categoria ~ me, myself and i



sexta-feira, fevereiro 05, 2010

watching the wheels

i´m just sitting here watching the wheels go round and round

i really love to watch them roll
no longer riding on the merry-go-round
i just had to let it go!

- lennon, definindo o momento mais estonteante da vida. não perca o clip.



quarta-feira, janeiro 27, 2010

overpowered

eye



quarta-feira, janeiro 20, 2010

cinder.eu

tem esse filme "bernard & doris", que é uma das mais recentes perolazinhas da locadora. doris é doris duke, personagem real, que foi servida pelo mordomo bernard durante os últimos anos de sua vida. doris era trilhardária - uma magnata que administrava diversas instituições ligadas às artes, ciência, meio-ambiente, filantropia e educação, incluindo a celebrada duke university. num determinado ponto do filme, vemos doris assinando um cheque de cinco milhões de dólares para pagar a fiança de imelda marcos.

a primeira coisa que me veio à cabeça foi que o ato de solidariedade para com imelda tinha apenas, mas profundamente, a ver com sua notória loucura por sapatos (a ex primeira-dama filipina tinha cerca de três mil deles). o filme não esclarece a motivação de doris duke, mas em pesquisa pela net descobri que ambas eram amigas. "talvez a paixão por sapatos seja o denominador comum da amizade", insisti em racionalizar. ou talvez seja o meu denominador comum com imelda marcos, e eu esteja projetando sobre doris duke.

eu não sei qual é o lance que algumas de nós têm com sapatos. não dá pra explicar. o simples fato de que incrementam o andar e arte-finalizam um look, condenando-o ou fazendo-o vencedor, não basta. sapatos estão além da eloquência de um par de óculos ou do status de uma bolsa: mais que qualquer outro acessório - não raro mais que a própria roupa - ele diz a que você veio. e isso ainda não é o bastante.

eu não tenho tara por jóias - eu nem tenho jóias. não ligo a mínima para relógio, anel, pulseira, brinco; lingerie, perfume, automóvel, i-phone, itens de fetiche em geral: zero. mas eu preciso de coisas de vestir. compro tecido, mando fazer roupa. escolho bolsas com cuidado, posso levar meses para encontrar um calçado que preciso pra ontem. e são eles, mais que uma bolsa ou um vestido, aos quais me apego mais.

isso não é explicável pela boa impressão que um sapato causa. isso não é explicável, simplesmente.

e ainda assim eu não saio comprando todos os sapatos que existem no mundo, não faço questão de manolos e loubotins - pelo contrário. compro só o que se encaixa em mim e no meu orçamento. o princípio do sapatinho de cristal - aquele que apenas calça a cinderela - se aplica: posso morrer de amor por um modelo mas, numa loja, passo batida por ele caso não faça parte da minha auto-imagem em primeiro lugar.

tudo isso para revelar que hoje cheguei perto, mas falhei em me desfazer do meu par queridinho. o par queridinho tem quase cinco anos e já passou do prazo de validade, mas eu insisto. ele jamais recebeu um elogio em especial, e isso é porque ninguém vê a beleza que eu vejo nele. ele tem um formato dianteiro que eu nunca vi em lugar nenhum. ele tem um salto sabrina, que é o salto mais lindo do universo, e seu interior é todo forrado de couro branco com estampa de cerejas. os dois últimos detalhes pirotescos: ele não foi comprado numa sapataria e sua cor original era rosa-goiaba.

era. porque com o tempo ele precisou de pintura e ficou vermelho. e hoje, entre jogá-lo fora e dar a ele uma sobrevida, fiquei com a segunda opção. o próprio sapateiro sacou minha fraqueza ao insistir na recauchutagem. teve pena de mim. prometeu passar a melhor tinta e recuperar 200% o saltinho.

em 2010, ainda encontramos anjos como antigamente.



quarta-feira, dezembro 23, 2009

uma janela de dez polegadas sobre a mesa

a partir de agora narghee-la poderá ser atualizado nos finais de semana e feriados: ontem chegou ao lar meu novo netbook.

excetuando-se a ausência de drive para cd/ dvd, o netbook remedia todas as minhas necessidades, que são internet, office, irfanview, msn e um freecelzinho de vez em quando. foi só apertar o botão pela primeira vez que ele começou a funcionar sozinho. veio até com antivírus. enfim, à prova de analfabetos tecnológicos.

o mais legal é que foi só dar dois cliques no ícone da internet sem fio que ele automaticamente catou um sinal wi-fi e eu comecei a navegar.

o menos legal foi abrir a caixa com a excitação de uma criança embaixo da árvore de natal e descobrir que o plugue tinha três dentinhos posicionados de maneira incompatível com qualquer tomada e adaptador antes visto. saí de casa desesperada e apenas encontrei um benjamim apropriado na quinta loja que visitei (após ser informada que se tratava do novo padrão de plugue para o ano que vem).

e assim avançamos para o século xxi.




quarta-feira, dezembro 16, 2009

incorreção política com orgulho: velhas

lembro quando a fernanda young adquiriu fama de imbecil. até então todo mundo gostava dela - pegava bem gostar dela, o produto moderno e descolado do canal mais afetado da tevê à cabo brasileira. só que houve uma certa vez em que começou a falar mal de gente idosa: dali pra frente, fernanda nunca mais foi unanimidade.

essa correção política, da qual no passado fui grande defensora, hoje quase me ofende. simplesmente porque ela não dá espaço para que sejamos humanos, que não gostemos de alguma coisa - e façamos piada, ou fiquemos indignados com o que quer que seja (reações que sabidamente nos ajudam a lidar com estranhamentos em geral). nunca fui tão hipócrita quanto na época em que tentava me convencer de que era muito feio me aborrecer com criança mal-educada ("ó, é só uma criança!") e que comer carne era crime. correção política é para trogloditas morais que chamam negros de crioulo, mulher independente de puta e se recusam a apertar a mão de gays. não é o meu caso.

de modo que eu tô com a fernanda young e não abro. tenho cada vez menos saco pra velho. mas não é qualquer velho: é pra senhoras, sexo feminino, de classe média. taí uma gente que domina o espaço público como se estivesse na sala da casa delas e trata as pessoas em geral como se fosse sua criadagem.

outro dia uma dessas figuras resolveu aboletar sua enorme sacola de compras bem em frente à roleta de um microônibus cuja entrada e saída fazia-se apenas por ali. todo mundo, sem exceção, tropeçava quando passava - e nada da dona arrastar a bolsa pro lado, onde inclusive o lugar estava vazio. fiz questão de tropeçar, "sem querer", a bolsa na hora de sair - um pretexto para, gentilmente, sugerir que ela a chegasse um pouco pro lado. pra quê: a mulher começou a falar alto, dizer que ela não se incomodava se eu tinha tropeçado em suas coisas. tentei argumentar e a velha me chamou de pirralha, "sua pirralha!" (denominação que, aos 33 anos, na verdade me agradou). então, achando até engraçado, olhei demoradamente pra cara dela e esperei que o ônibus chegasse ao ponto. ela deu a deixa: "você deveria respeitar uma senhora de idade!". eu, já descendo a escada: "uma senhora não chama uma moça de pirralha. a senhora não é uma senhora: a senhora é uma velha!".

já do lado de fora do ônibus, ainda deu escutar a gargalhada geral de todos aqueles que haviam topado na maldita bolsa ao entrar.

não vou me deter em todos os casos de velhas que por acaso já testemunhei, do destrato que reservam às pessoas humildes ao hábito perpétuo de atravessar, com suas vozes ásperas, diálogos entre vendedoras ocupadas e um cliente. basta dizer que ver uma delas caminhando na rua segurando nos braços de uma senhora negra, tão ou mais idosa (e que curiosamente não precisam de acompanhantes), é uma cena muito casa grande & senzala demais pros anos 00.

então os bem-intencionados dizem, "ah, mas ela tá velha! um dia também chegaremos lá".

sinto muitíssimo: nunca na minha vida presenciei senhores idosos ou senhorinhas humildes fazendo nada parecido. cabelo branco não é passaporte para falta de respeito. é culpa da esclerose? vai se tratar - ou se acostume a tomar passa-fora de gente cinqüenta anos mais jovem.

nunca é tarde pra tomar uma dura.



segunda-feira, novembro 16, 2009

no idea



sexta-feira, novembro 13, 2009

linhas de fuga

discohá alguns anos ouvi falar pela primeira vez sobre linhas de fuga. foi no meu momento pré-deleuze, o pensador que levou a expressão ao âmbito filosófico. nunca pedi explicação sobre o que significava: a minha cabeça simplesmente fazia um paralelo automático com ponto de fuga, um conceito de arquitetura que me é bastante familiar, posto que papai é perspectivista. estava claro que tinha a ver com seguir em direção a um destino que não está aparente, que ainda não surgiu no mapa. acima de tudo, tinha a ver com movimento e com o desconhecido. ninguém realmente sabe o que existe atrás do horizonte.

de repente descobri que desde muito cedo tinha o hábito de criar linhas de fuga toda vez em que me sentia inadequada ou entediada. isso não significa que eu era inadequada, apenas que me sentia assim, descombinando com o entorno. dentre nós, que tantas vezes nos sentimos ets no meio da perspectiva by-the-book em que a maioria opera sem reclamar, há os que ficam ali e os que fogem, os que vão embora.

fuga é, com alguma razão, o tipo da coisa que se atribui aos fracos de espírito. mas acabei concluindo que seguir uma linha de fuga é o contrário: é seguir o seu próprio caminho em direção a si mesmo. então é tudo ao contrário: não é burrice, é criatividade; não é covardia, é não-conformismo; não é fuga, é encontro.

minhas linhas de fuga são os meus caminhos e meu ponto de fuga é a minha singularidade.

anos mais tarde, com a implantação definitiva da internet, com esses exércitos de pessoas atendendo a todos os estímulos possíveis, correios electrónicos, telemóveis, reprodutores mp3 de passeio diário, messengers, twiters, bate-papos eternos, wifis para estar continuamente ligados, antónio deu-se de conta que a realidade virtual teorizada chegara desde o horizonte, noutros formatos, e que deveríamos tender a infinito de vez, correndo cara um lugar chamado linha de fuga, no horizonte.

segundo josé ramom pichel campos, está ficando cada vez mais fácil compreender o que são linhas de fuga e traçar as próprias.

nas palavras do blog deleuze e parnet,

temos a tendência de dividir a realidade, o mundo, em esquemas dicotômicos, esquemas esses que só separam, não conectam, não partilham, não se partilham... o meio é a potencialidade, é o que existe ou poderá existir entre as duas realidades que são amplamente assumidas. nós no jornalismo temos a mesma tendência do resto do mundo, que é a de dividir a realidade em bom/mau, herói/vilão, rico/pobre, tradição/moderno... e muitas vezes fica tanto por explorar. é por isso que os autores defendem que estes princípios [linhas de fuga] são difíceis de explicar, porque no fundo são apenas potencialidades, são coisas da ordem do possível, não são ideias palpáveis ou que utilizemos todos os dias.

e então completa a idéia com outros dois conceitos fundamentais às linhas de fuga: o devir e o nomadismo.

a ideia de devir é também desta ordem. claire parnet diz a dada altura que devir é devir simplesmente. o devir não tem história, não tem passado nem presente. o devir não tem um princípio ou um fim, são os acidentes de percurso, não apenas nas vidas humanas. são as possibilidades que muitas vezes não se concretizam porque optamos por uma outra possibilidade - às vezes nem optamos porque já temos um plano estipulado (mas mesmo isso é uma opção). o devir é encarado como uma intensidade, como uma velocidade absoluta. e uma velocidade absoluta é diferente de uma velocidade relativa. a velocidade relativa é a velocidade de um movimento de um ponto ao outro, ou seja, com princípio e fim. mas o que importa é o meio, daí a importância da velocidade absoluta.


a velocidade absoluta é uma intensidade que permite traçar uma linha de fuga. por isso é que parnet diz que a velocidade absoluta é a velocidade dos nômades, mesmo quando eles se deslocam lentamente ou quando estão simplesmente parados. uma velocidade absoluta pode ser uma imanência, não é um movimento. e os nômades traçam uma linha de fuga, criam um espaço liso, desterritorializam-se. se bem que eu também acho que acabem por se formar numa comunidade com valores e regras e que acabam por listrar o seu próprio território... mas esta velocidade absoluta do devir não é mensurável, é apenas o modo de estar presente ao espaço.

conclusão:

para deleuze, viver é da ordem do devir e não da ordem da história, viver é experimentar o que está entre, o que está no meio. a potencialidade de deleuze está lá em latência, em potência. parnet dá vários exemplos de como criar linhas de fuga, de como criar novas experiências, de como produzir o novo.

por hoje é tudo o que temos a dizer.



quinta-feira, novembro 12, 2009

crise climática doméstica quatro: finale

às cinco da tarde de ontem liguei para o técnico que havia esquecido de me atender na terça e implorei por uma visita. ele disse que chegaria por volta das sete da noite, mas só apareceu mesmo às oito.

nessa hora de atraso, a missão de concertar os aparelhos de ar-condicionado da minha casa se tornou quase palpável em toda sua desgraça. bruxas existiam. poltergeists, com certeza. coincidência demais que todos os técnicos que chamei tenham, seguidamente, enfrentado adversidades para me atender.

mas às oito o técnico apareceu - e com um ajudante. e uma bolsa de ferramentas que cada vez mais parecia a sacolinha mágica do gato félix, a medida em que dela saíam chaves-de-fenda, alicantes, parafusos e martelinhos. primeiro eles cuidaram do ar-condicionado do quarto e não, não era um simples problema de termostato. foi preciso desgarrar a máquina da parede e levá-la para o chão da cozinha, a fim de cutucar não-sei-o-quê que finalmente devolveu sua capacidade de gerar ar frio. o da sala veio depois, mas também precisou sair da parede porque o filtro estava entupido e precisaria ser lavado.

hoje a dupla de anjos retorna para finalizar o serviço. à noite minha casa terá recobrado suas dimensões normais já que, com o calor, ela fica resumida ao escritório - o único cômodo cuja refrigeração funciona.

saudade da minha cama.



quarta-feira, novembro 11, 2009

arte proposta

siso cariado com circuito eletrônico sobre tela não é conceitual. exposição de artes plásticas no escuro é conceitual.



quarta-feira, novembro 11, 2009

crise climática doméstica três: ninguém

o técnico que eu tinha agendado para concertar meus aparelhos de ar-condicionado ontem no fim da tarde não apareceu. simplesmente.

imediatamente abri as páginas amarelas e convoquei outro, que ficou de passar "assim que terminar de atender aqui na siqueira campos, daqui a uns 40 minutos". uma hora e meia e nada. liguei pra saber o que tinha acontecido: o cara me esqueceu.

de verdade, brasil: o que se passa? será que a casa desenvolveu um campo de força do calor que impede a visita de técnicos de ar-condicionado? será um poltergeist summertóin? tipo sério, essa saga tá meio realismo fantástico demais da conta.

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