pulmões límpidos como uma tarde de verão, segundo laudo da radiografia. ainda falta a palavra final do pneumologista, mas já me antecipo: seis anos frenéticos de tambak não me fizeram mal algum.
pena que falta carvão para comemorar.
pulmões límpidos como uma tarde de verão, segundo laudo da radiografia. ainda falta a palavra final do pneumologista, mas já me antecipo: seis anos frenéticos de tambak não me fizeram mal algum.
pena que falta carvão para comemorar.
eis que surge o momento de olhar para a radiografia da verdade e descobrir o quão nocivos têm sido os seis anos de fumo de narghee-la para meus pulmões. se é que têm sido nocivos. a princípio o estetoscópio de dr. marcelo, pneumologista, não captou nenhum ranger de alvéolos ou anomalias do tipo.
justifiquei minha consulta com a falta de consenso médico a respeito do efeito do narguilé sobre a saúde e falei sobre pesquisas que aterrorizam a opinião pública (digo, minha mãe) ao afirmar que meia hora de shisha equivaleria a um maço de cigarros. doutor examinou as duas embalagens de diferentes marcas de tambak que levei para avaliação e riu, concordando com minha hipótese a respeito de algum lobby da phillip morris.
as chapas de pulmão ficam prontas amanhã. apesar de muito relevantes para toda uma comunidade narguílica, estou ainda mais ansiosa para a visita ao gastroenteorologista. ando sentindo dores de estômago do tamanho do canadá.
eu deveria ter ataque do estômago no trabalho, onde existe tensão, e não em plenas férias.
já há mais de ano que adquiri minhas segunda, terceira e quarta narghee-las e nem contei aqui. bem. o lado bom é que poupei os leitores de três diferentes postagens exaltando cada uma, limitando-me a uma notificação objetiva neste parágrafo. quanta sorte a de vocês.
portanto: contando com a grande narghee-la rosé síria, são quatro. a segunda, amarela, é pequena e serve para levar para reuniões de amigos iniciados e viagens; a terceira, magenta, é uma míni-narghee-la para consumo discreto em reuniões onde a intimidade com tambak não prepondera; e a quarta, azul, quase do tamanho da rosé, fica na sala.
a oferta de narghee-las e acessórios cresceu sobremaneira no rio de janeiro e os preços estão um pouco mais módicos. com o aumento abusivo do valor das transportadoras, encerrei encomendas com a importadora de são paulo. desenvolvi relacionamento muito amistoso com o senhor roberto, dono da mr. smoker (prado júnior) e ele faz todas as minhas vontades no tocante a sabores de tambak, peças de borracha e tamanho de mangueiras. inclusive disponibilizou para o público uma narghee-la para fumar sem compromisso numa das mesas da tabacaria. a melhor variedade e qualidade de narghee-las da cidade com as cifras mais afáveis da praça.
não mais me atenho a tambaks vermelhos. a marca el nakhla, antes onipresente, perdeu quase todo espaço para a razoável el basha, a boa prince e a ótima amaren. segundo o relatório narghee-la, que inclui opiniões de apreciadores de fino trato, os melhores sabores são rosas vermelhas (amaren), laranja (qualquer marca), uvas verdes (qualquer marca), menta (amaren ou prince), pistache (qualquer marca) e a raríssima mel (prince). prefiro não entrar em detalhes sobre a completa falta deste sabor no mercado. dá vontade de chorar.
cardamomo e canela, da premium sherazade, prosseguem sendo dois clássicos das mil e uma noites de fumaça.
meu senso particular de dignidade e reverência à tradição veda o uso de vinho, champagne ou halls na garrafa; maconha ou hashish na cabeça de cerâmica; e sabores vulgares como coca-cola ou red bull.
o melhor carvão continua sendo vendido a quilo ou meio-quilo em formato triangular.
friburgo, rj - o dentista carioca francisco braga, 58, elucidou um dos maiores mistérios das antigas tradições árabes: o material que antecedeu o carvão no fumo da narghee-la.
ao observar a preparação do argile portátil* de joana coccarelli, 31, durante a festa de aniversário do pai da moça, sábado passado, tio chico - como é conhecido em seu meio social - revelou que sua avó, natural da turquia, utilizava casca de coco maduro para acender seu artefato de metal.
a senhora, que na juventude assemelhava-se à jovem turca da foto ao lado, raspava a polpa da fruta e improvisava fagulhas próximas aos fiapos ressecados do exterior.
"não resta a menor dúvida sobre a veracidade da informação porque não resta a menor dúvida que o tio chico é turcão", declarou joana. já o aniversariante seu pai, carlos coccarelli, 60, não está tão seguro: "pode se esperar qualquer coisa de um sujeito que, num restaurante, aguardava as pessoas dizerem aos garçons que já estavam satisfeitas para ir-lhes pedir pessoalmente para comer o resto de suas refeições".
apesar da controvérsia, especialistas afirmam que a ligação entre o fruto e a narghee-la procede, já que o coco pode ser incendiado com esforços naturais de geração de fogo, dispensando fogões. eles acreditam que a procura por coco maduro levará ao aumento do preço da água de coco já no próximo verão.
* a ser introduzida aos leitores em edição futura.
tava pensando em largar as drogas este mês: narghee-la, álcool e açúcar refinado. só de pilha.
ok, ok. nem só de pilha. ando meio curiosa sobre minha capacidade de manter o controle quando de situações de privação. eu sei que é uma idéia meio sobrevivência em ambiente hostil (perdida no meio da tundra) e pós-apocalíptico (fim do estoque dentro de um bunker), mas também tem um fundinho d-tox.
fiz vários pensamentos a manhã inteira e assumo que um mês sem nenhum dos três é uma tarefa árdua para uma pessoa tão auto-aduladora como eu. então acho que abrirei uma exceção por semana para um dos itens proibidos.
no final do período, a horrível abstinência certamente teria me elevado um degrau na corrida maluca espiritual, se eu acreditasse nisso.
publicarei boletins periódicos sobre o desafio.
algo deve ser feito para tornar a experiência da narghee-la mais abrangente. essa história de depender de fogão para acender o carvão é um pouco claustrofóbica. imagine um acampamento. uma noite pálida de tantas estrelas, ou cheia de lua com um rio passando na frente. ou muito menos que isso, um dia com a ceg revisando o encanamento de gás e condenando o condomínio inteiro a tomar banho frio. cristo, uma narghee-la, por favor.
semana passada foi o incidente ceg e eu tinha visita. tentei atear carvão com velas, mas tudo o que consegui foi cera respingada no chão da cozinha e uma fumaça que tiraria o cracatoa para dançar.
online, procurei maneiras alternativas para acender carvão, mas nada. todo o palavrório sobre narghee-la ignora a inflamação dos tão básicos tronquinhos pretos. ora, os velhos egípcios que passam o dia com a mangueira pendurada na boca em becos de mercados labirínticos devem ter um macete. essa gente não teria um fogareiro ao lado... teria? ou isqueiros-maçarico, como eu fazia com meu primeiro hubble-bubble? aliás, será que é carvão o que eles usam?!
experts, manifestai através de sonhos.
quando não têm tempo de conspirar tête-a-tête contra o outro, operam cada um em seu ócio, o ofício do malfalado. no convés do excesso de afazeres, afetos ávidos criam um tumor - bolsão silencioso e indelével.
lá dentro, caldeira do inferno, atiram lascas da própria boca para o outro comer. nadam em suores e cheiros, vestem hematomas; com sangue, desenham bestas impacientes nas costas do outro. sobretudo não passam de vítimas, sarcófagos esculpidos pelas vontades, bonecos de vodu de uma sacerdotisa canibal. ele a encoleira com um rolo de esparadrapo sobre os olhos, para depois arrancar suas sobrancelhas. ela o aprisiona com o volume dos quadris e cospe em seus joelhos.
o agente laranja da barba dele. o estalo da mandíbula dela. apagam incêndios com gasolina.
a pele descola.
viram carvão.
e vão arder de novo
no pódio de uma narghee-la
de rosas vermelhas
entre os meus lábios.
Creditem a evento em Sampa minha sumida de uma semana. Glórias diversas à EMPRESA, esta GRANDE MÃE pilotada por papai.
Larga saudade da TERRA DA GAROA, que chegou a apontar dezoito graus no domingo e segunda-feira. Encontros com queridos locais, no entanto, marcaram NULO.
O tempo livre que não tinha foi arranjado na marra na tarde de terça, quando eu e Alê, nossa assessora de comunicação e mais nova SUPERFRIEND, fugimos escondidas até a Colcci do Morumbi Shopping, onde arrematei MIMOSO outfit para a NOITE.
No resto do tempo eu emitia dolorosos suspiros pela profusão de meias-calças brancas, calças de paletó emboladas sobre o sapato e outras GROSSERIAS do vestuário formal dos congressistas.
À noite, muito cansada e com disponibilidade de canais à cabo, aproveitei para reavaliar minha oposição radical à televisão. Com exceção do documentário sobre PRAIAS CARIOCAS exibido pelo GNT e programas tipo Vida Selvagem do National Geographic, continua tudo O APOCALIPSE DE MASSA.
Mesmo o tal documentário das praias não conseguiu tirar o GNT da liderança dos canais mais CONSTRANGEDORES da tevê paga.
E a MTV foi pro ralo mesmo, hein?
Mais de uma hora paralítica diante da televisão levou-me a agonizante crise de abstinência por BIKES SPÍNNICAS e FERRO, de modo que amarrei o tênis e adentrei a academia do hotel - missão prontamente abortada devido a densidade populacional de SERRA PELADA em sua ERA DE OURO.
Regressei ao quarto e apelei para SESSÕES DE POLICHINELO. Da próxima vez não esquecerei de incluir uma CORDA na mala.
Porque abrir os pulmões nas calçadas paulistanas com todo aquele gás carbônico, NEM PENSAR.
Mesmo assim eu adoro aquilo lá e ontem estava muito serena e contemplativa olhando a cidade passar pela janela do táxi enquanto ia da Vila Olímpia pro Brás em missão NARGHEE-LA para Folopo e Iuri.
Chegando na loja do turcão, imenso desapontamento: apenas três dos mais de quinhentos narguilés estavam disponíveis - e não eram dos mais bonitos. Então enchi a mala de sacos de carvão, shishas variadas e nova mangueira e parti pro aeroporto.
No vôo de volta o piloto deu um rasante sobre meu ENDEREÇO COMERCIAL para desviar do Pão de Açúcar e aterrissar suavemente no Santos Dumont.
Trinta e três graus na lata.
O narguilé original veio da Índia e era muito primitivo, feito de casca de coco. Chegou primeiro ao Irã e depois ao resto do mundo árabe, tornando-se parte fundamental da cultura das casas de chá turcas na época de Murat IV (1623 a 1640).
de acordo com meu webamigo afegão Mohammed, a cítara foi criada pelos árabes mas tornou-se símbolo de música indiana; e a narghee-la foi criada pelos indianos mas virou símbolo do costume árabe. kindda fuzzy isso.
Narguilés logo se tornaram um importante símbolo de status. Oferecê-lo a um convidado era sinal de confiança e negá-lo poderia ser interpretado como um sério insulto. Em 1841, uma crise diplomática abateu-se entre França e o Império Otomano depois que o sultão recusou um pedido do embaixador francês para experimentá-lo.
nosso sultão devia estar QUERENDO uma crise diplomática. eu solto fogos toda vez que um visitante pede pra fumar.
O narguilé era tão in entre as senhoras das elites do século XIX e início de XX que tornou-se charmoso ser fotografado fumando num. Se alguém quisesse ser um grande anfitrião, narguilé era perfeito para chás da tarde e reuniões intelectuais.
eu sou in. eu sou MUITO in e sofisticada. vocês aí na roda também são. somos MUITO luxo.
Até recentemente todas as casas de chá em Istambul tinham um canto especial para os fumantes de narguilé. São os primeiros clientes: ao amanhecer, esfregando os olhos, sentam-se num sofá e aguardam o narguilé da manhã antes de ir trabalhar. A maior parte dos fumantes possui narguilé próprio nas casas de chá.
sinto-me melhor por usar o fogão para fazer café da manhã e aquecer carvão ao mesmo tempo nos finais de semana.
...E SHISHAS DE MELÃO E BAUNILHA
O narguilé possui quatro partes principais: o agizlik (piteira), o lüle (parte de metal), marpuç (mangueira) e o gövde (a garrafa). Todas elas eram produzidas por artesãos especializados e até hoje os locais onde eles se concentram ganham o nome da peça que fabricam, como Marpuççular. As garrafas são um exemplo do artesanato turco, algumas sendo feitas de cristal ou metal - na Istambul otomana tornou-se um object d'art, com os agizliks esculpidos a partir de âmbar puro.
óquêi, mas eu ainda acho que eu tenho a NARGHEE-LA DOS SONHOS.
Nem todos os tabacos estão qualificados para uso em narguilés - apenas o escuro importado do Irã possui o sabor certo. Antigamente este tabaco era lavado diversas vezes antes de ser usado pois é extremamente forte e somente carvão de carvalho era usado para aquecê-lo. Fumantes profissionais começaram a usar frutas, como soro de cerejas ou uvas dentro do govde apenas para apreciar o movimento que criavam na água. Outras pessoas gostavam de adicionar óleo de rosas para dar sabor.
gelo também é legal.
fonte: www.thehookah.com
