Para quem ainda quer participar do PKN, Volume 4, mas não teve tempo de bolar um projeto: o Instituto Itaú Cultural prorrogou o prazo! Agora o deadline é dia 10 de setembro - sem novas prorrogações, porque o evento Invisibilidades será realizado nos dias 20 e 21 de setembro!

Nos vemos lá!

Reflexões

Só agora, ao postar a entrada abaixo, percebi que fiquei quase 15 dias sem postar. Os mais atentos vão ver que andei cuidando um pouco mais do meu outro blog, mas não é o único motivo, claro. Trabalho, estudo e otras cositas más têm me segurado e feito com que eu concentre minha atenção (e a atenção de minha pena digital) em outros textos - a maioria dos quais, por enquanto, não verá publicação. (Mas apenas por enquanto, se tudo correr bem.)

Mas uma coisa tem me chamado a atenção ultimamente (eu já ia digitando chamado a intenção, o que seria um ato falho bem interessante): a quantidade de gente cantando a canção de Kali. O quê, senhores e senhoras meus leitores? Vocês não entenderam? Explico com prazer: a canção de Kali é uma referência a um clássico moderno da literatura de horror, Song of Kali, do fantástico Dan Simmons. Não vou dar uma resenha do livro hoje (juro que faço isso outro dia, se vocês quiserem, porque vale a pena), mas desde que o li, costumo usar essa expressão, que é citada pelo protagonista no seu monólogo na página final (impactante como um Joyce ou um Graham Greene, apenas para ficar em dois autores que me comovem pra burro) para falar das pessoas no mundo que cantam o ódio, a destruição, o caos, ou simplesmente a tosqueira, a bobagem e o desrespeito. Projetos são desfeitos, sonhos são assassinados, coisas que temos guardadas no coração simplesmente são arrancadas de nossos braços e se estilhaçam no chão. Assim como gente, sonhos também morrem.

Não consigo mais ser assim, me desculpem. Ainda escrevo sobre gente que sofre, sobre gente que morre, e morre mal - mas concordo com o Tarantino quando ele diz que a violência no cinema é para ficar no cinema. É a velha catarse aristotélica em ação - que venha então. Continuo com o sofrimento na escrita. É a única maneira de exorcizar os demônios e ser feliz. E é o que estou fazendo agora. Já tive muitos sonhos mortos. Não mais, crazy people, não mais. No que depender de mim, os meus sonhos e os dos meus amigos vão crescer e se multiplicar. Eu canto o canto de Krishna.

Ouvindo Life on Mars?, na versão do Seu Jorge. Meio melancólico, não reparem.

Este é o slogan da Blip.fm, o chamado Twitter da música. Mal acabou de ser criado e já está transformando muita gente em DJ, inclusive este que vos digita. Muito bom para dias de chuva, frio e trovoadas, ou simplesmente para dias em que tudo o que você quer fazer é descansar - coisa de que ando precisando nos últimos tempos. Experimentem, eu recomendo.

Enfim já posso dizer: o Instituto Itaú Cultural vai retomar, este ano, o evento Invisibilidades, voltado exclusivamente para a ficção científica. A segunda edição tem este que vos digita como curador, e vai trazer para São Paulo, nos dias 20 e 21 de setembro, uma série de autores e editores do gênero, para mesas-redondas onde se debaterá o presente e o futuro da FC no Brasil. Entre os convidados estão, entre outros, Octavio Aragão, Max Mallmann, Adriana Amaral, Sílvio Alexandre, Braulio Tavares e Fausto Fawcett (a lista completa de participantes e a programação serão divulgados em breve).

Como parte do evento, Guilherme Kujawski, responsável pela franquia do PECHA KUCHA NIGHT (aqui vocês podem entrar na comunidade brasileira do Orkut) abriu generosamente um call for submissions para uma versão dedicada à ficção científica. Abaixo, o edital:


----------------


PECHA KUCHA NIGHT - SÃO PAULO (Vol. 4)
Parte do projeto INVISIBILIDADES (versão 2)

Pecha Kucha Night (PKN) é um evento concebido em 2003 por Astrid Klein e Mark Dytham, do Klein Dytham Architecture, um estúdio de arquitetura e design situado em Tóquio, Japão. O termo é associado a idéias de encontro, conversa, bate-papo, enfim, tudo que se refere ao mundo da comunicação. Mais precisamente, o termo significa em japonês "burburinho".

Grosso modo, o PKN é dirigido a todos os profissionais envolvidos com criatividade que queiram apresentar seus projetos, idéias, trabalhos a um público relativamente grande e variado. Por fazer parte do projeto INVISIBILIDADES, os organizadores do PKN São Paulo vão escolher projetos direta ou indiretamente relacionados ao universo da ficção científica.

O formato do PKN é composto apenas por duas regras muito simples, mas essenciais:

1) Cada participante pode usar apenas 20 imagens estáticas para apresentar suas idéias;

2) Cada imagem fica exatos 20 segundos em exibição em um telão. Ao término desse tempo, ela é substituída pela próxima, e assim sucessivamente, até que todas as imagens sejam exibidas e se esgote o tempo limite de 6 minutos e 40 segundos.

O quarto volume do PKN-SP será realizado no dia 20 de Setembro, às 20h30, no auditório principal do Itaú Cultural, situado na Avenida Paulista, 149, em São Paulo. Pretendentes de todo o Brasil podem enviar projetos, mas o instituto não se responsabiliza por passagens e acomodações dos participantes selecionados.

PARA SE REGISTRAR GRATUITAMENTE NO PKN - SÃO PAULO

Envie até o dia 30 de Agosto a sua proposta para o pknsp@cibercultura.org.br. Não esqueça de incluir no corpo do e-mail as seguintes informações: nome, idade, sexo, telefone, endereço de e-mail, website, profissão, nome da empresa em que trabalha, um pequeno currículo (máximo de 3.000 caracteres), descrição do projeto (máximo 3.000 caracteres), 5 imagens (não envie as 20 imagens na fase de seleção).

Se tiver dúvidas ou quiser obter mais informações, escreva para kuja@cibercultura.org.br.


------------


Todos estão convidados a participar! Vamos lotar o Itaú Cultural de criatividade e mostrar definitivamente que A FICÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA NÃO É MAIS INVISÍVEL!

Não, este não é um post suicida - este blog pode ficar meio quietinho de vez em quando mas não vai morrer tão cedo. Aliás, no que depender de mim, ele também não vai ficar mais muito quietinho a partir da próxima semana. É que eu estou na última curva da minha tese de doutorado. Texto praticamente terminado, faltando alguns ajustes e entrega para o orientador fazer uma última checagem antes do depósito dos volumes. Agosto tem sido um mês muito cheio - mas não posso me queixar. Muito menos estresse que no ano passado, por exemplo, e um pouco menos que no primeiro semestre.

Setembro, por outro lado, não vai ser muito diferente, mas vai trazer mais novidades e coisas interessantes. Uma delas vocês já vão ficar sabendo neste fim de semana. Aguardem: vocês não perdem por esperar.

contagem-regressiva

Para os fãs de quadrinhos da DC: já nas bancas, o número 1 da máxissérie Contagem Regressiva, que está sendo toda traduzida por este que vos digita.

DC-70-mulher-maravilha

E, além dessa série, traduzi dois encadernados da série especial DC 70 Anos: o do Lanterna Verde (que, até onde sei, ainda está nas bancas) e o da Mulher Maravilha (que chega às bancas esta semana). Vem muito mais por aí nos próximos meses.

Vladimir Nabokov escrevia um texto como quem tece uma estrutura delicada, respeitando a etimologia do texto como tessitura, como tecido, algo que é mais tramado e costurado do que criado do nada.

Existem duas maneiras de se revolucionar uma narrativa (Borges diria que são duas dentre muitas outras, incontáveis, mas isto ocuparia muito espaço aqui): pela forma e pelo conteúdo.

Autores como Julio Cortázar, Ítalo Calvino e todos os membros do grupo OuLiPo [1] (do qual Calvino também participou), como Raymond Queneau e Georges Perec, tinham um carinho especial pela forma de suas narrativas. Sem nunca descuidar do conteúdo, eles impunham a si mesmos regras franciscanas (ou seriam jesuíticas?) para escrever seus textos.


Este é o começo de minha resenha do livro A Defesa Lujin, recém-lançado pela Companhia das Letras, e que vocês podem ler na íntegra na última edição do caderno Palavra do Diplô, aqui.

BIIP_V_3engQuem me deu a dica foi a minha companheira de aventuras nas terras fantásticas (foi ela quem me mandou dizer isso), Aurora: tirinhas muito engraçadas de Catherine Karina Chmiel, uma artista polonesa contando a infância de Boromir (o "São Sebastião" de O Senhor dos Anéis). Participações especialíssimas de Faramir-bebê e Theodred. Assumidamente clonado das histórias de Calvin, mas com um humor que só fã de LOTR entende. Check it out!

Tá lá na home, mas o link principal é este aqui.

O autor? Um ilustre desconhecido, inclusive para mim: Robert T. Jeschonek, que acaba de publicar seu primeiro livro, Mad Scientist Meets Cannibal, na verdade um showcase da PS Publishing, com poucos contos. Mas excelentes. Jeschonek lembra (como diz Mike Resnick no prefácio) R.A. Lafferty, muito pouco lembrado no Brasil, mas também lembra dois dos meus autores preferidos da velha guarda: William Tenn e Fredric Brown. Fiquem de olho nesse cara. Vale a pena.

Apesar da greve dos Correios (que só agora acabou), até que o SEDEX funcionou razoavelmente bem. Recebi ontem uma série de livros que eu estava esperando há algum tempo mas cujo atraso nem foi tão grande. Ei-los:


Darwin´s Children, de Greg Bear - Este livro é a seqüência de Darwin´s Radio, um livro aclamado do urso velho que eu também não li ainda, mas tenho aqui comigo e lerei em breve.

Sun of Suns, de Karl Schroeder - Eu sei, eu sei, este livro podia ser baixado de graça por quem se cadastrou no site da Tor Books. Eu baixei. Mas, a menos que seja para fazer resenha, não tenho muita paciência para ler PDFs (por isso EU QUERO MEU KINDLE, que a AMAZON NÃO VENDE PARA FORA DOS EUA - mas isso é outra história). O Schroeder é um autor muito interessante, e em breve vocês vão ter a oportunidade de ler material dele em português aqui no Brasil.

City of Saints and Madmen, Jeff VanderMeer - Este é o cara. Co-editor, com sua esposa Ann (que é editora da Weird Tales), das antologias The New Weird e Steampunk, Jeff é um dos escritores/editores mais em evidência atualmente. E por merecimento: o cara trabalha tanto que eu não sei como ele consegue manter um (ótimo) blog, o Ecstatic Days. Este livro (que tem o prefácio escrito por Michael Moorcock, senhoras e senhores, garantia de qualidade) é um cartapácio de não sei quantas páginas (e não sei MESMO: a ordem de numeração das páginas é propositalmente embaralhada) que é um catálogo meio borgiano de coisas e eventos bizarros passados na cidade de Ambergris. É considerado um dos melhores livros da onda New Weird, depois de Perdido Street Station, do China Miéville.

Shriek: An Afterword, Jeff VanderMeer - Este livro não é continuação do anterior, mas também se passa na cidade fantástica de Ambergris. Altamente recomendado, tanto que o grupo de rock The Church (alguém lembra? É um dos meus favoritos dos anos 80) compôs uma trilha sonora para o livro. Muito interessante.

Falando em Jeff VanderMeer, este que vos digita foi convidado para postar no blog dele de amanhã até a próxima sexta, num projeto de Guest Bloggers que ele está promovendo. Tem gente de todo o mundo e de todas as etnias participando. Eu estou honrado de fazer parte desse projeto global. Dêem um pulo lá e participem também, deixem a sua marca!

Meu sócio, parceiro de crime, amigo-quase-irmão Jacques Barcia lavrou um tento, como se dizia em tempos steampunk de antanho: conseguiu entrevistar o escorregadio China Miéville, autor de um dos top ten de FC e Fantasia de todos os tempos: Perdido Street Station.

A entrevista pode ser lida aqui, no Post-Weird Thoughts. Em inglês.

Já se passou quase uma semana e eu não falei nada aqui da alegria que foi participar da Fantasticon. Sem dúvida até o momento o melhor evento da área de FC e Fantasia do ano, a Fantasticon, organizada pelo Sílvio Alexandre, se tornou referência na área já em sua segunda edição. De Jorge Luiz Calife a Bráulio Tavares, passando por Guilherme Kujawski, Ana Cristina Rodrigues e Jacques Barcia, incluindo este que vos digita e escritores da novíssima safra como Cristina Lasaitis, Clinton Davisson e Tibor Moricz, estava todo mundo lá.

Foram tantas emoções (mesmo) que não dá para resumir tudo - ainda mais que eu, infelizmente, só pude ir no domingo, e o sábado reservou agradavéis momentos para quem foi. Um dos que foram nos dois dias e escreveu nada menos que TRÊS artigos sobre o evento foi o Fernando Trevisan, que, com olho analítico de jornalista, escreveu tanto e tão bem que qualquer coisa que eu diga se torna desnecessária. Deixo vocês, portanto, com os links para os textos deliciosos do Fernando, a saber:

Parte Um: Chegada a SP e primeiras impressões

Parte Dois: As mesas do sábado

Parte Três: As mesas do domingo.

Espero que gostem - e animem a ir ao próximo evento, em 2009!

Lavinia2

Este é o livro que muita gente estava esperando. Lavínia é o mais recente livro da mestra Ursula K. LeGuin. Ambientado no mesmo cenário da Eneida, de Virgílio, LeGuin usa um recurso semelhantes ao que Marion Zimmer Bradley usa em As Brumas de Avalon: dar voz à mulher, relegada a um papel secundário (ou nulo) na história.

Na Eneida, Virgílio só cita Lavínia, a segunda esposa de Enéias, ao tratar de um presságio: na véspera do desembarque de Enéias em Latinum (região da Itália anterior à fundação de Roma), os cabelos de Lavínia's aparecem recobertos por uma espécie de fogo-fátuo, um augúrio de que a guerra está por vir.

Em Lavínia, Le Guin reverte inteligentemente o jogo, dando voz à personagem que da título ao livro. Filha do Rei Latinus e da Rainha Amata, governantes de Latinum, Lavínia foi prometida pela mãe (semi-enlouquecida pela perda de seus outros filhos por doenças ainda na infância) a seu sobrinho, Turnus, rei da vizinha Rutuli. Mas o rei discorda: seguindo as palavras de um oráculo, ele anuncia que Lavínia se casará com um estranho recém-chegado de Tróia, Enéias. Isso vai provocar uma guerra civil.

Estou apenas citando uma sinopse, porque acabei de receber o livro. Aguardem uma resenha mais saborosa em breve.


Acabo de receber da Amazon a coletânea Leviathan no. 4, editada por Forrest Aguirre. Já tinha ouvido falar muito bem dela, e parece que não vou me arrepender. Entre os autores, vários cujos contos eu já li em coletâneas como Steampunk, The New Weird ou Paper Cities: Michael Cisco, Ben Peek, Jay Lake (este é sensacional, recomendo fortemente), KJ Bishop e Stepan Chapman (outro que me surpreendeu).

E esqueci de agradecer em público ao meu sócio-amigo-quase-irmão, Jacques, que na Fantasticon me deu o romance Trial of Flowers - a Novel of the City Imperishable, do Jay Lake. Eu já sou fã do Lake por suas incríveis histórias de cidades bizarras, e estou louco para ler essa história, que se passa no mesmo ambiente de seu excelente conto Promises; a Tale of the City Imperishable. Valeu, meu camarada!!!!

Acabei de ver a chamada: Edney Silvestre se rendeu ao charme do escritor britânico de Fantasia Neil Gaiman (criador da premiada série Sandman e autor, entre outros, dos livros Deuses Americanos e Os Filhos de Anansi), e o entrevistou em Paraty, durante a Feira Literária Internacional.

A entrevista irá ao ar hoje, às 21:30, na Globonews (Canal 40 da NET), no programa Espaço Aberto Literatura. Vale a pena!

(e quem quiser ver uma EXCELENTE leitura de um conto inédito de Gaiman pelo próprio pode clicar aqui.)

Quem avisa é o Fernando Trevisan:


Caros,

É com prazer que anuncio que o Somnium Nº 101 - e-zine do Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC) - está on-line para download em:

http://is.gd/OIe
ou, se preferirem o endereço "longo":
http://clfcbr.org//index.php?option=com_content&task=view&id=17&Itemid=41

Nesta edição, temos quase 100 páginas de contos, resenhas, entrevistas, um dossiê especial sobre os rumos da FCB, entre outros.

*******

Também colocamos para download o nº 1 da revista Kaliopes, editada pelo Jacques Barcia:

http://is.gd/OMT
ou:
http://clfcbr.org/index.php?option=com_content&task=view&id=83&Itemid=1

com textos de Fábio Fernandes, Ana Cristina Rodrigues, Hal Duncan, Antonio Luiz C. M. Costa e Tibor Moricz, além de entrevista com a Cris Lasaitis.

*******

Quero aproveitar para anunciar que estou assumindo oficialmente como webmaster do portal do CLFC.

Agradeço à Ana o convite. Estou conversando bastante com nossa presidente sobre o Portal, que deve receber adições e sofrer algumas mudanças nas próximas semanas.

Conforme as coisas forem saindo do forno, prometo informá-los aqui na lista e lá no Orkut. Aos que quiserem participar/ajudar, basta entrar em contato comigo (enviando e-mail para fernandotrevisan@gmail.com) que, havendo necessidade, entrarei em contato.

Abraço a todos!


Quem foi à FANTASTICON 2008 teve a oportunidade de baixar em seu pen drive, em primeira mão, a Kalíopes (metade da platéia sacou seu pen drive assim que o Jacques anunciou que tinha o arquivo .PDF em seu notebook: quem disse que não vivemos em tempos cyber?)

Ambas as revistas já estavam sendo anunciadas há alguns meses, e sua publicação agora vem em excelente hora. A ficção científica e a fantasia brasileiras nunca tiveram um momento tão bom. Material não falta - e agora não faltam revistas. Parabéns à Ana Cristina Rodrigues, presidente do CLFC e editora do SOMNIUM, e ao Jacques Barcia, editor da Kalíopes.


Agora só falta uma. Conforme anunciamos na nossa mesa da FANTASTICON, eu e Jacques Barcia vamos lançar uma nova revista, voltada para a ficção científica: a TERRA INCOGNITA. Aqui mesmo no condomínio Verbeat. Em agosto. Aguardem.

Para quem não sabe, Tom Disch foi um dos expoentes da New Wave nos anos 1960/1970. Em 1990 ele esteve no Brasil, e alguns de nós foram vê-lo numa palestra na UFRJ.

Ontem à noite, após voltar da FANTASTICON (mais sobre isso em breve), recebi um e-mail do Matt Staggs, amigo meu e publicist da Tachyon Publications, última editora do Disch, com a notícia triste: Tom cometeu suicídio no dia 4. Seu corpo só foi descoberto no dia 6.

Eu havia ACABADO de fazer uma entrevista com ele para o PWT, e ele foi extremamente simpático comigo. Essa entrevista só seria publicada em agosto, na primeira edição da revista TERRA INCOGNITA (sobre a qual falamos em primeira mão na mesa de ontem).

Como o tempo não pára e a vida não espera, publiquei a entrevista agora em homenagem ao velho Disch: está aqui, em inglês, no PWT. (Mais tarde traduzirei e porei aqui na íntegra).

Não tenho idéia se Disch foi publicado no Brasil algum dia - acho que não. Mas tentem ler algum livro dele. Vale muito a pena.

Começou da maneira mais ingênua: numa comunidade do Orkut, eu e outros companheiros trocávamos idéias sobre clássicos da literatura, e alguns de nós contaram como foi sua "primeira vez" com este ou aquele autor. Não resisti e contei a história de como tomei conhecimento da existência de Jorge Luis Borges e o primeiro conto dele que li. Reproduzo quase literalmente:

... bem, não sei se já contei aqui, mas a história de como conheci Borges é em si mesma meio borgiana: fazem exatos 23 anos, num retiro num mosteiro budista. Numa tarde de domingo, após o almoço, voto de silêncio, num momento de repouso. Encontrei Ficções na pequena biblioteca do mosteiro. Sentei-me para pegar sol do lado de fora do templo e comecei a folhear o livro. Parei num conto cujo título era muito interessante: A Biblioteca de Babel.

Devorei o livro todo ali mesmo, claro. Mas nunca mais esqueci desse primeiro momento, do primeiro conto. Foi uma epifania.


Na seqüência, um colega nosso, o impagável Clinton Davisson, responde na lata:

Fábio, por um momento achei que você tinha conhecido o Borges pessoalmente em um mosteiro budista e não pode gritar ao ver o mestre por causa do voto de silêncio... hehehehehee
Vou escrever um conto sobre isso. Imagina, você vê O CARA, o the best e não pode gritar, não pode pedir autógrafo...rs


Mas quem se antecipou e escreveu um conto tendo como protagonistas este que vos digita e o genial mestre argentino foi a Maria Helena Bandeira, dona do blog Ovo Azul Turquesa. Nem três dias se passaram e ela já tinha o conto escrito, enviado para minha autorização (como se precisasse, né, Maria Helena?) e publicado, com todas as minhas bênçãos, no blog. Fiquei honradíssimo com a bela homenagem. Obrigado, Helena!!

Olha, dou a mão a palmatória: ficar 24 horas sem web hoje em dia não dá. Precisei entregar um trabalho que atrasou por causa disso, tive que desmarcar uma reunião de trabalho e não tinha o telefone da pessoa, só o e-mail (acabei conseguindo o telefone, mas tive que me virar), enfim:

ÀS VEZES SER CIBORGUE É UMA MERDA.

Leiam o final de The Fall of Hyperion e depois me digam se não é verdade.

Amanhã voltamos à programação normal.


Recebi hoje o seguinte e-mail da minha amiga e colega pesquisadora Adriana Amaral, a Lady A e repasso com o maior prazer:


Caros amigos e colegas,
Repasso para vocês a entrevista que dei ao programa Cybercubo gravado em abril na TV Feevale (Novo Hamburgo - RS) sob orientação da professora Paula Puhl. O tema foi cyberpunk e cibercultura e o formato do programa foi bem interessante e inovador, buscando algumas referências como o Roda Viva. Espero que gostem. Seguem as 4 partes postadas no youtube:


Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Acabei de ver as quatro partes e adorei. A Adriana, que além de professora e pesquisadora do Mestrado em Comunicação e Linguagens da UTP-PR, é autora do ótimo
Visões Perigosas: uma arque-genealogia do cyberpunk, dá um show de bola na entrevista. Fundamental para quem quer saber mais sobre cibercultura e cyberpunk. Check it out!

pós-estranho

  • estranha jornada noite adentro
    por Fábio Fernandes

  • assine o feed

imagem do banner

  • "Cabeça", colagem digital de Aurora Barbosa.

A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO CYBER - William Gibson, Criador da Cibercultura

  • v e r b e a t b l o g s
  • São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 2006

ONDE COMPRAR A CONSTRUÇÂO DO IMAGINÁRIO CYBER

Partners in Crime

eXTReMe Tracker

  • Add to Technorati Favorites
  • I AM A WEIRD WRITER