étnica" na década de 1990.
Claro, esta discussão não se aproxima um milésimo dos genocídios descritos acima. Mas, como lembrou Hal Duncan no post abaixo, nunca é demais lembrar. É através da lembrança da intolerância que nos preparamos para aceitar (aceitar mesmo, e não apenas tolerar) aqueles que não são iguais a nós. Pois, se você se olhar no espelho, vai perceber que não é igual a ninguém. Todos somos humanos, pré- ou pós-. E é bom que nos abracemos e aceitemos a todos como somos. Porque estamos todos juntos nesta canoa (furada ou não) que é a Terra.
UPDATE 23:13 - Ao fazer a pesquisa para os links, bati o olho numa coisa mas não registrei direito. Agora tracei o caminho de volta e descobri que, sim, eu também uso a Lei de Godwin.


Impressionante os implantes, nunca tinha visto coisa parecida.
Eu vi essa mesma reportagem e pensei EXATAMENTE a mesma coisa, Fábio. Digamos que vc "roubou" meu post.;)
Mas enfim...o que mais me impressionou não foi como o Oscar consegue correr em alta performance. O mais impressionante é como as próteses são estilosas! O cara fica meio sátiro com elas. Visual bacana mesmo!:D
Jacques, como eu tinha pensado em colocar a lista do Nebula no mesmo dia em que você o fez, então estamos empatados. ;-)
E nós realmente estamos na mesma freqüência: o cara parece MESMO um sátiro!!
A gente só não consegue se encontrar. Mas acho que da Fantasticon não passa!:D
Assim espero! :-)
Eu até compraria um par desses se não tivesse que arrancar as pernas para usá-los...rsrsrs