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quinta-feira, dezembro 31, 2009

os melhores da década

com exceção da minha casa, meu trabalho e escrever, não sou consistentemente aficcionada em nada por mais de dois anos. vim com pouco poder de fixação. eu jamais poderia ter nascido laquê.

e já que uma década tem dez, não estou apta para elaborar, com justiça, listas das x melhores músicas, y melhores filmes, z melhores livros ou o que quer que seja que aconteceu na década 00. mas a estonteante equipe de colaboradores do grito está. eles acabam de levar ao ar um deslumbrante ranking dos últimos dez anos em filmes, álbuns, músicas, clipes e quadrinhos. e eu participei não com uma lista, mas com aquele texto retrospectivo sobre... moda!

enjoy, you guys. and have a marvelous 2010!



terça-feira, dezembro 22, 2009

anos 00: excessos de (e da) moda

vamos admitir: se vestir foi mais divertido do que nunca nos anos 00. todo mundo entrou na dança - o termo "fashion" foi adotado até mesmo pelas classes baixas, virando bordão para looks produzidos. assim como há vinte e poucos anos atrás, o revisionismo oitentista que comandou esta década (e no momento culmina com a celebração dos ombros aumentados) caminhou de mãos dadas com flashes dos anos cinqüenta, desta vez freqüentemente traduzidos com a onda das pin-ups (cada vez mais tatuadas) e muito bem representados pela proliferação dos óculos wayfarer. ainda assim, o grande pano de fundo da moda dos anos 00 foi o rock n´roll: gostando ou não, os emos são um produto disso.

programas televisivos de canais fechados ensinaram às mulheres que sapato de salto e bico fino alonga a silhueta - o que não evitou que as sapatilhas dominassem a cena a partir de 2007. experts em moda gongaram as leggings, mas não adiantou, e muitos estilistas continuam lançando variações em desfiles internacionais. calças skinny, graças a deus, foram adotadas apenas pela limitadíssima fatia de antenados com shape para usá-las, e muita mulher se matou na academia para vestir microshorts. viseiras, munhequeiras, all stars converse, óculos enormes, balonés, cintura marcada, estampa camuflada, camiseta regata, calças cargo, esmaltes em cores cada vez mais berrantes e ainda em franca inclusão de verdes, azuis e amarelos: foi um mundo de luzes, cores e cristais swarovskys de beyoncé, e a chegada definitiva da estética independente ao mainstream.

mas os últimos dez anos também tiveram suas febres próprias: camisetas com estampas vintage, os controversos crocs, as horrendas botas pata-de-bode, geek chic, sandálias gladiador, rasteirinhas... sem contar que, aos poucos, modelos conceituais vão ganhando mais adeptos - em outras palavras, mais e mais gente anda desbravando mares antes apenas navegados por bjork (num vestido de cisne, é claro!) e outros poucos excêntricos. sai a obrigação datada da roupa como adequação social e entra a do estilo pela diversão de se produzir, encontrando nos hipsters sua autoridade suprema.

vimos gisele bündchen se tornar a modelo mais rica de todos os tempos e kate moss seguir impávida como ícone cult mesmo após cliques indiscretos e namorados trash; conhecemos todo o potencial oculto de gwyneth paltrow, que virou um mulherão depois de parir apple; adoramos a estranheza de chloe sevigny e agnes deyn, a androginia de tilda swinton, as fab four de sex & the city by patricia field, as centenas de vestidos carolina herrera de renée zelwegger e até mesmo a cara aguada de siena miller; odiamos o pink eterno de paris hilton, o jeca do loiro-sobre-pele-morena de britney spears e a permanente carranca de victoria beckham. recebemos, como nunca, imputs gráficos de toda uma legião de celebridades.

o volume de novas mídias de moda bateu com a cabeça no teto: revistas como vogue, l´officiel, elle e w procuraram buscar mais e mais leitores, alavancando a editora anna wintour para o status de celebridade mundial com direito a personagem em "o diabo veste prada". Aliás, desde "pret a porter", de robert altman, a moda não ganhava tanto foco no cinemão. mas os anos 00 também serão lembrados como a era em que as revistas passaram a competir com canais exclusivos de tevê (no brasil há o fashion tv) com ampla programação segmentada, incluindo reality shows como o aclamado "project runway"; e, de surpreendente impacto sobre a indústria formal, os blogs de estilo, com destaque para o the sartorialist.

no país, a saída de erika palomino da folha de s. paulo para focar em seu site e na house of palomino firmou-a como a mais nova papisa do jornalismo fashion, levando frescor a uma corte antes apenas estrelada por senhoras como constanza pascolato. paulo borges, idealizador do são paulo fashion week, resolveu dar um passo além e lançou a mag!, a melhor revista nacional de estilo. cursar moda passou a ser tão comum quanto administração, inflando o já fervido boom de novos estilistas e stylists brasileiros.

peça revival que também marcou os anos 00, a muito incompreendida calça saruel é um aceno de que, com o início dos anos 10, os idos 90 estão regressando (conforme previsto). foi de lá que veio a saruel - os clipes de mc hammer não mentem. aos poucos, muito timidamente, vemos um editorial sobre minimalismo andrógino, um anúncio da escada com christy turlington, um batom opaco. pelo jeito, daqui a dez anos a retrospectiva da década que daqui a pouco começa estará embalado em flanela grunge.

- especial para a edição de fim de década do grito.



terça-feira, dezembro 08, 2009

type



sexta-feira, setembro 25, 2009

lirismo mamário

todas as mulheres, tanto as que estão destinadas à maior quietude, como as que estão destinadas à maior inquietação, deviam aprender um passo de dança, criado só para se desenvolver em todo o potencial a graça dos seus seios (...)


os seios sentem a loucura da dança com um frenesi que chega por vezes a assustar,
porque parece que vão pegar fogo, que vão incendiar-se de tanto roçarem um no outro (...)

os seios na dança não são do homem; libertam-se na dança, oferecem-se no altar dos sacrifícios, na ara em que arde o fogo, oferecem-se ao deus varonil que ama essas oferendas, e ardem na ara como ardiam os carneirinhos que se ofereciam em holocausto. é na dança que os seios estão mais longe do homem, quando ninguém se pode aproximar deles, quando estão mais solitários e mais oferecidos a si mesmos.

línguas de fogo da dança, suprema voragem, vórtice do espectáculo de viver que a vida pode dar, sinal de rebate que convém dar aos corações para que sejam livres, exaltados e revolucionários!

arrasa, ramón gómez de la serna.



segunda-feira, agosto 17, 2009

telepatia sintética: num futuro perto de você

no ar pela revista o grito uma síntese do que narghee-la anda publicando a respeito de chips cerebrais e transhumanismo.

tinha dado uma palhinha semana passada via facebook e algumas reações foram tão tacanhas.

precisamos de um olhar menos limitado aqui. o futuro, não importa em que tempo se viva, é sempre muito estranho e exige que raciocinemos out of the box.



terça-feira, junho 30, 2009

a história que levará mil anos para ser lida...

... mas que, no entanto, só possui nove palavras.

a idéia pertence ao artista conceitual e jornalista jonathon keats e visa

to rejuvenate literature in the age of hyperspeed media by writing a story that will take a millennium to tell.


(...)

"something essential is lost when ingesting words is all about speed. my thousand-year story is an antidote. given the printing process i've used, you can't take in more than one word per century. that's even slower than reading proust."

para isso ele se associou à opium magazine, que trouxe, na capa de sua sua infinity issue, a história toda - escondida sob artifícios de impressão que levarão mil anos para revelar as nove palavras.

the cover is printed in a double layer of standard black ink, with an incrementally screened overlay masking the nine words. exposed over time to ultraviolet light, the words will be appear at different rates, supposedly one per century.


"the precise quantity of ink covering each word is different, so that the words will appear one at a time," keats said. "provided that your copy of opium is kept out in the open, and regularly exposed to sunlight over 1,000 years to be read progressively by the next dozen or so generations.

a wired questiona se o papel da capa conseguirá durar tanto tempo assim:

"the high-quality acid-free paper on which opium is printed will certainly last that long," keats answered. "whether humankind will, of course, remains an open question."


sexta-feira, junho 19, 2009

felizinha



segunda-feira, maio 04, 2009

momento alto do sarau de sábado:

diz-me que deus não percebe nada

das coisas que criou -
"se é que as criou, do que duvido" -
"ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
mas os seres não cantam nada,
se cantassem seriam cantores.
os seres existem e mais nada,
e por isso se chamam seres".
e depois, cansado de dizer mal de deus,
o menino jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.

- trecho de o guardador de rebanhos viii, fernando pessoa (alberto caeiro)

fiquei apaixonada.

.

coisa para a qual a princípio tanta gente, como eu, torceria o nariz, mas me surpreendeu, foi poesia de bruna lombardi - a única que recitei, achando muita graça, quando os homens foram pra cozinha; e mais essa em silêncio para mim mesma:

tenho alma de anarquista

fogos de artifício, pólvora, paixões
você não me conhece
trago em mim a chama
o perigo, o dragão
trago o que mina, o que explode
a grande subversão

dentro de mim o que não se doma
que ninguém detém, que nada assusta
o dom
a grande arte da fúria
a fera da sedução

nisto consiste meu crime
e é o melhor de mim
violenta ternura
força que se irradia e se expande feito gás
que respiramos
e que torna o que fazemos
maior do que o que somos

.

se soubesse, tinha levado a fila.



terça-feira, março 31, 2009

can´t help it

embora esteja há meses enredada com "a política do rebelde" e "outsiders", creio que, ao contrário de minhas previsões, não serei capaz de escapar a "john lennon", de philip norman.

estive com o volume nas mãos e foi irresistível.

admito que metade do meu fascínio por lennon está em sua relação com yoko, a mulher mais espetaculosa do universo. após ler a quarta capa do livro, abri exatamente no início do capítulo 19, que fala do primeiro encontro do então beatle com a artista plástica japonesa.

meu ceticismo não me permite acreditar em sinais, mas fiquei realmente surpresa com a coincidência. de modo que começarei a ler a biografia a partir dali, e ainda haverá muito das 851 páginas. toda a infância de lennon é revisitada em sua interação com yoko; de certa forma, não terei deixado de saber da relação com a mãe que o abandonou, o pai ausente e com tia mimi por tomar a história pela metade.

na bravo! de fevereiro, um excitante artigo sobre o livro.

na playboy de janeiro de 81, uma entrevista épica com lennon e yoko, realizada dois meses antes da morte do mito.



sexta-feira, março 27, 2009

bc no rs

estamos no site e na revista impressa (página inteira) do cinesemana.

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