categoria ~ narghee-la
vamos aplaudir o tio chico. ele nos tirou da escuridão.
friburgo, rj - o dentista carioca francisco braga, 58, elucidou um dos maiores mistérios das antigas tradições árabes: o material que antecedeu o carvão no fumo da narghee-la.
ao observar a preparação do argile portátil* de joana coccarelli, 31, durante a festa de aniversário do pai da moça, sábado passado, tio chico - como é conhecido em seu meio social - revelou que sua avó, natural da turquia, utilizava casca de coco maduro para acender seu artefato de metal.
a senhora, que na juventude assemelhava-se à jovem turca da foto ao lado, raspava a polpa da fruta e improvisava fagulhas próximas aos fiapos ressecados do exterior.
"não resta a menor dúvida sobre a veracidade da informação porque não resta a menor dúvida que o tio chico é turcão", declarou joana. já o aniversariante seu pai, carlos coccarelli, 60, não está tão seguro: "pode se esperar qualquer coisa de um sujeito que, num restaurante, aguardava as pessoas dizerem aos garçons que já estavam satisfeitas para ir-lhes pedir pessoalmente para comer o resto de suas refeições".
apesar da controvérsia, especialistas afirmam que a ligação entre o fruto e a narghee-la procede, já que o coco pode ser incendiado com esforços naturais de geração de fogo, dispensando fogões. eles acreditam que a procura por coco maduro levará ao aumento do preço da água de coco já no próximo verão.
* a ser introduzida aos leitores em edição futura.
verídicoooooooooh
tava pensando em largar as drogas este mês: narghee-la, álcool e açúcar refinado. só de pilha.
ok, ok. nem só de pilha. ando meio curiosa sobre minha capacidade de manter o controle quando de situações de privação. eu sei que é uma idéia meio sobrevivência em ambiente hostil (perdida no meio da tundra) e pós-apocalíptico (fim do estoque dentro de um bunker), mas também tem um fundinho d-tox.
fiz vários pensamentos a manhã inteira e assumo que um mês sem nenhum dos três é uma tarefa árdua para uma pessoa tão auto-aduladora como eu. então acho que abrirei uma exceção por semana para um dos itens proibidos.
no final do período, a horrível abstinência certamente teria me elevado um degrau na corrida maluca espiritual, se eu acreditasse nisso.
publicarei boletins periódicos sobre o desafio.
*light my fire*
algo deve ser feito para tornar a experiência da narghee-la mais abrangente. essa história de depender de fogão para acender o carvão é um pouco claustrofóbica. imagine um acampamento. uma noite pálida de tantas estrelas, ou cheia de lua com um rio passando na frente. ou muito menos que isso, um dia com a ceg revisando o encanamento de gás e condenando o condomínio inteiro a tomar banho frio. cristo, uma narghee-la, por favor.
semana passada foi o incidente ceg e eu tinha visita. tentei atear carvão com velas, mas tudo o que consegui foi cera respingada no chão da cozinha e uma fumaça que tiraria o cracatoa para dançar.
online, procurei maneiras alternativas para acender carvão, mas nada. todo o palavrório sobre narghee-la ignora a inflamação dos tão básicos tronquinhos pretos. ora, os velhos egípcios que passam o dia com a mangueira pendurada na boca em becos de mercados labirínticos devem ter um macete. essa gente não teria um fogareiro ao lado... teria? ou isqueiros-maçarico, como eu fazia com meu primeiro hubble-bubble? aliás, será que é carvão o que eles usam?!
experts, manifestai através de sonhos.
COMEMORATIVO DOS QUATROS NOVOS QUILOS DE CARVÃO...
O narguilé original veio da Índia e era muito primitivo, feito de casca de coco. Chegou primeiro ao Irã e depois ao resto do mundo árabe, tornando-se parte fundamental da cultura das casas de chá turcas na época de Murat IV (1623 a 1640).
de acordo com meu webamigo afegão Mohammed, a cítara foi criada pelos árabes mas tornou-se símbolo de música indiana; e a narghee-la foi criada pelos indianos mas virou símbolo do costume árabe. kindda fuzzy isso.
Narguilés logo se tornaram um importante símbolo de status. Oferecê-lo a um convidado era sinal de confiança e negá-lo poderia ser interpretado como um sério insulto. Em 1841, uma crise diplomática abateu-se entre França e o Império Otomano depois que o sultão recusou um pedido do embaixador francês para experimentá-lo.
nosso sultão devia estar QUERENDO uma crise diplomática. eu solto fogos toda vez que um visitante pede pra fumar.
O narguilé era tão in entre as senhoras das elites do século XIX e início de XX que tornou-se charmoso ser fotografado fumando num. Se alguém quisesse ser um grande anfitrião, narguilé era perfeito para chás da tarde e reuniões intelectuais.
eu sou in. eu sou MUITO in e sofisticada. vocês aí na roda também são. somos MUITO luxo.
Até recentemente todas as casas de chá em Istambul tinham um canto especial para os fumantes de narguilé. São os primeiros clientes: ao amanhecer, esfregando os olhos, sentam-se num sofá e aguardam o narguilé da manhã antes de ir trabalhar. A maior parte dos fumantes possui narguilé próprio nas casas de chá.
sinto-me melhor por usar o fogão para fazer café da manhã e aquecer carvão ao mesmo tempo nos finais de semana.
...E SHISHAS DE MELÃO E BAUNILHA
O narguilé possui quatro partes principais: o agizlik (piteira), o lüle (parte de metal), marpuç (mangueira) e o gövde (a garrafa). Todas elas eram produzidas por artesãos especializados e até hoje os locais onde eles se concentram ganham o nome da peça que fabricam, como Marpuççular. As garrafas são um exemplo do artesanato turco, algumas sendo feitas de cristal ou metal - na Istambul otomana tornou-se um object d'art, com os agizliks esculpidos a partir de âmbar puro.
óquêi, mas eu ainda acho que eu tenho a NARGHEE-LA DOS SONHOS.
Nem todos os tabacos estão qualificados para uso em narguilés - apenas o escuro importado do Irã possui o sabor certo. Antigamente este tabaco era lavado diversas vezes antes de ser usado pois é extremamente forte e somente carvão de carvalho era usado para aquecê-lo. Fumantes profissionais começaram a usar frutas, como soro de cerejas ou uvas dentro do govde apenas para apreciar o movimento que criavam na água. Outras pessoas gostavam de adicionar óleo de rosas para dar sabor.
gelo também é legal.
fonte: www.thehookah.com

HEAVY USER
Ontem chegou CARREGAMENTO da importadora árabe paulistana: dois quilos de carvão e duas caixas de shisha - uma delas de rosas, TRULY FANTABULOUS.
Transação inteiramente consumada por telefone e ainda virei AMIGA DE LONGA DATA da gerente de vendas.
Não mais carvão em cartelas de dez unidades. Não mais shishas ultrafaturadas.
Let´s talk REAL BUSINESS here.
WINTER DELUXE SESSIONS Finalizada bateria
WINTER DELUXE SESSIONS
Finalizada bateria de SHISHA DEGUSTAÇÃO. O friozinho ajudou.
Abre-se a roda, regada a beliscos árabes, doces sírios, frutas secas, vinhos e chás.
NARGHEE-LA 2.0: ROSÉ Ei-la alta,
NARGHEE-LA 2.0: ROSÉ

Ei-la alta, pesada e dourada. Praticamente um CASTELO BIZANTINO.
Test-drive no terraço do Sallun ao som de Habib Abou Khalil à luz de vela e lua: era como VOAR em NUVENS SABOR UVA. A fumaça nublava BELAMENTE o interior da garrafa furta-cor; não mais que uma delicada aspirada e as pleuras eram suavemente defumadas.
Mesmo o gigantesco modelo giratório de quatro mangueiras do lounge de sábado não me impressionou. Eu tenho a NARGHEE-LA DOS SONHOS.
O ABRE-TE SÉSAMO fica no Brás, equivalente paulista do SAARA. A rua é Julio Ribeiro, o número era pra ser 66, mas chegando lá você descobre que 66 não existe e vai perguntar pro maluco do 44 onde é que fica, ele vai apontar pra uma loja apinhada de coisa do outro lado da rua e você vai exultar. É um OÁSIS pilotado por um SÍRIO que mal fala português, oferece jujubas NABABESCAS e vende um quilo de carvão cilíndrico a R$15, caixa grande de shisha pelo mesmo preço (R$10 a menos que em outros lugares) e R$3 a pequena. Juntei de coco, cereja, jasmim, manga, uva e maçã, mais uma de limão que vem numa latinha ÜBERHYPE. Tudo importado, mas no final ainda ficou mais em conta que o preço do meu ex-narguilé - também conhecido como narguila-piloto, 1.0 ou azulzinho, CROMATIZANDO com os olhos da Flavia, a nova proprietária.
Eu disse que morava no Rio de Janeiro e pedi um embrulho à prova de viagem. Olha só o que ele usou:

UMA SAIA PARA COMBINAR

Só que tem que é JAPONESA.
Arrematada PROFETICAMENTE um dia antes por R$12 no brechó do IDCH.
O espaço é um GRÊMIO ORIENTAL que pergunta nome e SIGNO para anotar na cartela de consumação.
Respondi CÚSPIDE LEÃO-VIRGEM.
O cara quase caiu da cadeira.
Não tem BADABAUÊ páreo pra mim, MALANDRÃO.
REZA PRA CONTINUAR ABAIXO DOS
REZA PRA CONTINUAR ABAIXO DOS 20
Se tem um lance que ando SONHANDO COM é DERRETER UMA SHISHA no friozinho.
Meu VERME ESTOMACAL não me deixa realizá-lo de imediato, então estou escorando todas as minhas esperanças no findi.
Narghee-la é uma SLOW MOTION
Narghee-la é uma SLOW MOTION EXPERIENCE.
Pouca gente na roda, muita languidez no clima. Pega a mangueira, faz borbulhas, se delicia com a fumaça aromatizada. É falar macio, rir gostoso, passar adiante.
Narghee-la não permite que nada além de shisha derreta dentro dela. Você até pode acrescentar frutas frescas ou mel; pode misturar vinho à água. Mas a tradição nega o mito ocidental de que é instrumento pra maconha ou ópio. Narghee-la é entender a viagem da superoxigenação do cérebro.
Surgiu na Pérsia e se proliferou pelo resto das culturas árabes. É um dos principais elementos da social local – aproxima as pessoas, lapida os modos. Paciência e tolerância.
Narghee-la é um estímulo aos sentidos; logo, uma ação marcada pelos mil refinamentos. Grupo seleto, música substanciosa, beliscos pitorescos. Tapete aveludado: narghee-la foi feita pra ficar no chão.
Puxa uma almofada.
Passa a mangueira.
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by the way: a arte aí em cima é assinada por papai coccarelli - hmmm!
