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quinta-feira, fevereiro 04, 2010

diretor de "calígula" filmará primeiro segundo filme pornô em 3d

o roteiro (sim, algumas películas adultas têm roteiro!) pega emprestado alguns elementos do clássico de 1979: será a história de um imperador romano que, num grosseio lapso do calendário, é de alguma forma arruinado pelos americanos.

ao contrário do que acredita tinto brass, o diretor, esse não será o primeiro mas sim o segundo filme de sacanagem a exigir óculos 3d da audiência: ele fica atrás do softcore "the stewardness", da década de 70.

as filmagens começam no verão do hemisfério norte. será a primeira produção 3d feita na itália.

via inside movies.



quarta-feira, janeiro 20, 2010

cinder.eu

tem esse filme "bernard & doris", que é uma das mais recentes perolazinhas da locadora. doris é doris duke, personagem real, que foi servida pelo mordomo bernard durante os últimos anos de sua vida. doris era trilhardária - uma magnata que administrava diversas instituições ligadas às artes, ciência, meio-ambiente, filantropia e educação, incluindo a celebrada duke university. num determinado ponto do filme, vemos doris assinando um cheque de cinco milhões de dólares para pagar a fiança de imelda marcos.

a primeira coisa que me veio à cabeça foi que o ato de solidariedade para com imelda tinha apenas, mas profundamente, a ver com sua notória loucura por sapatos (a ex primeira-dama filipina tinha cerca de três mil deles). o filme não esclarece a motivação de doris duke, mas em pesquisa pela net descobri que ambas eram amigas. "talvez a paixão por sapatos seja o denominador comum da amizade", insisti em racionalizar. ou talvez seja o meu denominador comum com imelda marcos, e eu esteja projetando sobre doris duke.

eu não sei qual é o lance que algumas de nós têm com sapatos. não dá pra explicar. o simples fato de que incrementam o andar e arte-finalizam um look, condenando-o ou fazendo-o vencedor, não basta. sapatos estão além da eloquência de um par de óculos ou do status de uma bolsa: mais que qualquer outro acessório - não raro mais que a própria roupa - ele diz a que você veio. e isso ainda não é o bastante.

eu não tenho tara por jóias - eu nem tenho jóias. não ligo a mínima para relógio, anel, pulseira, brinco; lingerie, perfume, automóvel, i-phone, itens de fetiche em geral: zero. mas eu preciso de coisas de vestir. compro tecido, mando fazer roupa. escolho bolsas com cuidado, posso levar meses para encontrar um calçado que preciso pra ontem. e são eles, mais que uma bolsa ou um vestido, aos quais me apego mais.

isso não é explicável pela boa impressão que um sapato causa. isso não é explicável, simplesmente.

e ainda assim eu não saio comprando todos os sapatos que existem no mundo, não faço questão de manolos e loubotins - pelo contrário. compro só o que se encaixa em mim e no meu orçamento. o princípio do sapatinho de cristal - aquele que apenas calça a cinderela - se aplica: posso morrer de amor por um modelo mas, numa loja, passo batida por ele caso não faça parte da minha auto-imagem em primeiro lugar.

tudo isso para revelar que hoje cheguei perto, mas falhei em me desfazer do meu par queridinho. o par queridinho tem quase cinco anos e já passou do prazo de validade, mas eu insisto. ele jamais recebeu um elogio em especial, e isso é porque ninguém vê a beleza que eu vejo nele. ele tem um formato dianteiro que eu nunca vi em lugar nenhum. ele tem um salto sabrina, que é o salto mais lindo do universo, e seu interior é todo forrado de couro branco com estampa de cerejas. os dois últimos detalhes pirotescos: ele não foi comprado numa sapataria e sua cor original era rosa-goiaba.

era. porque com o tempo ele precisou de pintura e ficou vermelho. e hoje, entre jogá-lo fora e dar a ele uma sobrevida, fiquei com a segunda opção. o próprio sapateiro sacou minha fraqueza ao insistir na recauchutagem. teve pena de mim. prometeu passar a melhor tinta e recuperar 200% o saltinho.

em 2010, ainda encontramos anjos como antigamente.



quinta-feira, dezembro 24, 2009

summertóin

carrie fisher and duble

carrie fisher e sua dublê pegando um soleil nos intervalos da gravação de "o retorno de jedi".



quarta-feira, dezembro 23, 2009

querida santaklauz,

necklace

além da barbie comme des garçons, eu também quero o colar vertebrae da molly epstein, tá?

e, se você for santa milagreira, também quero duas passagens pra assistir a estréia de "sex and the city" dois em nova york, porque com certeza eu não vou sobreviver muito tempo à base de trailer!

(se o big bagunçar de novo com a carrie eu vou até hollywood quebrar a cara do chris north pessoalmente.)



sexta-feira, dezembro 18, 2009

we have decided not to die

we have decided not to die is an unusual short film. a modern day allegorical triptych, three figures under go transformation through three rituals. though not a story in any conventional sense, we have decided not to die succeeds in taking audience on an emotional journey. aurally intriguing, often stunning and always beautiful, daniel´s short film has been winning fans from around the festival circuit.

como se eu não pudesse ser ainda mais surpreendida, descubro que o trecho entre 9'08" e 9'15" contém um still que foi sujeito principal de "crashed", uma de minhas primeiras colagens. o still foi recortado de uma revista gringa há anos atrás. uau, o mundo dá mesmo voltas.



segunda-feira, dezembro 07, 2009

adrift

se me permitem uma sugestão de filme, tenho "à deriva". a película é nacional, passada em búzios e protagonizada pelo francês vincent cassel no papel do pai, deborah bloch no da mãe e laura neiva no da filha de 14 anos - a mais velha de três. a história gira em torno do desabrochar afetivo-sexual da menina, ao mesmo tempo em que ela descobre que o pai está de caso com outra mulher.

esqueça por duas horas o quase-dever de uma atuação brilhante que normalmente se exige de um bom filme. heitor dhalia, o diretor, compensou maravilhosamente em diversos outros aspectos: locações, imagens subaquáticas, trilha sonora deslumbrante de antonio pinto, fotografia e um drama cujo pano de fundo - a latência edipiana - se concretiza simbolicamente.

a história, aparentemente previsível, de quando em quando sofre twists surpreendentes, mas nada importa em si. tudo é um acúmulo para a maré emocional (nas alturas) do final.

sob o risco de desmantelar a graça de quem decidir assistir, nada mais direi senão que é um loosho, um loosho, uma coisa, corra atrás que vale o mundo.



terça-feira, novembro 17, 2009

they are the eggmen

walrustalvez seja porque o sol está em escorpião e baixa um espírito sombrio no ocidente (não é mera coincidência que o halloween seja em 31 de outubro), mas de repente não se fala em outra coisa senão nesse crepúsculo. na rebarba da febre, domingo passado o history channel fez uma muito esclarecedora maratona vampiros no canal 55 da sky, que me levou a duas conclusões, uma óbvia e outra controversa.

a óbvia é que o fascínio que vampiros exercem sobre os mortais é puramente sexual. existe o lance da penetração na carne, do êxtase de possuir/ ser possuído e tudo mais. a ameaça do crucifixo tem uma ligação instrínseca com o pecado original, o que só reforça o tabu e o desejo. mas nem sempre o pacote foi palatável: a imagem do vampiro sedutor se deve muito a bram stocker, o autor de um drácula aristocrático e boa pinta que conquistou o imaginário das massas modernas na pele de bela lugosi. antes dele, o vampiro era mais um monstro horrível - vide o nosferatu de 1922 e todas as "evidências" de mais de mil anos de atividade vampírica no mundo. até bram stocker, vampiros tinham tanto glamour quanto um prato de dobradinha.

minha segunda conclusão é controversa porque alguns de vocês vão concordar e outros podem se sentir ofendidos, embora eu não pretenda generalizar. a cena dos vampiros - aquela galera que usa fantasias e dentes postiços, freqüentemente presente na subcultura gótica - me causa uma certa vergonha alheia. certa não, forte. então eu über concordo com três dos entrevistados do programa do history channel, freqüentadores de cenas vamps themselves: é um ambiente onde aquele cara deslocado da sua turma da quarta série acaba se refugiando porque lá ele pode exercitar a fantasia dos caninos fatais, a sede por sangue, o sex appeal decorrente disso - elementos que o faz se sentir mais poderoso e capaz de sobrepujar as gostosas que nunca lhe deram bola e os garotões macho alfa. pelo menos internamente.

com exceção do gary oldman no drácula de 1992, vampiros nunca me causaram muita sensação. talvez se eles trocassem a capa preta e vermelha pela capa de gordura e proclamassem "i am the walrus".



quarta-feira, setembro 23, 2009

semana das mudanças climáticas com previsões cinematográficas

bastante contentinha com os acenos dos stêitz e cheena no sentido de cortar as emissões de gases poluentes. juntos eles produzem 40% do co2 lançado na atmosfera. a iniciativa praticamente garante a assinatura do sucessor do tratado de kioto em dezembro próximo.

há alguns anos eu estaria dando cambalhotas de satisfação. mas é que quanto mais o tempo passa, mais me convenço de que é tarde demais para evitar boa parte das catástrofes, então o entusiasmo diminui.

a propósito: outro filme apocalíptico - dessa vez focado no aquecimento global - acaba de estrear nos eua. "the age of stupidity" é uma espécie de ficção-documentário passado no futuro que utiliza o noticiário real dos dias de hoje para contar a história.



quarta-feira, setembro 09, 2009

gatopatologia

o documentário cat ladies é sobre isso: velhas solitárias cheias de gatos. que é um futuro que nunca temi, apesar da tendência a catar felinos abandonados que encontro por aí. com exceção de calvin, foi assim que adquiri todos os gatos que tive ou tenho - luka, petrina, amanita, esmeralda, ferdinando, mercedes, eugênia e, mais recentemente, mafalda.

em cat ladies, mulheres de diferentes idades explicam a adoração que sentem pelos miaus. o irresistível impulso de abrigar um filhote abandonado e a dificuldade de relacionamento com humanos - um lance meio brigitte bardot que pode pender pro comportamento obsessivo-compulsivo.

trailer.

via neatorama.



terça-feira, setembro 08, 2009

a vingança de carrie, a estranha

a continuação de "sex and the city - o filme" brindará fãs de todo mundo com mais um prolongamento para a série, que terminou em 2004. caso a leitora ainda não tenha assistido ao filme de 2008 e deseja fazê-lo, recomendo que termine a leitura do post no fim deste parágrafo: nos próximos, recapitularei a primeira película e, em seguida, elaborarei uma sinopse do que penso ser um destino justo para cada personagem da continuação, que começou a ser filmada na semana passada.

no "sex and the city" que foi aos cinemas em 2008 vimos carrie, a protagonista vivenciada por sarah jessica-parker, ficar noiva do namorado, o eterno canastrão mr. big. a notícia causa frisson e carrie não apenas ganha um editorial na vogue falando sobre o casamento como amealha um vestido de noiva de vivienne westwood - presente da própria estilista. só que o pesadelo de qualquer futura esposa se torna realidade: tomado por um cagaço disparado num jantar na noite anterior, quando miranda, traída pelo marido, pragueja contra matrimônios em geral, mr. big resolve dar o bolo em cima da hora. sim, carrie é abandonada na porta da igreja. a partir daí o cinema cai em prantos; mesmo os esforçados namorados e maridos das espectadoras falham em conter as próprias lágrimas.

para apoiar integralmente a devastada carrie, miranda, charlotte e samantha decidem acompanhá-la àquele que seria seu destino de lua de mel: um resort no méxico. situações engraçadas e reflexões a respeito de suas vidas ocorrem paralelas à lenta recuperação da heroína. de volta aos stêitz, a devoradora de homens samantha, há anos fiel ao galã smith, luta com todas as forças para não cair em tentação com um vizinho garanhão; após passar a série inteira pensando ser estéril e ter adotado uma chinesinha, charlotte descobre que está grávida; e miranda volta pro marido steven, que no fundo é gente fina. nos últimos minutos, big finalmente ressurge, reconquista carrie e os dois se casam no cartório.

uma vez exposta a situação, creio que a continuação de "sex and the city - o filme" deveria se chamar "sex and the city - a vingança de carrie, a estranha". após muitos anos sendo feita de idiota por big, culminando exponencialmente com a tragédia do casamento, é mais que justo que carrie vire o jogo. sugiro que ela tenha um caso com aidan, o ex-namorado amoroso, sensível e dedicado, e passe um momento bela da tarde em casa com ele, de modo que big os pegasse entre lençóis no final do dia. ia ser bem feito. não apenas seria a vingança de carrie como também de aidan, que sofreu um bocado quando soube que big tinha seduzido sua então namorada na terceira temporada.

mas acontece que carrie herself não merece aidan. aidan é demasiado incrível e possível para as expectativas macho alfa/ conto de fadas da moça. então aidan, mais pleno de amor próprio, descartaria carrie com açúcar em cima - o que não chega a ser um problema, já que, sem planejar, ela acabou cumprindo a merecida vendetta. o preço que carrie sempre pagou por suas necessidades afetivas medíocres foi alto demais com big; agora eles estão quites.

big, no entanto, não concorda: uma vez ornamentado com um par de cornos, ele revê seus longos anos de comportamento cretino e conclui que carrie ainda está no crédito. decide perdoá-la, mas nossa bonita reconheceria a própria verdadeira natureza interior: you´re not the marrying kind, já teria dito o ainda marido quando ambos apenas flertavam, e ela decide se separar. ficaria com o apartamento e abraçaria os quarenta e poucos anos à moda - e ao lado - de samantha, a loba ícone da saga, que agora está com cinqüenta e mais apetite do que nunca. resultado: muito mais assunto para a colunista do new york star, possibilitando o retorno de uma série que nunca deveria ter fim.

para ser muito honesta, e já que agora charlotte terá um bebê próprio, eu adoraria que ela devolvesse a filha adotiva para pequim. poucas crianças me despertaram tanta fúria quanto a sino-pirralha ao desligar o telefone celular de carrie no dia do casamento. inclusive sobraria espaço físico para que miranda entregasse o filho braidy diariamente para ser cuidado por charlotte, podendo finalmente abraçar a sociedade de um escritório de advocacia e recuperar o gracioso look executivo e tom cínico que sempre a caracterizou.

em suma: meu roteiro seria um retorno às origens - uma ótima notícia para as quatro amigas. embora carrie e charlotte tenham passado os oito anos de série preocupadas com o status de solteiras, não restam dúvidas de que a primeira estava bem melhor sem big. charlotte, por sua vez, nasceu casada, e continuar assim no segundo filme é redundante. já samantha e miranda fariam todo jus às grandes maravilhas da autonomia feminina: cada uma desempenharia seus papéis ainda mais fabulosamente que antes - uma na cama, outra no escritório - e provariam aquilo que muita gente já sabe: a idade de ouro da mulher começa mais tarde do que os desavisados imaginam.

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