categoria ~ sitar



terça-feira, julho 10, 2007

{in-flames}

meus fios de cabelo branco. darão boas cordas de sitar quando alguma arrebentar no meio do espetáculo de fábulas e furos. mas não costurarão os rasgos que quis fazer na sua camisa. meus desejos na sua five, four, three, two, one-pocket rocket. aponta para o céu como o meu instrumento, facilitando previsão do tempo para uma colega esta manhã. chama chuva. no meu esquecimento em forma de coque, abanava pra qualquer um na sala de reunião.

agora vais ter que chover. se não cairem por terra suas gotas, cairá minha mais ou menos mentira: "é simpatia pra devolver umidade".



terça-feira, junho 19, 2007

{singeleza}

como de súbito cresceu música em meus dedos,
e rápido compus pequenas trilhas?
toquei-as assim, em lampejos;
de minhas vergonhas me afastei muitas milhas.

é que fez-se ensaio, burilo dos loucos
e fartei-me de afeto antes não alcançado
falas, rodopios, fantasias dos outros
eu de deidade, meu sitar enlevado!



terça-feira, agosto 01, 2006

A DEFINIÇÃO FANTASMA

Coisa de duas semanas recebi e-mail de interlocutor inteiramente desconhecido me informando que aquele instrumento que apareço tocando no álbum do Orkut não é uma cítara e sim um sitar.

Respondo que cítara é a palavra da língua portuguesa para sitar; e ele rebate dizendo que, a rigor, a cítara é uma evolução da lira grega e que sitar já é, sim, encontrado nas edições mais modernas do Aurélio.

Contentou-me saber que, ao contrário do que meu corretor ortográfico indica, sitar já não é estrangeirismo para o instrumento mais maravilhoso do mundo, e imediatamente aposentei cítara. Em contrapartida, a questão da definição começou a tomar nuances INGLÓRIAS. Acompanhem-me.

É aceito que cítara foi "emprestada" para denominar o sitar na época em que sitar não constava no dicionário da língua portuguesa. Além disso, googlando, descobri que a palavra também batizou diferentes instrumentos em diferentes tempos e culturas do mundo. Uma espécie de Casa da Mãe Joana musical-vocabular.

Diversos textos, sobretudo das décadas de 60 e 70, usavam cítara para se referir a arte de Ravi Shankar (então uma revelação para o ocidente) e imediações da música indiana. Ignoro quanto tempo se passou até que finalmente Aurélio e cia incorporassem sitar ao saguão de verbetes portugueses. Todavia, um primeiro mistério assombra a questão: dois dos melhores dicionários de Portugal, Priberam e Porto Editora, ignoram o termo sitar .

Tipo, NÃO ENTENDI.

Não deveria haver um alinhamento entre dicionários de língua portuguesa de Brasil e Portugal, sobretudo quando o termo é usado para denominar algo tão objetivo quanto um sitar? Sem contar que Portugal já teve Macau como colônia.

Mistério número dois reside na definição de sitar, conforme informada pelo interlocutor desconhecido que me escreveu: "instrumento hindu, de braço longo, montado com três ou quatro cordas dedilháveis" (Aurélio); e "instrumento de cordas originado da Índia, da família do alaúde, com forma de pêra e braço longo, us. para solo ou em conjuntos" (Houasiss).

equívoco letra a) "hindu" é impróprio porque se refere a religião, e não à nacionalidade, que ambos os dicionários sugerem ser indiana;

equívoco letra b) as cordas dedilháveis são de seis a sete. "Três a quatro" seria a rudra vina, outro instrumento oriental parecido com um sitar. Na real, o número de cordas do sitar chega a 19 ou 21, porque também existem cordas de ressonância por baixo. Ou seja, a definição não só está ERRADA como é VAGA.

equívoco letra c), e o PIOR: o sitar NÃO FOI originado na Índia, mas na Pérsia. Com as famosas invasões árabes na Índia, o sitar foi introduzido e acabou se popularizando por lá, tornando-se sinônimo de música indiana - mais ou menos como a história do macarrão que foi inventado pelos chineses mas que virou sinônimo de culinária italiana. Este detalhe me havia sido revelado pelo afegão Mohammed e o Sandro confirmou.

Donde se concluir que, a rigor, não há palavra certa para classificar um sitar. Mas ficamos com sitar porque é a mais cheia de BOA INTENÇÃO.



segunda-feira, abril 03, 2006

HOMO LUDENS:

menagemodular2.jpg
new books. espero que muitas e muitas outras alegriazinhas por tocar!

menagemodular1.jpg
da esquerda para a direita: lucio k, letícia, eu, nix, dieguito e pcatran. fiquei meio anã porque flexionei os joelhos pra não ficar na frente do nix. o que não significa que eu não seja anã. na verdade eu sou a mais tampa da banda. e da família.



quarta-feira, março 22, 2006

SITAR SURFIN´

sitarsurf.jpg

Pioneirismo de Marco Antônio, aniversariado na segunda-feira ANTEÔNTICA.



segunda-feira, agosto 29, 2005

SITA STAR

cítara
sitar
c tá - rá!
...
citará
See Tara
cita, rá

Não costumo negar pedidos ao Pablo mas não a levei para a jam de sábado: foi tudo muito de última hora e afinal de contas eram dois violinistas, um cellista, um piano, uma flauta e um pandeiro. Sita não tem captador e ninguém ia escutar nada anyway.

~ ~ ~

Sita foi coisa do Sandro. Logo na primeira aula ele olhou dentro do case e disse, é uma menina! Eu exultei porque eu sempre disse que era uma menina e as pessoas riam. E ele foi logo batizando, ela vai se chamar Sita. Tomou-a nos braços e continuou, você tem que segurar como se fosse uma mulher mesmo. É o que costumo dizer, pensei. Afinamos com o som da tambura e mostrei o que eu sabia tocar. Então fizemos exercícios com a notação indiana e ele começou a explicar uma raga. E no meio da aula ele, olha só como ela está falando melhor... está se acostumando comigo...

Cedo ou tarde isso ia acontecer, dois anos para encontrar um mestre carioca. Se bem que foi ele quem me encontrou. Regalo de aniversário Sarasvati style.



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