O segundo dia edição número III do Invisibilidades começou com uma mesa acadêmica: Ficção Científica e Estudos Culturais: Uma História Sem Fim. Mediada por este que vos digita, a mesa começou com uma breve explanação de Adriana Amaral sobre o que exatamente os Estudos Culturais significam e o que têm a oferecer para o estudo da Ficção Científica.
Na sequencia, Cristiane Busato Smith deu um show de bola falando sobre um grande autor não só de FC mas também do mainstream (autor que inclusive riria desbragadamente dessas distinções), J.G.Ballard, autor de Crash e Império do Sol, entre muitos outros livros publicados no Brasil e nunca assumidos como ficção científica por suas editoras, embora declarados como pertencentes ao gênero por seu autor. Cristiane falou sobre o estranhamento e a questão do inner space, ou espaço interior, em contraposição ao espaço sideral ou exterior, e à distorção proposital da realidade por Ballard em suas biografias, que para ele não passavam de ficção. Ela arrebatou a plateia.

Adriana continuou a mesa com outro show, desta vez sobre a cultura steampunk, mais conhecida do público jovem, falando justamente sobre a adoção da estética e dos valores steamers por parte desse público.
Ambas as falas foram tão agradáveis que não sobrou tempo para perguntas do auditório. Mas o sucesso foi tamanho que as duas foram cercadas por membros da plateia ao final do evento, cheios de questões.

A mesa seguinte foi a maior em número de participantes e a talvez mais empolgante: New Weird Fiction - Um Novo Estranhamento Literário. Com o jornalista, tradutor e escritor Alexandre Mandarino, o escritor Nelson de Oliveira, o editor Richard Diegues e o escritor Jacques Barcia na mediação, tinha tudo para dar muito certo. E deu:

Jacques começou com uma longa e importantíssima apresentação que serviu de introdução ao subgênero da New Weird Fiction, apresentando os principais autores, de China Miéville e Jeff VanderMeer (que serão traduzidos em breve no Brasil, pela Tarja Editorial), até os menos conhecidos mas igualmente bons, como Jeffrey Ford e Leena Krohn. Jacques conduziu com maestria a mesa, conclamando a plateia a ir mandando perguntas durante o bate-papo entre os participantes, o que ajudou a não estourar o tempo e deixou todos satisfeitos ao final.

Alexandre Mandarino, que será o tradutor oficial de China Miéville no Brasil (e já está traduzindo King Rat e Perdido Street Station) teve a oportunidade de apresentar também a HYPERPULP, uma revista online bilíngue cujo lançamento está previsto para outubro, e que já conta com autores estrangeiros contemporâneos até agora inéditos no Brasil, como Cat Rambo, e outros muito pouco publicados, como Richard Kadrey.

Nelson de Oliveira (cujo alter-ego, Luiz Brás, acaba de ser indicado para o Prêmio Jabuti pelo excelente romance juvenil Babel Hotel) foi homenageado pela mesa. Seu livro Subsolo Infinito, publicado há dez anos, é hoje considerado um legítimo precursor de uma literatura new weird brasileira, algo que deixou Nelson surpreso mas contente, talvez até porque Luiz Brás, esse quase-heterônimo de Nelson, seja justamente a porção-ficção-científica-e-fantasia desse grande autor, que dificilmente escreve um texto sem algo de fantástico (em todos os sentidos).

Richard Diegues, que além de editor da Tarja também é escritor, teve a oportunidade de falar um pouco de seu mais recente livro, o romance cyberpunk Cyberbrasiliana, e da antologia New Weird que está preparando para fechar a trilogia iniciada com a muito bem-sucedida Steampunk (mencionada inclusive no exterior) e a recém-lançada Cyberpunk.
Os trabalhos do Invisibilidades III foram fechados pela performance "You must unconditionally surrender", realizada por Wandeclayt e Lady A.


Wandeclayt realizou subrepticiamente, aliás, uma ação de mídia tática e distribuiu durante sua apresentação raros exemplares de papel do seu online OverclockZine, com textos de Romeu Martins, Bruce Sterling, Richard Kadrey, Alexandre Mandarino e este seu sincero escriba.

Vocês podem conferir o restante das fotos na Galeria Invisibilidades do Flickr.
Agora só em 2012. Vocês não perdem por esperar: vai valer a pena.













