não rolou. mas sigo feliz e orgulhosa por ter sido chamada!
a revista achou as propostas sofisticadas. ofereci uma carmem miranda com blusinha louis vuitton e a natureza morta de cézanne na cabeça (estudo); o ovo de tarsila agarrando a torre eiffel (estudo); e um rótulo de veuve, mulher de lautrec e torre eiffel com fundo volpi (final).
na verdade eles buscavam uma comunicação visual bem mais mastigada para os leitores, mas só se deram conta de que eu não era a pessoa certa pouco antes do prazo final. foi logo que me pediram para juntar a torre eiffel com fitinhas do senhor do bonfim. argumentei que a edição frança/ brasil da vogue brasileira já tinha feito isso na capa, mas eles quiseram mesmo assim. então fui pra rua, arrumei fitinhas em bleu, blanc, rouge e fiz uma montagem com o cristo redentor abraçando a torre. ficou uma porcaria. não é o tipo de coisa que eu saberia fazer direito.
mesmo assim a experiência toda foi demais, me trouxe uma consciência bem mais ampla sobre o que produzo. a história de tudo ser feito à mão limita bastante as possibilidades - mas parece que meu mérito está em encontrar pontos de fuga justamente dentro dessas limitações. trabalhar com a imagem que está disponível, da cor, tamanho e quantidade que está disponível, e combiná-la com outras de modo que comunique e impressione esteticamente é metade da graça. é como um quebra-cabeça. é excitante e me coloca diante de situações para as quais preciso descobrir a resposta - o que normalmente acontece inconscientemente.
o resultado é certamente pouco comercial. talvez fosse diferente se eu dependesse das cool.agens para viver. fico feliz que não é o caso.
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os comentários do verbeat estão temporariamente loucos, portanto queria agradecer ao pessoal que me deu força nesses últimos dois dias via e-mail. :*