categoria ~ let´s get unconscious, honey



quarta-feira, novembro 26, 2008

kris kelvin faz escola

o "2001" da cortina de ferro foi "solaris", de andreï tarkovsky (aka o melhor cineasta do mundo). o filme acompanha a jornada do psiquiatra kris kelvin até a estação espacial que orbita o planeta solaris. a tripulação está enlouquecendo, nosso herói é a última esperança dos russos.

uma delícia encontrar, cá na terra, o new horizons - estudo sobre psicologia espacial da british psychological society. o artigo é extenso como júpiter mas vale a viagem.

life in space has glamorous, adventure-filled connotations, but the reality is a gruelling psychological challenge.


in his 2006 book "space physiology", former astronaut and medic dr jay buckey, reveals that psychosocial problems have been the leading medical cause of long-duration mission terminations. (...) the psychology of space travel can be an awkward area for study. astronauts are usually tight-lipped about any mental health problems they've encountered for fear of jeopardising their selection for future missions. similarly, space agencies can be rather euphemistic when it comes to declaring the role psychological issues have played in mission terminations.

vários aspectos são considerados, incluindo o obnoxious confronting alien life. mêda.



quarta-feira, novembro 19, 2008

i see nut people

menina de dez anos se auto-diagnostica com asperger, tipo leve de autismo, ao ler livro para crianças.

eu adoraria se alguns de meus amigos/ conhecidos tivessem a mesma capacidade. neste último ano cortei três vínculos com pessoas seriamente problemáticas que se recusam a buscar tratamento.

talvez eu esteja ficando velha e sem paciência. talvez seja triste assistir de perto uma pessoa destruir tanta coisa pelo caminho sem saber o que está fazendo. ou talvez seja medo de acabar envolvida em algum episódio desgastante.

o chato é que a maior parte das patologias mentais não permitem que o indivíduo se conscientize de sua condição. muitos deles perdem a crítica e acham que o problema são os outros, não eles. a onipotência atrapalha.

outros até admitem, mas acham que apenas terapia ou apenas medicação resolvem o problema, como se fosse um resfriado.

fica perigoso quando, junto com o desequilíbrio, existe mau-caratismo. aí é ctrl+alt+del.

sei lá se é porque ela é uma criatura cândida, ainda criança, mas rosie king, nossa amiguinha auto-consciente cujo palpite se confirmou, foi muito sagaz em admitir seu asperger. ela terá muito mais chances de uma vida tranqüila e feliz - o tipo de vida que eu gostaria que meu pessoal incauto tivesse também.



terça-feira, novembro 04, 2008

brilho? nah. bug eterno de uma mente sem lembrança

descoberta maneira de apagar lembranças (ainda só para camundongos):

a team of scientists from the united states and china announced last week that, for the first time, they had found a means of selectively and safely erasing memories in mice, using the signaling molecule αCaMKII. it's a big step forward, and one that will be of considerable interest to the military, which has devoted efforts to memory manipulation as a means of treating post-traumatic stress disorder. but some military research has moved in another direction entirely.

o geekologie pergunta brainwashing, anyone?

bem, não. isso não pode fazer bem. é amputação emocional. ainda prefiro minhas sessões de análise. são bem mais longas, caras e tempestuosas que propostas instantâneas como a da borracha mental, mas meus dois anos de divã (e outros ainda por vir) are paying of. big time!



quinta-feira, setembro 04, 2008

"desire", bryony lloyd


bryony lloyd

salvador dalí criou um nome menos conciso mas mais direto (!) para sua interpretação visual edipiana: "o enigma do desejo: minha mãe, minha mãe, minha mãe".

bryony lloyd me deixa na dúvida: é um homem ou uma mulher? em sua página, mesmo em seu blog, só há referências "i", nenhuma "he" ou "she". e esses trabalhos, por que não dizer logo que são colagens? não há menção a collage: o(a) artista se intitula illustratror, designer e photographer.

para mim é uma mulher e collage artist. categorizei assim.



sexta-feira, agosto 29, 2008

o anti-édipo

girl



terça-feira, junho 24, 2008

this is major tom to ground control

uma nova hipótese sobre meu histórico (e aparentemente superado) medo de ser abduzida por aliens malvados:

symbolic and literal birth data thrive in fantasy and science-fiction story illustrations and in fantasy films, especially those involving space voyages or contact with other worlds. any good collection of science-fiction illustrations teems with highly detailed placental, umbilical, amniotic, and fetal imagery and events. this situation is not, however, a contemporary innovation, for we can see the perinatal/space connection in early examples of science fiction and fantasy literature (by far the older of the two literary forms).

a fantasia da abdução estaria correlacionada com o trauma do nascimento, de ser retirada do útero. nasci atrasada. eu realmente não estava a fim de que me tirassem dali para me perder para sempre no espaço sideral do mundo real.

pra completar, na pintura pré-natal de papai me assemelho a um desses humanóides tipo greys. muito 2001, aliás.

outras divagações extravagantes em the birth memories hipothesis.



quarta-feira, junho 04, 2008

change the thought

change the thought



quinta-feira, março 27, 2008

a vida é um sonho científico e palpável. a verdade é o sonho que se dorme, os pesadelos dos quais se acorda e, principalmente, tudo o que não nos lembramos de uma noite de sono.



segunda-feira, março 10, 2008

o gato edipiano

ontem me contaram a história mais perturbadora. uma gata teve uma ninhada. a dona deu todos os filhotes, exceto um macho. o macho cresceu com a mãe. ficou maior que ela, até. um dia o gato comeu a mãe. na hora de parir, ela enfiou a porrada no filho-marido. pra ter sossego durante o pior pesadelo da terra. depois de parir, o gato voltou. a dona não acreditou: o filho-marido mamava junto com os filhotes-irmãos lado a lado nas tetas da gata-mãe.

gatos nascem, mamam, crescem, comem a mãe, mamam de novo e morrem. a natureza é incestuosa. e essa história só é perturbadora porque de alguma forma ficou combinado que ninguém ia comer a mãe ou o pai quando crescer. senão acharíamos muito, muito natural.


a bebê electra

depois me contaram outra história estranha, se não fosse engraçadinha. tão engraçadinha que me foi contada por um pai assim, no meio do jantar. a filha de três anos chegou no meio da sala com a boneca. ela diz pro pai que a boneca é sua filha. diz que quando ela crescer, vai querer ter uma filha. parou, pensou um pouco e se perguntou, mas quem vai ser o pai? então olhou pro próprio pai e disse, vai ser você, né, pai?

muito mais natural do que se supõe.

psychiatrist.jpg



sexta-feira, agosto 10, 2007

{eva green}

saímos em pescaria após o peixe frito
posto que perguntara de onde eu vinha
respondi from rio

ele enxergou sereias na minha língua
e fez-se meu tutor na grã-bretanha
mas eu deitada sobre a rocha do curso d´água,
cabeça em seu colo rude,
meu tórax abrira ao meio como um sachimi desmanchado
eu era mermaid que nada
mermaid são mocinhas-bordão
pra mim bastava que ele deixasse
ver lá dentro do balde
suas bombinhas cilíndricas de escamas chumbo
ainda em agito mesmo que cortadas ao meio
vivas mas prontas para perder as tripas
abri em noventa graus uma delas
pra ver como ficaria na panela
naquela próxima noite
na hora do jantar

mas o rio ainda assuntava
com outros peixes para todos os hóspedes
eu deitada sentia o frio da água
via o d´ouro poente nas colinas
o quente da coxa na minha nuca
e sobre o penhasco ao lado
na borda do penhasco ao lado
precipitava a macieira pelada de adão
pendurados, só os frutos enormes, redondos e verdes
era um chandelier de pommes reéles
eram muito brilhantes
um claro ato aos quatro beatles
eram as maçãs da apple records
o anzol e a isca confirmam

o campo inglês
um dono irlandês
minha viagem ganhava instância.
nem o chapéu de veludo em bruxelas,
nem o fotógrafo tuareg do poço,
escolares ruivos de bochechas pink;
restaurante em paris de avental engomado.
a árvore pelada das massive green apples
foi o estupor de beleza que me há encontrado



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