i stick my eyes back on
i unstick earsi cut off fingers
i tear off a breast
this is my law of exchanges
i carve up
i pull to pieces...
... i give birth only to chimera
annette messager
i stick my eyes back on
i unstick earsi cut off fingers
i tear off a breast
this is my law of exchanges
i carve up
i pull to pieces...
... i give birth only to chimera
annette messager
estou zero acostumada que escrevam algo a meu respeito. ora, sou eu quem escreve sobre os outros! pelo menos até semana passada, quando o grito! me surpreendeu com texto da comadre daniela arraes acompanhando uma pequena expo digital de minhas colagens. ei-lo aqui:
umas páginas de revista esquecidas pelo tempo, mais umas duas, três penas de pavão. uma foto enquadrada pela mãe em um pôster e rasgada no meio, sem dó. o lhc, grande colisor de hádrons, ou uma frase clássica subvertida ("diamonds are nobody´s best friends").
materiais e referências tão díspares encontram unidade nas colagens de joana coccarelli. ou cool.agens, como prefere a jornalista, que não se declara artista, mas tem na sensibilidade e na produção a maior prova disso.como se a agenda da escola tivesse ganhado o espaço, os gostos e as leituras da vida adulta, ela recorta, cola, amassa, junta e monta narrativas (handmade, sem ctrl c + ctrl v) a partir do que cai em suas mãos.
acaso, insconsciente e imagens distantes, mas sempre poderosas, parecem nortear suas colagens. uma hora, ela evoca as virgens de Klimt; em "múmias schiele", em que subverte a leveza e o entrelaçamento das moças, substituindo-as por caveiras corroídas pelo tempo. em outra, com seu "surfing on a rocket ", composto por nave espacial, roupa colante de esqueleto e máscaras de guerra, parece voltar ao começo do século passado para evocar o futurismo.
no meio tempo, joana experimenta. pesquisa, recorta, amassa, cola e compõe mais um vez, com o olhar apurado de quem tem necessidade de se alimentar de imagens a cada segundo.
fiquei toda-toda. :))))
semana passada o grito! levou algumas de minhas colagens ao ar, com direito a texto (à minha total revelia) da gloriosa dani arraes - e eu não poderia estar mais envaidecida.
na verdade, poderia. acabo de receber a seguinte mensagem do paulo, o principal editor:
o site revista o grito! foi desativado por uma sobrecarga no servidor. segundo a locaweb, empresa que gerencia nossa hospedagem online, o número de acessos está muito alto para o plano que contratamos. a sugestão é mudar para um servidor dedicado ou outro host. esta tarde tomaremos uma medida emergencial para religar o site. a edição desta semana já está pronta e editada.
no último mês de outubro, o grito! registrou 4.670.995 de visitas e 231 mil acessos únicos, segundo dados do locaweb, através da empresa urchin, inc.pedimos a compreensão de todos vocês que fazem a revista por esse imprevisto, causado, sobretudo pelo crescimento que o site teve nos últimos meses.
abraços a todos,
paulo floro
o grito! é uma criação do paulo e do wagner (aka calvin e mozart) - há pelo menos cinco anos os meus ídolos pessoais da interenetosphéra. nos conhecemos online quando eu era editora da mood e me apaixonei perdidamente pelo então apenas blog o grito. na época eles ainda estavam na faculdade e sonhavam transformar o blog num site tipo a mood.foram ainda mais longe.
mamãe, a maior consumidora viva de revistas, me entupiu de publicações classe a esta semana.
vocês desconhecem o impacto que uma única wallpaper teve sobre mim. tive que fazer uma colagem ali, em cima da revista aberta, com as imagens tiradas dela.
em seguida liguei para mamãe ao mesmo tempo reclamando pela diversidade de recortes (que talvez torne mais lento o processo de composição) e agradecendo pela matéria-prima dos sonhos.
prezados: estou aceitando doações de revistas, de qualquer época ou nacionalidade, sobre moda, arquitetura, arte ou design.
vou buscar no endereço. ou recebo em minha casa e ofereço rodada de narghee-la (desde que você doador me seja conhecido, claro).
e-mails para jcoccarelli@gmail.com.
desta vez usei um pôster que minha mãe mandou fazer a partir de uma foto num livro.
abri uma fenda no desenho da renda da mulher. coloquei uma quase sósia dela, um recorte de plumagem que o iuri me deixou e arrematei com uma pena de pavão de verdade que eu tinha em casa.
é grande então nem tentei escanear. as fotos estão aqui e aqui.
essaí? essa quer estampa - a que você puder dar pra ela. tem erro não, vai chegando. e mais, sagaz: ela te chupa o sobrenome, senta na tua grana, fica de quatro pela tua fama. e te ama do jeito que você é. se você for um abramovich, mick jagger ou brad pitt.
.
o nascimento da vênus elecedê.
pixeliza o fundo
da praia de silício,
investe na espuma,
hard discs de ouro.
faz do pássaro cisne,
soulseeker do abismo marinho.
sem se esquecer da onda de madeira
que em computador não se usa,
só em mesa
e cadeira.
tem mousepad sobrando?
mouse é pouco pra psichokiller.
pad pra alguém condenar.
.
quanto vale o show? quanto vale o show do artista que nunca desce do palco, nunca se humaniza, e a faz acreditar na ficção? vale nada o filme do ridículo, dança do acasalamento devassada em paixonites já centenas de vezes sentidas. quanto vale a comida? e a marmita de calcinha rosa da curta temporada? ela é a sua platéia, homens, mulheres - espectadores - tratados como vagabondage. só engana otária, picareta.
.
era moça
analógica.
chegou portal,
tá tecnológica.
(vive em flash, sonha em dreamweaver).
já não sabe quem é,
mas diamantes
é o que ela não quer.
.
chora corno, comedor de cobra: eretas setas espiraladas pra enterrar em rolha, abrir champagne, roubar borbulhas do mar mais superostra, grandes lábios-vagina que sereia não quer dar, você se contenta com flores?, as flores tropicais de chifres como os teus - pois na verdade, na verdade mermo tu ta é chateado, tu queria era teus chifres cravados no próprio rabo.
chega a ser ridículo. o quanto me apego às minhas colagens assim que elas nascem. é um tanto ao contrário da depressão pós-parto, eu as amo e as quero comigo; só mais tarde, dias, semanas, meses depois é que posso passar a não me importar mais tanto com elas. aconteceu com várias. principalmente com as mais antigas, as primogênitas, as mais velhas. talvez porque eu tenha mudado e então parece que nem fui eu quem as pariu. mas continuo com elas, como que por responsabilidade parental - mesmo que no fundo esteja pronta para entregá-las para adoção.
a colagem foi batizada também em homenagem ao hadron collider.
e não preciso nem comentar a pausa de dois meses nas atividades do halo, né.