categoria ~ me, myself and i



segunda-feira, agosto 25, 2008

ma first moleskine

este ano foram poucos - mas muito, muito luxos: presentes de aniversário.

um sofá vermelho, duas bertoias diamante, um anel cor-de-abóbora flúor de plástico dentro de uma caixinha enferrujada (conceitualíssimo), uma medida de tecido verde com sparkles, kit de desenho, pétalas de rosa (chorei) e um moleskine de meu amado eliseu.

moleskine

está armado o drama do perfeccionismo utópico: falta-me coragem para usar meu moleskine. admito complexo de inferioridade diante de sua glória. nada do que eu escrever em suas estonteantes páginas vazias estarão à altura de seu legendário glamour. van gogh e picasso usavam moleskines para desenhar. hemingway fazia anotações nele.

não é a primeira vez que não me sinto à altura de um caderno, mas é certamente a mais grave. há anos comprei um caderno indiano com uma capa cintilante de durga e páginas de papel mesclado com fios dourados. uau, paralisei. não escrevia nada ali. então me esforcei e passei a anotar a teoria da música clássica indiana e suas lições básicas - escalas, ragas, talas. mas não consegui ir muito adiante. arranquei as páginas usadas, livrando o caderno de minhas intervenções idiossincráticas. hoje, folhas vazias, ele simplesmente enfeita o móvel da sala.

mas não um moleskine.

apesar de ser um ultraclássico pretinho básico, ele demanda conteúdo. seu histórico sugere surpresa e genialidade.

por um lado meu amado eliseu me homenageou ao me presentear com um; por outro, há toda aquela inquietação espiritual para fazer uso acertado dele.

i´m no genius. admitir facilita um bocado as coisas. provavelmente o meu melhor está aqui no narghee-la, em algumas matérias, algumas colagens e certamente em minhas amizades.

seguramente meu moleskine não servirá de reservatório para as frases prontas que minha cabecinha produz ao fechar um raciocínio aleatório. essas coisas me causam constrangimento no dia seguinte, é como ler os posts que você blogou há anos atrás.

portanto, imagens: um croqui para o próximo vestido que mandarei fazer. uma pequena colagem. um desenho com as lapiseiras novas. pequenas coisas para meus pequenos talentos.

no futuro, os detalhes pueris do presente serão as pedras preciosas da última encarnação.



sábado, agosto 23, 2008

jojo narghee-la

arte: javi.

também no dam sessions.



sábado, agosto 23, 2008

birthday



quinta-feira, agosto 07, 2008

desejos póstumos de feliz aniversário

a tecnologia dificultou muito as coisas para mim. digo, no sentido de desejar feliz aniversário ao próximo. antes era só telefonema, não tinha muito o que fazer. mas agora tem torpedo, e-mail, msn, gtalk, orkut, flog, blog. caráleo. eu tenho que me planejar com dias de antecedência.

daí fico com a data martelando na minha cabeça. quarta-feira é aniversário do fulano. domingo tem manguaça de aniversário da sicrana. quando tem sôci de niver é mais tranqüilo, dá para parabenizar na ocasião. mas freqüentemente furo em cima da hora. e daí não adianta nada.

acabo sempre dizendo, "estou ligando atrasada mas pensei em você o dia inteiro no dia 12". e é verdade. para uma pessoa tão tensa em parabenizar a ponto de não parabenizar, eu passo o dia todo lembrando do sujeito. acho que lembro tanto que no final não dou parabéns porque parece que fiquei grudada na pessoa.

é claro que ninguém deve acreditar mas eu sempre tô falando a verdade. quando me esqueço mesmo, simplesmente parabenizo depois, peço desculpas e ponto. no momento estou devendo três parabéns - dois dos quais lembrei intensamente na data. pelo menos eu sempre sou perdoada.

porque aniversário não é bem um dia. é um período de tempo que compreende dias antes e dias depois do dia d. eu não levo meu aniversário muito a sério, se lembrarem dele no mês seguinte de repente até vou achar bem mais legal do que no dia. fica aquela impressão de que a pessoa pensa em você constantemente e se perdeu no tempo. que é exatamente o que eu sinto quando perco o dia de parabenizar alguém. ou que nunca lembra de você, mas quando lembra sabe que seu aniversário passou e te deseja coisas boas mesmo assim.



quinta-feira, agosto 07, 2008

era uma vez, a pouco tempo atrás

growing upo curioso de começar a envelhecer é que ainda estamos suficientemente jovens para nos lembrar exatamente como era ser totalmente jovem.

tudo bem que começamos a envelhecer quando nascemos. não é este o ponto. o ponto é quando os sinais da velhice começam se manifestar.

ao contrário do que se imagina, um ou outro fio de cabelo branco não é sinal de velhice: enquanto você tiver disposição para atravessar raves inteiras dançando, curar ressaca em tempo recorde e energia para gastar em círculos sociais duvidosos, você é jovem. meus cabelos brancos apenas se tornaram sinal inexorável de minha balzaquianice quando passei a ser conhecida como a pessoa mais socialmente furona que se tem notícia - ou por preguiça ou pelo inevitável foco nas responsabilidades profissionais que caracterizam meu atual estágio de vida adulta.

apesar de acreditar que ninguém é completamente maduro antes dos quarenta. ou mesmo depois.

hoje, a poucos dias de meus trinta e dois anos, meus prolíferos brancos são legítimos sinais de que o tempo passa (fato incompreensível para a maior parte dos menores de 29). mas ainda não quero pintá-los. porque a cor natural dos meus cabelos me é muito querida; e passar tinta por conta do pouco de cinza é eliminar minha maior parte de juventude por conta de (ainda) poucas marcas de velhice.

o principal, no entanto, mora numa equação muito mais atraente: para algumas de nós (sim, especialmente mulheres) o passar do tempo traz uma tranqüilidade interior que rejuvenece tanto quanto o creminho para rugas que passei a usar à noite.

é preciso duas, ao invés de uma semana, para queimar as gorduras localizadas extras de um feriado indulgente - mas o tesão está tão mais aflorado que seríamos capazes de ereções de rapazes pós-adolescentes, e no final das contas nos sentimos incríveis.

essas compensações são tão maiores que honestamente não, não penso em voltar no tempo, caso fosse possível. o ritmo natural do relógio traz recompensas rejuvenecedoras...


(uau, esse post foi muito trinta e poucos anos!)



sexta-feira, julho 25, 2008

grey days

grey dayi say i enjoy grey days. even when they are sad and stuff. it´s better than a sunny day when you don´t feel sunny inside. or simply when is a hot sunny day. no way. i rather stay home with air conditioner on. it saves me from this lousy conflict we are usually faced to when you live in rio. by the way, that is just like grey days look when you live by the coast. the sea and the sky reciprocate their blues and greens and darkness. the sunbathers are away, they´re not really loyal to the beach during these days.




icebergvery cold lands really attract me. i have this thing for iceland, russia, scandinavia, the balcans and so. note that i´m not specially comfortable under 12 degrees c, but who cares. i don´t. plus: i truly think that grey days in very cold places are dramaticaly dark. i like that. i miss when i lived in mom´s house and could see the storm arriving over the mountains. i had this luscious sense of bizarre every time we had to turn on the light at 2:30 pm.




grey day and lake now we have quite a scene over here. you may have to watch "the return", andrei zvyagintsev´s first movie, to get it. it´s clearly tarkovsky´s school, but contemporary. it is so watery and dry at the same time. there is so much despair of loneliness, despite the people that surround you. maybe because they are people that were supposed to make you feel good about yourself, but they don´t, even though they love you.




grey sunny dayat last a bunch of gentle sunrays to ease up the grey. well, this is fine for me - as long as we have some cold weather going on. the clouds still cover the sky and there is nobody around. there´s a wider sense of perspective and yet is so clear for some innersélph cortege. everything start to glow again. i could see through my belly if i could take of my jacket.



quarta-feira, julho 02, 2008

barbie attack!

meninos eu vi. ou melhor, me vi espreitando barbies nos corredores das lojas americanas depois do almoço. foi mais forte que eu. não consegui evitar.

a maior parte das barbies continua loura de olhos claros, mesmo as de cabelo castanho. deixarei o biotipo nórdico por conta de minha the birds barbie - que acabo de pedir de aniversário para papai américo. quando era pequena, ele viajava bastante e sempre me trazia barbies. ele é a única pessoa que poderia me dar outra de presente, vinte anos mais tarde. não sei quem ficou mais emocionado com o pedido, eu ou ele.

mas eu também precisava responder à necessidade imediata. como sobreviver até outubro, quiçá novembro, sem nenhuma barbie depois do destruidor apelo da the birds? foi quando encontrei lá embaixo, na prateleira perto do chão, a barbie perfeita: conheça nikki, da coleção tropical beach.

nikki é mulata de olhos castanhos e biquíni - a brasileira típica (sobretudo na era da escova de chocolate e da chapinha). além disso seus pés são descalços, não adaptados para chatésimos sapatos de salto. é claro que o padrão estadunidense de pernas finas e compridas continua, mas os peitos diminuíram um pouco e a barriga e quadris são bem mais legais que as barbies do meu tempo.

logo fiquei preocupada com a precariedade dos trajes de nikki. afinal estamos no inverno. então fui à caça de roupinhas para barbies, mas as poucas que tinham eram detestáveis. de modo que repetirei outro hábito de infância, que era costurar roupas à mão para elas.

por fim passei na ala de lingerie para pegar um sutiã e fui pra fila do caixa. havia uma mulher com uma garotinha que começou a choramingar quando viu minha boneca.

mulheres com idade para usar sutiãs comprando barbies para elas próprias? a autonomia do devir feminino chegou a níveis nunca antes imaginados.



segunda-feira, junho 30, 2008

lots-of-things-like-this



terça-feira, junho 24, 2008

girls path

don´t i? neither one of the two women that compose my own self?



segunda-feira, junho 23, 2008

o primeiro do it yourself a gente nunca esquece

bonecas tradicionais não eram suficientes: eu também queria as de papel. ficaram way more popular com o advento da internet, mas não era piquenique encontrá-las no comecinho dos anos 80, sobretudo no brasil. uma vez por ano num jornaleiro, noutra por acaso numa livraria. vida ingrata para nós, paper dolls little freaks.

paperdolls

então eu me virava e desenhava minha própria boneca. quando estava pronta, colocava uma folha sobre ela e criava as roupinhas que ela iria usar. desenhava muito mais modelos que uma boneca de papel comprada por aí. foi meu début no universo diy, que até hoje se prolonga na figura da minha amada costureira.

hoje faço do it yourself for myself.

e muito antes do carro da barbie e da banheira da barbie e do namorado da barbie aportarem no país, minhas bonecas de papel já tinham seus próprios aviões e barquinhos de papel e namorados de papel. estes não trocavam a roupa. já eram criados com a calça e a camisa que usariam por todas suas vidas úteis. nada de sacanagem na cama de papel da minha boneca de papel.

ora essa. elas eram bonecas de papel, não infláveis!

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