Seria ficção científica ballardiana da melhor qualidade se não fosse tristemente real: 2008 está sendo o ano mais caótico de todos os tempos para os paulistanos por causa do trânsito.
Os engarrafamentos diários e constantes estão cada vez maiores e mais longos, os acidentes estão mais freqüentes e mais violentos, as pessoas estão se agredindo nas ruas a troco de nada. Eu sei. Eu tenho visto isso diariamente nas ruas.
O trânsito é a gota d´água no grande balde que a SãoPaulo, capital. A frota tem 6 milhões de veículos. Cerca de 1200 carros novos saem diariamente para as ruas. Esta semana tem sido a mais caótica de todas: o recorde até o momento é de anteontem: 183 quilômetros de congestionamento dentro da capital.
O que pode ser feito? Muita gente tem aparecido na TV para dar sugestões - umas boas, outras nem tanto. Mas a resposta não é fácil nem é uma só; para o trânsito de São Paulo não entrar num gridlock total (ou seja, um travamento absoluto, em que os motoristas simplesmente terão de abandonar os carros e voltar a pé para casa)
O governador José Serra, politicamente, andou comentando que algo será feito - mas não especificou o quê. O prefeito Kassab, que tanto mal já causou aos paulistanos (desde correr histérico atrás de desempregado dentro de hospital, assustando os doentes, até acabar com outdoors sem o menor planejamento e deixar milhares de pessoas no olho da rua literalmente da noite para o dia), mantém-se calado. Ano de eleições, vocês sabem: ninguém quer tomar atitudes impopulares.
Ninguém pensa no povo.
Nem o próprio povo: a maioria das pessoas que possui carro no Brasil franze a testa quando se fala de soluções como transporte solidário, que costumam funcionar bem nos EUA e na Europa. Mas, sabem como é, não está na moda, não é legal, e como é que você vai exibir seu carro assim?
Então, como disse Shakespeare, que venha a tempestade. Nós merecemos a distopia que nos cerca.


Enquanto carro for símbolo de status, as coisas vão continuar assim... Sem contar que a maioria dos motoristas dirigem mal e são irresponsáveis, não é à toa que ocorrem tantos acidentes.
O governo tinha que fornecer transporte público decente, mas o povo também tem que fazer sua parte... Como você disse, são 120 novos carros por dia, não há cidade que aguente. O pior é que, com o crédito fácil no país, a tendência é que ainda mais carros sejam vendidos.
Acho que, a curto prazo, a solução seria fazer como em Londres: cobrar pedágio pra quem quer usar o carro no centro da cidade. Mas essa não seria uma solução definitiva.
Pois é. O pior é que quem deveria educar e orientar só sabe multar. A multa é necessária, mas gênero de primeira necessidade nas ruas de são paulo é Educação, em todos os sentidos da palavra.
Lupo, são 1200 carros novos, e não 120. É terrível, não é não?
E concordo com você: a essa altura, não existe solução definitiva.
Da última vez que fui a São Paulo demorei três horas pra ir da avenida das Nações Unidas ao aeroporto de Guarulhos. Bizarro ver o trânsito parado na Via Dutra. Pelo que entendi da rádio que estava ouvindo, chegou a 216 km de congestionamento na grande São Paulo.
Pois é, Aurora, a educação no Brasil parece que acabou. Mas (como disse alguém de quem não me lembro mais), continuamos missionários, nós professores. Não dá pra desistir de tentar ensinar um mínimo de ética e consciência social que seja às novas gerações.
Jacques, os dados sempre são contraditórios, mas 200km não é uma cifra absurda não. Agora há pouco ouvi dizer que já chegou a isso hoje de novo aqui em Sampa. Estou até pesquisando o noticiário para confirmar.
Faço a minha parte. Caminho de casa pro trabalho e do trabalho pra casa. São 12 quilómetros no total todos os dias. Quando chove não saio de carro, ando de metrô. Odeio congestionamentos e sou capaz de cancelar compromissos se desconfiar que ficarei dentro de um. Por isso estou de mudança. Nos próximos dias vou de mala e cuia pro litoral. Lá a vida ainda é saudável.
Bravo, Tibor! É isso mesmo! Espero um dia seguir seus passos para o litoral!!
1200... Terrível mesmo!
Esperto é o Tibor... Vida no litoral é muito melhor! :-)
A propósito: se tirassem das ruas todos (todos!) os carros sem condições de uso ou irregulares, tenho certeza de que melhoraria um tantinho o trânsito. Além de falta de espaço para abrigar tantos carros, falta também vontade política.
uma das coisas que mais me irrita é a compulsão por carros. e ver bons terrenos sendo ocupados por ESTACIONAMENTOS. e famílias de 4 pessoas com 4 veículos. e ônibus com 70 pessoas enlatadas perdendo quatro ou mais horas por dia para se locomover do trabalho ao descanso e vice-versa. e jovens imaturos se matando em postes na madrugada ao invés de trocar duas cervejas por um táxi.
sou tratado como ET e sub-humano quando digo que não tenho carteira de motorista por princípios.
(pedindo escusas pela ranhetice do comentário nada produtivo)
Comentário mais do que produtivo, Tiagón: minha carteira venceu em 2006 e só estou pensando em tirar outra por uma questão de urgência (caso, por exemplo, eu precise levar alguém para um hospital) - mas não tenho carro há mais de vinte anos, e não quero mais ter automóvel não.
Quanto aos jovens que se matam misturando álcool e direção, eu também já vi muito isso. Na minha época de faculdade, perdi meu melhor amigo assim. Não tenho estômago para essa cultura do consumo (a única exceção é com livros, porque para mim saber não ocupa espaço).
(ouvindo neste instante a GloboNews e o Alexandre Garcia descendo o sarrafo justamente nos jovens irresponsáveis - nesta hora eu concordo com ele e me sinto velho, mas que se dane, o cara está certo)
Eu achava que era o único que tinha essa implicância com carros... Bom ver que não estou só :-)
Já to a uns 5 anos com a carteira vencida. Desde que voltei pra Niterói, não consigo me acostumar com a violência e agressividade do trânsito, fora a falta de paciência com engerrafamentos.