take me fishing. that´s the kind of stuff i´d love to do one day. it´s okay if you´re moody sometimes, so are the sea and the sky. take me fishing and you´ll be steady again, trying to fish the stars all the time. while you do that, i´ll surely hook one of them off your eye. maybe then you´ll be able to see clearly again, put your lenses to sleep ´till the day i die. take me fishing and you´ll switch to crystal water mode. no duties, no strings attached.
categoria ~ phantasia
but does it float
flying saucers in the ceiling
eva de neve
à primeira vista era uma serpente gigantesca aninhada em si mesma após jantar um veado. mas chegando mais perto era possível enxergar uma pontinha de unha rasgando, por dentro, a barriga do bicho, e seu coração sendo empurrado para fora. agora o animal estava morto e ela poderia escapar sem ser engolida de novo. eva, a moça que fora caçada.
mas não seria tão simples: por onde passou um coração de serpente passaria também uma cabeça de gente mas jamais os ombros e o resto do corpo. para abrir a passagem, eva havia deixado todas as unhas no couro do réptil; e seus dentes não fariam melhor. decidiu, então, usar os do próprio animal. com um braço para fora, tateou a cabeça do bicho e enfiou a mão em sua boca estofada de gengivas. arrancou uma presa, arrancou a outra. usou-as para alongar o rasgo. saiu lá de dentro rolando em meio a vísceras ainda quentes.
eva notou que o coração havia se transformado numa maçã - tudo o que precisava para afastar a fome da noite. mas ela queria mais. então tomou nas mãos a cabeça da serpente e procurou sua língua. dela sugou o veneno, cuspiu-o na maçã, deu uma mordida e viveu para sempre.
tula, a tarântula jogadora de xadrez
se mete com ela. um olho para cada jogada que tu faz.
ursula, the bear
sooner or later you'll be bearing adulthood along with the swan and the lizard.
good love life for the swans. nice unpersonal one for the lizards.
little we know about our own.
nantes
mandou uma carta. escrita no papel azul-tédio, envelope igual. selo postal da cidade costeira. carimbo da marinha. provavelmente o cabelo vermelho contra o céu cinzento. fumaça preta, rosto sardento. volta da guerra. gola branca. uniforme chumbo. insígnias. lenço saindo do bolso. a mão e a alça. a mala e a calça. o vinco e as botas. o piso do convés. o casco e o mar.
em terra ela recebe a mensagem e grita afogada. toca fogo no chão, se mata torrada.
não há portas
garanto que ela não vem. se vier, terá dado espaço pro boi dormir e sairá de fininho, escalando a cortina que já na primeira esquina será saia daquelas bufantes, alfinetes no avesso mas um resultado elegante. se vier, entrará com as barras manchadas da sujeira da calçada e ainda assim fará a noite parecer de gala, ciganas gritando nas grades querendo ler sua mão. ela lhes oferecerá um pé e lhes pedirá que relatem as possíveis más sortes, tudo o que vem lutando para que não lhe aconteça não, ó, de novo não. quereria poder depender apenas do outro e que ele não se fizesse um fraco, um infante ou um louco. só um pouco! para que daí ela lhe entregasse a chave e, num entrave, ele abrisse sua janela numa madrugada secreta, e então celebrassem melhor do que eu aqui nessa festa.
garanto que ela não vem, porque muito desejo lhe resta e as trepadeiras da casa são as tranças que o levam até sua cama.
doo da lah doo. sempre canta desse jeito. acho feio. acho bordão. sabemos que saiu dela mesma e portanto é criativo, sei, mas nem é. é booba lah boosh de divin(h)a americana anos cinqüenta. mas todo mundo cai. e acham-na o supra-sumo do appeal.
outra noite sentei no meio-fio em frente a uma bodeguinha mais humana e então sim, ferocia fierce. bebona na alcova dos cigarros & drinks. bem-feitos os copos em pocilgas assim, quase toda vez. daí nem digo que arrisquei um blood mary, bebida de puta, porque veio bom mesmo. depois trouxeram scotch com licor de menta, bubaloo e o caralho.
fiz bola de chiclete. fierce entoou um superspuma, em seguida outro, uma oitava acima. fierce com o lápis de olho já no queixo, um peito desgarrado quase saindo pela lateral da alça. doidaraça. um garçom ajeitou o casacão de veludo cotelê com gola de penas d´angola sobre seus ombros. fierce calçou o sapato descalçado e saiu enterrando o salto na junção das pedras portuguesas.
descasquei a ponta de meu esmalte preto pra prestar-lhe dignidade
depeleciativa
passo cola na própria mão e estampo no rosto do papel cartão, agora ele não quer sair, puxo com força sob pena de arrancar as palmas fora, ele não sai e eu bebo as anáguas brancas pelas narinas, quem sabe meus poros não cospem as tramas pra fora e expelem o papel pra longe do meu corpo. das minhas unhas. da minha impressão digital que sempre foi lisa como as mãos dos que portam down, so they say, so i saw my thumb was this-like, i dislike that but no, not really, ich musse zugeben herr geliebt, sem contar que nunca quis deixar provas dos penachos que retiro dos rebites do velho baú.
ou kiss?
lambo o papel das mãos, ele amolece e vira cola, esfrego-as no peito para me livrar dele mas o que acontece?, o que acontece?, você me perdoa? a mão espalmada gruda no seio e quando puxo vem a pele toda, ficou a marca de uma estrela de cinco dedos - uma vitrine para a glândula mamária, algumas costelas e o meu coração batendo ao vivo e às dores.
é a des.colagem perfeita.
essa não vai cicatrizar.
o vento gelado lhe sobe as coxas sob o vestido, mas ela ainda está quentinha. pois os cabelos que ela não tem estão cobertos por uma touca de louça e fios de alabastro que voam como algas japonesas e a embrulham num novelo de sombras, pressentimento e anseio: palpos de aranha.
