categoria ~ brooshas



quarta-feira, maio 27, 2009

outras charadas de mona lisa

parece que o engenheiro francês pascal cotte é ainda mais aficcionado em mona lisa do que eu - a ponto de descobrir que nossa musa maior um dia teve sobrancelhas. e um sorriso mais marcante. e segurava um cobertor.

parece que o sorriso ficou mais obtuso porque da vinci quis assim. o cobertor desapareceu com o tempo e as sobrancelhas? bem, não se sabe. o que sei é que la gioconda fica muito mais enigmática sem elas.

incrível como nenhuma das descobertas dos pesquisadores reduz o misterioso da pintura.

via the daily galaxy.



sexta-feira, abril 17, 2009

eva de neve

à primeira vista era uma serpente gigantesca aninhada em si mesma após jantar um veado. mas chegando mais perto era possível enxergar uma pontinha de unha rasgando, por dentro, a barriga do bicho, e seu coração sendo empurrado para fora. agora o animal estava morto e ela poderia escapar sem ser engolida de novo. eva, a moça que fora caçada.

mas não seria tão simples: por onde passou um coração de serpente passaria também uma cabeça de gente mas jamais os ombros e o resto do corpo. para abrir a passagem, eva havia deixado todas as unhas no couro do réptil; e seus dentes não fariam melhor. decidiu, então, usar os do próprio animal. com um braço para fora, tateou a cabeça do bicho e enfiou a mão em sua boca estofada de gengivas. arrancou uma presa, arrancou a outra. usou-as para alongar o rasgo. saiu lá de dentro rolando em meio a vísceras ainda quentes.

eva notou que o coração havia se transformado numa maçã - tudo o que precisava para afastar a fome da noite. mas ela queria mais. então tomou nas mãos a cabeça da serpente e procurou sua língua. dela sugou o veneno, cuspiu-o na maçã, deu uma mordida e viveu para sempre.



segunda-feira, abril 13, 2009

mistakes



quarta-feira, dezembro 10, 2008

luz del fuego: pós pagu, pré leila diniz, melhor que as duas

enroscada na jibóia com tabla, tampura e bansuri? la mujer sabía de las cosas!



segunda-feira, junho 23, 2008

santa inferno

para javi as boas mulheres - como sua santa, acima - são volumosas.

curiosamente, da divina comédia ele só leu o inferno.



sexta-feira, março 14, 2008

conto tonal

é o beija-flor da manhã. já me espera empoleirado no espelho da cama. questão de abrir os olhos para que ele me espete a pupila esquerda com o bico laminar. paraliso até que termine de beber toda minha íris verde, até que mude de azul para esmeralda, e saia zumbindo feito besouro pela janela para o canteiro das flores rosadas.

meus gatos não gostam de ver meu olho sem cor. sobra o pingo negro de pupila boiando no resto branco. então a única forma de reviver a íris verde é bebendo clorofila no desjejum. um simples suco de laranja me poria a cor do sol poente de amsterdam, e a gente da rua estranharia muito. talvez se eu fosse david bowie.

noutra manhã bem cedo ouvi um frenesi perto da cerca. meus gatos armaram tocaia contra o vampiro de penas e quase o dentaram. a avezinha se safou e desesperou-se para o meu quarto. foi fácil tomá-lo na mão e duro concluir que ele estava fraco e precisava consumir minha cor. então pensei. abri os botões da camisola branca e trouxe um seio para fora. ele fincou o bico na ponta do mamilo e o bebeu. voltou cor-de-rosa para o canteiro das flores e, camuflado, nunca mais teve problemas com os gatos. eu recuperei o tom do mamilo com um prato de morangos gelados.



segunda-feira, setembro 17, 2007

*blush*

espalmou-lhe um tapa na cara, o bruto.

ela se levanta delicadamente do chão, senta-se na penteadeira e apaga a marca vermelha com demaquilante.



terça-feira, agosto 28, 2007

{anel de cálibos}

usualmente samaria acorda, cata castanhas, cascas de salgueiro e água do poço, empoço de choros represados pela súbita ausência dos meus cortejos. eis o dissabor que deverás reverter a teu favor, mancebo. essamaria só tem coração para mim e não a quero, digo sim a quero - inteira agremiada por rapaz típico e hábil como tu.

verás que a moça tem suas virtudes, outras além da rotina cerimoniosa de toda manhã: é versada em matemáticas e tem gosto por porcelana, com especial simpatia por aparelhos de chá das famílias da colônia.

no entanto, se envaidece ao desfilar maneiras de vagabundo entre os freqüentadores da taberna. crê-se, assim, mais atraente e confiante. isto em si não representa um revés para os objetivos carnais masculinos, o contrário: apenas mostra que samaria está tão disposta a conseguir flertes que prefere fugir de comparações contra moças comuns. mais um sinal a teu favor, já que delata a verdade sobre ela: uma amedrontada, uma fraca.

alguns rapazes cairão pateticamente em seus enredos de rata, acreditando estar diante de mulher inigualável. mas pertenço a uma maçonaria devotada aos ardis das mais caprichosas donzelas e sobre elas tudo sei. sobre samaria hei de ensiná-lo: de seu corpo tiramos o desfrute; dentre seus cabelos um tufo como troféu; e de sua covardia a garantia de que um próximo homem poderá deleitar-se do mesmo que nos deleitamos.

então, quando não mais a quiseres,
tome todo cuidado no preparo do novo pretendente,
como contigo agora faço.



segunda-feira, agosto 13, 2007

ela não me beija mais, ela não me beija mas hei de levar seu beijo comigo para o atacama. vai ser contra-vontade.

peraí que eu fui lá na cozinha buscar uma faca.

agora morfeu, segura ela aí nesse sonho enfadonho, especialmente se ela quiser acordar.

pra eu poder ir riscando a faca bem no contorno dos lábios dela.

hummm... muito bom...

hummm...

... feito.

descolei-os do rosto dela e colei-os ao meu.

agora dela não preciso mais. pra sempre beijo dela comigo.



sexta-feira, julho 13, 2007

{and sleep al mar}

mesmo náufraga preservou a paz de espírito. quatro dias de bote, mar, sol, céu; e mais ninguém além da irmã desmaiada de sede e terror. mesmo assim.

punha a cabeça na barriga dela e olhava bem pro meio do sol. fechava as pálpebras e assistia o imprint redondo de luz posar formas amorfas, mais ou menos como acontece quando observamos nuvens mudando de desenho.

valia-se, ainda, das manchinhas estranhas do campo de visão. dizem que é efeito da própria mente, hindus clamam prana e médicos especulam partículas do ar deslizando no líquido lacrimal. que fosse, para ela era muito decorativo. basicamente, recriava a noite na abóbada de seu próprio crânio.

tipo bandeira de navio pirata. encantou-se de uma vez por todas com a possibilidade, e até mesmo com a hostilidade da tripulação.

mas o tempo corria viscoso e só o que surgia era mais correnteza debaixo do bote.

e enfim a irmã engatou do delíquio à morte.

que só foi percebida quando os lábios defuntos ressecaram como casco réptil, vesículas purulentas pelo pescoço. então, a outra mergulhou em estilo homem ao mar.

lá do fundo vigiava a pequenina embarcação na superfície. seguia-a. não emergiu jamais, nem para pegar ar. de noite, para não perder o rastro, amarrava a cintura numa das cordas pendentes do mausoléu da irmã e dormia, sempre submersa, no meio das medusas.

várias semanas se passaram até que decidisse voltar ao bote. e foi o que encontrou: os cabelos estavam lá, intocados mas endredados; costelas e fêmures inteiros dentro da roupa; anéis ao redor do esqueleto das mãos. mas acima de tudo: o crânio redondíssimo, os dentes maltados, a mandíbula encaixada.

ela, num arroubo: jack sparrow!

e começaram um affair que o cinema nunca vai contar.

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