categoria ~ me, myself and i



segunda-feira, março 03, 2008

verídicoooooooooh

tava pensando em largar as drogas este mês: narghee-la, álcool e açúcar refinado. só de pilha.

ok, ok. nem só de pilha. ando meio curiosa sobre minha capacidade de manter o controle quando de situações de privação. eu sei que é uma idéia meio sobrevivência em ambiente hostil (perdida no meio da tundra) e pós-apocalíptico (fim do estoque dentro de um bunker), mas também tem um fundinho d-tox.

fiz vários pensamentos a manhã inteira e assumo que um mês sem nenhum dos três é uma tarefa árdua para uma pessoa tão auto-aduladora como eu. então acho que abrirei uma exceção por semana para um dos itens proibidos.

no final do período, a horrível abstinência certamente teria me elevado um degrau na corrida maluca espiritual, se eu acreditasse nisso.

publicarei boletins periódicos sobre o desafio.



segunda-feira, janeiro 28, 2008

=^auto-retrato^=

pretendo restabelecer minha reputação diante do nefasto episódio da perda da guarda do popularmente amado gato calvin. inúmeras têm sido as severas repreensões que venho sofrendo desde então. dedo na cara debaixo do meu próprio teto. esporrinhos na maciez do sofá da sala.

foi tudo muito rápido: uma viagem a trabalho no fim de novembro, calvin temporariamente hospedado na casa da minha avó e, de volta ao rio, um fatídico jogo de leva-e-traz envolvendo minha mãe e irmão, já indicando causa ganha à velha marisa.

em outras palavras, vovó travou o gato.

antes mesmo de minha chegada, ela já havia soprado à família a sugestão de que me arranjassem um novo felino. vejam bem: a mim, não a ela. nessa disputa, minhas chances estavam estancadas desde o começo. somando a chantagem emocional, que incluiu a solidão da viuvez, a melancolia da velhice e o proverbial amor de vovó por animais; mais o fator prático, que a permite fazer companhia ao carente calvin em tempo integral; vocês hão de concordar que meu único posicionamento moral seria ceder.

uma moça (ainda) jovem, alegre e saudável sempre estará em desvantagem frente a uma senhora idosa, solitária e astuta.

a boa nova é que pelo menos eles moram perto do escritório. a má é que é claro que eu sou convocada para a parte sacal da história, como levar calvin para tomar banho ou cumprir o calendário de vacinação.

sobrou um rombo no meu coração, isso é patente. sem calvin, a casa parecia ter dobrado de tamanho. estranhamente, séries sobre grandes felinos do animal planet começaram a exercer anormal atração sobre mim. lêmures de moçambique já não eram tão legais. enormes prazeres com a simples visão de um leão se espreguiçando na savana empoeirada e tigres mostrando os dentes.

constatei que não sou mais capaz de viver sem felinos. a presença de um deles no lar tornou-se um craving crasso (e olha que existe um gato pregado na minha geladeira e outro deitado na sala). para tipos como eu, o sul-coreano kim yong seong criou o yabo, vencedor do robot design competition 2007. além de parecer-se com um gato, yabo possui a permanente e doce disposição para responder a toques e vozes humanos por meio de uma série de movimentos de cabeça, luzes, sons e cores.

mas isso é deveras a.i. para mim. não vamos repetir a história. sem contar com os riscos de comportamentos tipo hal, do 2001. não, leitores. eu não sou tão digital assim. até que bebês sejam gerados em jarras de vidro, seguirei preferindo limpar caixas de areia a trocar as baterias de um robô de estimação.

e assim roubei stolichnaya do sítio do joão e adotei o intrépido petit gateau de rabo torto. mais uma nova geração de felinos na minha fita.




quinta-feira, janeiro 24, 2008

dis.sabor

observem essa larva. ela é feita de chocolate. ela simula um escatossonho que minha porção rei leão e sua dieta alimentar hakuna matata nutre desde sempre: o horrorshow de mastigar uma larva bem gordinha.

larvas me parecem abjetas ao mesmo tempo em que me dão uma inexplicável água na boca. a arcada dentária da minha imaginação faz o crunch delícia do bichinho, seguido de um paladar que eu prefiro recalcar, porque deve ser lastimável. é uma fantasia sobre a textura do cru, não do sabor.

beetle_larva_chocolate.jpg
por uma páscoa menos ordinária

é claro que eu deveria ter postado isso perto da semana-santa ou em agosto (alegado mês do chocolate segundo os ditames comerciais). mas o fator larva transcende datas-cacau em minha psique.

até hoje me lembro de quando eu e meu irmão encontramos uma mosca morta na esquadria de alumínio da janela da sala. era uma mosca em trabalho de parto - ou então testemunhamos um fenômeno de geração espontânea de minhoquinhas caminhando sobre seu cadáver. foi um espetáculo nojento.

recentemente sonhei que havia crescido um caroço na minha panturrilha. do meio dele surgiu uma pontinha branca, que aumentava de comprimento e grossura conforme eu espremia. de repente eu já era capaz de puxar a massa branca com os dedos, o poro se dilatando muitas vezes seu próprio tamanho. eu puxava mais e parecia feita de borracha. no final, ela se afinava de novo, até que saiu completamente.

fiquei intrigadíssima com a natureza daquele corpo. mesmo no sonho, meu inconsciente apressou-se em negar a hipótese larva. considerei tratar-se de um resíduo de gordura dérmica - um übercravo, if you wish. então senti-me confortável para explorá-lo: examinei os pequenos vincos, testei sua elasticidade, até abri-o ao meio, para afastar terminantemente a idéia de que fosse prole de uma vareijeira. nenhum órgão, só massa branca. joguei no lixo do banheiro.

noite seguinte, sonho o mesmo banheiro e o resultado da charada: uma larva com o mesmo aspecto da misteriosa massa branca, maior e mais gorda que meu polegar, passeia irreverentemente pelo azulejo do chão.

nem pensei: atirei uma sandália sobre ela e, salivando, esperei a faxineira livrar-se de minha possível larica do reino de simba.

quando a realidade é que são as larvas que nos devorarão os corpinhos hoje jovens quando estivermos a sete palmos abaixo.

it´s the circle of life.



sexta-feira, novembro 30, 2007

{museu.da.língua.portuguesa.}

e eu ali sozinha
um pedaço de ponto-e-vírgula



segunda-feira, setembro 10, 2007

. libértula ..

those recurrent urges/ once again floating through my ´shoomy hairdo/ exciting my ascetic mind

oh all those purposes to fight for/ will i resign my early plans/ in order to assure everybody else´s?



quarta-feira, julho 25, 2007

{pontodoxo}

semana passada esperava passar o ônibus. 8:15 e nada com testeira cosme velho, largo do machado ou glória. logo naquela matina, bem conseguia levantar cedo pra fazer a adelantada no expediente.

grande tempo lá, toda nublada e grafite.

8:21 vinha o urca. uma tarde notei um urca passar pela pista dois da praia de botafogo. esse mesmo, fiz sinal, subi. sentei. minutos e o dirigível virava na pomba da direita da avenida pasteur, seta pão de açúcar.

desci no primeiro stop. cruzei pra calçada ímpar, esperei outro.

aí foi isso:

...

fim da sátira abri um táxi, e ainda precisava caixa eletrônico pra pagar corrida.

sento no banco de trás só pro ônibus certo rasgar na minha ventana.

cheguei com delay.



quarta-feira, julho 04, 2007

{queiramos}

comprar pão às 7:30 com kimono japonês em camadas + maquiagem kabuki ~ sair para beber sob penteado hrafnhildurr arnardóttir ~ não me desmontar para dormir.

sonho.

há quem o realize:


roisin murphy, ex-moloko, em trajes gráficos de gareth pugh

pierrot? palhaçada?

she´s overpowered.



segunda-feira, junho 11, 2007

{gravidade}

talvez efeito por ter ficado tanto tempo parada na rua, observando o eclipse lunar. sei que, quando a sombra da terra cresceu, tive certeza de que meus pés descolariam do chão e eu cairia dentro de uma cratera. garantido. era como a sombra de um dirigível sobre o deserto. a lua havia se tornado tão mais influente que tudo no mundo era a própria idiotia. e por fim eu me convencera de que vivemos todos de cabeça para baixo, não importa em que ponto da terra se habite. eu estava aqui, em pé no teto, aguardando minha queda ao chão, a superfície empoeirada do satélite.

o mesmo na tarde em que se formava o temporal. era uma festa num campo aberto e de repente a decoração começou a despregar. bailávamos com as fitas esvoaçantes, batíamos pega com cogumelos de isopor. então deitei na pista e observei as nuvens passando tão rápido. como era possível que fossem tão velozes, nódulos escuros como as tempestades de júpiter. tudo ao meu redor reduziu-se a nada ou ninguém, e cedo eu me sentia colada sobre uma parede. feito ímã de geladeira. as nuvens não passavam sobre, mas sim em frente a mim, de baixo para cima, como se num telão.

caio na real sempre cheia de escoriações, mas com tantas marcas roxas de beijos pelo corpo.



terça-feira, junho 05, 2007

há três semanas comi flores. vieram assepticamente acomodadas numa caixinha plástica. iguaria rara em supermercados, flores. pensei em fazer tenpura de pétalas, mas deixei passar. daí as comi cruas, numa madrugada murcha. não mordi as hastes porque são amargas. trouxe, sim, mel. esfregava a flor no mel e a dirigia para a boca ao invés do nariz.

floriculturas oferecem melhor. quantas vezes levei lírios magenta para casa, um mardi-gras de estampas e cheiros e posturas eretas. não eram lírios eunucos: sempre impedi que o florista mutilasse os cabos que sustentam os tronquinhos de pólen. arranjava o buquê num jarro de vidro e o colocava no quarto - só para amanhecer com a fragrância antes mesmo de abrir os olhos. dão muita importância para o que se pode ver; olhos apagados sim, dão prazer.

chega o dia em que a glande produz uma viscosidade transparente. é como um clímax botânico, o pólen cai a qualquer suspiro e mancha tudo de cor-de-laranja. fechei quietinha a porta e sentei na cama, junto à flor mais próxima. desci o indicador pelo meio das pétalas, até tocar o nectário e bem, estava mesmo toda molhada.

fiquei vermelha, mas aproximei o rosto e fiz com a língua: senti o doce do perfume com as papilas gustativas.



terça-feira, maio 29, 2007

querido,

defrostei-me tão logo noite e graus desmaiaram sobre este corte de trópico, filetes de sangue escorrendo entre o cálcio do meu sorriso e essas suas maneiras glaciais.

defrostei-me ao reverso de pupas e ainda assim cresceram-me petúnias no lugar dos dentes, que me levaram a bocejar pálida geada de pétalas.

defrostei-me enquanto a superfície fazia-se polar; mas não, não tenho como defrostar afetos que se paralizam em gelo cabal.

a neve cai aqui fora, mas faz primavera dentro de mim.

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