categoria ~ katz



quinta-feira, abril 30, 2009

minuto phophoora

é para isso que eu tenho gatos. para ver imagens como a desse pandinha e ter em quem fazer a felícia quando chegar em casa.



quarta-feira, fevereiro 25, 2009

o gatinho voador (em seu vôo noturno)

existe aquela pequena festa doméstica do nada-a-fazer, quando inventamos tudo de mais exótico e divertido. joão levanta do sofá, sempre tão freqüentemente solicitado pelos filhotes - por ferdinando tantas mais vezes que pelas meninas. nem sempre assim, mas quase. o felino salta e corre. joão corre atrás e o captura tal qual uma dessas aves predadoras, de rapina, pradarias rasteiras como o tapete da sala mas nunca tão macias e off-white como o algodão de corda e tudo mais que oferecem as boas lojas especializadas em chão. levanta o gato às alturas de seus braços compridos e executa manobras arrojadas, perto do teto, leva o bicho a um rasante sobre o piano onde eugênia se esconde atrás do porta-retrato e ela tssssssssssss!.

um susto de gata equivale a um relâmpago que derruba trovões na seqüência e logo ativa a pelagem até então tranqüila de mercedes, que dormia sobre o pufe de oncinha.

joão gargalha junto comigo e larga ferdinando no ar. os bichos se eriçam como se fossem lutar, deslocam-se randômicos como baratas pelo corredor e nós, texugumanos, desfiamos rosário de piadas e deboches sobre as pecinhas felpudas do meu coração.

nada-a-fazer é uma potência de surpresas que só acontece com quem entende o espírito das nossas coisas.



segunda-feira, janeiro 26, 2009

furada para o inferno

uma mulher da pensilvânia, stêitz, fazia piercing nas orelhas, pescoço e cauda de gatinhos e os vendia onláini sob o rótulo de gothic cats.

o sadismo interespécies foi descoberto semana passada e a mulher foi indiciada. o thriller completo no the sun.

narghee-la é particularmente afeito a felinos e deseja que essa sujeita sofra piercings no fígado até a morte.



segunda-feira, janeiro 12, 2009

comoção

o pedi de joelhos. os gatos corroboraram. eles sabem melhor que os que me viram abaixar na cozinha - no mínimo, ele viram mais: as noites impulsivas de tiras a roupa e os travesseiros torcidos mais o sono tranqüilo, o sono de menos, o sonho que se faz existir sozinho de uma forma tão palpável. tudo inconclusivo, fato, mas é o que a vida é, e os afetos o são mais ainda.

de modo que começaram a dar pistas de que o que digo faz sentido, por mais inglório que um dia tudo possa se tornar, e eu mastigo cutículas de tomaras que não. ferdinando foi o primeiro. vejo seus bigodes captando, como antenas, as boas notícias. antes de mais nada, foi em busca de sua parte da doçura daquele homem. gatos, é sabido, vão buscar o que querem; e largam pêlos, e esfregam cheiros, em torno daquilo que chamam de seu. tais quais gente digna, desenvolvem e obedecem, sem negociação, seus likes & dislikes.

ferdinando likou como jamais visto. comete caprichos inéditos como seguir joão aonde quer que ele vá. engalfinha-se com seus tênis e não disfarça sua preferência entre eu e meu amor. dele, ganhou outro nome próprio: é tom.

eugênia passou a ter maria antes. chocou-nos quando trouxe a escova de dente verde e colocou-a do lado de seu agora pai. o fita inoblíqua e sem piscar. sem saber, e como eu, compete edipicamente com mercedes pelo melhor espaço da cama ao lado dele. é semi-enciumante. a grosso modo, venço. é a lei da mais humana.

do alto de uma das bertoias, ou do fundo de seu esconderijo mais secreto, esmeralda apenas olha. olha. fecha os olhos e escuta. atrás de seu cristalino, seu aparente solipsismo deixou de existir.



terça-feira, dezembro 09, 2008

lookingood



segunda-feira, dezembro 08, 2008

gato mais velho do mundo tem 125 em idade felina

ele acaba de fazer 27 anos humanos.

segundo o neatorama, mischief ainda é bastante ativo e seus dois ouvidos continuam trabalhando bastante bem. talvez, quem sabe, quebre o recorde de longevidade de outro gato, que morreu aos 29.



sexta-feira, agosto 29, 2008

uma gata. alada.

"at first they were just two bumps," she told the mail. "but they started to grow quickly and after a month there were two wings."

eis o testemunho de feng, a dona do bichano (na verdade bichana, porque é tricolor). a china pode produzir coisas bem piradas.

com medo de que lhe roubassem a gata - ou que ela resolvesse voar e nunca mais voltar -, feng chegou a cortar uma das asas.

cats with wings can be explained through several scientific explanations, including leg deformities, huge mats of hair or a condition known as feline cutaneous asthenia or fca, which causes the cat's skin to grow in heavy folds on its back or shoulders, online magazine cryptozoology reported.

via fox news.



segunda-feira, agosto 04, 2008

ode ao gato, neruda

os animais foram imperfeitos, compridos de rabo, tristes de cabeça.

pouco a pouco se foram compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.

o gato, só o gato apareceu
completo e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.

o homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato quer ser só gato
e todo gato é gato do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.

não há unidade como ele,
não tem a lua nem a flor tal contextura:
é uma coisa só como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno firme e sutil
é como a linha da proa de uma nave.

os seus olhos amarelos deixaram
uma só ranhura para jogar as moedas da noite.

oh pequeno imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão,
nupcial sultão do céu das telhas eróticas,
o vento do amor na intempérie
reclamas quando passas
e pousas quatro pés delicados no solo,
cheirando, desconfiando de todo o terrestre,
porque tudo é imundo
para o imaculado pé do gato.

oh fera independente da casa,
arrogante vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta dos quartos,
insígnia de um desaparecido veludo,
certamente não há enigma na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti
e pertences ao habitante menos misterioso.

talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios de gato,
companheiros, colegas,
discípulos ou amigos do seu gato.

eu não.
eu não subscrevo.
eu não conheço o gato.
tudo sei, a vida e o seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.

minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos têm números de ouro.


via reino da almofada, que tiagón enviou para mim e para ela.



segunda-feira, julho 07, 2008

o quarteto fantástico

jibóiastolichnaya, ferdinando, mercedes e eugênia ditam meus dos e don´ts em relação à casa.

todas as plantas, por exemplo, foram reduzidas a um sexto do que um dia foi minha deslumbrante jibóia. ou seja, tudo que fazia fotossíntese foi esfolado e apenas uma pequena parte da jibóia restou. e apenas restou porque ela tem muita força de vontade, já que na verdade deveria ter morrido de velhice há anos.

além disso, meus bambus indianos estão exilados na casa de mamãe.

a também indiana boneca de madeira que pendurei ao lado do espelho da sala não durou uma noite no lugar e ainda teve parte do crânio roída.

outro dia a faxineira me telefonou com medo de perder o emprego quando um deles puxou o pano onde secavam dezenas de copos lavados, que cobriram o chão da cozinha com cacos. já eu fui testemunha ocular de quando mercedes quebrou o potinho de tambak da narghee-la grande.

para completar, a semana de estadia de calvin no lar enquanto vovó viajava brindou o recém lavado tapete da sala com um jato de xixi bastante territorial, de autoria quase garantida de ferdinando.

naya e seus instintos podólatras transformam minhas sapatilhas de veludo em calçados chewbacca, enquanto os outros três realizam disputas simulâneas de escalada e rapel nas cortinas do quarto. ainda bem que elas agüentam.

o blecaute, no entanto, não teve a mesma sorte, e hoje me pus a procurar silver tape para corrigir o largo sorriso rasgado de palhaço.

o conteúdo de três das cinco lixeiras da casa é sistematicamente espalhado por toda parte.

sempre que esqueço a porta do banheiro aberta, o papel higiênico é desenrolado até o talo.

é absolutamente impossível educá-los sem flagrante e na maioria das vezes não estou presente no momento das façanhas. quando estou, corro o risco de sentir pena de cortar a onda deles: é como proibir uma criança de desenhar, subir no escorrega ou fazer castelinho de areia na praia.

pelo menos minha comprida experiência com felinos repete o clichê de que não passa de uma fase, e que quando eles se tornarem velhos e preguiçosos sentirei uma enorme saudade disso tudo.



quarta-feira, junho 25, 2008

fluffy

sob os 15 graus que fez na noite de ontem, quando sair do restaurante japonês se tornou uma experiência européia, encontrar profusão de pêlos de gato no meu sobretudo não me irritou e sim me aconchegou na idéia de que eu poderia estar um tiquinho mais... quentinha.

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