ainda não me sinto muito à vontade para PONDERAR minhas idas e vindas dos últimos - vá lá - trinta e poucos dias. no entanto, é fato que sobre as noites de deslizes pela augusta & seus puteiros, as cervejas com os comparsas, as cachaças vagabundas & os cerca de 1600km que percorri em duas semanas - incluso um PERNOITE no mato & dança nas montanhas - eu teria MUITO o que dizer; e se fosse querer contar todas as histórias que o álcool não apagou, ficaria uns três dias exercitando os dedos & cansando os olhos. se fosse contar apenas coisa ou outra, cometeria injustiças & sacrilégios.
pois bem, não tenho nenhuma restrição moral para com injustiças & sacrilégios. pelo contrário, até. mas devo confessar que tenho FORTE a sensação de que algo mudou.
eu, no caso.
saí dia 26 de janeiro para San Paolo, de lá para Londrina, de lá para Tigabi, Guartelá, de volta pra Tibagi, Castro, Ponta Grossa, Curitiba, San Paolo & dia 11 - cumpleaños #23 - estava de volta ao meu ponto de partida: queimado de sol, algo febril, algo BARBUDO, algo... impaciente.
tenho a lembrança de ter escrito um post onde meti um mapa do Paraná & desejei PERAMBULÁ-LO de um jeito qualquer. não pude encontrá-lo, talvez nem o tenha publicado, mas quis, desde então, percorrer o estado de forma, ahn, mais ÍNTIMA. não digo que o fiz (e nem é algo que se faça de uma única vez), mas muito me satisfez ter percorrido o eixo Londrina-Curitiba em dois dias - parte de carro, parte de ônibus, e um tanto a pé & até a NADO - do jeito que fizemos. quer dizer, de Tibagi eu segui sozinho pra capital, mas isso pouco importa. o que importa é que o céu do Guartelá é TRINTA vezes mais brilhante & estrelado que qualquer outro céu que eu já tenha visto. e isso acabou comigo, de certa forma. gritar a plenos pulmões enquanto se enfrenta uma queda d'água de peito aberto, até fôlego & resistência acabarem: isso me ANIQUILOU completamente. DANÇAR, como já disse, nas montanhas: passos rápidos & calculados, pedra sobre pedra para além das trilhas idiotas do IAP, para as margens de cachoeiras & verdadeiros penhascos, para deslizar entre fendas & esgueirar-se discreto de volta ao mirante dos turistas. afinal, crime ambiental é a SYNGENTA ter fazendas de soja & milho À BEIRA dum CANYON, não é mesmo?
enfim, ainda não sei ponderar isso tudo. não sei exatamente o que pensar dos símbolos que me foram postos em Londrina, dos livros que li nesse período, das INFINITAS cervejas que tomei, do nascer do sol na estrada, da névoa, das plantações à 170 quilômetros por hora; também não sei - e esta é outra VIAGEM - o que pensar das PUTAS, das conversas sobre trabalho & trajetória, das doses de whisky vagabundo, das figuras & andanças mais improváveis.
impossível, portanto, ser o mesmo após tantos puteiros & TANTOS quilômetros rodados. após tanta gente & tanta bebida. após voltar & sentir falta de continuar andando por aí.
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mas acontece que vim mais pelo HIATO que outra coisa: vim mais pra não-dizer, pra começar reflexão minha, que pra pôr em palavras qualquer pé que eu tenha posto em COVA. também é verdade que voltei do MATO com impulsos LUDDITAS, de puxar cabos & destruir coisas sociáveis demais; com vontade de falar pouco ou nada & fumar despretensioso junto aos livros & garrafas. e é o que tentarei praticar plenamente até o fim do mês.
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doeu-me mais a porrada dos 23 que a mudança radical dos 22. talvez tenham sido os exageros memoráveis de 2009, o excesso de tudo ao mesmo tempo agora que finalmente pesou-me nos ombros. um aviso de que nem sempre será FÁCIL.
BUT I LIKE IT.
e de outro jeito não teria graça.