categoria ~ sitar



sexta-feira, abril 03, 2009

3some

quando as coisas se trançam: música e pintura e tattoo. na última aula com sandro, troquei as cordas de meu primeiro sitar e com elas já elaboro minha primeira tela em anos. uma tela com cordas de sitar. e um sitar para nino, que me retribuirá com algumas outras estrelas na pele.

nino é a pessoa com quem mais curto tocar junto em todos os tempos. ele é lúdico e cúmplice a ponto de me fazer sentir ainda mais íntima no sitar que com meu professor. com nino arrebentarei muitas cordas, que darão em várias outras telas.

uma estrela para cada tela? quem sabe.



quinta-feira, março 05, 2009

sitar trek

desde o começo eu soube que minha história com o sitar seria permanente. a despeito de quase um ano e meio sem tocar seriamente, por fim regresso para minhas aulas com sandro. e, iupi!, cordas novas.

encostei o sitar na minha melhor forma: boa técnica e composições para o palco. depois disso, episódios escassos como jams na casa da gabi com bases e cello ou tirando norwegian wood com dani chiacos.

ano passado foi definitivamente de expressões visuais via cool.agens; 2009 será híbrido.



segunda-feira, março 17, 2008

daqueles que te conhecem bem

ex-marido manda e-mail com datas de apresentações de ravi e anoushka shankar este ano - uma delas é primeiro de junho no palau de la música catalana.

no palau de la música catalana! éramos honeymoonaz quando entramos na sala de concertos, olhei pro vitral do teto e quase chorei, ele me abraçou e apertou minha mãozinha. foi o lugar mais deslumbrante que já pus os pés na vida.

os shankar@palau = derrame cerebral.



terça-feira, julho 10, 2007

{in-flames}

meus fios de cabelo branco. darão boas cordas de sitar quando alguma arrebentar no meio do espetáculo de fábulas e furos. mas não costurarão os rasgos que quis fazer na sua camisa. meus desejos na sua five, four, three, two, one-pocket rocket. aponta para o céu como o meu instrumento, facilitando previsão do tempo para uma colega esta manhã. chama chuva. no meu esquecimento em forma de coque, abanava pra qualquer um na sala de reunião.

agora vais ter que chover. se não cairem por terra suas gotas, cairá minha mais ou menos mentira: "é simpatia pra devolver umidade".



terça-feira, junho 19, 2007

{singeleza}

como de súbito cresceu música em meus dedos,
e rápido compus pequenas trilhas?
toquei-as assim, em lampejos;
de minhas vergonhas me afastei muitas milhas.

é que fez-se ensaio, burilo dos loucos
e fartei-me de afeto antes não alcançado
falas, rodopios, fantasias dos outros
eu de deidade, meu sitar enlevado!



terça-feira, agosto 01, 2006

A DEFINIÇÃO FANTASMA

Coisa de duas semanas recebi e-mail de interlocutor inteiramente desconhecido me informando que aquele instrumento que apareço tocando no álbum do Orkut não é uma cítara e sim um sitar.

Respondo que cítara é a palavra da língua portuguesa para sitar; e ele rebate dizendo que, a rigor, a cítara é uma evolução da lira grega e que sitar já é, sim, encontrado nas edições mais modernas do Aurélio.

Contentou-me saber que, ao contrário do que meu corretor ortográfico indica, sitar já não é estrangeirismo para o instrumento mais maravilhoso do mundo, e imediatamente aposentei cítara. Em contrapartida, a questão da definição começou a tomar nuances INGLÓRIAS. Acompanhem-me.

É aceito que cítara foi "emprestada" para denominar o sitar na época em que sitar não constava no dicionário da língua portuguesa. Além disso, googlando, descobri que a palavra também batizou diferentes instrumentos em diferentes tempos e culturas do mundo. Uma espécie de Casa da Mãe Joana musical-vocabular.

Diversos textos, sobretudo das décadas de 60 e 70, usavam cítara para se referir a arte de Ravi Shankar (então uma revelação para o ocidente) e imediações da música indiana. Ignoro quanto tempo se passou até que finalmente Aurélio e cia incorporassem sitar ao saguão de verbetes portugueses. Todavia, um primeiro mistério assombra a questão: dois dos melhores dicionários de Portugal, Priberam e Porto Editora, ignoram o termo sitar .

Tipo, NÃO ENTENDI.

Não deveria haver um alinhamento entre dicionários de língua portuguesa de Brasil e Portugal, sobretudo quando o termo é usado para denominar algo tão objetivo quanto um sitar? Sem contar que Portugal já teve Macau como colônia.

Mistério número dois reside na definição de sitar, conforme informada pelo interlocutor desconhecido que me escreveu: "instrumento hindu, de braço longo, montado com três ou quatro cordas dedilháveis" (Aurélio); e "instrumento de cordas originado da Índia, da família do alaúde, com forma de pêra e braço longo, us. para solo ou em conjuntos" (Houasiss).

equívoco letra a) "hindu" é impróprio porque se refere a religião, e não à nacionalidade, que ambos os dicionários sugerem ser indiana;

equívoco letra b) as cordas dedilháveis são de seis a sete. "Três a quatro" seria a rudra vina, outro instrumento oriental parecido com um sitar. Na real, o número de cordas do sitar chega a 19 ou 21, porque também existem cordas de ressonância por baixo. Ou seja, a definição não só está ERRADA como é VAGA.

equívoco letra c), e o PIOR: o sitar NÃO FOI originado na Índia, mas na Pérsia. Com as famosas invasões árabes na Índia, o sitar foi introduzido e acabou se popularizando por lá, tornando-se sinônimo de música indiana - mais ou menos como a história do macarrão que foi inventado pelos chineses mas que virou sinônimo de culinária italiana. Este detalhe me havia sido revelado pelo afegão Mohammed e o Sandro confirmou.

Donde se concluir que, a rigor, não há palavra certa para classificar um sitar. Mas ficamos com sitar porque é a mais cheia de BOA INTENÇÃO.



quarta-feira, março 22, 2006

SITAR SURFIN´

sitarsurf.jpg

Pioneirismo de Marco Antônio, aniversariado na segunda-feira ANTEÔNTICA.



quarta-feira, dezembro 07, 2005

BEQUEST

Indiscutível é que música ocidental sempre foi GREGO pra mim. Digo, não a música em si, mas a dobradinha teoria/ percepção e todo o tralalá - acordes, escalas, tempos e tal. Nada fez muito sentido mesmo depois de um ano de aulas com o Anton. Deu alguma noção, mas eu sempre terminava a frase pensando, beleza, e daí?

Já música indiana é algo de mais NATURAL no mundo. Desde o início, ainda nos bastidores do aprendizado, fechava redondinha na minha cabeça. Músicos ocidentais clássicos dizem que é complexa, fazem paralelos com o jazz, mas eu não consigo enxergar a dificuldade. Há quatro meses tenho aula de cítara com o Sandro, o santo que demorei dois anos para encontrar e que no momento destrincha minha primeira raga comigo, e tudo fica em PERFEITO entendimento.

Inexprimível felicidade estar aprendendo música indiana, me dá um senso de pertencimento que eu nem vou tentar explicar. Quando comprei a cítara, temi desistir por conta da dificuldade da técnica e da ausência de um connoisseur para me ensinar. Sentia um cataclisma diante da simples hipótese. Mas era como se a música já existisse em mim, sabia que cedo ou tarde encontraria as peças faltantes pelo caminho. Foi o Sandro aparecer que tudo começou a se encaixar.

Consegui cordas novas.

Afinador cromático e Tiger Balm pra deslizar o dedinho.

Raridades como os cedezes da Anoushka Shankar e o devedê do Vilayat Khan, que Feels trouxe de presente de viagem numa tacada ÚNICA de intuição e sorte na Fnac de Mônaco.

E vai ser uma lindeza se o Helder, mestre do Sandro, embarcar mesmo pra Índia e trouxer uma cítara 2.0 pra mim.

Música indiana, fato, é coisa EXÓTICA no Rio de Janeiro - não existe quase nada ou ninguém seriamente relacionado - mas aos poucos o quebra-cabeça se fecha.

Para mim é casamento pra vida toda.



sexta-feira, outubro 14, 2005

SAMÁDHI

Ontem comecei a aprender minha primeira raga - um legítimo that com arohanas, avarohanas e tudo mais.

Vocês não fazem IDÉIA do que eu tô sentindo.



segunda-feira, agosto 29, 2005

SITA STAR

cítara
sitar
c tá - rá!
...
citará
See Tara
cita, rá

Não costumo negar pedidos ao Pablo mas não a levei para a jam de sábado: foi tudo muito de última hora e afinal de contas eram dois violinistas, um cellista, um piano, uma flauta e um pandeiro. Sita não tem captador e ninguém ia escutar nada anyway.

~ ~ ~

Sita foi coisa do Sandro. Logo na primeira aula ele olhou dentro do case e disse, é uma menina! Eu exultei porque eu sempre disse que era uma menina e as pessoas riam. E ele foi logo batizando, ela vai se chamar Sita. Tomou-a nos braços e continuou, você tem que segurar como se fosse uma mulher mesmo. É o que costumo dizer, pensei. Afinamos com o som da tambura e mostrei o que eu sabia tocar. Então fizemos exercícios com a notação indiana e ele começou a explicar uma raga. E no meio da aula ele, olha só como ela está falando melhor... está se acostumando comigo...

Cedo ou tarde isso ia acontecer, dois anos para encontrar um mestre carioca. Se bem que foi ele quem me encontrou. Regalo de aniversário Sarasvati style.

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