DRAMA DAMA DRAMA
Disparado é "A Dama de Xangai" o pior filme que eu vi na vida. Tecnicamente nem posso dizer que vi porque parei no meio. Mas vi - o suficiente pra atuação da Rita Hayworth me CONSTRANGER. É o CIO mais PATÉTICO do cinema. Cantoras de R&B conseguem ser menos risíveis na MTV.
E olha que eu tinha as melhores referências de Rita. Ela me deixou SEM DORMIR na noite que se seguiu a "Gilda".
Em segundo lugar vem "Xanadu", mas "Xanadu" eu até COMPREI. Foi bem mais caro que "Un Chien Andalou/ L´Age D´Or" e "Rogopag", de modo que a Livraria da Travessa o tem como trash cult. A estrela é Olívia Newton-John, que representa maravilhosamente, ainda que sem peitões, papéis estilo Doris Day, canta as melodias mais trabalhosas sorrindo, dança um bocado e na película de 1980 ainda desliza como um CISNE sobre patins pré-rollerblade. Olívia foi minha primeira ídola (isto vai contra tudo o que Camille Paglia me ensinou) e estou aqui para eximi-la do fato da íntegra do filme ser inexeqüível. O resto dos atores e a trama de "Xanadu" são uma legítima TORTURA, mas ainda vale a pena passar de número musical para número musical, quase todos do mirabolante Electric Light Orchestra. A canção "All Over the World" é o clímax da ROLLER DISCO ESTRAVAGANZA, com inúmeras gostosas de vestido drapeado e Gene Kelly sapateando entre dançarinos drag glitterizados estilo DZI CROQUETE.
Empatado vem o execrável "Delta de Vênus", inspirado na literatura erótica de Anaïs Nin. Centenas de milhares de vezes eu encontrei o livro em jornaleiros mas em TODAS ELAS faltou-me coragem de comprar e desfazer a má impressão, já que incompetente não é a escritora mas o diretor. Este sim usa os piores clichês para criar uma atmosfera pervertida e tudo o que consegue é nos fazer RIR. Gargalhar SONORAMENTE. Diversas vezes eu cheguei a pensar que a proposta real era puxar pro humor. Eu deveria ter sido direta e encarado a PRATELEIRA DO PORNÔ.
Agora, EMPUTECIDA eu fiquei com "O Guia do Mochileiro das Galáxias". Sobretudo porque raramente eu vou ao cinema e quando vou eu quero ACERTAR. Já tinha ouvido falar do livro e pensei que veria uma versão estelar da vida easy rider que eu amo. Nada, me retorci na poltrona o tempo todo. Que porra é essa de HITCHIKER SEM MOCHILÃO? Que raio é aquele povo REAÇA, velho e gordo, liderado por um PAULO FRANCIS EXTRATERRENO, azucrinando a viagem? E a mocinha, que começa toda sagaz e de repente se encareta numa esposinha de Presidente da GLAMLÁXIA?
Mochileiros do mundo, BEWARE OF THE BADTRIP.
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Talvez o cara mais superestimado do cinema seja o Orson Welles. Desde a faculdade me empurravam "Cidadão Kane" como o filme mais importante do mundo e eu nunca PUDE. "A Dama de Xangai" me fez ter CERTEZA de que eu não estava assim tão errada - pelo menos não em relação a MIM MESMA.
Foi o curta "La Ricotta", do Pasolini, que evitou que eu começasse o parágrafo acima com certamente. Welles faz o papel de um diretor num hilariante set de filmagens sobre a paixão de Cristo. Desempenhou SENSACIONAL. Apostemos nos ares europeus: diferentemente do habitual, Welles não exibe aquele ranço AMERICAN DISGUISED FASCIST. Em "La Ricotta" ele surge sedutoramente bem-humorado.
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Aqui no Brasil o grande INESCRÚPULO foi "Olga". Oh, meu Deus. OH, MEU DEUS. Não satisfeito com aquela estética global VOMITANTE, o diretor de novela Jayme Monjardim cometeu algumas das piores picaretagens que uma esquerda torta sonharia. E isto quem diz sou EU, esta notória simpática por mulheres revolucionárias que termina de ler com DEVOÇÃO a autobiografia de Pagu. Para dissolver as diversas controvérsias que giram em torno de Olga e conquistar a empatia do público, o diretor liqüefaz todo o conteúdo político numa banheiras de lágrimas, jogo de luzes, closes tensos e trilha sonora dramática.
Mas voltando, PAGUEI PAIXÃO por "Paixão Pagu". Nunca mais serei A MESMA.