o jardineiro e o pensador

Morto de cansaço, enterrado de serviço, mas ainda respirando no mundo digital. Não é fácil manter minhas atividades e ainda acompanhar o que acontece no mundo virtual. Manter um blog então...virou tarefa impossível.

Claro que não é inteiramente verdade, pois conheço pessoas muito mais ocupadas que eu e que trabalham vitualmente como gigantes. Confesso que entrei em diversas crises até me convencer que não havia desculpas para não voltar à escrever.

De fato, o que me afastou desse blog foi o afastamento que tive dos objetivos que tracei ao criá-lo.

Quando, no começo do ano, criei meu espaço aqui estava num momento de grande mudança de vida e achei que caberia então treinar minha mente para dispersar as discussões que tenho comigo mesmo e com o mundo a minha volta. coincidentemente, mergulhei na mais profunda crise de existência desde a minha adolescência, e questionei profundamente se realmente teria alguma contribuição a dar ao mundo, ao meu trabalho, a este blog.

Acompanharam esse processo a mudança de casa, de trabalho, de relacionamento, de valores e de vida que tem me acompanhado já a alguns anos. me tornei um nômade fisica, intelectual e emocionalmente.

Passei a ser um errante, indo aonde os ventos da mudança de lavavam. Preenchi minha vida com crises financeiras e emocionais, experimentei a falta completa de estrutura básica de sustentação da vida, me afastaei de meus amigos, perdi meu emprego e a confiança de todos e minha própria.

Mas, de repente, senti que ancorei em algum lugar.

É uma boa hora de repensar, avaliar e registrar essa incrível viagem...de volta.

terra pequena.jpg

Ok.

Eu sou um cidadão como outro qualquer. Nasci, cresci, tive educação de minha família e do Estado; estudei, encontrei meu caminho, escolhi uma profissão, casei, tive filhos, plantei árvores, escrevi livros... tá bom, não escrevi livros, somente trabalhos científicos, relatórios, artigos em jornais e revistas, blogs e para sites na internet - mas para o ditado dá na mesma.

Mas e daí? O que me faz diferente dos demais?

Pois me sinto diferente. Não sei por que. Até sei, mas a justificativa parece um pouco imbecil - e deveras arrogante: porque tenho consciência do eu e do todo.

Significa que eu ajo para o benefício e a saúde de todos? Não. Significa que me sinto responsável pela tristeza e miséria de todos. E mais: que o menor dos meus piores atos tem conseqüências devastadoras para o universo que faço parte.

Na verdade, acho que a pergunta seria:

- o que nos faz iguais?

Sim, porque devemos repensar o fato de valorizarmos as diferenças sociais, políticas e ambientais no desenvolvimento do ser humano ao invés de darmos atenção ao que nos faz parecidos, ao pequeno detalhe em nossas existências que nos faz singulares porém comuns: a nossa humanidade.

Por isso sinto que sou diferente, porque penso na minha humanidade. Infelizmente, o comum é pensarmos em nós mesmos - nossas vidas, nossas famílias, nossas realizações profissionais e amorosas, nossos recursos financeiros e espirituais. O nosso progresso pessoal deve ser específicamente valorizado, sobre pena de permanecer excluído do mercado competitivo da satisfação pessoal.

Nesse contexto, me sinto realmente um revolucionário.

Claro, como ser humano tenho passado (ou perdido) muito tempo pensando em como atingir meus objetivos pessoais e ser feliz para sempre - como nos contos mais românticos - ao mesmo tempo negando veementemente a influência do sistema político em minhas decisões diárias - "política" aqui não só como as decisões sobre a coisa pública, mas simplesmente como a busca da defesa dos interesses difusos a qual todo ser humano (quiçá todo ser vivo) está sujeito. Mas agora (na verdade, já faz um tempo) tenho por mim mesmo a conclusão de que este caminho é fadado o fracasso e provoco em mim mesmo o esforço de promover o sentido inverso: lutar pelo sucesso do conjunto, mesmo que isso signifique o fracasso pessoal.

Parece um pouco redundante, não é? Qual a diferença entre fracassar no caminho do sucesso e ser bem sucedido no caminho do fracasso?

A diferença está na expectativa. Quem tem esperança pode ser que um dia alcance; quem de nada espera significa que já está lá.

Eu estou agora no meio da serra do mar a caminho da metrópole. Eu sou agora diferente do que era ontem e também do que serei amanhã. Eu sou agora presente, passado e futuro (parece aquela música do Raul Seixas...). tenho em minha mente as eternas questões:

- Como posso estabelecer aqui diretrizes e prioridades para minha ação como cidadão no mundo?

- Como equilibrar minha participação local com a mundial?

- Como levar em consideração minha vida pessoal e minha vida comunitária?

- Como me organizar a ponto de não perder a eficiência de meu trabalho em relação ao tempo?
- Sou apenas um, como posso influenciar muitos?

- Sou um ser comum, como posso ser exemplo para os outros?

Por isso, sou um cidadão planetário. Ironicamente, me sinto um marciano dentro do meu próprio mundo.

O jardineiro e o seu jardim

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A vida na verdade não é de nada complicado; o ser humano, sim.

A nossa capacidade de tornar tudo maior do que é se manifesta segundo nossas expectativas sobre o que queremos que ela seja. É assim. A realidade está nos olhos de quem vê. A relatividade é o limite. Ganhamos sempre pouco em relação ao queremos ter; nosso salário sempre é menor do que precisamos para viver; Quando temos amores, não aproveitamos; quando não temos, desejamos ardentemente. Podemos ter melhor das vidas, mas ficamos amargurados e melancólicos depois de assistir ao noticiário. É assim.

Sempre quis ter um jardim. Como ser urbano por natureza, sempre estive rodeado por prédios e asfaltos, imaginando ao transpor as avenidas mais altas da cidade como seria esse diminuto "monte" em tempos remotos. Florestas habitadas por animais selvagens, flores e frutos em abundância para os seres viventes de ocasião, chuva e sol se alternando como o dia e a noite ao estabelecer as condições ideais ao desenvolvimento da vida.

A vida em sua pequena beleza é extraordinária. Sem qualquer aviso, planejamento ou esquema, se manifesta de diversas formas, lugares e sabores. Quando criança ficávamos maravilhados com a visão de uma pequenas plantinha - muitas vezes uma samambaia (se bem que já vi neste contexto plantas BEM maiores) - crescendo espremida por entre muros de concreto como uma gota verde no oceano cinza das cidades.

Eu, pelo menos, era assim. Sempre buscava esses pequenos afloramentos, das grandes praças até pequenos terrenos baldios que se transformam em grande selva na aventura imaginária. A adrenalina derramada na corrente sanguínea era proporcional à velocidade com que o papelão descia a ladeira de grama; assim como o mistério das ruínas nos escombros de demolições ou construções abandonadas rodeada de mato por todos os lados.

Uma vez, estava em uma dessas aventuras imaginárias quando de sobressalto, no meio de densos arbustos, surge um pequeno ninho de beija-flor em um galho baixo de um Ipê-bebê. Com um assombro, os meninos aventureiros ficam estasiados e estagnados diante de tamanha beleza: filhotinhos, ovinhos, penas espalhadas e pais assustados rodopiando em torno de nossas cabeças. Está certo que filhote de beija-flor é a coisisnha mais horrenda desse mundo - típico monstrinho de filme de horror - mas a beleza que adimirávamos era a excentricidade da natureza de ter colocado essas pequenas vidas em nosso caminho de aventuras.

Neste momento, um naturalista nasceu em mim.

Apesar de ter seguido a caminho ambientalista, O que ainda mais me deixa admirado é encontrar as pequenas manifestações da vida espalhadas por aí. E um jardim é a melhor forma de Vê-las. Seja um pequeno vaso de orquídeas em cima da mesa da sala ou a floresta amazônica em todo o seu contexto, o jardim será quela janela que nos conectará com a maravilha da vida em suas manifestações mais simples.

Quanto ao meu jardim? Ainda o terei, sem dúvida. Ao cuidar das minhas plantas, imagino todas as pessoas do mundo cuidando das suas... e assim meu jardim cresce cada vez mais.

Jardim_paraiso.jpg
Pois é.
Até o computador é novo...um velho macG4 de meu irmåo.

Desempregado, desde o final do ano passado passo meus dias fazendo tudo e nåo fazendo nada. Dentro de um processo politicamente delicado, minha transiçåo profissional tem sido lenta e angustiante o suficiente para me fazer atravessar o portal do processo introspectivo.

Troquei meu super-urbano (junto, separtado, com hifém ou nåo) apartamento da Augusta por um quase-sítio (?) no morro do Querosene, zona oste de Såo Paulo.

O barulho da açåo pelo silêncio do pensamento.

A brisa. Que antecede a Tempestade.

Vou ficar por aqui - esse teclado diferente me dá preguiça de escrever...

Desculpem o silêncio duradouro.

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Recebi o texto do post anterior de um grande novo amigo meu, o Tiago Casagrande, que tem me ajudado a compor este espaço. Não entendi muito bem - o latim está meio estranho - mas me lembrou uma citação antiga de Cícero, estadista, filósofo e em seus últimos anos de vida:

"Sed ut perspiciatis unde omnis iste natus error sit voluptatem accusantium doloremque laudantium, totam rem aperiam, eaque ipsa quae ab illo inventore veritatis et quasi architecto beatae vitae dicta sunt explicabo. Nemo enim ipsam voluptatem quia voluptas sit aspernatur aut odit aut fugit, sed quia consequuntur magni dolores eos qui ratione voluptatem sequi nesciunt. Neque porro quisquam est, qui dolorem ipsum quia dolor sit amet, consectetur, adipisci velit, sed quia non numquam eius modi tempora incidunt ut labore et dolore magnam aliquam quaerat voluptatem. Ut enim ad minima veniam, quis nostrum exercitationem ullam corporis suscipit laboriosam, nisi ut aliquid ex ea commodi consequatur? Quis autem vel eum iure reprehenderit qui in ea voluptate velit esse quam nihil molestiae consequatur, vel illum qui dolorem eum fugiat quo voluptas nulla pariatur?"

(Seção 1.10.32 de "de Finibus Bonorum et Malorum", Cicero, 45 aC)

Que continua brilhantemente a seguir:

"At vero eos et accusamus et iusto odio dignissimos ducimus qui blanditiis praesentium voluptatum deleniti atque corrupti quos dolores et quas molestias excepturi sint occaecati cupiditate non provident, similique sunt in culpa qui officia deserunt mollitia animi, id est laborum et dolorum fuga. Et harum quidem rerum facilis est et expedita distinctio. Nam libero tempore, cum soluta nobis est eligendi optio cumque nihil impedit quo minus id quod maxime placeat facere possimus, omnis voluptas assumenda est, omnis dolor repellendus. Temporibus autem quibusdam et aut officiis debitis aut rerum necessitatibus saepe eveniet ut et voluptates repudiandae sint et molestiae non recusandae. Itaque earum rerum hic tenetur a sapiente delectus, ut aut reiciendis voluptatibus maiores alias consequatur aut perferendis doloribus asperiores repellat."

(seção 1.10.33 of "de Finibus Bonorum et Malorum", Cicero, 45 aC)

Que podemos traduzir sem tantos rigores para:

"Mas devo explicar-lhe como toda esta idéia equivocada de denunciar o prazer e louvar a dor nasceu e vou dar-lhe assim uma conta completa do sistema, e expor os verdadeiros ensinamentos do grande explorador da verdade, o mestre-construtor da felicidade humana. Ninguém rejeita, desgosta, ou evita prazer em si porque se trata de prazer, mas porque aqueles que não sabem como perseguir prazer racionalmente encontram consequências que são extremamente dolorosas. nem há de novo quem ama ou pessegue ou deseja obter dor em si mesmo, porque é dor, mas por ocasionalmente ocorrer circunstâncias em que esforço e dor pode adquirir-lhe grande prazer. Para pegar exemplo simples, qual de nós nunca empreendeu laborioso exercício físico, exceto para obter alguma vantagem com isso? Mas quem tem qualquer direito de encontrar falhas em um homem que escolhe desfrutar de um prazer que não tem incomodas consequências, ou aquele que evita a dor que não produz resultante prazer?

Por outro lado, denunciamos com justa indignação e desgosto homens que são tão iludidos e desmoralizados pelos encantos do prazer do momento, tão cegos por desejo, que não podem prever a dor e dificuldade que está prestes a acontecer; e culpa igual pertence a quem falha no cumprimento do seu dever por fraqueza de vontade, que é o mesmo que dizer através da diminuição de esforço e dor. Estes casos são perfeitamente simples e fáceis de distinguir. Em tempo livre, quando o nosso poder de escolha é desembaraçado e quando nada impede que sejamos capazes de fazer aquilo que preferios, todo prazer é bem vindo e toda dor, evitada. Mas em determinadas circunstâncias, e devido às reivindicações de direitos ou às obrigações dos negócios que freqüentemente ocorre que prazeres devem ser repudiados e incomodos, aceitos. O homem sábio, pois, sempre detém nestas questões sobre tal princípio de seleção: ele rejeita outros prazeres para garantir um maior prazer, ou então, ele tolera a dor evitar piores dores."

OBS:


Ok. Mentirinha!!!

Não entendi uma palavra do que está escrito, e dei um google atrás de uma resposta. Descobri que é só uma figura de design e impressão utilizada desde 1500 para testar os tipos das impressoras, ou a formatação de um texto...e descobri também que se originou desse texto de Cícero,o qual traduzi - eu e meu amigo google - do inglês "The Extremes of Good and Evil" (uma tradução de 1914 por H. Rackham) do site Lorem Ipsum

http://www.lipsum.com/

Vivendo e aprendendo. Obrigado, Tiago!!!

teste

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