essa moça já deu o que falar.
categoria ~ brooshas
outras charadas de mona lisa
parece que o engenheiro francês pascal cotte é ainda mais aficcionado em mona lisa do que eu - a ponto de descobrir que nossa musa maior um dia teve sobrancelhas. e um sorriso mais marcante. e segurava um cobertor.
parece que o sorriso ficou mais obtuso porque da vinci quis assim. o cobertor desapareceu com o tempo e as sobrancelhas? bem, não se sabe. o que sei é que la gioconda fica muito mais enigmática sem elas.
incrível como nenhuma das descobertas dos pesquisadores reduz o misterioso da pintura.
via the daily galaxy.
eva de neve
à primeira vista era uma serpente gigantesca aninhada em si mesma após jantar um veado. mas chegando mais perto era possível enxergar uma pontinha de unha rasgando, por dentro, a barriga do bicho, e seu coração sendo empurrado para fora. agora o animal estava morto e ela poderia escapar sem ser engolida de novo. eva, a moça que fora caçada.
mas não seria tão simples: por onde passou um coração de serpente passaria também uma cabeça de gente mas jamais os ombros e o resto do corpo. para abrir a passagem, eva havia deixado todas as unhas no couro do réptil; e seus dentes não fariam melhor. decidiu, então, usar os do próprio animal. com um braço para fora, tateou a cabeça do bicho e enfiou a mão em sua boca estofada de gengivas. arrancou uma presa, arrancou a outra. usou-as para alongar o rasgo. saiu lá de dentro rolando em meio a vísceras ainda quentes.
eva notou que o coração havia se transformado numa maçã - tudo o que precisava para afastar a fome da noite. mas ela queria mais. então tomou nas mãos a cabeça da serpente e procurou sua língua. dela sugou o veneno, cuspiu-o na maçã, deu uma mordida e viveu para sempre.
luz del fuego: pós pagu, pré leila diniz, melhor que as duas
enroscada na jibóia com tabla, tampura e bansuri? la mujer sabía de las cosas!
o vento gelado lhe sobe as coxas sob o vestido, mas ela ainda está quentinha. pois os cabelos que ela não tem estão cobertos por uma touca de louça e fios de alabastro que voam como algas japonesas e a embrulham num novelo de sombras, pressentimento e anseio: palpos de aranha.
*blush*
espalmou-lhe um tapa na cara, o bruto.
ela se levanta delicadamente do chão, senta-se na penteadeira e apaga a marca vermelha com demaquilante.
{anel de cálibos}
usualmente samaria acorda, cata castanhas, cascas de salgueiro e água do poço, empoço de choros represados pela súbita ausência dos meus cortejos. eis o dissabor que deverás reverter a teu favor, mancebo. essamaria só tem coração para mim e não a quero, digo sim a quero - inteira agremiada por rapaz típico e hábil como tu.
verás que a moça tem suas virtudes, outras além da rotina cerimoniosa de toda manhã: é versada em matemáticas e tem gosto por porcelana, com especial simpatia por aparelhos de chá das famílias da colônia.
no entanto, se envaidece ao desfilar maneiras de vagabundo entre os freqüentadores da taberna. crê-se, assim, mais atraente e confiante. isto em si não representa um revés para os objetivos carnais masculinos, o contrário: apenas mostra que samaria está tão disposta a conseguir flertes que prefere fugir de comparações contra moças comuns. mais um sinal a teu favor, já que delata a verdade sobre ela: uma amedrontada, uma fraca.
alguns rapazes cairão pateticamente em seus enredos de rata, acreditando estar diante de mulher inigualável. mas pertenço a uma maçonaria devotada aos ardis das mais caprichosas donzelas e sobre elas tudo sei. sobre samaria hei de ensiná-lo: de seu corpo tiramos o desfrute; dentre seus cabelos um tufo como troféu; e de sua covardia a garantia de que um próximo homem poderá deleitar-se do mesmo que nos deleitamos.
então, quando não mais a quiseres,
tome todo cuidado no preparo do novo pretendente,
como contigo agora faço.
ela não me beija mais, ela não me beija mas hei de levar seu beijo comigo para o atacama. vai ser contra-vontade.
peraí que eu fui lá na cozinha buscar uma faca.
agora morfeu, segura ela aí nesse sonho enfadonho, especialmente se ela quiser acordar.
pra eu poder ir riscando a faca bem no contorno dos lábios dela.
hummm... muito bom...
hummm...
... feito.
descolei-os do rosto dela e colei-os ao meu.
agora dela não preciso mais. pra sempre beijo dela comigo.


